segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Bom Ano blah blah blah

Tinha pensado vir cá mais cedo desejar um ano de 2008 mesmo do caraças para toda a gente que me lê, que nem mensagem de Natal do Presidente da República, mas o dia tem sido pontuado por vários imprevistos.

Sendo assim, desculpem a brevidade da mensagem, mas ao menos fica a intenção. O que conta é as coisas ficarem bem feitas, e não a intenção (isso não conta para muito), mas sempre é melhor que nada.

Já agora, um pedido: preciso mesmo que o ano de 2008 me corra fenomenalmente; este é decisivo. Por isso, e como para haver sorte para uns, tem de haver azar para outros (por causa do equilíbrio, yin yang, e essa cocozada toda), se virem que o vosso ano começa de forma espectacular e assim se mantém, abrandem um bocadinho o ritmo, está bem? Vamos lá a dividir o mal pelas aldeias ;)

Se conduzirem não bebam, e se comerem muitos queijos diferentes, não façam misturadas com trouxas de ovos e afins. Toca a começar um novo ano com bem estar intestinal e com os carros sem amolgadelas ;)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Afinal sempre valeu a pena aprender a ler na escola primária.

Recebi este Natal um livro chamado "Método de Engate". É o melhor livro sobre como nos afiambrarmos a uma gaja que eu já vi. Não é que eu precise de ler livros destes, mas acho sempre piada.

Repito, este é o melhor. Sem grandes rodeios, mas de forma bastante coerente e analítica (embora pelo título não pareça), parte em pequenos passos tudo aquilo que se deve fazer para a maior parte das situações, bem como mudar toda a nossa atitude perante as mulheres.

Embora o livro não diga que tenhamos de ser uns completos cabrõezinhos (embora em certas ocasiões ajude), ele mostra-nos como estar sobre o controlo da situação e sermos assertivos com as mulheres, levando-as a fazer aquilo que queremos sem necessidade de tiranias. Mesmo assim, obriga os homens a ter um grau de frieza e racionalidade que está para além do meu alcance, apesar da teoria eu a ter toda.

Eu, no fundo, sou uma gaja com pila. Gosto de mulheres (embora não seja mulherengo, se bem que devia), mas não sou capaz de as tratar como um bocado de queijo flamengo. Apetece-me queijo, e sei perfeitamente tudo o que tenho a fazer para o consumir. Não me preocupo se corto as fatias finas ou grossas demais, se desperdiço demasiado queijo ao tirar a casca, e se a atiro à balda para o caixote do lixo. Quero queijo, vou comer queijo e ninguém me pode impedir de chegar ao queijo. Mas lá está, sou uma lésbica magrinha, com peitorais definidos, biceps desenvolvidos e barba de 3 dias. Tenho emoções. Tenho sentimentos. Tenho inseguranças. Tenho bom coração (se bem que isto já não é característica intrínseca ao indivíduo do sexo feminino). Tenho pavor a joguinhos. Tenho uma dose industrial de sinceridade. Tenho um copo com um Cegripe à minha frente porque há que impedir que a febre se instale. Tenho fome como o caraças e apetece-me uma sandes de atum.

Homem que é homem joga, sabe que é o melhor que pode acontecer à mulher que tenta conquistar, e põe todos os outros factores de lado. Ela só poderá ser feliz e realizada ao seu lado. Por alguma razão as mulheres acabam sempre por comer primeiro os parvalhões e deixar os bonzinhos no congelador, para uma eventualidade.

Há muito poucos homens em Portugal. Infelizmente, os tonis que o são, são suficientes para dar conta de quase todas as mulheres de jeito que por cá nasceram.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Feliz Natal ;-)

Não sou católico mas gosto do Natal. Não acho que seja uma coisa assim tão descabida; se pusermos o presépio de parte, o resto acaba por não ter uma conotação assim tão religiosa. Comemos coisas boas (tirando a merda do bacalhau com batata cozida), trocamos presentes (quando há dinheiro), somos simpáticos uns para os outros, temos mais paciência do que o costume e essas tretas todas.

O Natal, para mim, é uma época festiva em que nos unimos todos e damos força uns aos outros, como que para ganhar pedalada para começar bem um novo ano, que por sinal vai ser de loucos. Depois da passagem de ano volta a começar a mesma corrida desenfreada, com 10 milhões de cães atrás de 1200 ossos. Mas calma, agora é altura de tréguas, de paz, de amor, e essas tretas todas.

Aquilo de que mais gosto no Natal são os enfeites, com especial atenção para a árvore de Natal. Quando eu tiver uma casa mesmo minha, nunca vou desfazer a árvore de Natal. Aliás, quando toda a gente estiver a deitar fora as deles nos contentores do lixo (o espírito natalício esvai-se depressa para muita gente), eu vou estar é a por mais neve artificial na minha, mais bolinhas e mais luzinhas. Sempre que comprar qualquer coisa para mim, uma peça de roupa, um cd, ou outra coisa qualquer, vou pedir sempre para embrulhar. Depois ponho debaixo da árvore e só abro o embrulho passado uma semana, à meia noite de um dia qualquer. Vou por azevinho na porta e qualquer rapariga que entre na minha casa vai ter de me dar umas beijaças valentes (qualquer rapariga é como quem diz, tem de ser tremendamente gira, que não é por ser Natal que eu passo a baixar os meus padrões). Depois podemos ficar abraçadinhos a cantar músicas de Natal e a desejar paz no mundo e harmonia no seio de todas as famílias e essas tretas todas.

A todos vocês que lêem o meu blog, quer seja diariamente ou não, quer comentem quer não, desejo um Natal muito feliz (muito mesmo, estou a ser sincero), junto daqueles de quem mais gostam, a comer coisinhas boas, a ter conversas engraçadas, a dar muitos abraços e beijinhos, e essas tretas todas. Relativamente aos que acham o meu blog uma das coisas mais estúpidas a ter aparecido em 2007, embora não queira que passem o Natal sozinhos e com frio, espero que trinquem a língua com o brinde do bolo-rei, que vos entornem vinho por cima das vossas calças preferidas, e que a máquina de lavar roupa nova que compraram tenha problemas com o calcário e tenha de ser mandada para a marca durante três semanas; obrigando-vos a lavar tudo à mão durante uns tempos. De resto, e como todos os outros, espero que tenham muito amor, muita serenidade... e essas tretas todas.

PS: A propósito, não se esqueçam de que o Menino Jesus faz anos no dia 25. Calha mesmo no dia de Natal. Estou completamente sem dinheiro, por isso propunha-vos que fizéssemos todos uma vaquinha e lhe comprássemos um bercito novo no IKEA, porque aquele que ele tem, por mais que seja limpo, nunca se consegue tirar aquele cheirinho a estábulo judaico, que é como quem diz um pout pourri de palha, incenso, mirra e bosta.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

I'm a material boy =)

Um dos blogs que costumo visitar é o da minha amiga blogueira Sahara. Gosto de blogs pessoais, despretensiosos e com uma ligeira tendência para a parvoíce (mas não mais do que a minha, para não me sentir ameaçado). Hoje encontrei lá este textinho:

Uma pessoa não vale pelo que tem. Vale pelo que é. Há pessoas que, porque já têm, pensam que já são. Não são. Nem se sabe se virão a ser.

Autor anónimo

Apesar de pequeno, este texto deixou-me a pensar durante algum tempo (cerca de 22 segundos). Esse momento de introspecção levou-me à seguinte conclusão:

Eu, enquanto não valho pelo que tenho, lá me vou conformando em valer por aquilo que sou... como se isso valesse alguma coisa.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Parabéns =)


Estou a ouvir a Cor de Leão :)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

I'm lovin' it

Durante muito tempo fui alheio à felicidade. Nunca pensava nessa palavra e, talvez por isso mesmo, era feliz. É um pouco irónico que os nossos tempos mais felizes, especialmente quando somos crianças, sejam aqueles em que menos temos consciência disso. Felizmente, fomos abençoados com o poder de recordar. Recordar e sorrir.

Agora, a toda a hora, por tudo e por nada, avalio constantemente o meu estado de espírito. Sei que ainda não sou feliz, mas sei também que a minha hora ainda não chegou. Ambiciono esse estado de perfeição com todas as forças do meu ser mas, mesmo assim, tenho sentido enormes dificuldades em lá chegar.

Ah... o caminho para a felicidade! A estrada mais bem alcatroada de que há memória! Quatro faixas, pavimento imaculado, sem limites de velocidade e sem acidentes. Todos acreditam na possibilidade de que exista uma via assim, onde condutor e peão se fundem num só, e o caminho se apresenta límpido diante de nós. O caminho para a felicidade? Não existe.

Não existe um, existem vários caminhos! Todos nós podemos ser felizes (pronto, nem todos, caso tenhas nascido no Alto Minho, no seio de uma família de pobres agricultores, a quarenta kilómetros da escola primária mais próxima, sem ter automóvel próprio)! Partam à descoberta, sejam audazes! Acima de tudo, acreditem. Acreditem e descobrirão.

Tudo aquilo que mais queriam está mesmo à vossa frente (de novo, a menos que vivam no interior profundo do país). Basta dar um passo em frente e pedir.

No meu caso, o caminho para a felicidade revelou-se bem mais simples do que eu pensava. Corta-se para o hotel, passa-se pela esquadra da PSP, vira-se à direita na rotunda do Modelo, e vai-se sempre em frente, até encontrarmos as luzes vermelhas e amarelas, redentoras como nenhumas outras.

Sim, basta dar um passo em frente e pedir. "É um Mcmenu grande Big Tasty com batido de morango e um double cheese à parte. Afinal é mais um pacote grande de batatas, que acho que hoje o meu amigo vai comer as dele todas. Sim, seis pacotes de ketchup devem chegar."

O caminho para a felicidade? Se eu descobri o meu, vocês conseguirão descobrir o vosso.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Have I met you in the 80s?

(Winger - Headed For a Heartbreak)

I hope not.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Nunca vos aconteceu...

...estar aos beijos com alguém pela primeira vez e sentir língua alheia de repente sem se estar à espera? Sim, é isso. Uma pessoa está aos amassos e começa logo a receber visitas, não sendo a nossa reacção (involuntária) a mais natural possível. Pior, a outra pessoa percebe que não estávamos à espera e refreia o ritmo. Nós, como percebemos que ela percebeu, e não querendo que lhe falte nada, decidimos pôr então o nosso musculinho rosado à disposição. Agora era ela que não estava à espera; invertem-se os papéis.

Será que isto só acontece comigo? Não seria boa ideia criar um manual de boas práticas, em que todos os passos a tomar seriam subdivididos ao longo do tempo, consoante um padrão de bom senso universal? Será que não podemos ir com mais calma e saborear as coisas sem qualquer tipo de pressão?

Exijo, no entanto, uma coisa. Coerência. Se me vais meter a língua pela faringe após o quarto beijo só porque achas que já é tempo, depois não te ponhas com rodeios para tirar o soutien na altura que eu acho mais apropriada.

PS: Não ando a trocar miminhos com nenhuma felizarda. Simplesmente lembrei-me agora disto. Acontecia-me quase sempre.

O que vale é que só acontece aos outros =)

Fui fazer, na quarta-feira passada, o exame de inglês do CAE de Cambridge, no Hotel Altis. Foi um dia extremamente cansativo (e podia ter sido mais, se certas pessoas não me tivessem recebido de braços abertos); cheguei la às 8:30 da manhã e só saí às 17:50.

As condições em que o exame decorreu foram muito rígidas, mas nem tudo foi stressante. Recordo, com nostalgia, um pequeno acontecimento curioso. A examinadora-mor dirige-se ao microfone da sala Europa e diz o seguinte:

Before I dismiss you, I'd like to have your attention, please. There seems to be a problem with one of your ID cards. It seems to have expired. After exam one, candidate number 5005 needs to come to the examiners' table, so that I can have a word with you.

Foi qualquer coisa deste género. Começou tudo a rir baixinho. Eram só 142 pessoas a largar gargalhadinhas abafadas. Confesso que também me ri um bocadinho. Não me ri muito, porque cedo reparei que eu é que era o 5005. "Fóc", pensei eu.

Pois é; já não sou cidadão português desde Outubro deste ano. Sinceramente, estou-me a cagar. Pode ser que agora as portagens e a gasolina baixem só para mim, que comece a ganhar dinheiro que se veja, e que seja mais respeitado enquanto cidadão (de lado nenhum).

Hei-de tratar do BI um dia destes.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Isto só prova que nem sempre conhecemos bem as pessoas.

Hoje estava a falar com uma pessoa amiga, estando essa mesma pessoa a queixar-se de que ultimamente as coisas lhe poderiam estar a correr melhor. "Podia ser pior, pessoa amiga" - disse eu - "a vida até nem te está a correr nada mal, se olharmos por um prisma mais racional". A importância de certos problemas, que às vezes nos parecem avassaladores, é frequentemente posta à prova quando as outras prioridades da vida se avizinham.

Quando uma pessoa está aflitinha para fazer xixi ou cocó (ou ambas, no caso do cocó, já que é impossível fazer-se cocó sem antes se fazer xixi; perguntem a quem percebe de anatomia e fisiologia do corpo humano), essa passa a ser a nossa prioridade, tornando os nossos problemas sociais mais prementes (o que acidentalmente acabou por se revelar uma piada engraçada, tendo em conta que uma bexiga cheinha de xixi é um problema bem mais premente do que aqueles existenciais a que me refiro; ide ver "premente" aos vossos dicionários da Língua Portuguesa) facilmente olvidáveis. Eu até posso estar preocupado por ter a renda em atraso e a vizinha da frente não me ligar nenhuma, mas se a vontade apertar o suficiente, não é nem a senhoria nem a vizinha que vêm cá ajudar a prevenir que eu me torne incontinente quando chegar a uma bonita idade sénior. Na hora de alcançar alívio, rapidamente nos esquecemos de que estes assuntos nos ocupam a cabeça. Direi mesmo mais: um operário fabril (poderia dar os mais variados exemplos) que tenha sido despedido, após 30 anos de casa, sem perspectivas de futura estabilidade financeira, quando precisa mesmo de ir à casa de banho, não pensa nos meses de salários em atraso nem por um segundo. Antes, sempre. Depois, certamente. Durante, não senhor.

Este assunto rapidamente nos levou para outros voos, não menos interessantes do que a premissa que iniciou a amena (ao princípio) discussão do dia de hoje.

Para já, façamos um resumo da situação:

1 - Estabeleceu-se que há certas prioridades impostas pela roleta da vida que se sobrepõem a qualquer necessidade extrínseca ao homem.

2 - Dada a importância destas prioridades, subvalorizadas na pirâmide que contém tudo o que há de mais importante na nossa existência, concluiu-se que, mesmo no caso das nossas vidas estarem pejadas de contrariedades derivadas das vicissitudes da nossa necessidade de integração na sociedade, outras prioridades implícitas e aparentemente adormecidas no organograma do dia-a-dia, tomam para si com firmeza os lugares cimeiros da nossa utilização do tempo disponível. Xixi ainda é como o outro, faz-se em qualquer lado (as meninas inclusivé, através de técnicas que eu não sonhava serem possíveis; amigas minhas já fizeram xixi em sítios onde eu, nem com a possibilidade de apontar a alguma distância, teria coragem de o fazer). Já o fazer o cocó, é dos actos mais depreciados pela sociedade, mas que mais precisa de planeamento e das condições adequadas para a sua realização, sendo os resultados bastante recompensadores, através de um exacerbado sentido de conquista e a certeza de uma tarefa bem executada. Já que é para cagar, que seja em "poltrona de ouro", se possível.

Prosseguindo, é compreensível que, tendo em conta que esta necessidade não escolhe estratos sociais, raça, sexo, ou altura do dia, nem sempre seja possível jogar este jogo no nosso estádio de eleição, a nossa casa (ou, para quem tem casas de banho muito fraquinhas ou muito porquitas, qualquer retrete de um hotel de luxo). Por vezes, a calendarização da expulsão de resíduos nos obriga a fazê-lo fora da nossa zona de conforto, sendo que, por vezes, a claque adversária nos dificulta enormemente a tarefa.

Eu conheço a minha sanita e as minhas competências físicas, bem como os meus hábitos alimentares. Os três factores combinados geram uma percentagem de 97,8% de ausência de salpicos na altura da entrada do objecto da acção aqui discutida na atmosfera da louça sanitária. Mas outras sanitas há que não garantem resultados tão animadores. Aprendi, portanto, e de forma autodidacta, a usar o método da caminha de papel higiénico, sendo que, por preocupações ambientais e até por uma questão de brio, desenvolvi uma técnica que me permite manter o dispêndio de papel a um mínimo histórico.

E não é que esta pessoa minha amiga, após o meu relato, começa a tecer comentários jocosos acerca da minha pessoa e da minha orientação sexual? Lá por eu por papel higiénico no fundo sou cromo ou homossexual? Ser-se metódico e asseado são requisitos directos para se gostar de indivíduos do mesmo sexo? No meu entender, não me parece o juízo mais acertado. Sou metódico, sim; os horrores passados no campo de batalha que é a casa de banho assim o exigem, mas aprecio bastante mulheres. O facto de não pensar nelas quando estou aflito não abre nenhum precedente para a homossexualidade, reforçando unicamente a importância que esta actividade apresenta, e tornando-a merecedora das mais altas honras.

Nunca pensei que esta pessoa amiga fosse tão descuidada nesta matéria. Ignorar a possibilidade do salpico é quase como que abdicar de todas as características que nos tornam diferentes dos animais irracionais. Se eu soubesse, nunca tinha feito amizade com uma pessoa que não se importa de estabelecer sinergias com a sua sanita. Eu não sou preconceituoso, mas isto é demais. Mesmo assim, e pondo em prática todo o meu altruísmo, em vez de renegar esta amizade, decidi tentar mostrar-lhe o caminho da redenção anal (isto soa extremamente mal, mas indivíduos inteligentes compreenderão o seu sentido sem esboçar qualquer tipo de segunda intenção mesquinha).

Espero ter consciencializado as pessoas para esta problemática. Não deixem, em altura alguma, que uma qualquer loiça sanitária vos domine. Digam NÃO ao contacto de água de sanita com os vossos rabos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Paraíso?

Deve ser altamente ser-se cão e viver no seio de uma família em que um membro sofra de anorexia. Altamente mesmo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

E agora, por esta altura, o meu pai estava a fazer o quê?

Para o ano vou fazer 27.

No dia em que fiz 24, as primeiras palavras da minha mãe, assim que eu acordei foram L I T E R A L M E N T E "o teu pai com 24 anos já tinha um filho". Lembro-me vagamente de ter ouvido mais tarde a palavra parabéns.

Guardo também, com redobrado carinho, as primeiras palavras que a minha mãe me disse no dia do meu 25º aniversário. "O teu pai com 25 anos já tinha dois filhos; era ele no Ultramar no meio do mato e eu com eles ao colo". Mesmo se não houvesse guerra naquela altura, penso que a escolha acertada seria ir para o meio do mato, tendo em conta que ainda não havia fraldas descartáveis.

Logicamente, a minha boa memória para acontecimentos passados preservou de novo as palavras que a minha mãe me dirigiu no meu aniversário seguinte. PARABÉNS, menino! O teu pai com vinte e seis anos já tinha três filhos!"

Sim, eu tenho 3 irmãos (um mano e duas manas) bastante mais velhos que eu, todos eles nascidos em escadinha. Não havia internet naquela altura, e as ocupações eram outras. Acho que, mesmo que houvesse, os meus pais não saberiam mexer nela. Seja como for, e tendo em conta que o principal objectivo da internet é a pesquisa de pornografia (mas também dá para procurar outras coisas; eu pelo menos já ouvi dizer que sim, embora não conheça ninguém que o tenha conseguido), suspeito que o resultado acabasse por ser o mesmo.

Voltando de novo ao assunto:

Mas que raio de competição doentia é esta que a minha mãe promove entre mim e o meu pai? Eu nem sequer tenho namorada! Mais do que isso, nunca apresentei aos meus pais formalmente nenhuma namorada minha! Elas lá em casa, tirando a última, eram sempre conhecidas pelos seus nomes de código (como por exemplo "Menina do Clio Preto"), visto que eu sempre tive uma enorme relutância em partilhar com eles pormenores da minha vida amorosa, estendendo-se até ao nome. Vou agora aparecer em casa todos os anos com um filho que pode até nem ser meu, fruto de uma relação com uma rapariga que eles mal conhecem, só para um dia a minha mãe me acordar com um "Parabéns, o papá e eu ainda voltamos a tentar mas desta vez ganhaste, toma lá 100 euros"? Quatros filhos para empatar e cinco para ganhar o jogo da vida? Não havia eu de fazer mais nada!

Que fique bem claro: o acto de praticar por uma questão de refinamento das competências no leito amoroso é salutar, mas esta engravidação em série já se encontra um pouco acima das minhas possibilidades. Mesmo sem contar com o trabalho que a criançada ia dar, longe de mim querer sujeitar a minha querida esposa a uma vida de estrias e mamas descaídas após os quarenta! Deixem lá a mulher dar à luz e recuperar de cada um (ou uma) como deve ser, se faz favor! Caso contrário, como é que ela vai continuar a fazer inveja às amigas, mesmo depois de já não ser tão nova? Não se pode sempre fiar no facto do maridão continuar a ser mais atraente que os das outras.

Estou constantemente a ser posto à prova; já irrita.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Primeiro desabafo e escrevo o texto. Depois fico cinco minutos à procura de um título. Que se lixe. Vai este, que não envergonha ninguém.

A primeira coisa que fiz quando acordei foi mandar uma mensagem para um grande amigo meu.
Dizia assim na mensagem:

"Ó deficiente do caralho! Por tua causa, no domingo, vou ter de me levantar às 6 da manhã e levar o meu carro para o meio de Lisboa só para fazer a merda de um exame de inglês e às 10:30 estar pronto para voltar para cá. Vai apanhar no cu!"

Mas porque é que eu me fui meter no inglês? Eu não preciso de aprender a falar melhor inglês! Quanto muito preciso de aprender a falar pior inglês! Os ingleses nunca elogiam as capacidades linguísticas de alguém que fala espectacularmente bem. Eles só elogiam quem fala assim-assim e lá se vai safando, por uma questão de condescendência! É a história do "your english is definitely better than my portuguese". Ai que bem que fala inglês, o coitadinho do portuguesinho... Se eu fosse ao Reino Unido, com o meu vocabulário e pronuncia, tratar-me-iam como uma pessoa igual a eles, nem mais nem menos. Ora isso é mau, porque os ingleses são todos uma cambada de chatos, feios e gordos. Se fizermos uma estimativa média da gaja boa inglesa (não das espectaculares), aparece-nos à frente uma gaja loura de cabelo oleoso, com problemas de peso (ou a mais ou a menos), burra e bruta que nem um autocarro. Eu conheço as séries mais antigas do EastEnders, meus amigos, não vale a pena andar a disfarçar com as mais recentes.

Este meu amigo convenceu-me a ir para o inglês no ano passado, com o argumento de que não adiantava de nada termos boas competências linguísticas, se depois não constasse do nosso currículo um diploma que atestasse essas mesmas competências. Além disso, iamo-nos rir como o caraças no meio daquelas aulas, a gozar com toda a gente e a imitar sotaques de indianos, franceses e italianos a falar inglês (mas especialmente de indianos). A propósito: será que os indianos ainda não se aperceberam de que ficam ridículos a falar inglês, ridículos ao ponto de estereotipar um povo inteiro como uma cambada de atrasados mentais? Se ainda o fizessem apenas pelo conteúdo humorístico, ainda percebia. Mas não, esta gente acha que se safa a falar inglês, e que o devem continuar a fazer. Por acaso nas aulas de português para estrangeiros alguma vez se ensinou que o sotaque correcto era o madeirense ou o açoreano? Não! Porquê? Porque é demasiado ridículo! Só há uma forma correcta de falar! Não se escondam por trás do argumento da diversidade cultural! Acabem também com o mirandês! Nós andámos na Índia durante imenso tempo. Será que não aprenderam nada connosco?

Lá comecei a ir ao inglês, por pressão insistente do meu amigo, volto a frisar. Acham que ele alguma vez lá meteu os pés? Não! Nunca! O palhaço convence-me a fazer os testes de aferição, pago aquela porcaria, que não é assim tão barata, e nunca mais mete os pés naquela merda. Aliás, meter até meteu. Porquê? Inscreveu-se na iniciação ao Espanhol aos fins de semana! WHAT THE FUCK WAS THAT? "Ai não tenho tempo durante a semana, e o espanhol começa a ser bastante importante no currículo de um profissional". Ai sim? Profissional de quê? Da foda? Ele ainda hoje, passado um ano, só sabe dizer "Oh si cariño, se a ti te gusta a mi me encanta"! E também sabe dizer pila, foder, cú e passareca em espanhol. Mais nada! Porra!

Ao princípio até nem desgostei. Direi mesmo mais: houve dias em que o ponto alto foram as aulas de inglês. No entanto, este ano não, já estou a ficar farto. Tou mortinho por fazer os exames finais e sair dali. Adorava aprender a falar japonês (eu sei algumas coisinhas, e é bem mais fácil do que eu pensava, mas sem um bocadinho de disciplina, acabo sempre por me desleixar); abriu um curso de japonês aqui perto há pouco tempo e acho que o dinheiro ali seria mais bem empregue.

Supostamente, irei fazer o exame do CAE agora em Dezembro e depois o final, o CPE, em Julho. Depois de receber a folhinha com o local do exame, morada, e horários, percebi uma coisa. Gostava, muito sinceramente, que a pessoa que fez estes horários fosse empalada no poste de iluminação mesmo à frente do meu prédio. Acho que era capaz de tirar uma meia horinha para ir beber chá de lúcia-lima e comer scones à janela, enquanto via o porco (ou a porca, não podemos ser sexistas, como diz a minha actual professora de inglês) a estrebuchar, "sentadinho" no poste. É, no fundo, uma bela diversão para entretenimento familiar.

Tendo em conta que, se não estivermos no local do exame (e por estar no local, entenda-se sala, e não à volta do edifício à procura de lugar para estacionar) quinze minutos antes do seu início, já me tinha decidido a ir de transportes públicos. É raro ter de conduzir em Lisboa, sendo que por isso, se tiver de ir para sítios que de carro ainda não conheço bem ou têm demasiado trânsito, prefiro ir de expresso. É até mais barato. Neste caso, nem sequer a rápida sai a uma hora que me garanta que estou lá a tempo. Ainda se depois disso não tivesse de apanhar mais transportes... É que se chegar um bocadinho atrasado a uma parte do exame, já não me deixam fazer mais nenhuma e lá fico a arder em tempo e dinheiro. Isto não é um princípio da pontualidade britânica, é a total confirmação dos desafios psicossociais que pairam naquelas cabecinhas chatas. Sim, porque, tendo em conta que o exame tem 5 componentes, foram inteligentíssimos em marcar a parte oral para domingo de manhãzinha, e as outras quatro partes para outro dia, durante o dia todo.

"Aproveita o domingo e vai passear, vai às compras". Oh si cariño, é que é logo a seguir ao exame, saio e vou disparadinho. Não gosto de andar a ver coisas de que gosto e não ter dinheiro para as comprar. Prefiro fazer de conta que elas não existem. É assim que lá vou fazendo o orçamento render. Por outro lado, se não tivesse gasto dinheiro com o inglês, com o exame, em gasolina e portagens, talvez o pudesse fazer.

Sai cara, esta coisa de "adquirir conhecimentos e competências". Se eu fosse rico, no entanto, não precisava de diplomas para nada e, muito menos, de aprender. Que eu saiba não há nenhum curso de formação para pessoas que desejem saber como proceder numa praia paradisíaca, deitadinhos ao sol e com um cocktail de fruta na mão, ou num spa a receber uma massagem de uma eslava bem torneada, ou no concessionário da Porsche a escolher uma cor para o meu Carrera GT de fim de semana.

A maior parte das pessoas tira cursos porque é a única forma de lhes permitir exercer funções que lhes darão mais dinheiro, reconhecimento, ou poder, e não porque adora aprender. Em suma, aprender (coisas lixadas e académicas) é um acto de hipocrisia.


quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sou um investigador, um homem de ciência

Para todos aqueles que nunca tentaram comer sopa com uma colher de servir azeitonas:

Não tentem, porque é difícil, mesmo difícil. Se gostarem da sopa muito espessa, as possibilidades de poderem vir a ver o fundo do prato aumentam; caso contrário, relativamente a caldinhos e afins, esqueçam.

Neste caso específico, ou uma pessoa mexe o braço à velocidade do som, tendo sempre a boca a dois centímetros de distância da colher, pronta a sugar o nutritivo líquido, ou então "prueba no superada". Para todos os efeitos, quando a ciência chama, chama mesmo, não restando outra solução que não a de testar todas as premissas relevantes. Nada poderá apagar em mim, no entanto, a sensação de que o escasso que tempo de vida que eu, como ser humano, disponho neste mundo, poderia ter sido mais bem empregue noutras vertentes de pesquisa.

Provei, ainda assim, que daria um excelente investigador. Ao serem-me atribuídos fundos para investigação, ideias nunca iriam faltar. Em último caso, há mais colheres parvas, e mais fluídos estranhos para serem testados. Haja imaginação.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Quem me quiser conhecer melhor...

Ultimamente a vida não me tem presenteado com muita parvoíce, facto que me tem impossibilitado de escrever com a assiduidade que me caracteriza. No entanto, tenho visto por aí um questionário que, embora na realidade seja uma palha pegada, respondido por mim pode ser equivalente a copo de suminho proveniente de laranjas bem espremidinhas.

Aqui vai:

...

Olhos: Acastanhados, embora várias vezes se enganem e me digam que são verdes, dependendo da iluminação. Como é lógico, nessas alturas eu nunca corrijo ninguém.

Cabelos: Quando deixo crescer um bocadinho mais, lembro-me de que é castanho-amêndoa, seja lá o que isso for.

Altura: 1 metro e 82 centímetros de pura loucura. Corpo elegante, magro mas com massa muscular adequada e tonificada, para haver onde agarrar durante aqueles momentos mais intensos, no elevador.

Ascendência: Português de gema, clara e casca. Mas nada daquelas famílias que ainda são ligeiramente arraçadas de árabe, credo.

Signo: Caranguejo. Põe-te de lado, fofinha, que hoje damos as pinças e vamos passear à beira-mar.

Sapatos que estou a usar: Estou a usar o belo do Téni, como é óbvios.

Medos: De ser pobre. De ninguém gostar de mim. De existirem apenas mil pessoas no mundo, 999 adorarem-me, uma não gostar de mim por motivos assim assim, e nunca me dizer porquê.

Objectivo que gostaria de alcançar: Não me apetece dizer, ainda acaba por dar azar.

Frase que mais uso no MSN: “Eu sei q sou 1 amante fantástico, mas tb n precisas de tar sp a repetir isso; ainda p cima apenas 10 segs apos me ter posto online, sua chata do caraças. N tinhas loiça p lavar?”

Melhor parte do corpo: Sem dúvida as minhas mãos (embora ligeiramente mais a esquerda do que a direita). Os lábios também não são nada de se deitar fora.

Coca-Cola ou Pepsi: Coca-Cola. Pepsi rima com Bibi e com Bambi.

MacDonald's ou Bob's: Pergunta estúpida. Mac, obviamente (Big Tasty mnham mnham).

Café ou Capuccino: Adoro capuccino, embora beba café mais frequentemente (mas não frequentemente).

Fumas: Não, não, e não. Além disso tenho o dom de fazer parar de fumar a namorada da altura, senão acaba-se logo ali a relação (embora não seja eu a acabar com elas porque elas se recusam a parar de fumar, mas elas a acabar comigo porque eu me recuso a parar de ser chato).

Palavrões: É raro, mas se estiver sozinho e irritado, lá sai um F ou outro. Mas é mais como mantra do que como palavrão PALAVRÃO.

Perfume: Se tivesse dinheiro para isso, tomava banho em Emporio Armani for Men todos os dias. Felizmente para a sociedade, não tenho dinheiro para isso.

Canta: Segundo uma pessoa que percebe do assunto, “nunca vi ninguém tão tenso a cantar como tu”. Eu concordo.

Toma banho todos os dias: Sim, mas nem é por mim, tendo em conta que transpiro pouquíssimo. Nunca se sabe quando uma rapariga gira nos vai assediar, daí a necessidade de uma higiene pessoal cuidada. Só por isso.

Gostava da escola: Nunca gostei de escola nenhuma em que andei. Por mim, todos os estabelecimentos de ensino podiam arder, que era para o lado que eu dormia melhor. Ainda por cima as pessoas mais ignorantes são as mais felizes; seria até um favor acabar com a educação.

Acredita em si mesmo: Naquilo que digo? Sempre, e piamente, mesmo quando estou errado. Nas minhas capacidades? Raramente, o que se torna ainda mais estúpido sabendo que sou um indivíduo com um potencial incomensurável.

Tem fixação pela saúde: No dia a dia, nem por isso, mas de vez em quando tenho aqueles momentos em que fico preocupadíssimo com vários aspectos da minha saúde. Sou aquilo a que se chama um Dr Jekyll and Mr Hyde da hipocondria.

Dá-se bem com os seus pais: Tem dias. Tem noites.

Gosta de tempestades: Desde que eu não me molhe e a electricidade não falhe aqui em casa, é para o lado que durmo melhor, de novo.


No último mês...

Bebeu alcool: Não.

Fumou: Ver resposta em cima.

Fez compras: Infelizmente não.

Comeu um pacote inteiro de bolachas: Meio.

Sushi: Não.

Chorou: …não… sniff.

Fez biscoitos caseiros: Nem sequer gosto lá muito de biscoitos. Bolo para mim, tem de ter creme.

Pintou o cabelo: Não sou nem gaja nem maricas.

Roubou: Não pertenço ao conselho de administração de nenhuma empresa, não tenho espírito de portuguesinho chico-esperto, não entrei em nenhuma edição do Big Brother e não sou cleptomaníaco.


Nº de filhos: Zero. Vontade de os fazer: todinha. Gostava de ter um casalinho. Primeiro nascia o rapaz, e depois, passados dois ou três anos, a rapariga. Assim, o rapaz, para além de se habituar desde cedo à convivência com as amigas da irmã, podendo mais tarde afiambrar-se a várias delas, estaria sempre alerta para dar uma valente carga de porrada nos abutres que andassem a rondar a irmã, sempre que o pai não a pudesse vigiar.

Como quer morrer: A dormir, ou então a salvar alguém que mereça, como num momento trágico de um filme de aventura.

Piercings: Nopes.

Tatuagens: Nopes nopes.

Quantas vezes o meu nome apareceu no jornal: Algumas, mas há mais Marias na terra. Mas já apareci na televisão durante uns largos minutos (ver post da Rita Mendes).

Cicatrizes: 4: uma grandita na parte de trás do braço direito, uma pequenita na parte de trás do braço esquerdo, um ponto minúsculo na mão esquerda, e um rasgãozito de quando uma faca ferrugenta se foi alojar na parte de baixo da minha perna esquerda, sendo que esta última, infelizmente, mal se nota. Fiquem descansadas que não é nada que, na hora H, se torne inibidor da prática implícita na pergunta “Nº de filhos”.

Do que se arrepende de ter feito: Para além de várias coisas que não são agora para aqui chamadas (não necessariamente por serem todas sórdidas, mas porque não estou para aí virado), talvez possa dizer que me arrependo de ter sido exageradamente introvertido durante tantos anos.

Cor favorita: Cores. Preto, Verde Alface, Azul Clarinho, Laranja Desenho Animado, Cinzento A Atirar Para O Metalizado Mas Não Totalmente Pelo Facto Deste Tom Ter Sido Completamente Banalizado Principalmente Por Culpa Da Indústria Automóvel Clarinho.

Disciplina favorita na escola: Educação Física.

Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar: Japão! Japão! Japão! Diria mesmo mais: gostava de morar e trabalhar lá durante um ou dois anos, pelo menos.

Matutino ou Nocturno: Nocturno, embora já tenha sido mais. Digamos que, neste momento, num mundo ideal, acordaríamos sempre às 10:30 (com tolerância para as 11), faríamos as nossas coisinhas até ao almoço, para acordar, e então aí sim. Depois da sobremesa, toca a ser produtivo, pelo menos até ao jantar. Depois, só boa vida até ir de novo para a cama, nunca antes das 2.

O que tenho nos bolsos: Um papelinho de um Mini-Twix que já devia ter ido para o lixo.

Em 10 anos imagino-me: Digam-me vocês. Eu já não sei de nada. Feliz, espero.

...

Ao princípio pensei que isto fosse uma forma rápida de actualizar o blog, sem ter que pensar muito. Acabou por me dar mais trabalho do que eu pensava. Espero que tenha valido a pena.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Uma boa alimentação

Há cerca de duas semanas fui com o meu amigo J. à melhor pizzaria aqui da zona. Mas que pizzas fantásticas! Só pecam por não serem tão gordurosas como as da Pizza Hut e Telepizza (já se sabe que o sabor está todo naquele escorrerzinho de gosma pela fatia fora), mas ganham por terem um maior toque caseiro.

Gosto de pão. Gosto de queijinho. Gosto de tomate. Gosto de cogumelos. Gosto de azeitonas. Gosto de carne. Gosto assim de um ananá ou outro misturado. Logo, adoro pizza. Basta juntar uma pepse para empurrar o pãozinho e temos maravilha instalada na barriga. No fundo é apenas uma tosta mista glorificada e sumo. Que mal pode fazer?

Como ambos gostávamos de ser homens de família respeitáveis no futuro, pedimos duas pizzas familiares, uma para cada um, para não haver invejas. É como fazer um Plano Poupança Reforma antes dos 30. Uma pessoa ainda não chegou lá, mas já está a armazenar comida para um dia poder sustentar a prole.

Acontece uma coisa engraçada com a comida. Quando está muito boa, é impossível apreciá-la de forma perfeita. É que enquanto nos sabe tão bem que parece que estamos a ter uma conversa estimulante com a mulher da nossa vida (existe melhor forma de dois adultos aproveitarem o tempo sem ser recorrendo ao diálogo?), precisamos sempre de mais e mais. No entanto, esse "mais mais mais" nunca leva a um orgasmo alimentar. O resultado é sempre ficarmos tão cheios enjoados que não conseguimos olhar nem para mais um bocadinho de fiambre. Felizmente somos portugueses e há sempre espaço para a sobremesa.

Esta pizzaria de que vos falo foi remodelada recentemente, sendo agora substancialmente maior. Até aí tudo bem. Estamos mais à vontade, com bastante mais espaço, e talvez isso seja um catalizador psicológico para termos ainda mais vontade de dilatar o estômago. O serviço está agora muito mais rápido, devido a terem aumentado a quantidade de empregados, não só no restaurante propriamente dito, como na tarefa de entrega ao domicílio. É vê-los a sempre a entrar e sair, com a farda da pizzaria, uns atrás dos outros. Aliás, eu suspeito que há lá algures uma senhora escondida, deitada numa marquesa, a dar à luz rapazinhos de blusão e boné verdes, já montados em lambretas, em pleno parto, tendo em conta a alarvidade de empregados diferentes que por la vi.

É um dado adquirido que não se aprende nada com as histórias que conto. Quanto muito aprende-se o que se deve evitar, de forma a atingir o sucesso ou, no mínimo, uma correcta integração na sociedade. Considerando este facto, decidi ensinar-vos que o plural de "pizza", em italiano, é "pizze". Não digam agora que aqui não há suminho. Espero ter contribuído para a vossa felicidade.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Querido Pai Natal =)

Este ano fui um bom menino. Eu sei que não fui perfeito, longe disso, mas pelo menos esforcei-me... Dei miminho a quem dele precisou, fui um amiguinho muito estável e confiável, e estou quase no caminho certo para me tornar num homenzinho responsável e independente.

Não achas que mereço boas prendinhas? Eu acho que sim :-)

Tinha três coisitas principais em mente... Vá lá, são só três... Eu sei que já não és um senhor novo, mas apesar de barrigudo, as tuas artérias não estão nada entupidas e ainda tens bastante força para carregar tudinho! Se vires que não dá tempo de fazer todos os meninos felizes e ainda assim atender o meu pedido, dou-te mais uns diazinhos, se quiseres. Quem já esperou tanto tempo por ti, também é capaz de esperar até ao ano novo.


1. Nintendo Wii


Dantes era maluquinho por jogos, embora nunca tenha deixado que isso interferisse com a minha amorosa (também não tinha vida amorosa; no entanto, se a tivesse, não a ia negligenciar). Entretanto, as vicissitudes da vida, vulgo, falta de tempo e principalmente carteira vazia, fizeram com que me desligasse deste hobby fascinante, que nos transporta para mundos onde não há exames, não há trabalho, não há paixões mal resolvidas, não há desilusões amorosas, não há pessoas a dizerem-nos que somos fantásticos, e carinho que é bonito é que nada, nem conflitos com a família. Há apenas corridas para vencer, extraterrestres para matar, planetas para explorar, e psicopatas para desventrar. Uma maravilha!




2. PRS Custom 24


Como é óbvio, eu não sei tocar guitarra, mas mesmo assim gostava de ter esta. A seguir a um bebé, a um cachorrinho e a um carro bem janota, este é o objecto que, estando na nossa posse, mais impressiona as raparigas. Gostava mesmo de ser guitarrista. Tenho a ideia de que são indivíduos fabulosos e extremamente realizados do ponto de vista sexual. Pudera, com uma guitarra daquelas!



3. Avioneta


Para com ela voar e ser feliz.

...

Não estou a ser exagerado, pois não, Pai Natal? Eu bem te disse que eram só três coisas... Seja como for, se me obrigares a optar por uma delas, escolho a última. O que não acho aceitável é ignorares o meu pedido. Tu até sabes que me portei bem...



PS: Não te esqueças, eu sei onde moras. Ainda por cima, tendo agora gps, a Lapónia está à distância de alguns cliques. Verás como uma raquete de ténis não serve só para bater em bolas... de ténis. Escusas de pedir ajuda ao Menino Jesus, que com um franguinho daqueles posso eu bem. E ele que não diga que vai chamar o mano mais velho, e que depois me dá porrada, que eu sei que é mentira. Ele é filho único, o Anjo Gabriel não tinha paciência para aturar mais um. Ele até queria um casalinho, mas sabe-se lá se vai sair menina ou voltar a sair menino...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Cavalheiro Andante

Anteontem à noite, ia eu lampeiramente (apesar de já estar atrasado) pela rua, rumo aos meus compromissos, quando reparo numa rapariga, por sinal até bonita (embora pudesse beneficiar de um banhito de loja), a sair de um prédio. Ia tão apressada que deixou cair as chaves, vindo estas a deslizar pela calçada até junto dos meus pés.

Como cavalheiro que sou (e juro pela minha sinusite que não foi por ser gira), baixei-me prontamente para apanhar as chaves. Apesar de eu ter sido mais rápido, baixámo-nos praticamente no mesmo instante.

No entanto:

O tempo não parou...

O mundo não se fechou em tons de preto e branco...

Os nossos corações palpitantes não desejaram sincronismo...

Os nossos olhos não trocaram um pestanejar cúmplice...

Os deuses não nos empurraram, um para os braços do outro.

Aquela bardajona mal educada não só não foi capaz de agradecer, como nem sequer esboçou a porcaria de um sorriso.

Estúpida. Para a próxima não só não apanho as chaves, como sou capaz de, sem querer, deixar que o meu pezinho as envie oito metros mais para a frente.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ando viciado...

... mas não é em bolacha maria (repararam como deixei, convenientemente, a marca com letrinha minúscula?).

Os dois disquinhos que vos vou mostrar não me saem nem da cabeça nem do gira-cds.


Alter Bridge - Blackbird


Nunca pensei vir a gostar desta banda. O primeiro cd deixou-me morninho, e este parecia ir pelo mesmo caminho, depois de ouvir o single. Abençoado seja Nosso Senhor Jesus Cristo por me ter metido na cabeça que, embora estivesse aflitinho para ir à casa de banho, ia dar uma oportunidade a estes rapazes e ouvir uma musiquita diferente primeiro. O resto é bem melhor que o single (que apesar de tudo não é nada mau).

Isto é rockalhada da boa. Guitarras poderosas, um vocalista que, se arrotar tão bem como canta, não só arrota o abcedário como declama poesia nesse mesmo registo, e uma secção rítmica extremamente sólida, que tinha bastante que ensinar à antiga ponte de Entre-os-Rios. Sinceramente, que poder. É quase como que um apertão bem forte nos testículos, tal é a intensidade com que nos agarra. É raro o álbum que me deixa com uma vontade compulsiva de ouvir uma vez, e outra, e outra, e outra, tudo seguidinho. No fundo, também é raro que me apertem os tomates. Coerente, portanto. Resta dizer que não posso levar este cd para o carro, senão, o mais provável é espetar-me no primeiro pinheiro que encontre, devido à adrenalina que injecta. Se calhar há por aí alguém que até gostava que isso acontecesse.

David Fonseca - Dreams In Colour


Simpatizo com o David desde os tempos dos Silence 4. Aliás, a primeira música que aprendi a tocar na guitarra foi o emblemático "Borrow". Aquele cd foi um dos principais responsáveis pelo meu gosto por música.

Valeu a pena o David ter apostado na carreira a solo (frase cliché; usar a expressão cliché é também em si um grande cliché). Tenho comprado sempre os discos assim que saem, e este não foi excepção.

Talvez não tenha músicas individuais tão brilhantes quanto os dois primeiros mas, no seu todo, parece-me ser o melhor dos três. É um álbum bastante redondinho, cheio de surpresas a cada esquina, e o dvd também não está mau de todo (e com aquele preço, não me venham dizer que está caro). Dá-me vontade de cantar, pular e dançar. Não só me dá vontade como me mete mesmo a fazer estas figuras (embora o dançar nem tanto). Tem sido um fiel companheiro no meu carro. David, fazes umas songuettes bem fixes.

...

O assobio já todos conhecem. Mas o poder, talvez ainda não. Aqui fica.


segunda-feira, 12 de novembro de 2007

As minhas sitcoms preferidas / Mais um TuliChallenge

A Tulizinha enviou-me este desafio.

Basicamente consiste em "postar" 3 filmes relacionados com um tema à nossa escolha. Ora, eu neste momento não estou com vontade de andar à procura de 3 filmes com membros decepados, 3 com extraterrestres, ou 3 de mulheres desnudadas.

Sendo assim, decidi deturpar ligeiramente (muiiito ligeiramente) o objectivo do desafio, passando a mostrar-vos 3 coisas audiovisuais que estão relacionadas, não pelo tema, mas sim pelo formato: as minhas 3 sitcoms preferidas.

1º Seinfeld

Tenho de confessar que o Jerry é um dos meus ídolos. Aliás, eu provavelmente fui adoptado, porque na realidade sou o irmão mais novo dele. No fundo, até tem alguma lógica.



2º Everybody Loves Raymond

O Raymond não é um dos meus ídolos, mas simpatizo imenso com ele. É um totó de primeira. Se calhar, não sou irmão do Jerry, mas sim do Raymond. No fundo, até tem alguma lógica.



3º Curb Your Enthusiasm

Será que o Larry David é o meu verdadeiro pai?



Menção Honrosa - Mad About You

Quem nunca sonhou ter um casamento como o do Paul e da Jamie (mas com um acréscimo de 12% no que diz respeito às relações sexuais de características quase tribais, que eles são demasiado molinhos)?



PS: É engraçado, todas as personagens masculinas principais das minhas sitcoms favoritas usam o mesmo primeiro nome, tanto na série como na vida real. Curioso. Curiosíssimo.

domingo, 11 de novembro de 2007

O que é que se passou de errado na minha vida...

... para eu estar neste momento à frente da televisão, a ver o programa do Dr. Phil e a comer bolacha maria?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O que é que se passou de errado na minha vida...

... para eu estar neste momento à frente do computador, a jogar mahjong e a comer bolacha maria?

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Tomem sempre o vosso banhinho.

Os últimos dias têm sido stressantes. Ando a trabalhar para uma coisa que pode ser o princípio da minha realização pessoal. Às vezes, quando mais se precisa, a criatividade não nos atinge e o cérebro para. Lembro-me de desenhos animados antigos, de palavras que me disseram, de como é bom ser-se jovem em Portugal, de como gosto de castanhas (aliás, tanto quanto de ser jovem em Portugal), mas não se consegue ver o trabalho a fluir.

Inspiração, pode não haver nenhuma, mas uma coisa é certa. A "última da hora" pode trazer surpresas. Às vezes, basta um banho quente (bem quente) para afastar a palermice. Quando queremos muito uma coisa e nos esforçamos por ela, morremos todos os dias um bocadinho, mas talvez menos do que se não o fizéssemos. Agora, para ser honesto, foi a higiene pessoal que me inspirou.

Ainda bem que os meus pais, quando eu tinha 10 anos, numas férias do Verão na nossa casa na aldeia, me deixaram andar uma semana sem tomar banho (porque eu odiava; qual era objectivo se me ia sujar a andar de bicicleta logo a seguir, o mais tardar no dia seguinte?), até eu perceber por mim mesmo que, assim muito de vez em quandinho, umas gotinhas de água, shampoo e gel de banho, podem empurrar-nos de novo para a estrada certa.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Curtas númbaro 3

Sabem que nome se dá a um indivíduo árabe extremamente musculado?

...

Musclemano.

sábado, 3 de novembro de 2007

Amar sem ser amado...

... é como limpar o cú sem ter cagado.
Ditado Popular

...

Embora já conhecesse este ditado , ultimamente tenho dado de caras várias vezes com ele. Desconstruindo a frase, cedo se percebe que só pode mesmo ter sido o povinho a inventar isto. Vejamos: a sua aparente graça reside apenas na conjugação do verbo "cagar" de modo a gerar uma conveniente rima. A partir daí começaram-se a rir, deixaram cair as sacholas no chão, e nem se preocuparam em fazer uma análise consciente ao significado.

Limpar o cú sem ter cagado, a menos que seja feito sem papel macio e de modo abrutalhado, não é um acontecimento assim tão catastrófico. O correcto seria:

"Amar sem ser amado, é como cagar e não limpar o cú."

Acho que é mais isto. Custa muito mais.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Parabéns "É Inútil Resistir"!!!

Antes de Mais

Excelentíssimo Senhor Radialista e Outras Profissões Audiovisuais Todas Desempenhadas Com Sucesso Pedro Ribeiro:

Caso tenha acabado de aceder a este muy nobre e humilde blog, com vista à determinação da sua validade para integrar as fileiras de uma das emissões de "A minha vida dava um blog", é favor rolar a rodinha do rato para baixo; este post é meramente comemorativo, sendo que a graça se encontra toda lá mais para o fundinho.

Prosseguindo

Isto é como as revisões dos carros. Tenho perfeita noção de que o blog ainda não tem um ano (mas já anda e fala que é um disparate), mas tendo em conta que este é o post númbaro 100, compreende-se que haja toda uma necessidade de mudança de óleo e afins.

Quem diria que eu, mestre na arte de deixar as coisas a meio (desistir é um verbo claramente subvalorizado, às vezes sabe muitíssimo bem), iria fazer com que este compêndio de experiências de vida iria atingir os três dígitos. Quem diria que alguém, e ainda por cima na plena posse das suas capacidades cognitivas, iria prestar um segundo sequer de atenção ao meu processo parenético.

Estou sinceramente surpreendido com grande parte dos leitores que aqui se reuniram. Pessoas de bem, cumpridoras da lei, com palavras amigas para dizer e bem construídas do ponto de vista gramatical. Obrigado por tudo, têm sido excelentes. Só tenho uma pequena queixa a fazer: ainda só fui insultado 1,5 vezes. Uma delas porque eu pedi, e a outra meia nem chegou a ser um insulto, foi mais uma provocação humorística. Isto só pode ser sinal de que não tenho sido suficientemente polémico. Seja como for, já estou a tratar disso.

Gostava que fossem vocês a propor uma forma de comemorar este grandioso marco na internet, através de um post. A sugestão mais catita ficará para sempre no meu coração e será posta em prática. Escusado será dizer que não pode ser nada que tenha a ver com nudez (a menos que seja a nudez de leitoras fofinhas e dedicadas). Mesmo que não tenham sugestões a fazer, manifestem-se. Digam que gostam disto. Digam que não gostam. Não se limitem a vir cá beber o conhecimento e depois partir sem prestar homenagem.

Em suma: quebrem-me o record de comentários.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Vamos viver juntos?"

Fizeram-me esta pergunta no sábado passado. De facto, a vida tem os seus próprios ciclos. Eu, aos 26 anos, sinto que é a altura perfeita para pensar em dar esse passo e, seria de esperar que, caso a questão não me tivesse sido dirigida, fosse eu a dirigi-la a alguém.

Viver com os pais, como toda a gente sabe, é um quebra cabeças apenas justificável pela ausência de despesas imobiliárias. De resto, às tantas, damos por nós a pensar "lar doce lar não, lar casa de repouso, que parecemos todos uns velhinhos às turras".

É certo que passa a haver uma necessidade muito maior de gerir milimetricamente o dinheiro, para além do acréscimo de responsabilidade. Mas também há muitas coisas boas que se ganham, não só em termos de intensidade das vivências, como em termos de cumplicidade.

Isto seria tudo muito bonito se a balança não estivesse extremamente preocupada em pesar um factor. É que a pessoa que me fez esta pergunta, não só não é aquela que eu gostaria que me dissesse estas palavras, como ainda por cima tem pénis. Tudo bem, é um dos meus melhores amigos, mas por acaso isso serve de atenuante?

Estávamos os dois a conversar sobre a vida, enquanto nos queixávamos daquelas coisas que nos deixam absolutamente autistas quando se partilha a casa com os nossos pais (autistas não, que eles têm sempre pelo menos uma faceta bastante desenvolvida; atrasadovskis mentais mesmo). Já não sei quem é que estava mais irritado, se ele se eu. De repente sai-lhe aquela pergunta.

Eu sei que ele é absurdamente heterossexual (HETERO, para quem está a tentar ler o blog sem as cangalhas de ver ao perto montadas na fronha) e que a intenção não era má; há até várias pessoas na mesma situação que, no seu princípio de vida (parece que voltamos a ser bebés outra vez) decidem partilhar casa. O meu problema reside no modo de abordar a temática. Não estava preparado para ouvir tão repentinamente aquele "vamos viver juntos". Depois ele percebeu o caricato da situaçao e lá tentou disfarçar com um "cada um com o seu quarto e com o seu wc, claro", mas o mal já estava feito. "Vamos viver juntos" em menos de 4 décimas de segundo e com voz grossa e bruta, é uma frase extremamente "dentro do rabinho", digam o que disserem.

Eu sugeriria um "epá, rrrrrrrooooooooooooo (som de expectoração), viver com os cotas é um fritanço de tola que não tás bem a ver. Podíamos alugar uma casa com algum espaço, assim uma merda porreira onde pudessemos levar gajas assim de fininho, e dividíamos as despesas." Qualquer coisa mais assim deste género. Até nem era preciso utilizar a palavra gaja e muito menos com laivos de promiscuidade. Mas um bocadinho mais de esforço não fazia mal, ou fazia?

É o que eu digo; uma pessoa vai viajando pelos vintes, à espera de que situações marcantes aconteçam com um certo ritmo, e elas até acontecem, mas ligeiramente mais tortas do que esperávamos.


Passados dois ou três dias já estou menos chocado.

domingo, 28 de outubro de 2007

Eu queria uma companhia...


...mas não era bem disto que eu estava à espera. Um gatinho, sim senhor, gostava muito. Um cão fiel e amigo, muito bem, era giro. Agora, um leitor de dvds com vida própria, passa um bocado ao lado do meu conceito de animal de estimação, embora eu até já lhe tenha chamado de animal, devido à sua insubordinação.

Então não é que o animal (lá estou eu) deu para estar sempre a abrir e a fechar sem eu carregar em lado nenhum?

Às vezes até acho fofinho porque, em mais do que uma ocasião, ao apetecer-me ver um dvd, ele abriu automaticamente, no preciso momento em que me aproximava do leitor com o disco na mão. A seguir, depois de o ter colocado la dentro, fechou logo sozinho. Uma maravilha, e mais do que uma vez, repito, qual milagre da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos.

Agora, infelizmente, sempre que ligo o computador, o bicho abre-se imediatamente sozinho. Parece que quer brincadeira. "Mas agora não me dá jeito nenhum ver um filme!" - digo-lhe eu com veemência. Enxoto o rafeiro (que é como quem diz empurrar o tabuleiro porque já não há vontade de o tratar bem através do botão), mas ele persiste e ate rosna (barulho que só para se eu carregar no botão para eu o abrir; já nem ligo). Abre e fecha, abre e fecha, pisca a sua luzinha verde como se de olhos tristinhos se tratassem, mas daqui não leva nada. Passado uns minutos lá volta para a casota, e dali não sai mais. No entanto, se eu lhe carregar no botão, lá salta ele para fora que nem uma catapulta, com a cauda a abanar.

Há algum veterinário com conhecimentos de informática, ou um técnico de informático com jeitinho para animais que me possa ajudar a resolver este pequeno problema?

Bem, ao menos este não mija na alcatifa.

sábado, 27 de outubro de 2007

Ai está tão estragada...

A minha mãe é incapaz de não esboçar comentários sobre as pessoas, enquanto vê televisão.

- Ai, fulano tal está com um ar velho...

- É normal, TIPO, ele já tem 70 e tal anos...

- Ai (a partir de uma certa idade, todas as frases das nossas mães começam com um "ai") a fulana está com a pele tão envelhecida... Deve ser do sol.

- Deve ser do sol, deve. Já casou cinco vezes, havia de ter vinte anos, não (ia fazer um trocadilho com a pele envelhecida, mas sinto que não vale a pena, as vossas imaginações encarregar-se-ão do resto) ?


Realmente, os nossos pais, pelo menos aqueles que ainda pertencem à geração da velha guarda (trocadilho não premeditado), vivem num período espaço-temporal completamente à parte. Ouvem-se gritos de revolução, o Carlos do Carmo ainda tinha grande parte do cabelo, o Benfica ainda era um clube grande, e a Volta a Portugal ainda movia as populações. É a partir da visualização desta década que se invertem os papéis.

- Ai (agora já sou eu a falar; a convivência com pessoas mais velhas é contagiante), nos anos 70 as pessoas tinham cá um ar de velhos jarretas... Cadê (precioso, este termo) os umbigos à mostra, as calças de ganga de cintura descaída e os tops de cores garridas, mesmo estando em Outubro?

Não vale a pena discutir com ela. Antigamente tudo era muito melhor, as pessoas eram mais felizes com menos bens (tradução: não tinham a noção do que estavam a perder; como é possível estar bem com poucos bens?), as raparigas não eram tão desavergonhadas (e pessoalmente acho que ainda são pouco, em 2020 é que vai ser bom), não havia tanta corrupção (claaaro que não) e a fruta não apodrecia tão facilmente, para além de saber melhor.

Felizmente, agora não há fruta que não tenha o seu sabor espelhado numa bola de gelado.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O vosso tempo merece resposta.

Tendo em conta que a minha resposta a quem comentou este post se estava a tornar demasiado extensa, decidi escrever um novo, acerca do assunto. Não pensem que é para aumentar a contagem de posts e assim encher chouriços. Eu nunca faria isso! Nunquinha!

Por acaso desta vez não estava à espera deste tipo de comentários, por um sem número (soa tão foleiro dizer "um sem número") de motivos.

Em primeiro lugar, porque o primeiro comentário anónimo pode ser de uma coisa do outro mundo em formato de mulher, sem ser a filha do Nené (já sabes, o procedimento é sempre o mesmo, enviar foto em bikini de frente e em perfil para o meu mail).

Em segundo lugar, porque pessoas que não me conhecem de lado nenhum perderam minutos das suas vidas para escrever os conselhos que acham melhores para mim. Isso é muito bom, porque me faz sentir mais importante do que sou.

Embora seja inspirado sempre pela mesma pessoa a escrever estas coisas tão fofinhas (das quais eu não me sabia capaz até a ter conhecido), neste caso não o fiz a pensar que ia deixar alguém comovido, nem nada que se pareça. Simplesmente apeteceu ;) Nem sequer avisei ninguém de que se calhar era capaz de ser boa ideia vir cá ler o blog :P

Eu estou perfeitamente por dentro da lei da oferta e da procura, no que diz respeito a andar atrás de alguém. Aprendi a conhecer as mulheres ao longo dos anos; conheço-vos é melhor a vocês do que a mim, o que explica que, muitas das vezes, eu ignore todas as "regras" e faça as coisas por instinto. Não há, no entanto, amor nenhum, em alguém que consegue, dia após dia, agir de forma completamente estudada.

Direi mesmo mais. Quebrem as regras sempre que possível, e deixem as atitudes mais pensadas para aqueles momentos chave em que nada pode falhar. É que às vezes colhem-se tantas coisas, mesmo que não sejam aquelas que se julgavam mais directas, que nos enchemos de força para continuar, e aí sim, colher tudo aquilo a que temos "direito". E se isso não acontecer, a outra pessoa não passa a deixar de merecer que lhe dêem tudo, nem nós somos uns falhados. Simplesmente não deu. Mas parar de lutar antes do apito final, não só é falta de coragem, como falta de amor. Quem é que determina quando o jogo acaba? Depende.

Se eu me pusesse a explicar todos os pormenores, coisa que não vou fazer (mais uma vez devido a um sem número de motivos; duas vezes esta expressão no mesmo post é obra), talvez percebessem porque é que continuo a correr atrás da cenoura. Às vezes a corda parte-se e os burros deixamos de ser nós. Mas fiquem descansados, não ando a seguir ninguém, não tenho a minha casa cheia de fotos dela nas paredes e não sou viciado na rejeição gratuita. Simplesmente gosto muito de uma pessoa e tenho razões genuínas e nobres para gostar (fogo, e também é incrivelmente querida e a rapariga mais bonita que já vi, não é só motivos cor de rosinha). E se um dia eu baixar os braços, continuarei sempre a ter um sorriso para esta menina, mesmo se o encanto acabar por se desvanecer por culpa do tempo e do cansaço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Novidades fresquinhas

Estão a ver o logotipo por mim colocado no canto superior direito deste magnífico baluarte da escrita cibernética? Inscrevi-me no concurso Super Bock Super Blog, após pedido insistente do meu amigo homónimo Pedro M. (não é totalmente homónimo porque as partes a seguir ao "M" diferem ligeiramente). Pois bem, quando for altura, avisarei. É que preciso que votem que nem animais. Racionais.

PS: Adoro cerveja. Bebo 4 grades por dia. Só não tenho barriga porque pratico bastante exercício físico. A minha marca favorita é... talvez a Super Bock, porque o sabor é maravilhoso e escorrega até ao estômago que nem patins no gelo.

PS2: Inscrevi o blog sob a categoria "Pessoal". Ainda pensei em escolher "Humor", mas achei que seria convencido da minha parte, já para não falar nos 10% de posts melosos que compõe este tasco literário. Fiz bem? Fiz mal?

Um dia destes...

... gostava de ser velhinho, olhar para trás, e saber que marquei a diferença (e não me babar e poder desenrascar-me sozinho).

... gostava de sentir que os meus netos se orgulham do avô (e, por causa do ciuminho, se fosse só mais um bocadinho do que do avô do outro lado da família, já era fantástico; sou mesmo mau, não sou?).

... gostava de acordar com cinquenta anos, ter vivido muitas coisas, e ter força para viver muitas mais (e jogar ténis ainda com bastante vigor, e não como os senhores que estavam no campo há duas semanas atrás, que nem mesmo a jogar a pares conseguiam chegar à maior parte das bolas).

... gostava de saber que os meus filhos fizeram metade dos disparates que o pai fez (e que tenham o dobro do optimismo).

... gostava de olhar para os meus filhos, ainda pequeninos, e fazê-los rir até a coca-cola lhes sair pelo nariz (mas não lhes vou dar muita; quem tem sede bebe água ou leite, quanto muito sumo de laranja espremido pelo pai ou pela mãe).

... gostava de ser feliz a fazer aquilo que me apaixona (porque se o dinheiro não nasce nas árvores, a realização profissional também não, embora eu tenha trepado já a umas quantas para tirar as minhas dúvidas).

... gostava que passeasses comigo, que me agarrasses a mão, e que me dissesses algumas das coisas que já te imaginei a dizer (como por exemplo "está fresquinho e parece que vai chover; estas mudanças repentinas de temperatura são mesmo desagradáveis, ainda bem que estás sempre ao meu lado).

Um dia destes, gostava que gostasses muito de mim :)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Viver em sociedade

Sinto-me bastante triste sempre que olho para o mundo e vejo que cada vez há mais ódio entre as pessoas. Se alguém faz algo de errado, há logo uma necessidade (desnecessária) em retaliar, prejudicando mais o outro do que aquilo que fomos prejudicados, mesmo que o primeiro acto não tenha sido intencional. Além disso, mesmo que seja, o mal não se combate com mal. Está errado.

A melhor vingança é termos a capacidade de seguir em frente e sermos felizes. Tão felizes, mas tão felizes, mas tão felizes, que seremos muitos mais felizes do que os outros, ao ponto de lhes podermos esfregar a nossa felicidade nas suas caras.

domingo, 21 de outubro de 2007

Meninas, cuidado com aquilo que desejam...

Se sonharem demasiado com um homem alto, inteligente, carinhoso, educado, fiel, atencioso, dedicado, criativo, bom ouvinte, sem vícios, que nunca se esquece nem de vocês, nem de pôr desodorizante, nem de baixar o tampo da sanita, ainda se arriscam a que eu vos calhe :-/

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Agradecia.

I know that life sucks, but could she refrain from biting, please?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Peço desculpa por causar estorvo.

Como alguns de vocês sabem, comecei recentemente a nadar duas vezes por semana, como complemento ao ténis. Como é lógico, eu sei tudo o que há a saber sobre tudo na vida, razão pela qual, em vez de ir para a natação propriamente dita, me limito a ir à hora livre.

Sim, eu disse hora livre. Pelo menos é o que aparece no horário da piscina. Não me lembro de ver lá escrito "hora gay", "hora da palhaçada", ou "hora voyeur". É livre, sim, mas subentende-se que as pessoas apareçam lá para nadar.

Há duas semanas atrás reparei que havia lá dois rapazes (não sou bom adivinhador idades, mas aposto que estejam entre os 18 e os 22 anos) um bocadinho amiguinhos demais. Passaram a hora toda a chapinhar um contra o outro, com as mãos (umas guerras românticas mesmo animadinhas), a dar mergulhinhos um ao lado do outro, enfim, a fazer tudo menos nadar. Que eles estejam apaixonados um pelo outro, não me diz respeito (e dispenso saber pormenores). Faz-me é um bocado de comichão que dois marmanjos já crescidinhos ocupem uma pista inteira com aquelas macacadas. Na semana passada até pegaram nuns cilindros fininhos e compridos de borracha (chamam-lhe esparguetes), que são normalmente usados na hidroginástica, e começaram a lutar com eles, um contra o outro e contra a água, como se fossem chicotes. Ó minhas Marias Amélias, a piscina é pública mas não é de recreio. Se querem dar com o esparguete um no outro façam-no noutro sítio (e não, nos balneários também não é aceitável). Ainda vou ter que me chatear.

Ainda na semana passada, aconteceu mais uma coisa curiosa (por falta de melhor adjectivo). Estava um casalinho de namorados encostado ao início da parte menos funda da piscina. Até aqui tudo bem. Havia, no entanto um pequeno pormenor. Não os vi nadar. Se fizeram 50 metros, foi uma loucura. Uma coisa sei eu: por mais metros seguidos que eu consiga fazer, mais tarde ou mais cedo terei de voltar à parte menos profunda da piscina e parar. Não ajuda que, na pista ao lado, quando decido descansar, um casalinho de rebarbados comece aos miminhos e beijinhos. Incomoda. Ainda por cima de touca e óculos. Eles já não eram propriamente o parzinho maravilha em roupa normal, por isso imaginem ali.

Surpresa das surpresas. A certa altura começam a olhar para mim com cara de "isto é a hora livre, se não tens namorada para vir aqui pró marmelanço, ficavas em casa a molhar os pezinhos no bidé". De repente, eu que estava ali para nadar e treinar de forma relativamente séria, passei a ser o invasor. "Olha aqui para este tarado, môr!" - conseguia ler-se perfeitamente nos pensamentos deles.

Parece que se organizarem uma convenção na cidade dedicada a todos os swingers, que têm ali o local apropriado. Agradeço é que me avisem com alguma antecedência. É que assim irei fazer esforço físico para outro lado qualquer, em que não incomode ninguém.



sábado, 13 de outubro de 2007

Oh but why, mine(f) ours lady?

Porque é que os indivíduos que decidem partilhar o seu gosto musical com a população, ao volante dos seus automóveis e a altos berros, são os mesmos que pior música ouvem e que conduzem carros mais foleiros?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Brain Freeze

Embora nunca o tenha dito, acho que está mais que na hora de sair do congelador e assumir que... sou viciado em gelado. Qualquer tipo de gelado. Aliás, na minha roda dos alimentos, um dos grupos alimentares está estritamente reservado para o gelado. Chego até a fazer dele a minha ceia (e às vezes pequeno almoço). Quando chego do ténis não bebo água, como gelado. Sei, no entanto, que um indivíduo saudável deve primar pela variedade na sua alimentação, pelo que eu faço um esforço por não repetir sabores, muito menos quando estão envolvidas três bolas no mesmo copo ou cone.

Independentemente de uma pessoa normal ser capaz de comer todo o tipo de gelado que lhe apareça à frente, em qualquer sítio e a qualquer hora, há sempre uma gelateria e determinados sabores que constituem os nossos favoritos. Na minha cidade, esse local é o Pzl; não tentem convencer-me de que os do Ppl ou os do Ctl são melhores, porque não são.

Como é comum nestes locais, há sempre uma secção com aproximadamente dezanove metros de comprimento por nove de largura, com cerca de cento e quarenta e duas variedades diferentes de gelado. Como sou jovem e preciso de me alimentar para ter força e estar bonito, peço sempre em média três bolas. Os meus sabores predilectos são mas é um pouco banais. Os titulares são sempre chocolate e café, rodando o suspiro (é fantástico, tem bocadinhos gigantes de suspiro e tudo), caramelo e morango na terceira posição, conforme o estado de espírito.

A certa altura comecei a ver que nunca alternava as minhas escolhas, caindo invariavelmente na rotina. Como sou adepto das emoções fortes, e perante tanta variedade à minha disposição, comecei a fazer umas mudanças. Às vezes bubble gum, outras melancia (óptimo mas um bocado enjoativo; no Ctl este sabor não se chama melância, chama-se remédio, blhurrrk), outras cookie, etc. Mesmo que uma vez ou outra descobrisse um sabor que me agradava plenamente, o conjunto não me satisfazia. Para além disso, o novo sabor descoberto nunca combinava tão bem com chocolate e café como o suspiro, morango ou caramelo.

Ainda que, após decidir arriscar, a descarga de adrenalina fosse enorme, dava sempre por mim a desejar ter pedido os mesmos confortáveis sabores. Infelizmente, acho que estraguei umas das sinapses mais importantes do meu cérebro, aquelas que determinam a ordem de pedida dos gelados. Não sei o que se anda a passar com o meu cérebro que, apesar de ter passado dois minutos a decidir o que ia escolher, quando a empregada me pergunta o que vou querer, me atrapalho todo. Esqueço-me completamente do que ia pedir e acabam por sair da minha boca coisas sem nexo, como bacon, açafrão e noz moscada, ou até nata, maçã e limão.

Agora expliquem-me: se eu nem pedir sabores de gelado em condições consigo, como é que conseguirei agradar a uma mulher, tarefa essa ligeiramente mais complicada e importante? É que já há várias semanas que não como chocolate e café, acabando o gelado com um triste suspiro...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Algumas mulheres são mesmo superficiais.

Quando conheci a Rachel Bilson, ela tinha começado a aparecer recentemente na série "The O. C." e, portanto, ainda não era tão famosa como agora. Ela tinha um fetiche qualquer por rapazes mesmo super giros, sendo por isso que a Mischa Barton nos resolveu apresentar. As duas já se conheciam antes da série. Eu e a Mischa tivemos um casito um pouco antes, mesmo no princípio de 2003, mas não tinha passado de uns beijinhos aqui e acolá, embora por vezes um pouco mais intensos que o normal. Se calhar, foi precisamente essa falta de envolvimento emocional que fez que nos conseguimos tornar amigos depois, sem que qualquer sensação de estranheza se intrometesse entre a nossa amizade.

Quando a Mischa me disse que era amiga dela, eu fiquei completamente louco. Louquinho louquinho. Era sem dúvida a rapariga mais gira que eu alguma vez tinha visto; tinha de a conhecer. A Mischa, no princípio, esteve um pouco relutante; apesar de eu ser muito bonito, talvez não conseguisse corresponder aos padrões surreais de beleza sustentados pela Rachel, podendo gerar atritos entre as duas, resultado de sucessivos arranjinhos pouco frutuosos. Insisti até me tornar irritante (o que, para quem me conhece, é um dom que tenho), ao ponto dela não ter outra saída que não fazer-me aquele favor.

Foi muito complicado. A Rachel, quando soube que eu era apenas extremamente atraente, ficou de pé atrás. Felizmente, a Mischa tinha uma carta na manga, que prontamente usou, com plena eficácia. Tudo bem, pode não ser dos quatro homens mais bonitos à face da terra, mas se alguém sabe como deixar uma mulher desvairada de desejo é ele - garantiu a Mischa. Ele é que depois achou que podia arranjar melhor e acabou por não querer mais nada comigo, o que só prova que vocês têm em comum o facto de terem expectativas muito elevadas. Sabes que nestas coisas eu não minto.

Conhecemo-nos e foi tudo muito bonito e sincero nas primeiras semanas. A certa altura, a fama começou-lhe a subir à cabeça. Ela não tinha coragem para acabar a relação, tendo por isso começado apenas a comportar-se de forma insuportável, para ver se era eu que acabava com ela. Os meus amigos tentavam abrir-me os olhos, mas vocês sabem como é. O amor cega, e eu acabava sempre por a defender. Entretanto, ela e o Adam Brody acabaram por se dar bem demais nas filmagens; eu fiz uma cena de ciuminho, e dei a relação por terminada, atitude que acabou por os empurrar ainda mais um para o outro. Mais tarde ela acabou por admitir que estava farta da pressão dos seus pais e amigos para me trocar pelo Adam, simplesmente porque eu nunca conseguiria alimentar aquele tipo de exposição mediática. Ela que esperasse uns anos e ia ver...

Moral da história: sempre que conhecerem actrizes, modelos, cantoras, ou afins, tenham cuidado. Os vossos sentimentos podem sair magoados, e não há médico nenhum que possa curar um desgosto de amor.

PS: Além disso, sempre que pensamos que encontrámos "A" pessoa certa, e que não é possível haver nenhuma rapariga mais perfeitinha, mais inteligente, mais querida e com melhor coração do que aquela, o tempo encarrega-se de nos mostrar o contrário e acabamos por ficar claramente surpreendidos :) Bye bye, Rachel!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Vampirismo

Deve ser tramado para um vampiro ser homofóbico. Ficam logo ali esgotadas, à partida, metade das suas hipóteses de alimentação. Ele nunca vai ter estômago para chuchar no pescoço de um homem.

Agora imaginem se o indivíduo desenvolver consciência. Acabaram-se as crianças, os velhos, os mais desfavorecidos que se deixam morder em troca de compensação monetária, os morbidamente obesos que não têm hipótese de fugir, as gajas bêbedas, drogadas ou que pura e simplesmente são demasiado fáceis...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Classe.

Já há muito tempo que não vos punha à frente uma musiqueta. Sempre gostei dos filmes do James Bond, e o Casino Royale, com o Daniel Craig, encheu-me as medidas do princípio ao fim (tirando aquela cena em que ele é torturado, através do processo de de produção de polpa de tomate; muuuuuuito exagerado). Eu gostava de ser como ele, um gajo sempre com o seu estilo impecável, e extremamente desenrascado. Já eu, como vos confessei um dia, nem um frasco de azeitonas Maçarico consiguo abrir.

Por outro lado, também sempre gostei da voz do Chris Cornell (mas não me apanham a ouvir Audioslave nem que a vaca tussa).

Agora imaginem a emoção que eu senti quando a música inicial começou a alto volume no cinema. Granda som, man. Best double O seven intro of all time. Period. Na minha not so humble opinião, é claro.

Como eu sou bonzinho (ou melhor, como não me consigo decidir), deixo-vos não só com a intro do filme, mas também com o videoclip da música. Os ouvidos poderão cansar-se de ouvir a mesma coisa duas vezes, mas os olhitos rejubilarão com a mudança.



E ainda...


quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Totó mais totó não há

Embora eu tenha começado nas lides do beijo na boca muito cedo, fui sempre, até bem tarde, um tremendo palhaço no que diz respeito a começar um namoro com convicção, qual Gengis Khan ao contrário na arte da sedução. O meu primeiro beijo aconteceu aos seis anos, dado no primeiro dia de escola (na 1ª classe), pela primeira rapariga com quem me cruzei à entrada. Ela aparece do nada, a correr, chega ao pé de mim, espeta-me um chocho, e eu fico ali parado. Eunice, muito obrigado pela experiência traumática a que me submeteste. O meu irmão, por tua causa, gozou sempre comigo até há bem pouco tempo. Nunca mais te vi na vida; se te visse na rua não te reconhecia, mas deixa-me dizer-te que me senti tão usado que me apeteceu ir a correr para a casa de banho dos rapazes rapar o cabelo e riscar os pulsos com tinta de esferográfica.

Entretanto, e muitos beijos depois, tudo parecia estar a evoluir. Prova disso era o facto de eu andar a desencaminhar a pobre da R., tendo nós ambos 10 anos, nos sofás da sala de televisão da Messe de Oficiais de Santa Clara. Aquilo é que era luxúria... Lembro-me apenas de um beijo terno, dado numa altura em que fomos parar a uma parte que tinha sido pintada de fresco, e sujamos as mãos de branco. O que os vapores da tinta fazem às pessoas...

"Aos 12 já ele era um gigolo de sucesso", devem estar a pensar vocês. Nada disso. Preparem-se para um momento de pura cromice.

Aos 14 anos mudei de escola. Quando se está no 9º ano, numa turma indisciplinada, e se é o melhor aluno da turma, a vida é um inferno. Mas quando um grupo de raparigas do 7º ano começa a andar atrás de nós, toda uma noção de falhanço social, devido aos chutos e empurrões que sofria na cadeira, no meio das aulas (a uma média de 3 por minuto), ficou alterada. "Elas estão-me a querer. Finalmente, sou um ser humano como todos os outros."

As tais raparigas queriam impingir-me a mais chata do grupo (girinha e tal, mas com umas carências emocionais tremendas). Chegaram-me a encostar a um armário; daí até a girinha se atirar para cima de mim foi um passo. Mas eu não queria a girinha. Também não queria a girona. Queria a outra, que ficava a meio caminho, mas tinha uma personalidade bem menos assustadora e bem mais divertida.

Entretanto comecei a gostar dela, apesar de me andarem constantemente a impingir a girinha. Chegou a um ponto em que tive de dizer basta; gostava de outra rapariga e a girinha escusava de continuar o assédio, que daqui não ia levar nada. Mas aquele comportamento não parou; em vez das perguntas girarem em torno de "ainda não gostas da girinha? porque é que não gostas da girinha? anda lá com a girinha", passaram a focar-se em "quem é essa rapariga mistério de quem tu gostas afinal?".

"Eu nunca vou gostar da girinha porque eu gosto é de ti" - confessei eu à intermédia. Não é que eu não tivesse medo da rejeição (tinha e não era pouco), simplesmente já andava com a cabeça feita em água de tanta pergunta. Para meu espanto, ela iluminou-se que nem uma árvore de Natal, e foi logo contar à irmã que eu gostava dela (a irmã por sua vez, na altura, não era nem girinha, nem girona nem intermédia).

No dia seguinte (sexta-feira), ganhei coragem e fui falar com ela (ao lado da parede da papelaria, lembras-te?). A tarde estava quase no fim e toda a gente estava a sair. De repente saiu-me, pela primeira vez na vida, a frase "queres namorar comigo?".

C., queres namorar comigo? - perguntei eu, timidamente. O coração batia de forma tão forte e descompassada que juro que, por momentos, se tinha deslocado e tinha ido parar ao pé do fígado.

Ela ficou felicíssima. Juro que sim. Mesmo tratando-se de mim, ela ficou mesmo muito feliz, e dificilmente me esquecerei do sorriso dela. O passo seguinte seria, dado que ela estava, como já tinha dito, encostada à parede da papelaria, com um letreiro na testa a dizer "só não me tornas numa mulher já aqui porque ainda sou muito novinha e há muita gente a passar", espetar-lhe um tremendo dum beijaço.

Foi precisamente isso que eu fiz! Ah grande campeão! Não foi nada. Nem beijo, nem agarrar-lhe a mão, nem nada. Fiquei tão feliz por ela ter dito que queria namorar comigo, mas tão feliz, tão feliz, que o máximo que consegui fazer foi esboçar um "fixe! então tchau, até segunda!". Depois desatei a correr pelo corredor, assustadoramente excitado (excitado como uma criança, não como um adulto), e assim que encontrei o meu amigo Peixe, espetei-lhe a ele um tremendo de um hi5.

Fónix, a chavala diz-me que sim, e eu vou a correr dar uma estalada na mão do meu amigo. Que deficiente mental! Que processo de interrupção voluntária da gravidez falhado que eu sou! Que anormal!

Escusado será dizer que a nossa relação não foi longe, porque andava sempre muito fria, por culpa da minha timidez.

No fundo, não aprendi nada naquelas tardes deitado com a R. nos sofás da messe, enquanto os velhotes viam os concursos do canal 1...


PS: Mais tarde, passados uns 9 anos sem ver a C., voltei a encontrá-la por acaso, através do seu profile no Hi5. Ironia?