quarta-feira, 16 de maio de 2007

Cenas de um casamento


Aqui há uns dias fui a um casamento. Não foi o meu, até porque, com 25 anos, sinto-me novo demais para casar. Senão, tenho a certeza de que candidatas a noivas não iriam faltar. Nunca bati numa mulher e não o planeio fazer, mas acho que o clorofórmio até pode ter um odor agradável.

Seja como for, a certa altura, dei comigo pela primeira vez em muitos anos numa igreja. Fiquei entalado entre os meus pais e uma velhota que, noutras circunstâncias, a mais alguns centímetros de distância, até poderia ter sido uma companhia simpática. Já à minha frente, ficaram as únicas duas raparigas de jeito (estou a falar da aparência, há que ser superficial) de todo o casamento. Aproveito para dizer que uma era bem mais engraçada do que a outra (se me estás a ler, aposto que em roupa do dia-a-dia não és nada de especial).

Uma coisa que gosto de fazer na igreja é, sempre que é necessário dizer alguma coisa ou fazer algum gesto tipicamente cristão, olhar à minha volta para ver se sou o único a ficar quieto que nem um porta-chaves, ou se estão a olhar para mim com ar de reprovação por não fingir que estou a participar no ritual habitual. No entanto, houve uma frase que me fez lembrar dos meus tempos de criança (por "tempos de criança" entenda-se "tempos em que os meus pais me obrigavam a ir à missa vestido de forma absolutamente ridícula e com possibilidade de fortes traumas futuros"), em que toda a gente olhava desesperada em redor, à procura de gente para dar um beijo ou um aperto de mão. O malfadado "Saudai-vos na paz de Cristo".

"Saudai-vos na paz de Cristo." Mal tinha tido tempo para pensar "Cristo, se não te fizer diferença, a velhota não, se faz favor" quando já a rapariga a frente (a tal que era menos gira que a outra mas ainda assim com capacidade para impressionar ligeiramente), depois de cumprimentar a amiga, se vira para trás, estica-se para a minha mãe e lhe dá dois beijos. Eu, que estava mais perto dela que a minha mãe, pensei logo "agora é a minha vez, anda cá dar-me a paz de Cristo". Eu esperei, esperei (até deu tempo para uma ressurreiçãozinha) e nada. Voltou a virar-se para a frente, como se eu já estivesse aviado por ter uma velhota simpática (aparentemente, não sabemos) ao meu lado. Eu não sou feio, e, apesar de no dia-a-dia ser frequente andar com aspecto assim assim, naquela ocasião era de longe o homem (e em muitos casos, a mulher, tal a quantidade de buço presente, e braços do dobro dos meus) mais bem parecido e bem vestido de todos. Se calhar há coisas que não são para perceber.

Resumindo: foi inútil ter-me vestido tão bem. Nunca mais na vida volto a trocar conforto por boa aparência, nem mesmo no meu próprio casamento. Aliás, se ela vai casar comigo, uma boa prova de amor é deixar-me andar à vontade. Aturar os pais dela e ser-lhe fiel devia ser penitência suficiente.

Rapariga do casamento, mais uma vez, se me estiveres a ler, envia-me um mail. Dou-te o meu número de telefone, combinamos ir tomar café (aviso-te desde já que agora é tarde, não quero nada contigo) e explicas-me que raio é que a minha mãe tem a mais que eu. Ainda por cima naquele casamento.

Depois admiram-se que eu não seja cristão.

3 comentários:

Bruno Martins disse...

Eina! Sou a primeira pessoa inteligente que não resisti a comentar!
Quem diria!

Casamentos suckam big time. E o pessoal que vai para lá para o engate às amigas da noiva ? Acho alte piada.

Continua aí com o non-sense oh Marques \m/

João Marques disse...

Apesar de toda a bimbalheira e kitsch, confessa que todo o cerimonial e envolvência não deixou de causar um forte impacto.

P.S. E a rapariga também. Rapariga se leres telefona porque houve química mútua.

Rita Marques disse...

Desculpa não te dar a graxa que merecias.
Mas esse casamento tem aspecto de ter sido muito... como é... atribulado! eheheh Muito cheio de emoções...

Bj
Rita**

PS - Na proxima tens de ir tu dar a paz de Cristo à menina... ;)