quarta-feira, 6 de junho de 2007

Cultura é formosura

Gostava de dar uma dimensão cultural ao meu blog. Há uns dias disseram-me que o "É Inútil Resistir", de facto, cumpria o objectivo a que se propunha, o de ser verdadeiramente inútil. No entanto, tendo em conta que já me afeiçoei bastante a este espaço de partilha de ideias e sentimentos, senti que tinha de fazer alguma coisa para mudar a opinião do meu amigo.

Acho que acertei, é mesmo isto. Decidi começar a fazer críticas a bons filmes, bons livros, bons discos, enfim, a toda a boa arte, independentemente do tipo de suporte. Será uma iniciativa esporádica; não tenho pretensões de roubar a fama e o glamour que abunda no fascinante meio da crítica artística nacional e seus intervenientes. Seja como for, é uma óptima oportunidade para vós, leitores, imersos nas vossas vidas ocupadas, de conhecerem obras que escaparam ao mediatismo sensacionalista, e que de outra forma, poderiam não chegar a conhecer.

O livro que escolhi para o dia de hoje intitula-se "Oh João! Foste tu, porcalhão?". O seu autor, David Roberts, era até agora um nome desconhecido para mim. No entanto, e como vão perceber pela minha crítica, estamos perante um verdadeiro Dan Brown da literatura infanto-juvenil, pelo que estou ansioso para ler tudo aquilo este senhor editou até agora. Seria uma alegria comprovar que é este o seu habitual nível de escrita. A versão que vos apresento é a portuguesa. Se alguém me puder fornecer um exemplar da versão original, e se forem do sexo feminino (e giras), sou capaz até de vos pagar o almoço e um gelado.



Esta magnífica obra conta a história de João, um menino que gosta de dar puns. Embora não pareça, este livro é dedicado a todas as pessoas do mundo, facto comprovado pelo seguinte prefácio:

"Este livro é dedicado a todos aqueles que já alguma vez se riram das suas próprias porcarias."

Sim, é um livro para crianças sobre flatulência... Sim, comprei um livro para crianças que fala de bufas. Foram, sem dúvida, os 6 euros e picos mais bem gastos em toda a minha vida. Não percebi foi a reacção, ligeiramente gozona, da menina que me atendeu, após me ter perguntado "É para oferecer? Quer que embrulhe?" e eu ter respondido "Obrigado, mas não é necessário, é mesmo para mim".

Era impossível um livro para meninos sobre gases ter ilustrações tão ricas quanto estas:


Para terem uma ideia da grandeza literária deste belo amigo (quem nunca cantou "Um livro é um amigo / Que devemos preservar " após ler um exemplar fascinante?), vou citar uma passagem:

"No café, o João deu uma bufa mesmo mal cheirosa. Era pior que um ovo podre!"

No meu livro de português da primária, o saudoso "Papa-Léguas", não se aprendia tão bom português.

Fico sem palavras para descrever tão belas interjeições:

Pum! Bfffff! Ptumptumtum!

Peço que não fiquem já com má imagem do Joãozinho, visto não ser a única personagem que dá largas à sua imaginação (e ao esfíncter) neste maravilhoso livro. Aliás, qual é a pessoa que nunca soltou um sonoro traque? Muitos de vós até o fazem em público, e com redobrado orgulho!

Recomendo este clássico a qualquer pessoa que goste de ler bons livros, especialmente livros que custem menos de 7 euros, direccionados para a pequenada, e que abordem o tema da flatulência. Aliás, nas últimas páginas há inclusive algo a aprender. Na minha opinião, o livro apenas não leva a nota máxima porque ainda haveria muito mais a falar sobre a arte de dar puns. E que regozijo, se fosse sempre com esta qualidade!

Nota Final: 4,5/5

2 comentários:

Rui disse...

5* Espectaculo tenho de ir a tua casa gamar o livro, mas olha que alguem cujo nome começa por J acaba com E e no meio tem as letras ORG (parece uma seita?) é pro nessa arte ...

Rita Marques disse...

aaaahhhh!!

o famoso livro!! LOL

parece... digamos... interessante...
cheira-me que é bastante... interessante :P