quinta-feira, 6 de setembro de 2007

E ainda há quem diga que não faço um cú.

Digo isto porque não tenho a vida folgada como toda a gente pensa que tenho. Tenho até uma agenda bastante preenchida.

Vejamos o dia de hoje (este post não tem piada nenhuma)

10:00 Acordar, depois de ter dormido pouquíssimo

Deixar as coisas para a última da hora dá nisto. Tinha um trabalho de inglês para entregar hoje, e em vez de o ter feito a seguir ao jantar e sem parar, decidi que me ia pôr a ver clips da Família Superstar no youtube. Depois decidi que ia escrever um post sobre a Família Superstar. Depois decidi que, se calhar, já era tempo de acabar o trabalhinho, sendo o sono o principal sacrificado. Para todos os efeitos, 5 horas não é mau. Já agora, deixo aqui um conselho. Se decidirem fazer um trabalho em inglês que necessita da vossa concentração total por algumas horas, NÃO SE PONHAM A OUVIR MÚSICA LAMECHAS EM INGLÊS. Isto de saber as letras todas de cor do cd dos The Fray não faz bem a ninguém.

10:30 Entregar o trabalho

Esta foi a parte fácil, mesmo com o calor que estava. Como bónus por ter dado finalmente sinais de vida no English Center, recebi elogios rasgados ao meu novo visual. Aliás, se quiserem ser elogiados pela vossa nova beleza por toda a gente, eu tenho o segredo. ANDEM COM UM ASPECTO DE COCÓ, EM REGIME DE TOTAL NEGAÇÃO DURANTE UNS ANINHOS. Posto isto, e sendo que a partir daqui ninguém tem qualquer pontinha de fé em nós, surpreendam-nos com uma mudança radical, ainda que em certos aspectos seja apenas uma questão de escolher o mal menor. "You do look great Pedro!" Thank you very nice.

10:40 Reservar campo de ténis na secretaria do clube de ténis

Já que tinha um jogo marcado com a I. para as 11, e tendo chegado primeiro, decidi que seria um acto de coragem levar esta tarefa avante. Coragem porque, depois de pagar à Dona S., estive a ouvir o Senhor M. falar sobre o estado do tempo e sobre lugares de estacionamento durante uns 10 minutos, até que a I. arranjasse um lugar para estacionar. Isto seria até um acto agradável de socialização, caso o Senhor M. NÃO FALASSE CUSPINDO-SE E/OU COMENDO AS PALAVRAS, tornando impossível o processo de decifrar as eloquentes mensagens por ele expressas. Que fique bem claro que tudo isto valeu a pena; ainda que a I. esteja a aprender a jogar, portou-se lindamente. Agora só falta convencer a Avioneta a vir jogar comigo (parece um crime eu estar a utilizar um nome tão parvinho para esconder a identidade de uma rapariga tão querida).

12:30 Tomar banhinho

Momento muito agradável, tendo os objectivos de manutenção da higiene corporal sido completamente atingidos.

13:30 Almoçar com os papás

Curto omelete a potes.

14:30 Compras!

Fui às compras, mas não fui sozinho. A Avioneta veio comigo, para me dar a sua opinião. O T-shirtaólico inveterado que sou viu uma camisa de que gostou e teve de a comprar. A Avioneta gostou muito da camisa. A Avioneta dobrou as mangas da camisa com muito cuidado e carinho para eu ficar mais bonito (menos bimbo) e ver como me ficava. A Avioneta elevou-me a autoestima para os ares em primeira classe. Todas as pessoas, quando vão às compras, deviam ter uma avioneta para as ajudar. Uma, não esta. Esta é só para mim.
Comprei também uns ténis, apesar de já não serem totalmente do agrado da Avioneta. Assim se prova que eu não me atiro para a frente de um autocarro em movimento, só porque a Avioneta me manda (e manda muitas vezes). Não temos os mesmos gostos em ténis, mas felizmente temos muitas outras coisas em comum. Quem tem uma Avioneta, tem tudo.

15:30 Acidente de automóvel

Assim até dá gosto ter acidentes. Um certo C3 esqueceu-se de que, e especialmente quando há algum trânsito, SE CALHAR CONVÉM PARAR NOS SINAIS DE STOP. Mas não parou, e veio-se aninhar em cima do meu carro, quando eu já estava atrasado para ir ter à praia com a I. e a Avioneta. "Ela não é de cá" - disse a acompanhante da condutora. Ah, então se calhar eu devia ter recusado que ela prontamente se desse como culpada. É que na terra dela não deve existir nenhum sinal de stop (aqui para nós Avioneta, virou-se o feitiço contra o feiticeiro, não achas?).
Felizmente a companhia seguradora era a mesma, e até tinha uma sucursal mesmo ali ao pé. Tenho de ver se me lembro daquele cruzamento, para bater ali mais umas vezes. Adorei também quando eu, ao tratar dos papéis do seguro, oiço a simpática condutora dizer "fazemos anos quase no mesmo dia". Ai que engraçado. Simpatia, isto é simpatia. Parte-me o parachoques, o farol, amolga-me o painel lateral, desalinha-me a direcção, estraga-me um dia que ontem se perspectivava como perfeito, e no entanto nada disso importa, PORQUE FAZEMOS ANOS QUASE NO MESMO DIA.

16:30 Chegar efectivamente à praia

Lá ia eu, bastante desanimado. "Estamos à frente do barco pirata, do lado da lagoa" - dizia a mensagem. Eu ainda só via Citroens C3 à frente, lembrava-me lá de onde estava o barco pirata. No entanto, encontrei rapidamente as raparigas mais bonitas da praia, que felizmente eram a I. e a Avioneta (eu ia la combinar qualquer coisa com raparigas feias?), que já lá estavam à minha espera para me consolarem. E se me consolaram... Foi massagens, foi moshes, foi sessão de fotos, foi jogar raquetes (com cada voo que mandei, roubava o título de Avioneta à própria), foi mergulhos, foi galhofa da boa... Enfim. Se cada acidente fosse garantia de um tratamento tão dedicado como aquele, eu ia todos os dias a começar já amanhã para a A8 andar em contra-mão. Podia ser que a Avioneta assim viesse mais vezes às compras comigo, entre outras magníficas iniciativas de cariz socioeconómico (que fique bem claro que isto é uma pequena graça e não um cobranço ;) ). Resumindo, elas devolveram o sorriso à minha cara (e areia em barda para dentro dos meus calções de banho).

19:45 Chegar da praia e novo banho

Mais uma vez, a higiene pessoal não foi descurada, mesmo sendo acrescida da tarefa de remoção de areia dos tomates. Sem tomates limpinhos não se faz uma boa salada.

20:30 Jantar com os papás

Curto bife a potes.

22:00 Sair pela noite fora

Lá fomos para um bar com bom aspecto, com gente com bom aspecto (principalmente na minha mesa) ouvir música ao vivo. E ao morto, segundo as vozes (e o apito) de algumas alminhas que, apesar de assistirem apenas, insistiam em acompanhar os artistas residentes. Mais uma vez, a companhia da Avioneta e da I. eram indispensáveis, juntando à festa o meu amigo J.

1:20 Soninho

Estavamos todos com soninho, por isso começamos o trajecto rumo a casa (infelizmente não para a mesma casa, tendo em conta que para cá vim de boleia com a Avioneta, a máquina dos meus olhos).


E então, não faço um cu? Pois, talvez não, mas hoje foi excepção. É incrível como um dia em que temos um acidente se pode revelar como o melhor dia dos últimos tempos.

Resta-me dizer:

Obrigado I.
Obrigado Avioneta (quando é que vamos voar?)

6 comentários:

2 gajas super mega ri idiotas disse...

Claro que fazes um cú! Fiquei cansada só de ler...

Borboleta Azul

PS-Não é qualquer um que tem uma "Avioneta" dessas, estima-a!

NI disse...

Tens toda a razão, foi um dia estafante. Se eu tivesse um dia como o teu no dia seguinte estava a recuperar num spa.

*tεrεsα* disse...

Oh Pedro, então não percebeste que talvez a condutora estivesse a se fazer ao piso??? Ai, com estes homens às vezes tem que ser com legendas...

Ela bate no teu carro (dizes tu que foi culpa dela e confio na tua palavra :P), e após aquele aparato todo ela ainda diz: Oh, fazemos anos quase no mesmo dia...

Já houve muito boa gente que conheceu a sua cara-metade assim...

Mas já deu para perceber que a avioneta está no teu coração.

Ab.

Pedro M. disse...

Mesmo que a condutora se estivesse a fazer ao piso (que não estava), quando os carros bateram e o meu parou finalmente, a primeira imagem que me veio à cabeça foi a carinha da Avioneta, e que se calhar já não a ia reencontrar tão cedo =( Nem me consigo lembrar já da cara nem do nome da outra (da acompanhante lembro-me bem porque sofria de estrabismo, e para estes pormenores já tenho memória de elefante). Aliás, ela assume que nem parou no stop porque vinha distraida a falar com a acompanhante. Provavelmente, o facto de ser impossível saber como olhar olhos nos olhos para um estrábico ocupou-lhe maior capacidade de processamento que o normal...

O pensador disse...

Concordo com a Teresa,existe gente que arranja os pretextos mais esquisitos para meter conversa com a gente.
São sinais do tempo!
Antigamente a gente tentava meter conversa com as miúdas na fila duma cantina (por exemplo),mas elas tinham logo uma resposta "curta e seca"...hihihi..
Hoje temos que ser mais imaginativos e mandar o nosso carro contra o dela!!..hehehe..

Pedro,já que o accidente que gostarias de ter era outro.
Mas não desesperes,vai conduzindo na estrada e vai olhando sempre para o céu...

Força rapaz!

*tεrεsα* disse...

Pensador,

resposta "curta e seca", não é??

Eu dou-te a minha resposta no sítio certo e à hora certa... Até lá descansa :P

Não ligues, Pedro. Nós temos as nossas "private jokes".

Ab.