domingo, 23 de setembro de 2007

Estou mesmo a ficar um homenzinho.

É muito provável que a maior parte de vocês comece a ficar enjoado (ou enojado, ou até ambos) ao ler este post. Quando eu estou alegre, sou a coisinha mais insuportável que existe. Passem à frente se fazem favor, que não tarda nada encontram um post ao nível fraquinho do costume, em que eu digo mal de tudo e mais alguma coisa (normalmente ou de restaurantes ou de drogados; ou de drogados à frente de restaurantes, tendo em conta a nojice de bifes que lá são servidos).

Hoje, pela primeira vez, cozinhei uma refeição para outras pessoas. Estava nervosíssimo. Tinha mesmo de correr bem. Sentia que tinha algo a provar. Tentei fazer tudo com muita calma (eufemismo para atadice). O prato principal não desiludiu (pelo contrário, se até eu achei que estava bom), e a sobremesa surpreendeu (especialmente tendo em conta que uma das pessoas não gostava deste tipo de doce mais enjoativo). As felizes contempladas foram a I. e a Avioneta (com aqueles corpinhos de sonho e carinhas angelicais, não percebo como é que não estão a caminho de Milão, para mais uma passagem de modelos, em vez de aceitarem o meu convite para jantar). Desta vez, para variar, elas não tiveram de fazer quase nada (e mesmo assim, nunca uma salada me tinha sabido tão bem). Mais uma vez este ano (e de novo com protagonismo delas), estou-me a sentir mais do que bem. Não foi só o jantar, a noite em geral foi óptima.

Estou absolutamente envergonhado. Hoje de tarde, enquanto fazia a sobremesa (com segredo especial à la Pedro), já tinha planeado um post curto mas ordinaríssimo (quer dizer, ordinaríssimo é como quem diz; encarado com uma infindável abertura de espírito até nem tinha nada de mal) que envolvia a minha dificuldade em bater claras em castelo e paralelismos com outras coisas bonitas da vida. Agora, por mais que tente, só consigo escrever sobre coisas fofinhas e queridas e doces e melosas e muito, muito felizes. Eu prometo que amanhã as coisas normalizar-se-ão, e os meus pensamentos voltarão todos a ser constituídos por pormenores nos quais mais ninguém pensa, tirando os tristes, os pobres de espírito e indivíduos com um grave défice de concentração.

Só tenho pena de ter começado a crescer tão tarde (se bem que, em vários aspectos, vou continuar a ser o maior criançola à face da terra). No entanto, às vezes o processo tarda a acontecer porque é preciso conhecermos as pessoas certas e deixar que elas puxem por nós. Os erros e as vitórias, os traumas semi-recalcados (e então se eu não tenho uma bela colecção) e a perfeição de certos momentos passados, são factores que se traduzem em atrasos e avanços temporais e espaciais, que nos colocam em cima de um filosófico telhado, com o pé em cima de uma telha solta, a um dado momento. Caímos e as únicas pessoas que nos ajudam a levantar são "aquelas". Se tudo me tivesse corrido sempre bem em cada escola e em cada ano que passei, a esta hora podia ser milionário e no entanto sentir-me mais pobre por não as ter conhecido. Assim, espero mais um bocado e já não tenho de abdicar de todas as pessoas que contribuem para a minha felicidade (incluindo todos os atrasados mentais sem a mínima noção de ridículo da Família Superstar).

Para vossa felicidade (caso não tenham já mudado de blog), vou já já parar com as lamechices. Entretanto volto à falta de respeito e de tacto que me caracteriza, e vamo-nos rir todos muito de novo. Falta-me só dizer o seguinte: amanhã posso estar com umas trombas do caraças, mas o sentido de realização que um simples (aparentemente) jantar me deu, já ninguém me tira. Hoje fui feliz.

PS 1: Ando a falar imenso da Avioneta ( pliiiiiiiim :D ) e da I. (plaaaaão ;) ), e ocasionalmente do J. (que me ensinou a arrotar e dizer asneiras como um homem, e isso não tem preço). Acho que nunca falei aqui do A., o que é uma tremenda de uma injustiça pegada. Afinal de contas ele é o meu melhor amigo mais antigo (daqueles assim a sério, que ouvem os nossos problemas, mesmo nas alturas em que estamos indignados e nos cuspimos todos em público, para vergonha partilhada deles), já desde a escola primária e, até agora, só o meu pudor (mas não muito) em relatar as nossas risotas à custa de assuntos que envolvem pobreza, raça e orientação sexual é que me impediram de o ter mencionado. Era só para dizer que não (nunca) estás esquecido (qualquer dia conto aqui aquela da coxa, da velha e da preta; é um dos melhores cartões de visita para o cerne da nossa genialidade). Porra que ando mesmo cor-de-rosa.

PS 2: Estou em falta com uma data de leitores assíduos do blog. Espero que tenham a consciência de que eu fiquei a fungar de contentamento com os prémios que me atribuiram. Cada comentário que me deixam no blog é como uma formiguinha queimada à luz da lupa que faz soar o riso de uma criança (cruel). Se eu às vezes não respondo, é porque não tenho nada inteligente para dizer (se bem que eu nunca tenho nada de inteligente para dizer, mas fica a intenção). A sério, obrigado. Em breve darei o devido destaque ao destaque que me dão. São do caraças vocês, do caraças.

PS 3: No fundo, o jantar ainda não acabou. Para isto ter corrido bem, é preciso que elas amanhã acordem bem dispostas e com as suas funções digestivas minimamente regularizadas. É "só" uma questão de esperar para ver. Uma vez pessimista, para sempre pessimista.

4 comentários:

Jasmim disse...

Agora só falta deixares um post com a receita do jantar maravilha causador de sorrisos e brilhozinho nos olhos visível até no blog!

"avioneta" disse...

Pedro, esqueceste-te de contar que te ganhei uma aposta :P

beijoooo

P.S- Acreditem, o jantar estava mt bom e dps foi só galhofa, risota e muita dança :D

Anónimo disse...

Além da competência desportiva, da genialidade bloguística, do sentido de humor e espírito sagaz, e das outras qualidades (embora politicamente incorrectas) em geral, só espero que esta nova e bem sucedida incursão gastronómica do P. faça ver à Avioneta que "É inútil resistir" !!!!

Pedro M. disse...

A aposta foi a seguinte (eu só conto porque me pediste e porque já não tenho vergonha nenhuma na cara):

A Avioneta, na tarde do jantar, e por causa do jantar, perguntou se eu tinha tomate (para a salada, claro, suas mentes perversas). Eu disse que não, ao que ela respondeu "não tens tomate????????"

A quantidade exagerada de pontos de interrogação levou-me logo a pensar em coisas mais obscuras.

Agora reparem no problema gramatical: à noite, eu jurava a pés juntos que ela tinha usado a expressão "tomates", com segundas intenções, e ela a pés juntos jurava que tinha dito apenas "tomate". Eu ameacei-a com o facto da conversa estar gravada no messenger, convencido de que tenho sempre razão.

Quem perdesse, tinha de cozinhar/pagar um jantar a dois ao outro. Juro que, apesar de ser aquele tipo de aposta em que, devido à extrema delicadeza e simpatia da Avioneta (mesmo se perdesse, sairia a ganhar), a aposta foi feita inocentemente.

Moral da história: perdi uma aposta, mas ganhei a melhor companhia que um homem pode ter (mas que poucos merecem) =)