sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Lembras-te de mim?

Se alguém conhecer pessoalmente a Rita Mendes, agradecia que lhe fizesse chegar este texto às mãos; é bastante importante. Pedia que, para variar, me levassem a sério. Não se brinca com os sentimentos das pessoas.
Rita, tudo se passou há cerca de 11 anos, em Lisboa, no porto da Docapesca. Tu tinhas 19 anos e fazias parte do trio de apresentadores do melhor programa de televisão da Sic na altura, o Templo dos Jogos. Ainda hoje me lembro daquele dia e do teu ar de menina querida, naquele vestidinho verde. Se ainda o tiveres, envia-o cá para casa, que depois a minha mãe encarrega-se de o dar aos pobres. Não precisas de o lavar nem passar a ferro, que é para isso que pagamos 5 euros à hora à Dona Aurora. A propósito, ficas bem mais favorecida com o teu antigo look casual, do que na tua nova faceta (tentativa?) de mulher do jetset português (diga-se de passagem que também não precisas dessa gentinha para nada, és absolutamente superior a eles). Seja como for, continuas bem mimosinha, ó se continuas (espero que tenha passado despercebida a minha tentativa de manter a rebarbadez nos níveis mínimos permitidos)...

Eu estava vestido com aquela elegância que sempre me caracterizou (pelo menos até há bem pouco tempo). Usava Allstars azuis nos pés, calças de ganga coçadas pelo uso, e uma t-shirt preta, embora um princípio de borboto lhe estivesse a roubar a negritude. Era muito mais magrinho do que agora (não por ter menos gordura; agora tenho é mais músculo). Usava óculos, e a minha franja tapava ligeiramente o meu olho direito. Um príncipe encantado, portanto. Acho que já começas a desconfiar da minha identidade, correcto?

Essa edição em particular do programa foi para o ar nesse local, e não no estúdio, visto que se ia realizar o campeonato nacional de WaveRace 64, Soulblade e Manx TT. Foi um dia muito stressante e cansativo, com demonstração de jogos e competição propriamente dita, desde manhã até ao final da tarde, altura em que foi gravada a cerimónia de entrega.

Ficaste impressionadissima quando eu ganhei o campeonato nacional de Wave Race 64, para a Nintendo 64, a consola de jogos mais poderosa e recente do mercado naquela altura. Não conseguias compreender como é que eu conseguia dominar a minha personagem e o seu jetski com tão grande mestria, mesmo tendo em conta a intensidade das ondas. Deste-me dois beijinhos quando ganhei a final. Acho até que foram beijinhos repenicados e humedecidos, recompensa pela vantagem avassaladora que levei sobre o meu rival. Ficaste tristíssima quando perdi no Soulblade na meia-final, para um estafermo que, em vez de jogar com classe, matraqueava violentamente os botões, socorrendo-se apenas de golpes sujos. Mas o meu principal objectivo era mesmo o Wave Race 64, e tu sabia-lo. Sabiam os teus olhos. Sabia o teu sorriso. Sabiam as tuas covinhas da cara. Agora sim, sabes quem é o arquitecto desta missiva. Os teus olhos lacrimejam e o teu coração pulsa compassadamente, o que é bom sinal, senão não conseguirias ler este texto e terias, como eu, os globos oculares demasiado secos, o que me impede de usar lentes de contacto com a mesma frequência de antigamente, a menos que não me importe de ficar com umas valentes conjuntivites.

Ainda tive direito a mais dois beijinhos, desta vez um pouco mais contidos, visto que estavamos a ser filmados, e o nosso amor tinha de passar despercebido aos olhos dos media nacionais. A culpa era da famigerada diferença de idades que nos separava... Como sabem, a censura na década de 90 era bem elevada; quase não se viam maminhas na televisão portuguesa. Mesmo assim, a intensidade reduzida daqueles beijos não impediu que a paixão fluísse entre os nossos corpos apaixonados, fruto do imediatismo do amor, que quando encontra dois candidatos compatíveis, os inunda de mútua ternura, deixando o coração combalido, mas feliz.

Entretanto, o evento acabou, e os meus pais arrancaram-me da alçada do teu olhar, levando-me para a minha prisão domiciliária (que outro termo se pode arranjar para um lar em que raramente se comem batatas fritas e se bebem refrigerantes, sendo obrigatório o consumo diário de sopa e fruta em ambas as principais refeições?). Tenho quase a certeza de que me tentaste procurar estes anos todos, apesar de não ser tarefa fácil, pelo facto de eu não ser uma figura pública e de ser mesmo muito magrinho até há poucos anos atrás (agora tenho um corpinho que vai lá vai...). Atrevo-me até a dizer, e espero que não fiques ofendida, que o teu primeiro casamento não correu da melhor forma porque, no fundo, ainda me amavas.

Eu também te amava, mas agora já não. Olha, era só para dizer que se calhar era melhor tentares esquecer-me, que eu estou emocionalmente indisponível. Tu ainda és nova e gira, concerteza que arranjas aí outro rapaz jeitoso, com um emprego digno e um carro a gasóleo para darem umas voltas no Guincho aos domingos sem gastar muito dinheiro.

Sim, meus amigos, porque ir ao Guincho e não haver dinheiro para tremoços, é de morte.

5 comentários:

O pensador disse...

Pedro,não é a Rita Mendes mas deixei-te algo parecido para ti lá no blog..

Mas nem penses em levar um beijo!!

Black Cat disse...

Estamos à procura de contribuidores para o blog. Alguem interessado?

http://sevenblackcats.blogspot.com/

sejam benvindos

queres participar? gosto da tua escrita!

ladybug disse...

Ó Pedro, eu até arranjava maneira de fazer chegar isto à Rita mas quer-me parecer que ela iria ficar sentida. Como fica de cada vez que acaba um relacionamento para passar ao próximo num piscar de olhos... Vamos poupar a Rita. E quiçá... têm sempre o porto da Docapesca :)

Pedro M. disse...

Não quero de maneira nenhuma deixar a Rita triste. Aliás, ela era uma daquelas paixões fofinhas e inocentes que se têm quando somos novitos, e por alguma razão ainda me lembro daquele dia como se fosse hoje.

Se digo que é melhor que ela me esqueça, é apenas por infantil despeito :P

Mendinha disse...

Encontrei este teu texto num daqueles exercícios narcísico-virtuais que levo, de vez em quando a cabo, escrinhando o meu próprio nome na pesquisa do Goggle. Eis que te encopntrei aqui saudosista de uma época que há muito não lembrava. Pelo menos assim tão pormenorizadamente envolvendo beijinhos repenicados e e vestidinhos verdes. Já passaram 12 anos. Ah pois é. Não me lembro de ti, mas reconheço em ti particularmente mas pareces me um bom malandro. Na altura e ainda hoje em da :)E por cá ando, a tentar ser feliz. Umas vezes à minha maneira, outras vezes, à maneira dos outros. Mas olha...a verdade verdadinha é que quem tem um carro a gasóleo sou eu :) Já viste como subi na vida!? lollll

Obrigada por este reviver dos good old days e vamo nos encontarndo por aí nos novos caminhos da vida. Virtal ou não.

Beijinho

Rita Mendes. the one. eheheh