sábado, 22 de setembro de 2007

O milagre da desmultiplicação das unidades métricas.

Hoje fui pela primeira vez à natação no horário livre. Inscrevi-me porque acho que é um desporto completíssimo, e preciso de assegurar a perfeição do meu corpo, já a pensar no Verão de 2008 (só o corpo, porque a cabeça já não tem emenda possível). Ando é a comer um bocado mal; pensar demasiado no futuro fez com que o meu peso baixasse para os 68,5 quilos, sem que eu desse conta. Agora que olho com mais atenção noto que é verdade; já embuchava mais um bocadinho.

Segundo a minha querida amiga I., eu nado muito bem. Ela andou muitos anos na natação, por isso acreditem na opinião dela. Infelizmente, deixei escapar um pequeno pormenor: não custa manter uma boa técnica quando se nada apenas 15 metros no estilo que melhor se domina (num total de três diferentes, já a contar com cão) numa lagoa calma à frente de uma rapariga. É que de resto, a minha experiência de natação a sério, com professor, coleguinhas, títulos de golfinho e espadarte para os melhores, e carradas de cloro, resume-se a 15 dias passados nas piscinas de São Pedro de Moel quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Portanto, se a condição para eu conquistar a amorosa Avioneta (amorosa e doce e toda muito perfeitinha e tão bem humorada!) fosse eu amanhã fazer 500 metros mariposa num intervalo de tempo de 20 minutos, bem que me podia conformar em viajar em classe económica na TAP (mesmo sabendo que não conseguia, preferia afogar-me a tentar do que desistir logo à partida).

Assim que comecei a nadar, percebi logo que aquilo cansava mais do que eu pensava. "Olha, ainda só fiz duas piscinas, já me estão a sair os pulmões pelas orelhas, e ainda só passaram dois minutos desde o início da hora livre". Eu nunca tive uma resistência a atirar para o especial de corrida (embora fosse um óptimo velocista quando andava no atletismo, só para não pensarem que não dou uma para a caixa), portanto, e ainda por cima como era a primeira vez, lá me conformei. "Não fazes mais piscinas, fazes menos. Não descansas menos, descansas mais."

Entretanto, na pista ao lado estava uma rapariga, também a descansar. Eu estava um bocado cansado e, nas últimas braçadas, antes de fazer a viragem, atrapalhei-me um bocado com respiração, agarrando-me prontamente à manga de separação da pista. À manga, pensei eu. Até nem foi ao braço da rapariga nem nada, que já lá estava estacionado antes de eu lá por a mão. "Que bocado de plástico tão fofinho e tenrinho; as instalações são realmente muito boas". Não bastava ter perdido um segundo da minha vida a ver se o bicep da moça tinha utilidade para um rico fondue, e ainda lhe apalpei o rabo sem querer (mas de forma descaradissima), quando voltei a por o bracinho dentro de água para recomeçar o trajecto. Por incrivel que pareça, ela não só não se queixou, como nem sequer olhou para mim. Vou-lhe dar um desconto; provavelmente também estava a reflectir sobre a qualidade das instalações da piscina, não tendo posto a hipótese de que podia ser um rebarbado qualquer. Ai de quem pensar "então e não era?!".

Mesmo descansando bastante, ainda consegui fazer o redondinho número de 20 piscinas. "Para primeira vez, 1000 metros não está nada mal" - pensei eu, fazendo as contas. Com a prática este valor só pode aumentar. Desde que nas próximas vezes faça pelo menos sempre mais uma (ou as mesmas, se estiver num dia mau), já não me posso queixar tão alarvemente.

O imbecil do encarregado da piscina é que escusava de me ter dado a informação de que o comprimento da piscina era de 25 metros, e não os 50 que eu tinha pensado no início, devido ao facto da piscina ser recente (para mim, se é recente e a cidade é grande, só pode ser olímpica). Roubaram-me meio quilómetro ao ego, da forma mais descarada de que há conhecimento; depois do esforço físico estar concluído.

Prometo que nas próximas semanas vos vou pondo ao corrente do meu progresso, mesmo que não queiram. Prometo também que, até ao próximo ano, já vou estar a nadar de maneira tão furiosa, que vai parecer que Moisés também foi à hora livre e está do lado de fora a separar as águas. Pelo menos as chinelas ele já tem; só lhe falta comprar touca, calçonito e óculos.

2 comentários:

O pensador disse...

Pedro,acho que nesta história da "piscina" andastes a meter muita agua....

:-)

Jasmim disse...

...ou a engolir muitos pirolitos! :D