domingo, 2 de setembro de 2007

Tem a certeza?

Isto acontece-me tantas vezes que dou por mim a desejar que os responsáveis sofram de pedras nos rins. Marcar um número de telefone de nove dígitos parece ser, de facto, uma tarefa dantesca para muita gentinha que aí anda. Quando acontece uma vez ou outra, é compreensível. Pede-se desculpa pelo engano, e segue-se em frente, não se começa a discutir com o infeliz que teve a amabilidade de atender o telefone..!

- A Célia está?

E nem um boa noite.

- Este número não pertence a ninguém com esse nome.

- Tem a certeza? É que eu não me enganei no número.

Ó meu grande animal. Tenho a certeza, sim. Lido com este número todos os dias e, definitivamente, não me chamo Célia. E como é que eu sei que não me chamo Célia? Porque, literalmente todos os dias, os meus pais (mais a minha mãe) me tratam por João sempre que precisam de alguma coisa (é perfeitamente normal os pais enganarem-se no nome do filho, trocando pelo do irmão, ainda que esse engano seja diário), alterando prontamente e sem grandes teimosias para Pedro (às vezes não chega a demorar nem 5 segundos e 3 repetições para fazerem a correcção). Portanto, tendo sido tratado por estes dois nomes masculinos durante 26 anos, e após 19 anos a mijar de pé (só para tirar as dúvidas), acho que há boas probabilidades de eu não ser a badalhoca que procuram.

Mesmo assim, se isto ficasse por aqui, era doce que nem mel. O problema é que dou por mim a responder a inquéritos existenciais sobre o paradeiro das pessoas que querem encontrar, e o facto do número para o qual estão a ligar ser o errado. Sim, o número é que está errado, nunca o processo de ligação. Estes geniozinhos nunca sabem pedir desculpa. Os seus dedinhos rançosos nunca escorregam para a tecla errada; eu é que não devia morar aqui.

Por outro lado, se estas dulcineias têm a lata de perder mais do que 45 segundos a falar comigo até se resignarem com o seu engano, provavelmente o que aconteceu foi que as Célias deste mundo captaram à partida o potencial de desafiados mentais destes senhores e lhes deram o número errado. Eu também daria.

Célia, escusavas era de dar sempre o meu.

2 comentários:

NI disse...

Então Pedro, não colocas a opinião da pessoa mais importante? A Camila Nunes. Ou será que o piquenique transformou-se numa caça aos gambozinos e quando deste por ti estavas com a Cauana?

O pensador disse...

Ou o cauano...hehehe...