terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Vamos viver juntos?"

Fizeram-me esta pergunta no sábado passado. De facto, a vida tem os seus próprios ciclos. Eu, aos 26 anos, sinto que é a altura perfeita para pensar em dar esse passo e, seria de esperar que, caso a questão não me tivesse sido dirigida, fosse eu a dirigi-la a alguém.

Viver com os pais, como toda a gente sabe, é um quebra cabeças apenas justificável pela ausência de despesas imobiliárias. De resto, às tantas, damos por nós a pensar "lar doce lar não, lar casa de repouso, que parecemos todos uns velhinhos às turras".

É certo que passa a haver uma necessidade muito maior de gerir milimetricamente o dinheiro, para além do acréscimo de responsabilidade. Mas também há muitas coisas boas que se ganham, não só em termos de intensidade das vivências, como em termos de cumplicidade.

Isto seria tudo muito bonito se a balança não estivesse extremamente preocupada em pesar um factor. É que a pessoa que me fez esta pergunta, não só não é aquela que eu gostaria que me dissesse estas palavras, como ainda por cima tem pénis. Tudo bem, é um dos meus melhores amigos, mas por acaso isso serve de atenuante?

Estávamos os dois a conversar sobre a vida, enquanto nos queixávamos daquelas coisas que nos deixam absolutamente autistas quando se partilha a casa com os nossos pais (autistas não, que eles têm sempre pelo menos uma faceta bastante desenvolvida; atrasadovskis mentais mesmo). Já não sei quem é que estava mais irritado, se ele se eu. De repente sai-lhe aquela pergunta.

Eu sei que ele é absurdamente heterossexual (HETERO, para quem está a tentar ler o blog sem as cangalhas de ver ao perto montadas na fronha) e que a intenção não era má; há até várias pessoas na mesma situação que, no seu princípio de vida (parece que voltamos a ser bebés outra vez) decidem partilhar casa. O meu problema reside no modo de abordar a temática. Não estava preparado para ouvir tão repentinamente aquele "vamos viver juntos". Depois ele percebeu o caricato da situaçao e lá tentou disfarçar com um "cada um com o seu quarto e com o seu wc, claro", mas o mal já estava feito. "Vamos viver juntos" em menos de 4 décimas de segundo e com voz grossa e bruta, é uma frase extremamente "dentro do rabinho", digam o que disserem.

Eu sugeriria um "epá, rrrrrrrooooooooooooo (som de expectoração), viver com os cotas é um fritanço de tola que não tás bem a ver. Podíamos alugar uma casa com algum espaço, assim uma merda porreira onde pudessemos levar gajas assim de fininho, e dividíamos as despesas." Qualquer coisa mais assim deste género. Até nem era preciso utilizar a palavra gaja e muito menos com laivos de promiscuidade. Mas um bocadinho mais de esforço não fazia mal, ou fazia?

É o que eu digo; uma pessoa vai viajando pelos vintes, à espera de que situações marcantes aconteçam com um certo ritmo, e elas até acontecem, mas ligeiramente mais tortas do que esperávamos.


Passados dois ou três dias já estou menos chocado.

4 comentários:

sahara disse...

No final das contas, vais ou não vais?
O que é que pesa mais, ficares demente antes dos 30 ou teres de te explicar às gaijas porque é que vives com um homem??? :P

Pedro M. disse...

Não vou :P, se bem que até ao final de 2008 tenho de estar fora de casa...

Acho que mesmo assim, soa menos mal "vivo com um amigo" do que "vivo com os meus pais". Além disso já estou numa fase em que a opinião que elas têm de mim começa a não me fazer grande comichão (síndrome do preso por ter cão e preso por não ter).

Logo se vê :P

Schlumpy disse...

Aos 26???
Isso é muito cedo... A não ser que já tenhas visitado os países Bálticos, a Bielorússia, a Ucrânia, Moscovo e São Petersburgo... aí, vá lá, já daria um passo desses independentemente da idade...

A info-excluida disse...

Cala-te lá. Eu, gaja. Ele, gajo, e um dos meus melhores amigos. Mais do que combinado que assim que eu conseguisse juntar dois tostões arrendava-se um buraquito, ele comia as dele e eu ia comendo os meus. Há coisa de três dias: "temos de falar: vou viver com o Gonçalo".

Porra.