quinta-feira, 31 de maio de 2007

Animal Lover

Como toda a gente sabe, incluindo os próprios, eu adoro animais. Não são todos os animais, são só alguns. Os meus preferidos são os gatos, mas também gosto muito de cães, cavalos, golfinhos, dinossauros e ciganas boas e bem lavadas.

Disse à minha mamã que gostava muito de ter um animal de estimação e que isso ia ser muito importante para o meu desenvolvimento como ser humano, especialmente agora, que estou naquela fase em que se começa a definir a personalidade. Eu gostava de ser um tipo carinhoso, generoso, amigo do seu amigo e sempre pronto para ajudar a próxima. Ela disse que não, e que se um animal de estimação já dá trabalho, imagina dois. Eu acho que não é bem assim; se eu até já consigo utilizar a sanita, é impossível que aquelas coisas fofas da foto (tentem dizer isto sem que saia "fotos da fofa") não consigam. Era inútil estar a discutir mais; eu sou daquele tipo de pessoa que gosta de ter tímpanos. Enfim.

Seja como for, ando a receber demasiados currículos de jeitosas jovens que querem ter um caso comigo. Isto pode parecer absurdo, mas acreditem, não consigo dar conta de todas. Por isso, e para juntar o útil ao agradável, pedia que só enviassem o currículo aquelas que tivessem um animal de estimação minimamente querido. Para as tremendamente feias: deixem estar, não gastem selos. É que para fazer festinhas e atirar bolas a seres peludos, já basta mesmo o animalito. Além disso, gajas com pulgas é uma maçada do caraças.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Sou vítima de maus tratos domésticos

Ontem os meus pais foram para fora por um dia ou dois. Antes de sair, acordaram-me (primeira marca de abuso) e disseram - Deixámos-te uma prenda na cozinha.

Espumando de felicidade, lá fui eu directo para a cozinha, passadas 3 horas e meia de receber a notícia. E ali estava, dentro da sua caixinha, o palmier recheado de chantilly mais douradinho que eu vi na vida.

Presente envenenado! Aquele chantilly já não estava grande coisa; passadas algumas horas ainda estava super enjoado. Isto foi de propósito. Eles pensavam que se fizessem aquilo e fossem para fora, que eu me iria sentir mal mas eles não se sentiriam culpados com os meus lamentos de dor. Assim, sem possibilidade de sentir remorsos e comigo sozinho, ninguém me poderia acudir. Eu teria uma morte lenta e dolorosa (mas doce) e deixaria os meus pais bem mais à vontade, quem sabe, para até adoptar outra criança. Por momentos pensei em ir à lista telefónica, procurar uma dessas linhas verdes de apoio. Dá muito trabalho. Deitadinho no sofá a ver a final da Taça é que é.

Se bem me conheço, nos próximos anos não vou poder ver chantilly à frente. A última vez que isto aconteceu eu tinha 6 anos. Fartei-me de comer pão com chórisse (eu sei que não é assim que se escreve chouriço, mas ser labrego adiciona toda uma nova dimensão de piada à coisa), também já não devia estar em grandes condições, e pronto. Parecia a miúda daquele filme, "O Exorcista", que estava possuída. Tudo bem, a minha cabeça não dava a volta aos ombros, e a voz dela a insultar o padre era bem mais grave que a minha, mas para todos os efeitos, vomitei que foi uma coisa parva. Isto já foi há 19 anos... Vou passar 19 anos sem chantilly?

Qualquer dia estou no quarto com uma bruta de uma sueca (bruta mas naquele sentido fofinho), daquelas de fazer parar o trânsito sem farda e apito, e ela diz-me "Tenho uma prenda para ti...", para a seguir aparecer coberta de chantilly em certas partes estratégicas. E eu ali, acabadinho de chegar de um retiro de 3 anos no Tibete, sem ter tido acção da boa durante toda a estadia, a ser completamente desmasculinizado pelo cabrão do chantilly.

- Deves ter algum problema. Os portugueses são todos iguais!

- Não tenho problema nenhum! Ok, sou português, mas fica sabendo que nasci nas Caldas da Rainha! Eu só não gosto é de chantilly! Vai tomar um banhinho e a gente já fala, amor.

Para não ficarem a pensar que foi inútil ler este desabafo, vou-vos ensinar duas coisas.
"Palmier" em português quer dizer "Palmeira", e "Tenho uma prenda para ti" em sueco diz-se "Jag har en gåva för dig". Não sei porque é que os meus pais me quiseram fazer mal se eu, mesmo quando sou maltratado, não consigo deixar de partilhar o meu vasto conhecimento com o mundo.

É triste.

Feeling blue?

...
When there's a will, there's a pill.

...
When there's a pill, there's a way.

sábado, 26 de maio de 2007

Coelhinho, um amiguinho fofinho

Apresento-vos o Bugs, o meu almoço. Com um arrozinho de cenoura (ah, a ironia) e ervilhas, era inútil resistir.

Uma última homenagem...

Bugs (11 de Fevereiro de 2007 - 26 de Maio de 2007)

Que as suas coxas suculentas descansem em paz.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Amor...



... é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É pastilha elástica em que uma pessoa se senta porque naquele dia se esqueceu de verificar a cadeira apesar de se ser o miúdo mais gozado do 9ºC;

É pionés que pica comó caraças porque naquele dia nos esquecemos de andar pelos corredores da escola com o rabo encostado à parede sendo o 3º miúdo mais gozado do 6ºB e tendo o 1º miúdo mais gozado do 6ºB ido à enfermaria tratar de um penso e o 2º miúdo mais gozado do 6ºB ficado em casa com gripe;

É mandar um pulo e um gritinho no meio de uma aula de Microbiologia Alimentar porque alguém se lembrou de nos espetar um dedo no flanco lombar, sítio no qual temos umas cócegas desgraçadas;

É ficar feliz por ver carne de porco à alentejana na mesa, para depois descobrir que tá salgada, o que é mau, porque sal a menos ainda se adiciona, mas a mais é um martírio;

É ter um cão chamado Bobi do qual se gosta muito, mas ir na rua e ter de apanhar os seus cocós, porque fomos educados a ser pessoas asseadinhas e a não dar cabo do bem estar dos outros;

É fingir de conta que acreditamos no "Não é nada disso que estás a pensar", apesar de começarmos a sentir umas ligeiras comichões na testa;

É comer torrão de Alicante, só para sentir aquele gostinho no fim, apesar de ao princípio ser mais duro que a maçaneta de uma porta;

É... inútil continuar. Acho que já chega.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A felicidade pode ter tracção às 4 rodas...


O sexo para ser bom, tem de ser badalhoco (é como a pizza, sem carradas de gordura é só pão com queijo e fiambre; o que não quer dizer que eu goste de tipas obesas). Toda a gente sabe isso. É por isso que o novo Range Rover (aqui na versão Sport Supercharged, a minha preferida, e nem por isso a mais cara, para vos provar que não sou assim tão exigente) é daqueles carros (carro não, isto é um automóvel) verdadeiramente cristãos. Quem tem um carro destes não precisa de sexo. Basta fazer amor, e apenas para procriar.


Eu nem sequer gostava deste tipo de carros (4x4? blhuuuuurrrrk), mas entretanto senti que havia um vazio em mim. Fui à descoberta da minha espiritualidade. Descobri a luz. Os designers da Land Rover (outrora gentinha inútil e de mau gosto) conseguiram transformar uma coisa que durante muitos anos foi grande e feia, num monumento em miniatura, daqueles monumentos requintados que têm para aí uns 300 cavalos. Se eles não são profetas, dignos de beatificação, então não sei o que serão.


Eu não sou feliz. Mas gostava. Com um popó destes eu poderia partir alegremente em busca do caminho para a felicidade. De certeza que vem assinalado no belíssimo GPS (de origem, claaaaaro, seus pobres). Se dizem que são mesmo meus amigos, e se me quiserem ver mesmo feliz, pode ser um em Rimini Red, como o da foto em baixo. Mas se só houver em Cinzento Zambezi, também pode ser...

terça-feira, 22 de maio de 2007

Anexo ao último post


Para todos aqueles que levaram demasiado a sério o post de ontem:

Eu NÃO sou o Menino Jesus. Por favor, parem de me enviar ouro, incenso e mirra. Mesmo precisando de dinheiro, parece um bocado suspeito ir ao banco com tupperwares cheios de ouro. Já o dvd que o carteiro era suposto ter entregue ontem ainda não chegou. Se tivesse chegado e eu o estivesse a ver, vocês, caríssimos leitores, tinham sido poupados a mais um novelo de disparates. Minto, isto hoje até vai ser interessante e educativo.

A propósito de ouro, incenso e mirra:

Ouro, eu percebo. Dá para comprar coisas de que toda a gente precisa, como electrodomésticos, gelados e viagens às Caraíbas.
Incenso... Vou dar um desconto. Um burro, uma vaca, e ainda pastores a levar cordeiros para um estábulo sem ar condicionado e mal ventilado? É capaz de cheirar um bocado a bosta.

Agora, mirra? O que é que é mirra? Eu não sei o que é mirra! Não deve servir para nada de especial, senão, quando se pergunta às pessoas o que fariam se ganhassem o Euromilhões, toda a gente responderia - "Vou ajudar a minha família e os meus amigos, comprar um carro novo, acabar de pagar a casa, ir até ao Gerês fazer termas e comprar mirra. Muuuuuuita mirra!"

Prometo que vou dar um pulinho à Wikipédia para ver se me torno um pouco mais culto.

Rei Mago nº 3 - Meu Salvador, fiz milhares de quilómetros para Te vir prestar a minha homenagem. Apanhei chuva, calor, tempestades de areia, panfletos de promoções do Lidl e aturei os outros dois chatos o caminho todo, tudo isto, para te trazer sete quilos e trezentos de mirra!

Jesus - Miiiiiiiiiiiiiirra? Mais inútil só um kit de sócio do Benfica!*

Tirado da Wikipédia: "Atualmente utilizam-se comercialmente os componentes da mirra em produtos como loções, pastas de dente, perfumes e outros cosméticos. A naturopatia ainda recomenda seu uso em cavidades orais no tratamento de infecções causadas por bactérias, fungos e vírus."

- Fixe. Quando for grande vou ter os dentes mais limpinhos de toda a Galileia!


* Nota: Não fiquem já ofendidos. Não é por o Benfica ser um mau clube; simplesmente lá o desporto rei é a patinagem artística (com um honroso segundo lugar para o ping pong).

Sou sim senhor, mas não praticante


Acho muita piadinha aos católicos não praticantes. Pelo menos da minha parte, nunca ouvi ninguém dizer que era outra coisa qualquer não praticante.

- Sou jogador de golfe não praticante. Não percebo um cú de golfe, não sei as regras, mas a minha vocação deu-me para isto. É um chamamento que vem cá de dentro. Ser jogador de golfe não é para quem quer, é para quem nasce assim.

É inútil virem-me dizer que acreditar em Deus, por si só, torna legítimo o vosso catolicismo não praticante. O Tiger Woods é do caraças, acredito toneladas nele, e não é por isso que sou jogador de golfe não praticante. Grandes tacadas, nervos de aço, mas mesmo assim, não cola. Se vocês acreditam nisso, então eu sou o Menino Jesus.

Mais vale rir que chorar!


Acabei de ouvir esta frase à hora do almoço. Não vou dizer quem a disse. Só vou revelar que a frase foi provocada pela minha resposta "Está melhor que a sopa." quando me perguntaram "Essa pêra está boa?".

Mais tarde ainda me perguntaram - "E a febra está boa?"

- Está melhor que a pêra...

- Mais vale rir que chorar!

É mais uma daquelas coisas que se dizem para tapar o silêncio. Este tipo de frases feitas são inúteis. Tudo bem, entre rir e chorar, prefiro rir. Acho que a maioria das pessoas assim o preferirá. Mas quem se consegue rir depois de levar com uma pedrada na testa?

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Cenas de um casamento


Aqui há uns dias fui a um casamento. Não foi o meu, até porque, com 25 anos, sinto-me novo demais para casar. Senão, tenho a certeza de que candidatas a noivas não iriam faltar. Nunca bati numa mulher e não o planeio fazer, mas acho que o clorofórmio até pode ter um odor agradável.

Seja como for, a certa altura, dei comigo pela primeira vez em muitos anos numa igreja. Fiquei entalado entre os meus pais e uma velhota que, noutras circunstâncias, a mais alguns centímetros de distância, até poderia ter sido uma companhia simpática. Já à minha frente, ficaram as únicas duas raparigas de jeito (estou a falar da aparência, há que ser superficial) de todo o casamento. Aproveito para dizer que uma era bem mais engraçada do que a outra (se me estás a ler, aposto que em roupa do dia-a-dia não és nada de especial).

Uma coisa que gosto de fazer na igreja é, sempre que é necessário dizer alguma coisa ou fazer algum gesto tipicamente cristão, olhar à minha volta para ver se sou o único a ficar quieto que nem um porta-chaves, ou se estão a olhar para mim com ar de reprovação por não fingir que estou a participar no ritual habitual. No entanto, houve uma frase que me fez lembrar dos meus tempos de criança (por "tempos de criança" entenda-se "tempos em que os meus pais me obrigavam a ir à missa vestido de forma absolutamente ridícula e com possibilidade de fortes traumas futuros"), em que toda a gente olhava desesperada em redor, à procura de gente para dar um beijo ou um aperto de mão. O malfadado "Saudai-vos na paz de Cristo".

"Saudai-vos na paz de Cristo." Mal tinha tido tempo para pensar "Cristo, se não te fizer diferença, a velhota não, se faz favor" quando já a rapariga a frente (a tal que era menos gira que a outra mas ainda assim com capacidade para impressionar ligeiramente), depois de cumprimentar a amiga, se vira para trás, estica-se para a minha mãe e lhe dá dois beijos. Eu, que estava mais perto dela que a minha mãe, pensei logo "agora é a minha vez, anda cá dar-me a paz de Cristo". Eu esperei, esperei (até deu tempo para uma ressurreiçãozinha) e nada. Voltou a virar-se para a frente, como se eu já estivesse aviado por ter uma velhota simpática (aparentemente, não sabemos) ao meu lado. Eu não sou feio, e, apesar de no dia-a-dia ser frequente andar com aspecto assim assim, naquela ocasião era de longe o homem (e em muitos casos, a mulher, tal a quantidade de buço presente, e braços do dobro dos meus) mais bem parecido e bem vestido de todos. Se calhar há coisas que não são para perceber.

Resumindo: foi inútil ter-me vestido tão bem. Nunca mais na vida volto a trocar conforto por boa aparência, nem mesmo no meu próprio casamento. Aliás, se ela vai casar comigo, uma boa prova de amor é deixar-me andar à vontade. Aturar os pais dela e ser-lhe fiel devia ser penitência suficiente.

Rapariga do casamento, mais uma vez, se me estiveres a ler, envia-me um mail. Dou-te o meu número de telefone, combinamos ir tomar café (aviso-te desde já que agora é tarde, não quero nada contigo) e explicas-me que raio é que a minha mãe tem a mais que eu. Ainda por cima naquele casamento.

Depois admiram-se que eu não seja cristão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Este domingo, oremos irmãos.


Para os mais cépticos, no próximo domingo vai ser possível tirar todas as dúvidas sobre a existência de Deus. Ai Dele que não exista. Assim a Inquisição tinha sido inútil.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Antes de Começar...

É assustadora a quantidade de blogs que existem actualmente. Neste momento (e até aos próximos trinta segundos) não me lembro de moda mais irritante do que esta. Hoje em dia qualquer palhaço(a) tem um.

Sendo assim, achei boa altura começar agora o meu. Não prometo que seja o mais inútil da blogosfera (palavra estúpida), mas garanto que vou tentar.