sábado, 29 de setembro de 2007

Sou um indivíduo democrático e que convive com o povo (pronto, também não exageremos)...

...e por isso decidi abrir uma votação no blog. Após esta iniciativa, irá ser concretizado um estudo intensivo aos seus resultados, do qual sairão, com toda a certeza, brilhantes conclusões acerca do "É Inútil Resistir", conclusões essas que partilharei com todos vós. Tendo em conta que algumas opções se complementam, é possível votar em mais do que uma delas. Pedia, no entanto, que pusessem a mão na consciência antes de votar, fazendo estas perguntas a vós próprios:

  • Sei ler e, portanto, não vou fazer cruzinhas ao calhas?
  • Vou levar a sério este acto democrático, honrando assim a confiança em mim depositada pelo Pedro?
  • Mudo frequentemente de roupa interior, botando para lavar a que está usada, ou comprando periodicamente novas mudas?
  • Tenho um rabiosque de sonho?
  • Possuo, no mínimo dos mínimos, o 12º ano ou equivalente?
  • Sou maior de 18 anos, não sendo, no entanto, viciada/o em sites eróticos?
  • Sei jogar ao berlinde?
  • Sei lançar o pião?
  • Sei fazer rotundas a derrapar, sem deixar o carro entrar em pião?
  • Trato bem os meus sogros (no caso de os ter)?
  • Já roubei sabonetinhos de quartos de hotel de 3 estrelas?
  • Finjo que vejo o Lost, Prison Break e Donas de Casa Desesperadas, para me sentir integrado na minha equipa de trabalho/turma no dia seguinte aos episódios?
  • Lava-louças normal ou com o poder do limão?
  • Gosto de concursos e demais programas televisivos de entretenimento, enviando cupões, sempre que possível, especialmente se sairem no Correio da Manhã ou na TV Guia?
  • Leio o jornal "A Bola"?
  • Não leio o jornal "A Bola"?
  • Gosto mais de golfinhos ou de pinguins?
  • Estive envolvido em desaires desportivos de equipa própria, tendo escapado (suficientemente) ilesa/o à fúria dos adeptos, de modo a poder votar neste magnífico blog, ainda que isso possa ser indicativo de alguma falta de coordenação motora, especialmente em caso de culpabilidade assumida?
  • Sei fazer arroz soltinho, ainda que com alguma goma?
  • Possuo um comportamento de total alienação perante o modo de funcionamento da sociedade, ao não ter colocado o dístico de "Publicidade não endereçada? Não, obrigado!" na portinhola da minha caixa de correio?
Este exame à consciência é necessário; pessoas de bem votarão e conseguirão dormir descansadas, enquanto que pessoas mal formadas impedirão o acesso do seu cônjuge/companheiro/amorzinho a uma noite de soninho bem descansado (ou simplesmente ao resto do prédio, no caso de estado civil deprimente), devido a um fortíssimo e desagradável odor nos pés, o que levará a posteriores represálias.

É votar, minha gente, é votar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Senhoras Sexagenárias Praticando Hidroginástica

Parece que nunca viram um gajo de 20 e tal anos, em boa forma, nadando elegantemente. Continuo a achar que, ou é o meu corpo que é extremamente bem torneado, ou os calções são exageradamente apertados. Pensando bem, talvez seja a junção dos dois factores. Seja como for, acredito que aquilo seja o paraíso na Terra para alguns, na condição de serem pessoas que têm fetiches com velhotas na casa dos 60 e 70 anos, quiçá algumas delas com pé de atleta.

Sugiro que, para a próxima, o instructor seja fisicamente mais atraente do que eu, e dê as aulas em tronco nú, se quiserem que as adoráveis senhoras não olhem tanto para trás. Juro que tento fazer a minha parte, mantendo-me submerso durante o maior período de tempo possível, mas de vez em quando lá tenho de descansar uns segundos e por-me de pé na parte menos profunda da piscina.

Para todos aqueles que pensavam que, devido à minha fraquita resistência, já me teria afogado por esta altura (ou desistido desde muy nobre desporto), afianço-vos que não, muito pelo contrário. Dos 500 metros iniciais (e bem aldrabadinhos), já passei para 750 metros, muito mais bem nadadinhos. Estou até a elaborar (não tanto para meu proveito próprio em termos de análise evolutiva, mas especialmente a pensar na vossa curiosidade) um ficheiro em Excel com a minha performance ao longo do tempo. Mais tarde partilhá-lo-ei convosco, não só através de vários rácios numéricos, bem como de lindos gráficos, dando-vos até a oportunidade de escolher a sua apresentação. Gráficos por colunas, por pontos, em forma de tarte tridimensional? Que o céu seja o limite da vossa imaginação.

Voltando à temática da hidroginástica, gostaria de fazer uma observação. Isto pode muito bem ser ignorância minha, mas aquilo não é apenas tomar banho de imersão em grupo, com sais de banho de cloro, com música pirosa aos altos berros? "Ai é muito bom porque não tem impacto nas articulações e até os mais morbidamente obesitos conseguem imitar as mais lindíssimas coreografias". Será?

A propósito de tudo isto: hoje sonhei que um pombo me tinha cagado em cima. Para mim, é condição mais do que suficiente para querer cometer suicídio. Nem imaginam o alívio que senti quando acordei, com suores frios e tal, mas sem merda de pombo na cabeça (pelo menos fora dela). Poderei, portanto, continuar a minha prática de natação na hora livre, para gáudio de todos vós, amigos leitores, sem que o decréscimo do meu amor pela vida dite o contrário.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Também eu já fui vítima de assédio sexual...

Mas gostei. Confesso que gostei. Quer dizer, senti-me um bocado sujo da primeira vez, mas a partir daí, woooooooooooooooooooow.

O meu rabo foi apalpado por desconhecidas em três ocasiões em toda a minha vida. Duas delas foram na escola secundária, à saída da sala de aula. Sabem como é; a campaínha toca e os corredores enchem-se de gente que se acotovela, na tentativa de chegar primeiro ao bar e ficar com os melhores bolos, ou de ir à papelaria comprar folhas de ponto (eu, durante o 9º ano, fui um desses atados que tinha sempre folhas de ponto para toda a gente).

Um dia, assim que saio da sala, sou apalpado à força toda por alguém, que eu naquela altura só rezava para que fosse uma rapariga. Olhei para trás, fixei algumas caras, mas como ninguém tinha ar suspeito, não grunhi nem nada. No dia seguinte, no mesmíssimo intervalo, sou apalpado de novo no mesmo sítio. Mas que apalpão aquele! A minha nádega direita levou ali carinho para o resto da vida. Olhei de novo prontamente para trás, comparei com a fotografia mental do dia anterior (sou óptimo nisso), e percebi logo quem tinha sido a rapariga (sim, felizmente era uma rapariga) que tinha dito olá manualmente ao meu fiambre. Não a conhecia pessoalmente, mas desde já assumo que fiquei com pena de não a ter conhecido melhor. Não era nada de se deitar fora (e diga-se de passagem que eu, na altura, não estava em posição de deitar nada fora). Nunca mais me apalpou.

Por acaso não foi a única vez que, naquela escola, passei pela experiência de um acontecimento suceder duas vezes consecutivas com praticamente todos os pormenores repetidos. Infelizmente, da outra vez em que isso me aconteceu, não foi por motivos de apalpanço. Numa aulas de ciências, às 10:30 da manhã, comecei de repente a sangrar do nariz. "Precisas de ir à casa de banho, Pedro?" - perguntou o professor Jaime (acho que era Jaime). "Não, não, isto não é nada" - respondi eu, com grandes gotas de sangue a embater com tanta violência no caderno que até salpicavam as imediações. Os meus colegas ficaram semi-preocupados (semi porque descobri depois, embora ainda hoje não saiba bem porquê, que a maior parte da turma não simpatizava lá muito comigo). No dia seguinte, precisamente à mesma hora, na mesma mesa, etc etc etc etc etc etc etc e tal, começo de novo a sangrar do nariz, como se de um sinal divino se tratasse. Surgiu de novo a mesma pergunta, sendo retorquida da mesma forma pseudo-valentóide. Pronto, não era uma questão de valentia, as casas de banho é que eram nojentas. Já que é para sangrar, que seja dentro da sala de aula. A única diferença foi que, desta vez, os meus colegas, em vez de ficarem preocupados, ficaram amedrontados, como se eu estivesse a ser o veículo de alguma demonstração demoníaca. Era só sangue, pá! Calhou foi em má altura...

Voltando à questão do apalpanço...

Mais tarde, sem conseguir precisar se ainda foi no secundário ou não (talvez, porque vinha com o meu amigo A. a percorrer o mesmo trajecto de volta para casa), passam por nós duas raparigas. Uma delas passa por mim e pim! Mão aberta na borda que até mias (acho que desta vez foi na esquerda).

Nunca mais me apalparam de forma não solicitada. Hoje sei que sofro por isso. Inclusivamente, de vez em quando, pedia às minhas namoradas para me apalparem o rabo numa altura em que eu não estivesse à espera, mas já não era a mesma coisa... O meu rabo era delas por direito, por isso não havia aquela sensação de perigo de "será que ele é um tarado sexual, encara isto como um convite, e me ensina coisas bonitas da vida já aqui?", nem aquela pega firme, de quem sabe que só tem uma hipótese de visualizar de forma táctil o belo do nalguedo, atirando-se logo à tarefa com firmeza e determinação.

Qualquer dia ponho aqui no blog uma foto do meu rabo. Farei então um apelo. Se és gira, reconheceres o meu rabo na rua, e não tiveres medo de sofrer represálias por parte da Avioneta (a quem, embora não seja minha namorada, concedi plenos direitos morais sobre as minhas amolfadinhas musculadas), APALPA-ME, PÁ!

domingo, 23 de setembro de 2007

Estou mesmo a ficar um homenzinho.

É muito provável que a maior parte de vocês comece a ficar enjoado (ou enojado, ou até ambos) ao ler este post. Quando eu estou alegre, sou a coisinha mais insuportável que existe. Passem à frente se fazem favor, que não tarda nada encontram um post ao nível fraquinho do costume, em que eu digo mal de tudo e mais alguma coisa (normalmente ou de restaurantes ou de drogados; ou de drogados à frente de restaurantes, tendo em conta a nojice de bifes que lá são servidos).

Hoje, pela primeira vez, cozinhei uma refeição para outras pessoas. Estava nervosíssimo. Tinha mesmo de correr bem. Sentia que tinha algo a provar. Tentei fazer tudo com muita calma (eufemismo para atadice). O prato principal não desiludiu (pelo contrário, se até eu achei que estava bom), e a sobremesa surpreendeu (especialmente tendo em conta que uma das pessoas não gostava deste tipo de doce mais enjoativo). As felizes contempladas foram a I. e a Avioneta (com aqueles corpinhos de sonho e carinhas angelicais, não percebo como é que não estão a caminho de Milão, para mais uma passagem de modelos, em vez de aceitarem o meu convite para jantar). Desta vez, para variar, elas não tiveram de fazer quase nada (e mesmo assim, nunca uma salada me tinha sabido tão bem). Mais uma vez este ano (e de novo com protagonismo delas), estou-me a sentir mais do que bem. Não foi só o jantar, a noite em geral foi óptima.

Estou absolutamente envergonhado. Hoje de tarde, enquanto fazia a sobremesa (com segredo especial à la Pedro), já tinha planeado um post curto mas ordinaríssimo (quer dizer, ordinaríssimo é como quem diz; encarado com uma infindável abertura de espírito até nem tinha nada de mal) que envolvia a minha dificuldade em bater claras em castelo e paralelismos com outras coisas bonitas da vida. Agora, por mais que tente, só consigo escrever sobre coisas fofinhas e queridas e doces e melosas e muito, muito felizes. Eu prometo que amanhã as coisas normalizar-se-ão, e os meus pensamentos voltarão todos a ser constituídos por pormenores nos quais mais ninguém pensa, tirando os tristes, os pobres de espírito e indivíduos com um grave défice de concentração.

Só tenho pena de ter começado a crescer tão tarde (se bem que, em vários aspectos, vou continuar a ser o maior criançola à face da terra). No entanto, às vezes o processo tarda a acontecer porque é preciso conhecermos as pessoas certas e deixar que elas puxem por nós. Os erros e as vitórias, os traumas semi-recalcados (e então se eu não tenho uma bela colecção) e a perfeição de certos momentos passados, são factores que se traduzem em atrasos e avanços temporais e espaciais, que nos colocam em cima de um filosófico telhado, com o pé em cima de uma telha solta, a um dado momento. Caímos e as únicas pessoas que nos ajudam a levantar são "aquelas". Se tudo me tivesse corrido sempre bem em cada escola e em cada ano que passei, a esta hora podia ser milionário e no entanto sentir-me mais pobre por não as ter conhecido. Assim, espero mais um bocado e já não tenho de abdicar de todas as pessoas que contribuem para a minha felicidade (incluindo todos os atrasados mentais sem a mínima noção de ridículo da Família Superstar).

Para vossa felicidade (caso não tenham já mudado de blog), vou já já parar com as lamechices. Entretanto volto à falta de respeito e de tacto que me caracteriza, e vamo-nos rir todos muito de novo. Falta-me só dizer o seguinte: amanhã posso estar com umas trombas do caraças, mas o sentido de realização que um simples (aparentemente) jantar me deu, já ninguém me tira. Hoje fui feliz.

PS 1: Ando a falar imenso da Avioneta ( pliiiiiiiim :D ) e da I. (plaaaaão ;) ), e ocasionalmente do J. (que me ensinou a arrotar e dizer asneiras como um homem, e isso não tem preço). Acho que nunca falei aqui do A., o que é uma tremenda de uma injustiça pegada. Afinal de contas ele é o meu melhor amigo mais antigo (daqueles assim a sério, que ouvem os nossos problemas, mesmo nas alturas em que estamos indignados e nos cuspimos todos em público, para vergonha partilhada deles), já desde a escola primária e, até agora, só o meu pudor (mas não muito) em relatar as nossas risotas à custa de assuntos que envolvem pobreza, raça e orientação sexual é que me impediram de o ter mencionado. Era só para dizer que não (nunca) estás esquecido (qualquer dia conto aqui aquela da coxa, da velha e da preta; é um dos melhores cartões de visita para o cerne da nossa genialidade). Porra que ando mesmo cor-de-rosa.

PS 2: Estou em falta com uma data de leitores assíduos do blog. Espero que tenham a consciência de que eu fiquei a fungar de contentamento com os prémios que me atribuiram. Cada comentário que me deixam no blog é como uma formiguinha queimada à luz da lupa que faz soar o riso de uma criança (cruel). Se eu às vezes não respondo, é porque não tenho nada inteligente para dizer (se bem que eu nunca tenho nada de inteligente para dizer, mas fica a intenção). A sério, obrigado. Em breve darei o devido destaque ao destaque que me dão. São do caraças vocês, do caraças.

PS 3: No fundo, o jantar ainda não acabou. Para isto ter corrido bem, é preciso que elas amanhã acordem bem dispostas e com as suas funções digestivas minimamente regularizadas. É "só" uma questão de esperar para ver. Uma vez pessimista, para sempre pessimista.

sábado, 22 de setembro de 2007

O milagre da desmultiplicação das unidades métricas.

Hoje fui pela primeira vez à natação no horário livre. Inscrevi-me porque acho que é um desporto completíssimo, e preciso de assegurar a perfeição do meu corpo, já a pensar no Verão de 2008 (só o corpo, porque a cabeça já não tem emenda possível). Ando é a comer um bocado mal; pensar demasiado no futuro fez com que o meu peso baixasse para os 68,5 quilos, sem que eu desse conta. Agora que olho com mais atenção noto que é verdade; já embuchava mais um bocadinho.

Segundo a minha querida amiga I., eu nado muito bem. Ela andou muitos anos na natação, por isso acreditem na opinião dela. Infelizmente, deixei escapar um pequeno pormenor: não custa manter uma boa técnica quando se nada apenas 15 metros no estilo que melhor se domina (num total de três diferentes, já a contar com cão) numa lagoa calma à frente de uma rapariga. É que de resto, a minha experiência de natação a sério, com professor, coleguinhas, títulos de golfinho e espadarte para os melhores, e carradas de cloro, resume-se a 15 dias passados nas piscinas de São Pedro de Moel quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Portanto, se a condição para eu conquistar a amorosa Avioneta (amorosa e doce e toda muito perfeitinha e tão bem humorada!) fosse eu amanhã fazer 500 metros mariposa num intervalo de tempo de 20 minutos, bem que me podia conformar em viajar em classe económica na TAP (mesmo sabendo que não conseguia, preferia afogar-me a tentar do que desistir logo à partida).

Assim que comecei a nadar, percebi logo que aquilo cansava mais do que eu pensava. "Olha, ainda só fiz duas piscinas, já me estão a sair os pulmões pelas orelhas, e ainda só passaram dois minutos desde o início da hora livre". Eu nunca tive uma resistência a atirar para o especial de corrida (embora fosse um óptimo velocista quando andava no atletismo, só para não pensarem que não dou uma para a caixa), portanto, e ainda por cima como era a primeira vez, lá me conformei. "Não fazes mais piscinas, fazes menos. Não descansas menos, descansas mais."

Entretanto, na pista ao lado estava uma rapariga, também a descansar. Eu estava um bocado cansado e, nas últimas braçadas, antes de fazer a viragem, atrapalhei-me um bocado com respiração, agarrando-me prontamente à manga de separação da pista. À manga, pensei eu. Até nem foi ao braço da rapariga nem nada, que já lá estava estacionado antes de eu lá por a mão. "Que bocado de plástico tão fofinho e tenrinho; as instalações são realmente muito boas". Não bastava ter perdido um segundo da minha vida a ver se o bicep da moça tinha utilidade para um rico fondue, e ainda lhe apalpei o rabo sem querer (mas de forma descaradissima), quando voltei a por o bracinho dentro de água para recomeçar o trajecto. Por incrivel que pareça, ela não só não se queixou, como nem sequer olhou para mim. Vou-lhe dar um desconto; provavelmente também estava a reflectir sobre a qualidade das instalações da piscina, não tendo posto a hipótese de que podia ser um rebarbado qualquer. Ai de quem pensar "então e não era?!".

Mesmo descansando bastante, ainda consegui fazer o redondinho número de 20 piscinas. "Para primeira vez, 1000 metros não está nada mal" - pensei eu, fazendo as contas. Com a prática este valor só pode aumentar. Desde que nas próximas vezes faça pelo menos sempre mais uma (ou as mesmas, se estiver num dia mau), já não me posso queixar tão alarvemente.

O imbecil do encarregado da piscina é que escusava de me ter dado a informação de que o comprimento da piscina era de 25 metros, e não os 50 que eu tinha pensado no início, devido ao facto da piscina ser recente (para mim, se é recente e a cidade é grande, só pode ser olímpica). Roubaram-me meio quilómetro ao ego, da forma mais descarada de que há conhecimento; depois do esforço físico estar concluído.

Prometo que nas próximas semanas vos vou pondo ao corrente do meu progresso, mesmo que não queiram. Prometo também que, até ao próximo ano, já vou estar a nadar de maneira tão furiosa, que vai parecer que Moisés também foi à hora livre e está do lado de fora a separar as águas. Pelo menos as chinelas ele já tem; só lhe falta comprar touca, calçonito e óculos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Lembras-te de mim?

Se alguém conhecer pessoalmente a Rita Mendes, agradecia que lhe fizesse chegar este texto às mãos; é bastante importante. Pedia que, para variar, me levassem a sério. Não se brinca com os sentimentos das pessoas.
Rita, tudo se passou há cerca de 11 anos, em Lisboa, no porto da Docapesca. Tu tinhas 19 anos e fazias parte do trio de apresentadores do melhor programa de televisão da Sic na altura, o Templo dos Jogos. Ainda hoje me lembro daquele dia e do teu ar de menina querida, naquele vestidinho verde. Se ainda o tiveres, envia-o cá para casa, que depois a minha mãe encarrega-se de o dar aos pobres. Não precisas de o lavar nem passar a ferro, que é para isso que pagamos 5 euros à hora à Dona Aurora. A propósito, ficas bem mais favorecida com o teu antigo look casual, do que na tua nova faceta (tentativa?) de mulher do jetset português (diga-se de passagem que também não precisas dessa gentinha para nada, és absolutamente superior a eles). Seja como for, continuas bem mimosinha, ó se continuas (espero que tenha passado despercebida a minha tentativa de manter a rebarbadez nos níveis mínimos permitidos)...

Eu estava vestido com aquela elegância que sempre me caracterizou (pelo menos até há bem pouco tempo). Usava Allstars azuis nos pés, calças de ganga coçadas pelo uso, e uma t-shirt preta, embora um princípio de borboto lhe estivesse a roubar a negritude. Era muito mais magrinho do que agora (não por ter menos gordura; agora tenho é mais músculo). Usava óculos, e a minha franja tapava ligeiramente o meu olho direito. Um príncipe encantado, portanto. Acho que já começas a desconfiar da minha identidade, correcto?

Essa edição em particular do programa foi para o ar nesse local, e não no estúdio, visto que se ia realizar o campeonato nacional de WaveRace 64, Soulblade e Manx TT. Foi um dia muito stressante e cansativo, com demonstração de jogos e competição propriamente dita, desde manhã até ao final da tarde, altura em que foi gravada a cerimónia de entrega.

Ficaste impressionadissima quando eu ganhei o campeonato nacional de Wave Race 64, para a Nintendo 64, a consola de jogos mais poderosa e recente do mercado naquela altura. Não conseguias compreender como é que eu conseguia dominar a minha personagem e o seu jetski com tão grande mestria, mesmo tendo em conta a intensidade das ondas. Deste-me dois beijinhos quando ganhei a final. Acho até que foram beijinhos repenicados e humedecidos, recompensa pela vantagem avassaladora que levei sobre o meu rival. Ficaste tristíssima quando perdi no Soulblade na meia-final, para um estafermo que, em vez de jogar com classe, matraqueava violentamente os botões, socorrendo-se apenas de golpes sujos. Mas o meu principal objectivo era mesmo o Wave Race 64, e tu sabia-lo. Sabiam os teus olhos. Sabia o teu sorriso. Sabiam as tuas covinhas da cara. Agora sim, sabes quem é o arquitecto desta missiva. Os teus olhos lacrimejam e o teu coração pulsa compassadamente, o que é bom sinal, senão não conseguirias ler este texto e terias, como eu, os globos oculares demasiado secos, o que me impede de usar lentes de contacto com a mesma frequência de antigamente, a menos que não me importe de ficar com umas valentes conjuntivites.

Ainda tive direito a mais dois beijinhos, desta vez um pouco mais contidos, visto que estavamos a ser filmados, e o nosso amor tinha de passar despercebido aos olhos dos media nacionais. A culpa era da famigerada diferença de idades que nos separava... Como sabem, a censura na década de 90 era bem elevada; quase não se viam maminhas na televisão portuguesa. Mesmo assim, a intensidade reduzida daqueles beijos não impediu que a paixão fluísse entre os nossos corpos apaixonados, fruto do imediatismo do amor, que quando encontra dois candidatos compatíveis, os inunda de mútua ternura, deixando o coração combalido, mas feliz.

Entretanto, o evento acabou, e os meus pais arrancaram-me da alçada do teu olhar, levando-me para a minha prisão domiciliária (que outro termo se pode arranjar para um lar em que raramente se comem batatas fritas e se bebem refrigerantes, sendo obrigatório o consumo diário de sopa e fruta em ambas as principais refeições?). Tenho quase a certeza de que me tentaste procurar estes anos todos, apesar de não ser tarefa fácil, pelo facto de eu não ser uma figura pública e de ser mesmo muito magrinho até há poucos anos atrás (agora tenho um corpinho que vai lá vai...). Atrevo-me até a dizer, e espero que não fiques ofendida, que o teu primeiro casamento não correu da melhor forma porque, no fundo, ainda me amavas.

Eu também te amava, mas agora já não. Olha, era só para dizer que se calhar era melhor tentares esquecer-me, que eu estou emocionalmente indisponível. Tu ainda és nova e gira, concerteza que arranjas aí outro rapaz jeitoso, com um emprego digno e um carro a gasóleo para darem umas voltas no Guincho aos domingos sem gastar muito dinheiro.

Sim, meus amigos, porque ir ao Guincho e não haver dinheiro para tremoços, é de morte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A razão pela qual não tenho namorada.

Embora a maior parte das imagens contidas neste blog sejam rapinadas da internet, algumas são mesmo fotografadas por mim. Esta é uma delas. Eu sei o que estão a pensar... quem foi o trambolho que fez aquilo ao prato?

Realmente há cromos para tudo. Uma pessoa pensa que vive num mundo civilizado, mas não isso não passa de uma mera ilusão. Neste caso, vou ter de confessar que aquele era realmente o meu prato e, portanto, o trambolho que gosta de brincar com a comida (ou o que resta dela) sou mesmo eu (como se os meus caros blogoespectadores não tivessem já adivinhado).

Qual é o mal de, após uma refeição particularmente agradável, uma pessoa demonstrar a sua satisfação desta forma? Segundo todos os testes psicotécnicos que realizei, sou um homem de artes (e de ciências, e de letras). Portanto, tenho o direito de mostrar o meu lado artístico. Acima de tudo, mais vale expressar contentamento deste modo do que soltando gases, independentemente da sua tipologia.

O almoço soube-me mesmo bem! A empregada não precisava era de me ter deitado aquele olhar de "já morrias" quando me veio levantar o prato. Aliás, ela é que me está a servir. Eu é que estou a pagar. Mim cliente, tu empregada. Mim rir, tu trazer lista de sobremesas.

Além disso, toda a gente que estava à mesa soltou umas gargalhadas, embora o facto do meu sobrinho P., com três anos na altura, ter sido o que mais se riu, possa ser indicativo de algo que não me apetece estar aqui a analisar.

Se isto se passasse num almoço/jantar com uma rapariga, o meu instinto nunca me permitiria fazer uma coisas destas, a menos que eu soubesse de antemão que isso me iria trazer algum sucesso. Por isso, todas vocês que antes deste post me adoravam ao ponto de terem altares nos vossos quartos dedicados à minha pessoa, escusam de o deixar de fazer.

Direi mesmo mais: uma pessoa que é capaz destas brincadeiras em público tem mais propensão para ser capaz dos actos de romantismo mais tresloucado (mas nunca descabido). Agora escolham.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Do you want a piece of me?

Ultimamente tenho recebido muitos e-mails de fãs (do sexo feminino, espero; quem vê endereços de e-mail não vê o tipo de maminhas e afins de quem os envia), que esperam ardentemente por ver uma foto minha no blog. Decidi fazer-vos a vontade, embora parcialmente. Como devem calcular, a minha identidade tem de ser minimamente protegida, não vá o pessoal dos restaurantes, snack-bars, cafés, pastelarias e roulottes de petiscos por onde passo decidir fazer-me a folha. Já agora, desmistifico aqui um pequeno pormenor. EU FALO MUITO EM OMELETES E COMIDA NO GERAL, MAS MEÇO UM METRO E OITENTA E DOIS CENTÍMETROS, ACOMPANHADOS POR 71 KILOGRAMAS DE PURA SENSUALIDADE. Espero que tenha ficado claro.

Aqui fica um pouco de mim e, como bónus, uma indicação do meu estado de espírito. A menos que os vossos intelectos sejam muito reduzidos (os meus leitores habituais já provaram que possuem capacidades cognitivas fora de série, mas nunca fiando), perceberão desde já que, por mais apaixonante que a minha mão seja, não se encontra disponível a qualquer preço. Vistam-se, portanto.

Sem mais delongas, behold:

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ando com mau karma

Eu já devia ter a noção de que isto de ter tanto amor para dar só me ia trazer problemas. Avioneta, quem te deu autorização para me tornares numa pessoa melhor? Agora é só azar aqui para os meus lados. Ao menos vê lá se depois me consolas um bocadinho. É que estou a ser castigado numa das poucas dimensões da vida que ainda me vai dando algum prazer, a comida.

"Deixa-te estar quietinho e continua a fazer mal aos senhores, que é aí que reside a tua alegria", dizia-me a consciência. "Não deixes passar esse carrinho de bebé; ninguém mandou essa mulher já estar de novo grávida e vir carregada de sacos do Lidl" - continuava ela. E eu não ligava. Já só insultava as pessoas de vez em quando, nem sequer chamei pêga à mulher que me bateu no carro, e agora até já cumprimento toda a gente, independentemente de raça ou condição social (menos as pessoas que eu topo que não lavaram as mãos depois de ir à casa de banho; que eu saiba discriminar gente com má higiene pessoal não é racismo).

Quando comi aquele bife à Marisol, já devia ter desconfiado. Mas depois comi um belo bife na "Mimosa" e achei que não tinha passado de um falso alarme. Hoje, depois de ter comido aquele cachorro no 7ª Vaga, fez-se luz. Eu nunca devia ter passado para o lado fofinho da Força, e agora ando a pagar por isso.

Que ali a única coisa que se aproveita é a tosta de atum, eu já sabia. Frustrante é chegar lá e dizerem "não há atum", ou pior ainda, não há pão para tostas. Não há pão? É o mesmo do que chegar a uma casa de strip e me avisarem de que as lap dances acabaram, e que já só há topless a 20 metros de distância. Há outro pormenor importante. Quando há pão caseiro, as tostas são grandes e custam x. Quando não há pão caseiro, fazem as tostas com uns papo-secos muito pequeninhos, custando na mesma x. A culpa é do J., que me desencaminha para estes caldinhos.

Quando não há pão ou atum, há sempre duas alternativas. Ou se pede hamburguer, ou cachorro. Hoje decidi pedir cachorro, visto que das últimas vezes que pedi o hamburguer, os simpáticos empregados se esqueceram de que eu, apesar de grande amante da cultura japonesa, não aprecio lá muito a carninha crua. Ao menos pedindo o cachorro, mesmo que eles não tivessem gás, já vinha mesmo como eu gosto. Cozinhado. Grande erro...

Cachorro quente do 7ª Vaga, se me estás a ouvir, deixa-me dizer-te uma coisa: és a pior merda que já comi na vida (e olha que na praia, devido a brincadeiras estúpidas, já me fizeram comer areia). O teu pão já tem 5 dias (quase se pode dizer que é um pão vintage), as batatas são rançosas, a esperteza que te fez, como já não tinha ketchup, pôs duas saquetas de mostarda em vez de uma de cada, e dispensava a folha de alface a transbordar para os lados, como se fosse um par de abas para transportar o gigantesco cachorro para casa, na eventualidade de não o conseguir comer em três dentadas.

Estou a ser injusto. É que afinal aquilo até é um sítio com classe, como se pode comprovar pelo quadro na parede, ao estilo de diploma de consultório médico, em que se pode ler "Este estabelecimento encontra-se em processo de certificação de qualidade". Ai que orgulho. Resumindo, já lá foram feitas uma data de auditorias e até agora as coisas continuam a não estar em conformidade. Um dia destes em que precise de tratar de uma qualquer maleita física, aparece-me uma miúda de 18 anos à frente a dizer "não se preocupe que eu vou cuidar de si muito bem, entrei este ano em medicina e estou em processo de aprendizagem, mas não há-de ser nada".

No meio disto tudo, houve um pequeno pormenor que me tocou. Os hippies da mesa do lado (ai perdão, alunos de artes) tinham com eles um cão. Apesar da raça dele ser "Cão Preto Enorme", era super meigo (ou será que era apenas interesseiro?). Parecia triste e tive um bocado de pena daqueles olhinhos (e agora juro que não estou a brincar). Eu gosto muito de animais, e aquele até estava magoado numa pata e tinha uma ferida no focinho. Ele cheirou a comida e estava a tentar que nós lhe dessemos um bocadinho (nós, porque não fui sozinho, e havia mais comida má na mesa), mas sempre com muita educação. Mesmo podendo alcançar facilmente a comida, com aquele tamanho todo, ficava ali quietinho e triste, pedindo apenas com o olhar.

Cão preto grande, podes não ter percebido hoje, mas no futuro vais-me agradecer. Eu simpatizei imenso contigo, e foi por isso mesmo que não deixei que comesses porcarias provenientes daquele estabelecimento. Ainda por cima era insensível da minha parte dar-te uma coisa chamada cachorro quente, ainda que seja feito (maioritariamente) de porco. Pareceste-me triste; mereces donos mais carinhosos e bem vestidos do que aqueles. Desculpa, sim?

sábado, 15 de setembro de 2007

Por ti...

...mudava de rede.

...roubava dois tampões das rodas para por no teu carro, do lado em que faltam.

...passava a chamar ao recheio da sapateira de caquinha, tal como tu lhe chamas, a rir.

...nunca mais digo que vou à rua, mas sim dar uma volta na rua.

...vivia no campo.

...comprava um Série 1 para mim quando precisasse de trocar de carro, e deixava que fosses a primeira pessoa a conduzi-lo, mesmo logo à saída do stand, independentemente do sítio para onde fossemos e do trânsito naquela altura. Se calhar talvez isto não seja a melhor prova daquilo que eu faria por ti... É que tu conduzes muito bem, e não era por o carro ser novo e caro que me ia custar mais passá-lo para as tuas mãos.

...tirava doutoramento na tua área.

...ficarei sempre nervoso enquanto espero que chegues ou que ligues.

...lia todos os livros (incluindo os académicos) que tu lesses, para os podermos discutir ao lanche, no intervalo das conversas boas que temos (e também dos disparates que dizemos), enquanto comemos aquelas irresistíveis bolas de berlim (e de vez em quando um rim e um xadrez).

...daria sempre a entender que fiquei contente que tivesses ligado, com aquela reacção de miúdo a abrir as prendas no Natal, mesmo se estivesse numa reunião e os meus colegas me começassem a olhar de lado, gozassem comigo nos corredores, e me colassem papéis nas costas a dizer coisas estúpidas sobre mim.

...oiço as músicas que me envias até ao fim, mesmo aquelas de que não gosto e que acho que são todas iguais umas às outras (são cada vez menos, e ultimamente tens-me surpreendido, especialmente quando a letra coincide com as circunstâncias).

...admito que afinal a maior parte das músicas que me envias até são giras.

...fazia-te festinhas até ficar com a pele seca (a minha, porque a tua nunca ficaria), ao ponto de precisar de por o creme para as mãos que tens no carro, ainda que não seja de marca, tendo eu a mania de que não uso dessas coisas para pobres (mas naquele dia, quando ofereceste e eu recusei, não foi por não querer, foi porque já tinha posto antes de sair de casa).

...escrevo coisas lamechas (mas queridas) num blog, para toda a gente ver, mesmo quando a única coisa para a qual tenho jeito é escrever barbaridades inúteis, correndo o risco de perder os fieis leitores que fui amealhando ao longo do tempo, ao chegarem ao blog e cada vez mais acharem que eu afinal sou uma pessoa odiavelmente fofinha.

...sou um bocadinho egoísta.

...não sou nada egoísta.





Enfim... por ti... tornava-me sócio do Sport Lisboa e Benfica.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

I want to getz the hell out of there!

Não é que eu precise de fazer muitos quilómetros, mas como tinha umas voltas para dar até o carro estar arranjado, acabei por ir buscar um carro de substituição. Ainda por cima não fui eu que tive a culpa do acidente, não ia ficar sem carro.

Foi-me parar às mãos um Hyundai Getz de 2004. É giro perceber o quanto melhor é o meu Honda Civic de 98. É muito confortável e bem equipado, não parece que se vai desmanchar quando passa dos 40, e dá para respirar lá dentro (aquilo é só plástico, e com o calor, frita o olfacto a qualquer alminha). Além disso, à vista desarmada quase parece que o meu carro, mesmo depois do acidente, estava em melhor estado do que o de substituição.

Ainda bem que o carro é pequeno. Caso contrário ia ter fortes suspeitas de que já lá tinham andado a passar droga, prostitutas a cumprir serviço cumunitario (sim, para si, que anda no meu blog à procura de erros para o deitar abaixo, o cumunitario foi de propósito), ou a ouvir cds da Adelaide Ferreira.

Por outro lado, o carro acaba de me atrair um casalinho com uma simpatia muito forçada a fazer campanha pela sida, à saida da Worten, pedindo trocos e oferecendo uns lacinhos muito foleiros (aquilo basicamente é um prego sem cabeça e um bocado de tecido a desfiar; ao menos sempre dá para escolher azul ou vermelho). Para a sida e para o cancro sabem pedir eles. Agora para mim, que tenho alergias, e que quando ando nervoso a pele da cara começa a escamar um bocadote, ninguém anda na rua a pedir. Se calhar às vezes até pensam, preconceituosamente, que eu é que devo ter sida ou cancro, num desses meus dias maus de pele.

Se o meu carro entretanto não fica arranjado, ainda esgano alguém. Quer dizer, esgano se ainda tiver forças. É que andar dentro daquele Hyundai pode dar cancro. E depois ninguém vai andar a pedir trocos para me curar a doença. É que apesar de ser cancro, o dinheiro é para mim, o tipo que diz mal dos pobres na blogosfera. Ah sorte...

Serei um pai ausente.

Estou agora a falar no messenger com uma amiga com quem não tinha uma conversa de jeito há imenso tempo. É engraçado ver como as pessoas, depois de passarem um período alargado sem conviver comigo, se tornam mais maduras e proactivas, tornando-se membros valiosos da nossa sociedade.

Repito, é engraçado.

domingo, 9 de setembro de 2007

Frustração

Sempre que passo pela cozinha, não consigo ceder à tentação de pegar num frasco enorme de azeitonas Maçarico (número 1 em conservas alimentares em Portugal, para a semana envio para lá um currículo). O frasco está cheio de azeitonas verdinhas, de que tanto gosto. Já há quase 6 dias que o tento abrir, sem sucesso. Não adianta meter de molho em água quente ou usar facas na parte de baixo da tampa, aquilo não abre. Quando eu for famoso, e precisar de um carro blindado para me deslocar, em vez de comprar um Range Rover já fortificado, peço à Maçarico para me modificar um normal.

A beleza da coisa é que, mesmo eu fazendo força suficiente para fazer qualquer ruptura eficiente de tendão corar de vergonha, aquilo não abre. Isto é bonito porque me deixa frustado, não ao ponto de atirar o frasco ao chão, enxugá-lo, e apanhar as azeitonas uma a uma, mas ao ponto de, durante aqueles 10 segundos de árduo esforço físico, esquecer todos os problemas que assolam uma vida humana.

Todos, menos a sensação de ardor com que fico nos braços.

PS: Editei este post porque o J. passou cá em casa e conseguiu abrir o frasco de azeitonas. Por mais que alegue que ele só foi capaz depois dos meus 6 dias de esforço, ninguém vai acreditar em mim. Mais frustração para os meus lados. A vida é mesmo bonita.

sábado, 8 de setembro de 2007

Vocês são meus psicólogos...

... e nem vos pago nada.

A vida é um bife muito mal passado, praticamente em sangue, servido com batatas fritas requentadas e salada demasiado envinagrada. A 7up vem para a mesa com pouco gás, pouco fresca, e muito antes da comida, acabando o bife por ser comido a seco ou obrigando a pedir outra 7up igualmente reles.

A fome é muita e as expectativas elevadas mas, quando o prato vem para a mesa, não conseguimos evitar muitas vezes um sorriso amarelo de leve melancolia (mais amarelinho que as próprias batatas).

Quando eu me sinto assim, uma das coisas que faço para contrariar o fritanço cerebral (provavelmente com óleo virgem, ao contrário do usado para as batatas) é escrever no blog. Sabe bem descarregar as frustrações nos outros. Não pensem que faço isto para desabafar. Sou uma pessoa má. É muito mais fácil tentar arrastar a vossa moral para baixo com as minhas histórias do que elevar a minha com histórias da Branca de Neve e os 40 ladrões (ela é Branca mas não é pura), que toda a gente sabe serem muito engraçadas de se ouvir apenas quando estamos bem dispostos.

Já pensei em meter-me na droga ou começar a enfrascar-me valentemente. No entanto, acabo sempre por preferir o conforto do blog (ou das palavras da Avioneta). É que dá menos trabalho e sempre é mais barato. Preciso do dinheiro para comprar mais camisas fashion (mas tirarem-me as t-shirts repletas de bonecada é como tirarem-me metade do fígado) e um polo verde-alface vivo.

Mesmo sabendo que eu sou uma pessoa má, vocês continuam a vir aqui ler as patacoadas que eu escrevo. Alguns de vocês ainda têm a coragem de comentar os posts, mesmo quando só falam de omeletes, ciganas mal lavadas, carros, ping pong e bifes... Outra vez a história do bife. Por tudo isto, o meu muito e muito obrigado. Amanhã até me posso vir a arrepender de ter escrito este post (apesar de ser heterossexual, sou uma drama queen do caraças). Seja como for, fica o obrigado em cima da mesa, ao lado do pratinho das azeitonas.

Sim, o bife pode estar a saber mal, mas não comi sopa; estou a guardar um buraquinho generoso no estômago. É que não sei porquê, mas acredito piamente que me vou dar bem com a sobremesa...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

E ainda há quem diga que não faço um cú.

Digo isto porque não tenho a vida folgada como toda a gente pensa que tenho. Tenho até uma agenda bastante preenchida.

Vejamos o dia de hoje (este post não tem piada nenhuma)

10:00 Acordar, depois de ter dormido pouquíssimo

Deixar as coisas para a última da hora dá nisto. Tinha um trabalho de inglês para entregar hoje, e em vez de o ter feito a seguir ao jantar e sem parar, decidi que me ia pôr a ver clips da Família Superstar no youtube. Depois decidi que ia escrever um post sobre a Família Superstar. Depois decidi que, se calhar, já era tempo de acabar o trabalhinho, sendo o sono o principal sacrificado. Para todos os efeitos, 5 horas não é mau. Já agora, deixo aqui um conselho. Se decidirem fazer um trabalho em inglês que necessita da vossa concentração total por algumas horas, NÃO SE PONHAM A OUVIR MÚSICA LAMECHAS EM INGLÊS. Isto de saber as letras todas de cor do cd dos The Fray não faz bem a ninguém.

10:30 Entregar o trabalho

Esta foi a parte fácil, mesmo com o calor que estava. Como bónus por ter dado finalmente sinais de vida no English Center, recebi elogios rasgados ao meu novo visual. Aliás, se quiserem ser elogiados pela vossa nova beleza por toda a gente, eu tenho o segredo. ANDEM COM UM ASPECTO DE COCÓ, EM REGIME DE TOTAL NEGAÇÃO DURANTE UNS ANINHOS. Posto isto, e sendo que a partir daqui ninguém tem qualquer pontinha de fé em nós, surpreendam-nos com uma mudança radical, ainda que em certos aspectos seja apenas uma questão de escolher o mal menor. "You do look great Pedro!" Thank you very nice.

10:40 Reservar campo de ténis na secretaria do clube de ténis

Já que tinha um jogo marcado com a I. para as 11, e tendo chegado primeiro, decidi que seria um acto de coragem levar esta tarefa avante. Coragem porque, depois de pagar à Dona S., estive a ouvir o Senhor M. falar sobre o estado do tempo e sobre lugares de estacionamento durante uns 10 minutos, até que a I. arranjasse um lugar para estacionar. Isto seria até um acto agradável de socialização, caso o Senhor M. NÃO FALASSE CUSPINDO-SE E/OU COMENDO AS PALAVRAS, tornando impossível o processo de decifrar as eloquentes mensagens por ele expressas. Que fique bem claro que tudo isto valeu a pena; ainda que a I. esteja a aprender a jogar, portou-se lindamente. Agora só falta convencer a Avioneta a vir jogar comigo (parece um crime eu estar a utilizar um nome tão parvinho para esconder a identidade de uma rapariga tão querida).

12:30 Tomar banhinho

Momento muito agradável, tendo os objectivos de manutenção da higiene corporal sido completamente atingidos.

13:30 Almoçar com os papás

Curto omelete a potes.

14:30 Compras!

Fui às compras, mas não fui sozinho. A Avioneta veio comigo, para me dar a sua opinião. O T-shirtaólico inveterado que sou viu uma camisa de que gostou e teve de a comprar. A Avioneta gostou muito da camisa. A Avioneta dobrou as mangas da camisa com muito cuidado e carinho para eu ficar mais bonito (menos bimbo) e ver como me ficava. A Avioneta elevou-me a autoestima para os ares em primeira classe. Todas as pessoas, quando vão às compras, deviam ter uma avioneta para as ajudar. Uma, não esta. Esta é só para mim.
Comprei também uns ténis, apesar de já não serem totalmente do agrado da Avioneta. Assim se prova que eu não me atiro para a frente de um autocarro em movimento, só porque a Avioneta me manda (e manda muitas vezes). Não temos os mesmos gostos em ténis, mas felizmente temos muitas outras coisas em comum. Quem tem uma Avioneta, tem tudo.

15:30 Acidente de automóvel

Assim até dá gosto ter acidentes. Um certo C3 esqueceu-se de que, e especialmente quando há algum trânsito, SE CALHAR CONVÉM PARAR NOS SINAIS DE STOP. Mas não parou, e veio-se aninhar em cima do meu carro, quando eu já estava atrasado para ir ter à praia com a I. e a Avioneta. "Ela não é de cá" - disse a acompanhante da condutora. Ah, então se calhar eu devia ter recusado que ela prontamente se desse como culpada. É que na terra dela não deve existir nenhum sinal de stop (aqui para nós Avioneta, virou-se o feitiço contra o feiticeiro, não achas?).
Felizmente a companhia seguradora era a mesma, e até tinha uma sucursal mesmo ali ao pé. Tenho de ver se me lembro daquele cruzamento, para bater ali mais umas vezes. Adorei também quando eu, ao tratar dos papéis do seguro, oiço a simpática condutora dizer "fazemos anos quase no mesmo dia". Ai que engraçado. Simpatia, isto é simpatia. Parte-me o parachoques, o farol, amolga-me o painel lateral, desalinha-me a direcção, estraga-me um dia que ontem se perspectivava como perfeito, e no entanto nada disso importa, PORQUE FAZEMOS ANOS QUASE NO MESMO DIA.

16:30 Chegar efectivamente à praia

Lá ia eu, bastante desanimado. "Estamos à frente do barco pirata, do lado da lagoa" - dizia a mensagem. Eu ainda só via Citroens C3 à frente, lembrava-me lá de onde estava o barco pirata. No entanto, encontrei rapidamente as raparigas mais bonitas da praia, que felizmente eram a I. e a Avioneta (eu ia la combinar qualquer coisa com raparigas feias?), que já lá estavam à minha espera para me consolarem. E se me consolaram... Foi massagens, foi moshes, foi sessão de fotos, foi jogar raquetes (com cada voo que mandei, roubava o título de Avioneta à própria), foi mergulhos, foi galhofa da boa... Enfim. Se cada acidente fosse garantia de um tratamento tão dedicado como aquele, eu ia todos os dias a começar já amanhã para a A8 andar em contra-mão. Podia ser que a Avioneta assim viesse mais vezes às compras comigo, entre outras magníficas iniciativas de cariz socioeconómico (que fique bem claro que isto é uma pequena graça e não um cobranço ;) ). Resumindo, elas devolveram o sorriso à minha cara (e areia em barda para dentro dos meus calções de banho).

19:45 Chegar da praia e novo banho

Mais uma vez, a higiene pessoal não foi descurada, mesmo sendo acrescida da tarefa de remoção de areia dos tomates. Sem tomates limpinhos não se faz uma boa salada.

20:30 Jantar com os papás

Curto bife a potes.

22:00 Sair pela noite fora

Lá fomos para um bar com bom aspecto, com gente com bom aspecto (principalmente na minha mesa) ouvir música ao vivo. E ao morto, segundo as vozes (e o apito) de algumas alminhas que, apesar de assistirem apenas, insistiam em acompanhar os artistas residentes. Mais uma vez, a companhia da Avioneta e da I. eram indispensáveis, juntando à festa o meu amigo J.

1:20 Soninho

Estavamos todos com soninho, por isso começamos o trajecto rumo a casa (infelizmente não para a mesma casa, tendo em conta que para cá vim de boleia com a Avioneta, a máquina dos meus olhos).


E então, não faço um cu? Pois, talvez não, mas hoje foi excepção. É incrível como um dia em que temos um acidente se pode revelar como o melhor dia dos últimos tempos.

Resta-me dizer:

Obrigado I.
Obrigado Avioneta (quando é que vamos voar?)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Se não fosse preciso, melhor ainda, mas...

...eu dava o meu testículo direito só para poder ser júri da Família Superstar.


Por exemplo, por causa disto:



Este duo está para Jesus Cristo como a kryptonite está para o Super-Homem (que dizem que é Jesus Cristo, mas com uma fatiota mais anos 80 e depois de ter ido à cabeleireira). A isto se chama verdadeiramente "espalhar a palavra do Senhor". Não a deixem é espalhada na minha rua, que gosto de ver isto limpinho. Não querem baixar o tom, para cantarem com mais à vontade? É que baixar o nível...


E por isto:



Ó meu amigo. Nem que cantasse há 100 anos. Não ponha é as culpas na sua filha (ai porque ela patati patata). CDs qualquer um grava (até eu gravo, se for preciso). E quanto ao facto de já ter estado em palco a cantar ao lado de artistas, ou isso acontece num espectáculo da Chiquita, ou então esqueceram-se de contratar segurança. Continuação de uma vidinha de saúde e alegriazinha, sim?


Já que estou com a mão na massa (uma delas, porque a outra está a agarrar no... rato):



Epilepsia não é dança, que eu saiba. No entanto, aposto que este cabresto tem namorada, ao contrário de muito indivíduo de valor que anda para aí. Além disso ele até tinha a tarefa muito facilitada. Pensem comigo: como é que é possível assassinar música tão boa como a do Morango do Nordeste? É que era meio caminho andado para passar a eliminatória.


O post já vai longo, mas é complicado abdicar de um testículo (mesmo não sendo o meu preferido) sem uma justificação absolutamente plausível:



Que programa tão democrático. Desde que sejam da mesma família, até prostitutas deixam participar. RTP1, ponham os olhos neste programa, caso queiram reformular a elitista Operação Triunfo. A exclusão social deixa feridas muito profundas; todos os seres humanos merecem uma chance (chance assenta tão bem no final de uma frase destas...). Quanto às músicas escolhidas, resta-me pedir a Deus para que vos ajude a esquecer esse amor (a 5 euros cada um). "Cá pra mim tudo o que seja amor, quanto mais melhor" - esta é polivalente, uma profissional que se presta a tudo, com vista à satisfação do cliente. Obrigado pela vossa participação. Podem-se vestir.


Cá vai mais uma razão, como quem não quer a coisa:



Tão fofinho... Trouxe dois originais dele! É a vantagem deste país. Qualquer um se acha poeta. Mas aquele até tinha valor. Qualquer letra que envolva ratazanas, um velhote e uma camisete... Ele tinha 14 quando escreveu aquela canção, e já nessa altura dava bom uso à colher. Vícios precoces...


Mas de vez em quando também por isto:



A mãe é humilde e a filha é amorosa. Para todos os efeitos, ainda bem que a quantidade de anormais é vastamente superior à quantidade de pessoal fixe. É que mais vale rir do que chorar, ainda que seja de emoção (Nélson, estou contigom sniff).


Senti-me na obrigação de acabar este post com energias positivas quentinhas, só para não dizerem que o meu blog, dia após dia, é apenas uma fonte de pesadelos :)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O blog atingiu as 1536 visitas! Parabéns!

O "É Inútil Resistir", apesar de ainda ser recente, já começa a provocar reacções muito positivas no seio da comunidade de internautas portugueses (e nos seios da Soraia Chaves há informações de que o blog também consegue uma reacçãozita ou outra).

Para comemorar este importante marco (não é todos os dias que um blog chega às 1536 visitas, mesmo que dessas 1536, 1492 sejam fruto do computador do seu autor estar constantemente a actualizar a página), fez-se um churrasco, ao qual compareceu a fina nata do jet set internacional.
Vejamos o que algumas celebridades têm a dizer sobre este magnífico espaço de partilha de opiniões e sentimentos:

Pedro Santana Lopes - Este blog é uma péssima influência para as crianças; logo, só pode ser bom. Sempre que o meu miúdo mais novo se portava mal eu avisava-o: "olha que já tens 7 anos, estás em muito boa idade de começar a ler. Se espetas mais alguma vez o bico do lápis no nariz da tua irmã, ponho-te a ler o "É Inútil Resistir" até teres vontade de ir para missionário comboniano.

Pimpinha Jardim - Vou ser sincera; não percebo nada do que ele escreve, mas o Pedro é o máximo e acho que temos de apoiar todas as pessoas que são o máximo, mesmo as que vivem fora de Cascais.

"Amiga" Olga Cardoso - UAUUUU!!

Engenheiro Sousa Veloso - É com grande amizade que, nesta circunstância festiva, venho congratular o meu estimado amigo e colega Pedro M., pela grande amabilidade com que nos proporciona estes agradáveis momentos de divertimento e cultura. É com especial orgulho que reconheço não perder uma emissão do "É Inútil Resistir", ainda que seja um programa de tenra idade. Espero, no entanto, que este magnífico baluarte da cultura portuguesa prolongue a sua missão educativa durante tantos anos como o meu saudoso TV Rural. Aliado aos votos nesse sentido, desejo de igual modo as maiores felicitações e um grande bem haja, meu caro Pedro.

Thomas Edison - Although I was always famous for my inventions, just like I always wanted, I feared the time when someone new would share his knowledge with the world, building a legacy that would soon be capable of surpassing mine. Nevertheless, it's better to be surpassed by Pedro than by somebody else. At least he is a true genious. A man with such power, and yet more than enough grace, is destined to be the beacon for the development of the modern society.

Cicciolina - Se fossi più giovane e questo blog fosse un uomo (o un animale)...

George Bush - I've gotta be honest with you; I don't understand a word of what Pedro writes, but it sure looks like it's damn good. "É Inútil Resistir" is the only real weapon of mass destruction. I also think that Pedro is really cool and that we need to support all the cool people, unless those sons of bitches live in the Middle East!

Jesus Cristo - Afinal eu tinha um meio-irmão e ninguém me tinha dito nada. É que este blog é um verdadeiro milagre da escrita. Cum caraças, mas é que é mesmo!

domingo, 2 de setembro de 2007

Tem a certeza?

Isto acontece-me tantas vezes que dou por mim a desejar que os responsáveis sofram de pedras nos rins. Marcar um número de telefone de nove dígitos parece ser, de facto, uma tarefa dantesca para muita gentinha que aí anda. Quando acontece uma vez ou outra, é compreensível. Pede-se desculpa pelo engano, e segue-se em frente, não se começa a discutir com o infeliz que teve a amabilidade de atender o telefone..!

- A Célia está?

E nem um boa noite.

- Este número não pertence a ninguém com esse nome.

- Tem a certeza? É que eu não me enganei no número.

Ó meu grande animal. Tenho a certeza, sim. Lido com este número todos os dias e, definitivamente, não me chamo Célia. E como é que eu sei que não me chamo Célia? Porque, literalmente todos os dias, os meus pais (mais a minha mãe) me tratam por João sempre que precisam de alguma coisa (é perfeitamente normal os pais enganarem-se no nome do filho, trocando pelo do irmão, ainda que esse engano seja diário), alterando prontamente e sem grandes teimosias para Pedro (às vezes não chega a demorar nem 5 segundos e 3 repetições para fazerem a correcção). Portanto, tendo sido tratado por estes dois nomes masculinos durante 26 anos, e após 19 anos a mijar de pé (só para tirar as dúvidas), acho que há boas probabilidades de eu não ser a badalhoca que procuram.

Mesmo assim, se isto ficasse por aqui, era doce que nem mel. O problema é que dou por mim a responder a inquéritos existenciais sobre o paradeiro das pessoas que querem encontrar, e o facto do número para o qual estão a ligar ser o errado. Sim, o número é que está errado, nunca o processo de ligação. Estes geniozinhos nunca sabem pedir desculpa. Os seus dedinhos rançosos nunca escorregam para a tecla errada; eu é que não devia morar aqui.

Por outro lado, se estas dulcineias têm a lata de perder mais do que 45 segundos a falar comigo até se resignarem com o seu engano, provavelmente o que aconteceu foi que as Célias deste mundo captaram à partida o potencial de desafiados mentais destes senhores e lhes deram o número errado. Eu também daria.

Célia, escusavas era de dar sempre o meu.

sábado, 1 de setembro de 2007

Ter a fama sem o proveito

Já não é a primeira vez que isto acontece; voltaram-me a adicionar à mailing list de um grupo de brasileiros. Da primeira vez, dizia respeito a um grupo de trabalho, pelo que me prontifiquei logo a dizer que tinham adicionado o mail errado (há muitas Marias na terra, mas mesmo assim, gostava de saber como se foram lembrar exactamente do meu mail). Ainda acharam que era "zoeira". Lá está o Pedrão a aprontar mais uma - pensaram eles. Ainda hoje recebo um ou outro e-mail relativo ao trabalho daquela empresa, cuja actividade ainda não deu para descortinar. Se ao menos me pagassem...

Desta fez fui adicionado a outra mailing list de outro grupo de brasileiros, mas desta vez de amiguinhos de universidade. Tudo o que não meta trabalho é comigo, decidindo desta vez, como é lógico, não revelar o erro. Segundo consta dos mails trocados, eu sou o Pedro, namorado da Camila Nunes. Vá lá, ao menos não me calhou uma Irineuza ou Varcineide. Aqui vai um excerto:

"Oi Amor, não se assusta com os emails, todos tem pelo menos um parafuso a menos, mas não apresentam perigo!!! :p"

Não assusto não, Camilinha. Mas lá que isso do parafuso é verdade, é.
É que entretanto recebo uma mensagem a combinar um piquenique. Fiquei felicíssimo por saber que a Cauana, para variar, quase deu a certeza de que ia ao piquenique. Não a conheço, mas parece-me ser a cortes do grupo; no entanto desta vez vai. Logo, como seria possível eu não ficar entusiasmado?

A seguir fizeram a distribuição do que cada um tinha de levar. A minha nova namorada vai levar bolo de morango com cobertura de chocolate e a tolha. De resto, tirando um bolo de capuccino, os outros pilantras só vão levar litradas de suco (o de goiaba é para mim, a acompanhar uma fatia de bolo do meu "môr") e salgadinhos de festa (?). De todos os grupos de amigos brasileiros com quem eu podia calhar, porque é que tinha logo de ser com estes pés rapados? Ao menos a Camila vai levar a melhor coisa de todas. Será que isso é indicativo de que eu tive sorte no resto e que ela é a que tem a melhor higiene pessoal de todas as brasileiras do grupo (não estou a insinuar que as outras não têm hábitos de higiene; chiça que vocês pensam o pior de mim), visto que, ao levar bolo de morango com cobertura de chocolate, por oposição a salgadinhos de festa, se apresenta como a mais abastada? Eu sei que há ricaços que são verdadeiros porcalhões, mas, caindo no mal necessário de ter de generalizar, quem tem maiores hipóteses de ser limpinha? A Cauana, que mora na favela, e por isso raramente aparece nos encontros do grupo, por não ter dinheiro para comprar nem um copito de cachaça, ou a minha Camilinha, que mora num AP numa zona nobre do Rio? Um grande selo de hipócrita para esse senhor aí no fundo, que está a gritar "CAUANA, CAUANA" a plenos pulmões (também pode ser fetiche).

A parte engraçada é que a mim compete-me levar "torta de cachorro quente". A pergunta que se coloca é: o que é uma torta de cachorro quente? Ora eu gosto de torta. Gosto também de cachorro quente. Gostarei de torta de cachorro quente? E onde é que isso se pode comprar? É que o piquenique é já depois de amanhã às 15! Já agora, se me souberem dizer em que parte do Brasil é que há um sítio chamado "Bosque Maia" e quanto custa um bilhete de avião para lá (bilhete não, passagem, perdão), também agradecia.

E para além do tópico da higiene pessoal, será que a Camila é jeitosa? Já alguma vez partilhamos momentos íntimos? Se sim, quantas vezes por semana o fazemos? E é com a luz acesa ou apagada? Supostamente sou o namorado dela, acho que mereço saber!