quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Parabéns "É Inútil Resistir"!!!

Antes de Mais

Excelentíssimo Senhor Radialista e Outras Profissões Audiovisuais Todas Desempenhadas Com Sucesso Pedro Ribeiro:

Caso tenha acabado de aceder a este muy nobre e humilde blog, com vista à determinação da sua validade para integrar as fileiras de uma das emissões de "A minha vida dava um blog", é favor rolar a rodinha do rato para baixo; este post é meramente comemorativo, sendo que a graça se encontra toda lá mais para o fundinho.

Prosseguindo

Isto é como as revisões dos carros. Tenho perfeita noção de que o blog ainda não tem um ano (mas já anda e fala que é um disparate), mas tendo em conta que este é o post númbaro 100, compreende-se que haja toda uma necessidade de mudança de óleo e afins.

Quem diria que eu, mestre na arte de deixar as coisas a meio (desistir é um verbo claramente subvalorizado, às vezes sabe muitíssimo bem), iria fazer com que este compêndio de experiências de vida iria atingir os três dígitos. Quem diria que alguém, e ainda por cima na plena posse das suas capacidades cognitivas, iria prestar um segundo sequer de atenção ao meu processo parenético.

Estou sinceramente surpreendido com grande parte dos leitores que aqui se reuniram. Pessoas de bem, cumpridoras da lei, com palavras amigas para dizer e bem construídas do ponto de vista gramatical. Obrigado por tudo, têm sido excelentes. Só tenho uma pequena queixa a fazer: ainda só fui insultado 1,5 vezes. Uma delas porque eu pedi, e a outra meia nem chegou a ser um insulto, foi mais uma provocação humorística. Isto só pode ser sinal de que não tenho sido suficientemente polémico. Seja como for, já estou a tratar disso.

Gostava que fossem vocês a propor uma forma de comemorar este grandioso marco na internet, através de um post. A sugestão mais catita ficará para sempre no meu coração e será posta em prática. Escusado será dizer que não pode ser nada que tenha a ver com nudez (a menos que seja a nudez de leitoras fofinhas e dedicadas). Mesmo que não tenham sugestões a fazer, manifestem-se. Digam que gostam disto. Digam que não gostam. Não se limitem a vir cá beber o conhecimento e depois partir sem prestar homenagem.

Em suma: quebrem-me o record de comentários.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Vamos viver juntos?"

Fizeram-me esta pergunta no sábado passado. De facto, a vida tem os seus próprios ciclos. Eu, aos 26 anos, sinto que é a altura perfeita para pensar em dar esse passo e, seria de esperar que, caso a questão não me tivesse sido dirigida, fosse eu a dirigi-la a alguém.

Viver com os pais, como toda a gente sabe, é um quebra cabeças apenas justificável pela ausência de despesas imobiliárias. De resto, às tantas, damos por nós a pensar "lar doce lar não, lar casa de repouso, que parecemos todos uns velhinhos às turras".

É certo que passa a haver uma necessidade muito maior de gerir milimetricamente o dinheiro, para além do acréscimo de responsabilidade. Mas também há muitas coisas boas que se ganham, não só em termos de intensidade das vivências, como em termos de cumplicidade.

Isto seria tudo muito bonito se a balança não estivesse extremamente preocupada em pesar um factor. É que a pessoa que me fez esta pergunta, não só não é aquela que eu gostaria que me dissesse estas palavras, como ainda por cima tem pénis. Tudo bem, é um dos meus melhores amigos, mas por acaso isso serve de atenuante?

Estávamos os dois a conversar sobre a vida, enquanto nos queixávamos daquelas coisas que nos deixam absolutamente autistas quando se partilha a casa com os nossos pais (autistas não, que eles têm sempre pelo menos uma faceta bastante desenvolvida; atrasadovskis mentais mesmo). Já não sei quem é que estava mais irritado, se ele se eu. De repente sai-lhe aquela pergunta.

Eu sei que ele é absurdamente heterossexual (HETERO, para quem está a tentar ler o blog sem as cangalhas de ver ao perto montadas na fronha) e que a intenção não era má; há até várias pessoas na mesma situação que, no seu princípio de vida (parece que voltamos a ser bebés outra vez) decidem partilhar casa. O meu problema reside no modo de abordar a temática. Não estava preparado para ouvir tão repentinamente aquele "vamos viver juntos". Depois ele percebeu o caricato da situaçao e lá tentou disfarçar com um "cada um com o seu quarto e com o seu wc, claro", mas o mal já estava feito. "Vamos viver juntos" em menos de 4 décimas de segundo e com voz grossa e bruta, é uma frase extremamente "dentro do rabinho", digam o que disserem.

Eu sugeriria um "epá, rrrrrrrooooooooooooo (som de expectoração), viver com os cotas é um fritanço de tola que não tás bem a ver. Podíamos alugar uma casa com algum espaço, assim uma merda porreira onde pudessemos levar gajas assim de fininho, e dividíamos as despesas." Qualquer coisa mais assim deste género. Até nem era preciso utilizar a palavra gaja e muito menos com laivos de promiscuidade. Mas um bocadinho mais de esforço não fazia mal, ou fazia?

É o que eu digo; uma pessoa vai viajando pelos vintes, à espera de que situações marcantes aconteçam com um certo ritmo, e elas até acontecem, mas ligeiramente mais tortas do que esperávamos.


Passados dois ou três dias já estou menos chocado.

domingo, 28 de outubro de 2007

Eu queria uma companhia...


...mas não era bem disto que eu estava à espera. Um gatinho, sim senhor, gostava muito. Um cão fiel e amigo, muito bem, era giro. Agora, um leitor de dvds com vida própria, passa um bocado ao lado do meu conceito de animal de estimação, embora eu até já lhe tenha chamado de animal, devido à sua insubordinação.

Então não é que o animal (lá estou eu) deu para estar sempre a abrir e a fechar sem eu carregar em lado nenhum?

Às vezes até acho fofinho porque, em mais do que uma ocasião, ao apetecer-me ver um dvd, ele abriu automaticamente, no preciso momento em que me aproximava do leitor com o disco na mão. A seguir, depois de o ter colocado la dentro, fechou logo sozinho. Uma maravilha, e mais do que uma vez, repito, qual milagre da aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos.

Agora, infelizmente, sempre que ligo o computador, o bicho abre-se imediatamente sozinho. Parece que quer brincadeira. "Mas agora não me dá jeito nenhum ver um filme!" - digo-lhe eu com veemência. Enxoto o rafeiro (que é como quem diz empurrar o tabuleiro porque já não há vontade de o tratar bem através do botão), mas ele persiste e ate rosna (barulho que só para se eu carregar no botão para eu o abrir; já nem ligo). Abre e fecha, abre e fecha, pisca a sua luzinha verde como se de olhos tristinhos se tratassem, mas daqui não leva nada. Passado uns minutos lá volta para a casota, e dali não sai mais. No entanto, se eu lhe carregar no botão, lá salta ele para fora que nem uma catapulta, com a cauda a abanar.

Há algum veterinário com conhecimentos de informática, ou um técnico de informático com jeitinho para animais que me possa ajudar a resolver este pequeno problema?

Bem, ao menos este não mija na alcatifa.

sábado, 27 de outubro de 2007

Ai está tão estragada...

A minha mãe é incapaz de não esboçar comentários sobre as pessoas, enquanto vê televisão.

- Ai, fulano tal está com um ar velho...

- É normal, TIPO, ele já tem 70 e tal anos...

- Ai (a partir de uma certa idade, todas as frases das nossas mães começam com um "ai") a fulana está com a pele tão envelhecida... Deve ser do sol.

- Deve ser do sol, deve. Já casou cinco vezes, havia de ter vinte anos, não (ia fazer um trocadilho com a pele envelhecida, mas sinto que não vale a pena, as vossas imaginações encarregar-se-ão do resto) ?


Realmente, os nossos pais, pelo menos aqueles que ainda pertencem à geração da velha guarda (trocadilho não premeditado), vivem num período espaço-temporal completamente à parte. Ouvem-se gritos de revolução, o Carlos do Carmo ainda tinha grande parte do cabelo, o Benfica ainda era um clube grande, e a Volta a Portugal ainda movia as populações. É a partir da visualização desta década que se invertem os papéis.

- Ai (agora já sou eu a falar; a convivência com pessoas mais velhas é contagiante), nos anos 70 as pessoas tinham cá um ar de velhos jarretas... Cadê (precioso, este termo) os umbigos à mostra, as calças de ganga de cintura descaída e os tops de cores garridas, mesmo estando em Outubro?

Não vale a pena discutir com ela. Antigamente tudo era muito melhor, as pessoas eram mais felizes com menos bens (tradução: não tinham a noção do que estavam a perder; como é possível estar bem com poucos bens?), as raparigas não eram tão desavergonhadas (e pessoalmente acho que ainda são pouco, em 2020 é que vai ser bom), não havia tanta corrupção (claaaro que não) e a fruta não apodrecia tão facilmente, para além de saber melhor.

Felizmente, agora não há fruta que não tenha o seu sabor espelhado numa bola de gelado.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O vosso tempo merece resposta.

Tendo em conta que a minha resposta a quem comentou este post se estava a tornar demasiado extensa, decidi escrever um novo, acerca do assunto. Não pensem que é para aumentar a contagem de posts e assim encher chouriços. Eu nunca faria isso! Nunquinha!

Por acaso desta vez não estava à espera deste tipo de comentários, por um sem número (soa tão foleiro dizer "um sem número") de motivos.

Em primeiro lugar, porque o primeiro comentário anónimo pode ser de uma coisa do outro mundo em formato de mulher, sem ser a filha do Nené (já sabes, o procedimento é sempre o mesmo, enviar foto em bikini de frente e em perfil para o meu mail).

Em segundo lugar, porque pessoas que não me conhecem de lado nenhum perderam minutos das suas vidas para escrever os conselhos que acham melhores para mim. Isso é muito bom, porque me faz sentir mais importante do que sou.

Embora seja inspirado sempre pela mesma pessoa a escrever estas coisas tão fofinhas (das quais eu não me sabia capaz até a ter conhecido), neste caso não o fiz a pensar que ia deixar alguém comovido, nem nada que se pareça. Simplesmente apeteceu ;) Nem sequer avisei ninguém de que se calhar era capaz de ser boa ideia vir cá ler o blog :P

Eu estou perfeitamente por dentro da lei da oferta e da procura, no que diz respeito a andar atrás de alguém. Aprendi a conhecer as mulheres ao longo dos anos; conheço-vos é melhor a vocês do que a mim, o que explica que, muitas das vezes, eu ignore todas as "regras" e faça as coisas por instinto. Não há, no entanto, amor nenhum, em alguém que consegue, dia após dia, agir de forma completamente estudada.

Direi mesmo mais. Quebrem as regras sempre que possível, e deixem as atitudes mais pensadas para aqueles momentos chave em que nada pode falhar. É que às vezes colhem-se tantas coisas, mesmo que não sejam aquelas que se julgavam mais directas, que nos enchemos de força para continuar, e aí sim, colher tudo aquilo a que temos "direito". E se isso não acontecer, a outra pessoa não passa a deixar de merecer que lhe dêem tudo, nem nós somos uns falhados. Simplesmente não deu. Mas parar de lutar antes do apito final, não só é falta de coragem, como falta de amor. Quem é que determina quando o jogo acaba? Depende.

Se eu me pusesse a explicar todos os pormenores, coisa que não vou fazer (mais uma vez devido a um sem número de motivos; duas vezes esta expressão no mesmo post é obra), talvez percebessem porque é que continuo a correr atrás da cenoura. Às vezes a corda parte-se e os burros deixamos de ser nós. Mas fiquem descansados, não ando a seguir ninguém, não tenho a minha casa cheia de fotos dela nas paredes e não sou viciado na rejeição gratuita. Simplesmente gosto muito de uma pessoa e tenho razões genuínas e nobres para gostar (fogo, e também é incrivelmente querida e a rapariga mais bonita que já vi, não é só motivos cor de rosinha). E se um dia eu baixar os braços, continuarei sempre a ter um sorriso para esta menina, mesmo se o encanto acabar por se desvanecer por culpa do tempo e do cansaço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Novidades fresquinhas

Estão a ver o logotipo por mim colocado no canto superior direito deste magnífico baluarte da escrita cibernética? Inscrevi-me no concurso Super Bock Super Blog, após pedido insistente do meu amigo homónimo Pedro M. (não é totalmente homónimo porque as partes a seguir ao "M" diferem ligeiramente). Pois bem, quando for altura, avisarei. É que preciso que votem que nem animais. Racionais.

PS: Adoro cerveja. Bebo 4 grades por dia. Só não tenho barriga porque pratico bastante exercício físico. A minha marca favorita é... talvez a Super Bock, porque o sabor é maravilhoso e escorrega até ao estômago que nem patins no gelo.

PS2: Inscrevi o blog sob a categoria "Pessoal". Ainda pensei em escolher "Humor", mas achei que seria convencido da minha parte, já para não falar nos 10% de posts melosos que compõe este tasco literário. Fiz bem? Fiz mal?

Um dia destes...

... gostava de ser velhinho, olhar para trás, e saber que marquei a diferença (e não me babar e poder desenrascar-me sozinho).

... gostava de sentir que os meus netos se orgulham do avô (e, por causa do ciuminho, se fosse só mais um bocadinho do que do avô do outro lado da família, já era fantástico; sou mesmo mau, não sou?).

... gostava de acordar com cinquenta anos, ter vivido muitas coisas, e ter força para viver muitas mais (e jogar ténis ainda com bastante vigor, e não como os senhores que estavam no campo há duas semanas atrás, que nem mesmo a jogar a pares conseguiam chegar à maior parte das bolas).

... gostava de saber que os meus filhos fizeram metade dos disparates que o pai fez (e que tenham o dobro do optimismo).

... gostava de olhar para os meus filhos, ainda pequeninos, e fazê-los rir até a coca-cola lhes sair pelo nariz (mas não lhes vou dar muita; quem tem sede bebe água ou leite, quanto muito sumo de laranja espremido pelo pai ou pela mãe).

... gostava de ser feliz a fazer aquilo que me apaixona (porque se o dinheiro não nasce nas árvores, a realização profissional também não, embora eu tenha trepado já a umas quantas para tirar as minhas dúvidas).

... gostava que passeasses comigo, que me agarrasses a mão, e que me dissesses algumas das coisas que já te imaginei a dizer (como por exemplo "está fresquinho e parece que vai chover; estas mudanças repentinas de temperatura são mesmo desagradáveis, ainda bem que estás sempre ao meu lado).

Um dia destes, gostava que gostasses muito de mim :)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Viver em sociedade

Sinto-me bastante triste sempre que olho para o mundo e vejo que cada vez há mais ódio entre as pessoas. Se alguém faz algo de errado, há logo uma necessidade (desnecessária) em retaliar, prejudicando mais o outro do que aquilo que fomos prejudicados, mesmo que o primeiro acto não tenha sido intencional. Além disso, mesmo que seja, o mal não se combate com mal. Está errado.

A melhor vingança é termos a capacidade de seguir em frente e sermos felizes. Tão felizes, mas tão felizes, mas tão felizes, que seremos muitos mais felizes do que os outros, ao ponto de lhes podermos esfregar a nossa felicidade nas suas caras.

domingo, 21 de outubro de 2007

Meninas, cuidado com aquilo que desejam...

Se sonharem demasiado com um homem alto, inteligente, carinhoso, educado, fiel, atencioso, dedicado, criativo, bom ouvinte, sem vícios, que nunca se esquece nem de vocês, nem de pôr desodorizante, nem de baixar o tampo da sanita, ainda se arriscam a que eu vos calhe :-/

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Agradecia.

I know that life sucks, but could she refrain from biting, please?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Peço desculpa por causar estorvo.

Como alguns de vocês sabem, comecei recentemente a nadar duas vezes por semana, como complemento ao ténis. Como é lógico, eu sei tudo o que há a saber sobre tudo na vida, razão pela qual, em vez de ir para a natação propriamente dita, me limito a ir à hora livre.

Sim, eu disse hora livre. Pelo menos é o que aparece no horário da piscina. Não me lembro de ver lá escrito "hora gay", "hora da palhaçada", ou "hora voyeur". É livre, sim, mas subentende-se que as pessoas apareçam lá para nadar.

Há duas semanas atrás reparei que havia lá dois rapazes (não sou bom adivinhador idades, mas aposto que estejam entre os 18 e os 22 anos) um bocadinho amiguinhos demais. Passaram a hora toda a chapinhar um contra o outro, com as mãos (umas guerras românticas mesmo animadinhas), a dar mergulhinhos um ao lado do outro, enfim, a fazer tudo menos nadar. Que eles estejam apaixonados um pelo outro, não me diz respeito (e dispenso saber pormenores). Faz-me é um bocado de comichão que dois marmanjos já crescidinhos ocupem uma pista inteira com aquelas macacadas. Na semana passada até pegaram nuns cilindros fininhos e compridos de borracha (chamam-lhe esparguetes), que são normalmente usados na hidroginástica, e começaram a lutar com eles, um contra o outro e contra a água, como se fossem chicotes. Ó minhas Marias Amélias, a piscina é pública mas não é de recreio. Se querem dar com o esparguete um no outro façam-no noutro sítio (e não, nos balneários também não é aceitável). Ainda vou ter que me chatear.

Ainda na semana passada, aconteceu mais uma coisa curiosa (por falta de melhor adjectivo). Estava um casalinho de namorados encostado ao início da parte menos funda da piscina. Até aqui tudo bem. Havia, no entanto um pequeno pormenor. Não os vi nadar. Se fizeram 50 metros, foi uma loucura. Uma coisa sei eu: por mais metros seguidos que eu consiga fazer, mais tarde ou mais cedo terei de voltar à parte menos profunda da piscina e parar. Não ajuda que, na pista ao lado, quando decido descansar, um casalinho de rebarbados comece aos miminhos e beijinhos. Incomoda. Ainda por cima de touca e óculos. Eles já não eram propriamente o parzinho maravilha em roupa normal, por isso imaginem ali.

Surpresa das surpresas. A certa altura começam a olhar para mim com cara de "isto é a hora livre, se não tens namorada para vir aqui pró marmelanço, ficavas em casa a molhar os pezinhos no bidé". De repente, eu que estava ali para nadar e treinar de forma relativamente séria, passei a ser o invasor. "Olha aqui para este tarado, môr!" - conseguia ler-se perfeitamente nos pensamentos deles.

Parece que se organizarem uma convenção na cidade dedicada a todos os swingers, que têm ali o local apropriado. Agradeço é que me avisem com alguma antecedência. É que assim irei fazer esforço físico para outro lado qualquer, em que não incomode ninguém.



sábado, 13 de outubro de 2007

Oh but why, mine(f) ours lady?

Porque é que os indivíduos que decidem partilhar o seu gosto musical com a população, ao volante dos seus automóveis e a altos berros, são os mesmos que pior música ouvem e que conduzem carros mais foleiros?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Brain Freeze

Embora nunca o tenha dito, acho que está mais que na hora de sair do congelador e assumir que... sou viciado em gelado. Qualquer tipo de gelado. Aliás, na minha roda dos alimentos, um dos grupos alimentares está estritamente reservado para o gelado. Chego até a fazer dele a minha ceia (e às vezes pequeno almoço). Quando chego do ténis não bebo água, como gelado. Sei, no entanto, que um indivíduo saudável deve primar pela variedade na sua alimentação, pelo que eu faço um esforço por não repetir sabores, muito menos quando estão envolvidas três bolas no mesmo copo ou cone.

Independentemente de uma pessoa normal ser capaz de comer todo o tipo de gelado que lhe apareça à frente, em qualquer sítio e a qualquer hora, há sempre uma gelateria e determinados sabores que constituem os nossos favoritos. Na minha cidade, esse local é o Pzl; não tentem convencer-me de que os do Ppl ou os do Ctl são melhores, porque não são.

Como é comum nestes locais, há sempre uma secção com aproximadamente dezanove metros de comprimento por nove de largura, com cerca de cento e quarenta e duas variedades diferentes de gelado. Como sou jovem e preciso de me alimentar para ter força e estar bonito, peço sempre em média três bolas. Os meus sabores predilectos são mas é um pouco banais. Os titulares são sempre chocolate e café, rodando o suspiro (é fantástico, tem bocadinhos gigantes de suspiro e tudo), caramelo e morango na terceira posição, conforme o estado de espírito.

A certa altura comecei a ver que nunca alternava as minhas escolhas, caindo invariavelmente na rotina. Como sou adepto das emoções fortes, e perante tanta variedade à minha disposição, comecei a fazer umas mudanças. Às vezes bubble gum, outras melancia (óptimo mas um bocado enjoativo; no Ctl este sabor não se chama melância, chama-se remédio, blhurrrk), outras cookie, etc. Mesmo que uma vez ou outra descobrisse um sabor que me agradava plenamente, o conjunto não me satisfazia. Para além disso, o novo sabor descoberto nunca combinava tão bem com chocolate e café como o suspiro, morango ou caramelo.

Ainda que, após decidir arriscar, a descarga de adrenalina fosse enorme, dava sempre por mim a desejar ter pedido os mesmos confortáveis sabores. Infelizmente, acho que estraguei umas das sinapses mais importantes do meu cérebro, aquelas que determinam a ordem de pedida dos gelados. Não sei o que se anda a passar com o meu cérebro que, apesar de ter passado dois minutos a decidir o que ia escolher, quando a empregada me pergunta o que vou querer, me atrapalho todo. Esqueço-me completamente do que ia pedir e acabam por sair da minha boca coisas sem nexo, como bacon, açafrão e noz moscada, ou até nata, maçã e limão.

Agora expliquem-me: se eu nem pedir sabores de gelado em condições consigo, como é que conseguirei agradar a uma mulher, tarefa essa ligeiramente mais complicada e importante? É que já há várias semanas que não como chocolate e café, acabando o gelado com um triste suspiro...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Algumas mulheres são mesmo superficiais.

Quando conheci a Rachel Bilson, ela tinha começado a aparecer recentemente na série "The O. C." e, portanto, ainda não era tão famosa como agora. Ela tinha um fetiche qualquer por rapazes mesmo super giros, sendo por isso que a Mischa Barton nos resolveu apresentar. As duas já se conheciam antes da série. Eu e a Mischa tivemos um casito um pouco antes, mesmo no princípio de 2003, mas não tinha passado de uns beijinhos aqui e acolá, embora por vezes um pouco mais intensos que o normal. Se calhar, foi precisamente essa falta de envolvimento emocional que fez que nos conseguimos tornar amigos depois, sem que qualquer sensação de estranheza se intrometesse entre a nossa amizade.

Quando a Mischa me disse que era amiga dela, eu fiquei completamente louco. Louquinho louquinho. Era sem dúvida a rapariga mais gira que eu alguma vez tinha visto; tinha de a conhecer. A Mischa, no princípio, esteve um pouco relutante; apesar de eu ser muito bonito, talvez não conseguisse corresponder aos padrões surreais de beleza sustentados pela Rachel, podendo gerar atritos entre as duas, resultado de sucessivos arranjinhos pouco frutuosos. Insisti até me tornar irritante (o que, para quem me conhece, é um dom que tenho), ao ponto dela não ter outra saída que não fazer-me aquele favor.

Foi muito complicado. A Rachel, quando soube que eu era apenas extremamente atraente, ficou de pé atrás. Felizmente, a Mischa tinha uma carta na manga, que prontamente usou, com plena eficácia. Tudo bem, pode não ser dos quatro homens mais bonitos à face da terra, mas se alguém sabe como deixar uma mulher desvairada de desejo é ele - garantiu a Mischa. Ele é que depois achou que podia arranjar melhor e acabou por não querer mais nada comigo, o que só prova que vocês têm em comum o facto de terem expectativas muito elevadas. Sabes que nestas coisas eu não minto.

Conhecemo-nos e foi tudo muito bonito e sincero nas primeiras semanas. A certa altura, a fama começou-lhe a subir à cabeça. Ela não tinha coragem para acabar a relação, tendo por isso começado apenas a comportar-se de forma insuportável, para ver se era eu que acabava com ela. Os meus amigos tentavam abrir-me os olhos, mas vocês sabem como é. O amor cega, e eu acabava sempre por a defender. Entretanto, ela e o Adam Brody acabaram por se dar bem demais nas filmagens; eu fiz uma cena de ciuminho, e dei a relação por terminada, atitude que acabou por os empurrar ainda mais um para o outro. Mais tarde ela acabou por admitir que estava farta da pressão dos seus pais e amigos para me trocar pelo Adam, simplesmente porque eu nunca conseguiria alimentar aquele tipo de exposição mediática. Ela que esperasse uns anos e ia ver...

Moral da história: sempre que conhecerem actrizes, modelos, cantoras, ou afins, tenham cuidado. Os vossos sentimentos podem sair magoados, e não há médico nenhum que possa curar um desgosto de amor.

PS: Além disso, sempre que pensamos que encontrámos "A" pessoa certa, e que não é possível haver nenhuma rapariga mais perfeitinha, mais inteligente, mais querida e com melhor coração do que aquela, o tempo encarrega-se de nos mostrar o contrário e acabamos por ficar claramente surpreendidos :) Bye bye, Rachel!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Vampirismo

Deve ser tramado para um vampiro ser homofóbico. Ficam logo ali esgotadas, à partida, metade das suas hipóteses de alimentação. Ele nunca vai ter estômago para chuchar no pescoço de um homem.

Agora imaginem se o indivíduo desenvolver consciência. Acabaram-se as crianças, os velhos, os mais desfavorecidos que se deixam morder em troca de compensação monetária, os morbidamente obesos que não têm hipótese de fugir, as gajas bêbedas, drogadas ou que pura e simplesmente são demasiado fáceis...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Classe.

Já há muito tempo que não vos punha à frente uma musiqueta. Sempre gostei dos filmes do James Bond, e o Casino Royale, com o Daniel Craig, encheu-me as medidas do princípio ao fim (tirando aquela cena em que ele é torturado, através do processo de de produção de polpa de tomate; muuuuuuito exagerado). Eu gostava de ser como ele, um gajo sempre com o seu estilo impecável, e extremamente desenrascado. Já eu, como vos confessei um dia, nem um frasco de azeitonas Maçarico consiguo abrir.

Por outro lado, também sempre gostei da voz do Chris Cornell (mas não me apanham a ouvir Audioslave nem que a vaca tussa).

Agora imaginem a emoção que eu senti quando a música inicial começou a alto volume no cinema. Granda som, man. Best double O seven intro of all time. Period. Na minha not so humble opinião, é claro.

Como eu sou bonzinho (ou melhor, como não me consigo decidir), deixo-vos não só com a intro do filme, mas também com o videoclip da música. Os ouvidos poderão cansar-se de ouvir a mesma coisa duas vezes, mas os olhitos rejubilarão com a mudança.



E ainda...


quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Totó mais totó não há

Embora eu tenha começado nas lides do beijo na boca muito cedo, fui sempre, até bem tarde, um tremendo palhaço no que diz respeito a começar um namoro com convicção, qual Gengis Khan ao contrário na arte da sedução. O meu primeiro beijo aconteceu aos seis anos, dado no primeiro dia de escola (na 1ª classe), pela primeira rapariga com quem me cruzei à entrada. Ela aparece do nada, a correr, chega ao pé de mim, espeta-me um chocho, e eu fico ali parado. Eunice, muito obrigado pela experiência traumática a que me submeteste. O meu irmão, por tua causa, gozou sempre comigo até há bem pouco tempo. Nunca mais te vi na vida; se te visse na rua não te reconhecia, mas deixa-me dizer-te que me senti tão usado que me apeteceu ir a correr para a casa de banho dos rapazes rapar o cabelo e riscar os pulsos com tinta de esferográfica.

Entretanto, e muitos beijos depois, tudo parecia estar a evoluir. Prova disso era o facto de eu andar a desencaminhar a pobre da R., tendo nós ambos 10 anos, nos sofás da sala de televisão da Messe de Oficiais de Santa Clara. Aquilo é que era luxúria... Lembro-me apenas de um beijo terno, dado numa altura em que fomos parar a uma parte que tinha sido pintada de fresco, e sujamos as mãos de branco. O que os vapores da tinta fazem às pessoas...

"Aos 12 já ele era um gigolo de sucesso", devem estar a pensar vocês. Nada disso. Preparem-se para um momento de pura cromice.

Aos 14 anos mudei de escola. Quando se está no 9º ano, numa turma indisciplinada, e se é o melhor aluno da turma, a vida é um inferno. Mas quando um grupo de raparigas do 7º ano começa a andar atrás de nós, toda uma noção de falhanço social, devido aos chutos e empurrões que sofria na cadeira, no meio das aulas (a uma média de 3 por minuto), ficou alterada. "Elas estão-me a querer. Finalmente, sou um ser humano como todos os outros."

As tais raparigas queriam impingir-me a mais chata do grupo (girinha e tal, mas com umas carências emocionais tremendas). Chegaram-me a encostar a um armário; daí até a girinha se atirar para cima de mim foi um passo. Mas eu não queria a girinha. Também não queria a girona. Queria a outra, que ficava a meio caminho, mas tinha uma personalidade bem menos assustadora e bem mais divertida.

Entretanto comecei a gostar dela, apesar de me andarem constantemente a impingir a girinha. Chegou a um ponto em que tive de dizer basta; gostava de outra rapariga e a girinha escusava de continuar o assédio, que daqui não ia levar nada. Mas aquele comportamento não parou; em vez das perguntas girarem em torno de "ainda não gostas da girinha? porque é que não gostas da girinha? anda lá com a girinha", passaram a focar-se em "quem é essa rapariga mistério de quem tu gostas afinal?".

"Eu nunca vou gostar da girinha porque eu gosto é de ti" - confessei eu à intermédia. Não é que eu não tivesse medo da rejeição (tinha e não era pouco), simplesmente já andava com a cabeça feita em água de tanta pergunta. Para meu espanto, ela iluminou-se que nem uma árvore de Natal, e foi logo contar à irmã que eu gostava dela (a irmã por sua vez, na altura, não era nem girinha, nem girona nem intermédia).

No dia seguinte (sexta-feira), ganhei coragem e fui falar com ela (ao lado da parede da papelaria, lembras-te?). A tarde estava quase no fim e toda a gente estava a sair. De repente saiu-me, pela primeira vez na vida, a frase "queres namorar comigo?".

C., queres namorar comigo? - perguntei eu, timidamente. O coração batia de forma tão forte e descompassada que juro que, por momentos, se tinha deslocado e tinha ido parar ao pé do fígado.

Ela ficou felicíssima. Juro que sim. Mesmo tratando-se de mim, ela ficou mesmo muito feliz, e dificilmente me esquecerei do sorriso dela. O passo seguinte seria, dado que ela estava, como já tinha dito, encostada à parede da papelaria, com um letreiro na testa a dizer "só não me tornas numa mulher já aqui porque ainda sou muito novinha e há muita gente a passar", espetar-lhe um tremendo dum beijaço.

Foi precisamente isso que eu fiz! Ah grande campeão! Não foi nada. Nem beijo, nem agarrar-lhe a mão, nem nada. Fiquei tão feliz por ela ter dito que queria namorar comigo, mas tão feliz, tão feliz, que o máximo que consegui fazer foi esboçar um "fixe! então tchau, até segunda!". Depois desatei a correr pelo corredor, assustadoramente excitado (excitado como uma criança, não como um adulto), e assim que encontrei o meu amigo Peixe, espetei-lhe a ele um tremendo de um hi5.

Fónix, a chavala diz-me que sim, e eu vou a correr dar uma estalada na mão do meu amigo. Que deficiente mental! Que processo de interrupção voluntária da gravidez falhado que eu sou! Que anormal!

Escusado será dizer que a nossa relação não foi longe, porque andava sempre muito fria, por culpa da minha timidez.

No fundo, não aprendi nada naquelas tardes deitado com a R. nos sofás da messe, enquanto os velhotes viam os concursos do canal 1...


PS: Mais tarde, passados uns 9 anos sem ver a C., voltei a encontrá-la por acaso, através do seu profile no Hi5. Ironia?

Já conduzi...

Por esta ordem:

Opel Corsa 1998
Citroen C3 2004
Honda Civic 1998 (meu)
Volkswagen Golf 1992
Ford Fiesta 2001
Ford Fiesta 1989
Hyundai Getz 2004

Qual será o próximo?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A razão pela qual ando sempre com um maço de lenços no bolso.

Tudo se passou no 12º ano. Eu tinha acabado de mudar de turma, só porque na altura ainda tinha a ilusão de que queria ir para Engenharia Informática, tendo escolhido fazer Física em vez de Química. Uma pessoa é bombardeada desde pequenina (bem pequenina) com a clássica pergunta "o que é que queres ser quando fores grande" e, no meu caso, é olhada de lado por toda a gente como se fosse uma criança profundamente retardada, ao não ter uma resposta adulta na ponta da língua. Como adorava jogar "Space Invaders", sabia mexer nuns programas mais nerds, e odiava ser olhado de forma "já morrias, ó puto estúpido atrasado mental", acabei por repetir tanto a resposta da Engenharia Informática que fui até ao 12º ano com essa parvoíce na cabeça.

Percebi então que não era bem ali que queria estar numa bela manhã de Inverno, numa dessas maravilhosas aulas de Física. A conjugação explosiva de matéria difícil (bem para lá da minha capacidade de compreensão na altura), uma turma de gente desconhecida, e graves fobias sociais, levou-me a uma situação extremamente complicada. Eu tenho rinite e sinusite alérgica; como nessa manhã estava um bocado constipado, decidi levar um lencito (mesmo só um), mas só por acaso.

O problema é que, a certa altura, o caudal de ranho que escorria do meu nariz, muito bem filtradinho (muuuuuuuuuuuuuito bem), dava para regar os campos de uma pequena aldeia de África em época de seca. Aquele último lenço foi aproveitado até a um ponto em que não se sabia se aquilo ainda era papel ou apenas água um bocadinho mais espessita. Não havia nem uma pontinha de papel que não estivesse literalmente ensopada em muco.

Era impensável para mim, naquele tempo, abordar uma rapariga desconhecida (rapaz viril não anda com lencitos de papel no bolso para assoar a narigueta) para pedir um lenço (que atado que eu era), pelo que acabei por recorrer à embalagem de plástico do maço de lenços de papel. Triste, muito triste. Tenho plena consciência disso. Naquela altura tinha mais receio de falar com estranhos do que de correr o risco de me afogar no meu próprio ranho, por isso peço que compreendam a minha situação... Além disso, é com orgulho que afirmo que, hoje em dia, sou uma pessoa extremamente sociável (sem o extremamente), capaz de manter uma conversa interessante (sem o interessante) com qualquer pessoa, ainda que estejamos a falar pela primeira vez.

Mas enfim, lá me assoei mais umas vezes. Para além disso, sempre que se ouvia mais barulho na escola (ainda bem que a turma da sala ao lado era indisciplinada), eu aproveitava para dar mais uma fungadela à criançola, para impedir que se formasse uma estalactite de muco à entrada das minhas narinas. Parecia um jogo de futebol americano, em que o ranho era a equipa querendo avançar no terreno e fazer o seu touchdown, mais precisamente na área da boca. Em vez de respirar como um ser humano normal, inspirava muito devagarinho, de modo a prolongar o momento em que conseguia contrariar a acção da gravidade. Olhava constantemente para o relógio, na expectativa de que tocasse e o meu período de sofrimento acabasse.

Funguei mais naqueles 50 minutos do que em toda a minha vida junta. Felizmente agora tenho uma ligeira fobia a germes... e nunca deixo o maço de lenços do meu bolso chegar a quantidades inferiores a 3 unidades limpas.

Às vezes saio à rua sem lenços no bolso, tendo plena noção de que a qualquer momento posso voltar a ter uma crise destas (fora de casa nunca mais tive nenhuma, salvo erro). É uma sensação de liberdade que vocês nem imaginam. É uma mistura de andar de mota a 190 km/h na autoestrada (sem capacete e a apanhar com o vento na cara), com uma tarde passada numa praia de nudistas, respeitando à letra todos os seus costumes.

Vou dizer mesmo mais: está uma brisasinha fria na rua, estou de manga curta, e vou sair de casa para espairecer, sem lenços no bolso. Toma.

Atchim.