segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Bom Ano blah blah blah

Tinha pensado vir cá mais cedo desejar um ano de 2008 mesmo do caraças para toda a gente que me lê, que nem mensagem de Natal do Presidente da República, mas o dia tem sido pontuado por vários imprevistos.

Sendo assim, desculpem a brevidade da mensagem, mas ao menos fica a intenção. O que conta é as coisas ficarem bem feitas, e não a intenção (isso não conta para muito), mas sempre é melhor que nada.

Já agora, um pedido: preciso mesmo que o ano de 2008 me corra fenomenalmente; este é decisivo. Por isso, e como para haver sorte para uns, tem de haver azar para outros (por causa do equilíbrio, yin yang, e essa cocozada toda), se virem que o vosso ano começa de forma espectacular e assim se mantém, abrandem um bocadinho o ritmo, está bem? Vamos lá a dividir o mal pelas aldeias ;)

Se conduzirem não bebam, e se comerem muitos queijos diferentes, não façam misturadas com trouxas de ovos e afins. Toca a começar um novo ano com bem estar intestinal e com os carros sem amolgadelas ;)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Afinal sempre valeu a pena aprender a ler na escola primária.

Recebi este Natal um livro chamado "Método de Engate". É o melhor livro sobre como nos afiambrarmos a uma gaja que eu já vi. Não é que eu precise de ler livros destes, mas acho sempre piada.

Repito, este é o melhor. Sem grandes rodeios, mas de forma bastante coerente e analítica (embora pelo título não pareça), parte em pequenos passos tudo aquilo que se deve fazer para a maior parte das situações, bem como mudar toda a nossa atitude perante as mulheres.

Embora o livro não diga que tenhamos de ser uns completos cabrõezinhos (embora em certas ocasiões ajude), ele mostra-nos como estar sobre o controlo da situação e sermos assertivos com as mulheres, levando-as a fazer aquilo que queremos sem necessidade de tiranias. Mesmo assim, obriga os homens a ter um grau de frieza e racionalidade que está para além do meu alcance, apesar da teoria eu a ter toda.

Eu, no fundo, sou uma gaja com pila. Gosto de mulheres (embora não seja mulherengo, se bem que devia), mas não sou capaz de as tratar como um bocado de queijo flamengo. Apetece-me queijo, e sei perfeitamente tudo o que tenho a fazer para o consumir. Não me preocupo se corto as fatias finas ou grossas demais, se desperdiço demasiado queijo ao tirar a casca, e se a atiro à balda para o caixote do lixo. Quero queijo, vou comer queijo e ninguém me pode impedir de chegar ao queijo. Mas lá está, sou uma lésbica magrinha, com peitorais definidos, biceps desenvolvidos e barba de 3 dias. Tenho emoções. Tenho sentimentos. Tenho inseguranças. Tenho bom coração (se bem que isto já não é característica intrínseca ao indivíduo do sexo feminino). Tenho pavor a joguinhos. Tenho uma dose industrial de sinceridade. Tenho um copo com um Cegripe à minha frente porque há que impedir que a febre se instale. Tenho fome como o caraças e apetece-me uma sandes de atum.

Homem que é homem joga, sabe que é o melhor que pode acontecer à mulher que tenta conquistar, e põe todos os outros factores de lado. Ela só poderá ser feliz e realizada ao seu lado. Por alguma razão as mulheres acabam sempre por comer primeiro os parvalhões e deixar os bonzinhos no congelador, para uma eventualidade.

Há muito poucos homens em Portugal. Infelizmente, os tonis que o são, são suficientes para dar conta de quase todas as mulheres de jeito que por cá nasceram.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Feliz Natal ;-)

Não sou católico mas gosto do Natal. Não acho que seja uma coisa assim tão descabida; se pusermos o presépio de parte, o resto acaba por não ter uma conotação assim tão religiosa. Comemos coisas boas (tirando a merda do bacalhau com batata cozida), trocamos presentes (quando há dinheiro), somos simpáticos uns para os outros, temos mais paciência do que o costume e essas tretas todas.

O Natal, para mim, é uma época festiva em que nos unimos todos e damos força uns aos outros, como que para ganhar pedalada para começar bem um novo ano, que por sinal vai ser de loucos. Depois da passagem de ano volta a começar a mesma corrida desenfreada, com 10 milhões de cães atrás de 1200 ossos. Mas calma, agora é altura de tréguas, de paz, de amor, e essas tretas todas.

Aquilo de que mais gosto no Natal são os enfeites, com especial atenção para a árvore de Natal. Quando eu tiver uma casa mesmo minha, nunca vou desfazer a árvore de Natal. Aliás, quando toda a gente estiver a deitar fora as deles nos contentores do lixo (o espírito natalício esvai-se depressa para muita gente), eu vou estar é a por mais neve artificial na minha, mais bolinhas e mais luzinhas. Sempre que comprar qualquer coisa para mim, uma peça de roupa, um cd, ou outra coisa qualquer, vou pedir sempre para embrulhar. Depois ponho debaixo da árvore e só abro o embrulho passado uma semana, à meia noite de um dia qualquer. Vou por azevinho na porta e qualquer rapariga que entre na minha casa vai ter de me dar umas beijaças valentes (qualquer rapariga é como quem diz, tem de ser tremendamente gira, que não é por ser Natal que eu passo a baixar os meus padrões). Depois podemos ficar abraçadinhos a cantar músicas de Natal e a desejar paz no mundo e harmonia no seio de todas as famílias e essas tretas todas.

A todos vocês que lêem o meu blog, quer seja diariamente ou não, quer comentem quer não, desejo um Natal muito feliz (muito mesmo, estou a ser sincero), junto daqueles de quem mais gostam, a comer coisinhas boas, a ter conversas engraçadas, a dar muitos abraços e beijinhos, e essas tretas todas. Relativamente aos que acham o meu blog uma das coisas mais estúpidas a ter aparecido em 2007, embora não queira que passem o Natal sozinhos e com frio, espero que trinquem a língua com o brinde do bolo-rei, que vos entornem vinho por cima das vossas calças preferidas, e que a máquina de lavar roupa nova que compraram tenha problemas com o calcário e tenha de ser mandada para a marca durante três semanas; obrigando-vos a lavar tudo à mão durante uns tempos. De resto, e como todos os outros, espero que tenham muito amor, muita serenidade... e essas tretas todas.

PS: A propósito, não se esqueçam de que o Menino Jesus faz anos no dia 25. Calha mesmo no dia de Natal. Estou completamente sem dinheiro, por isso propunha-vos que fizéssemos todos uma vaquinha e lhe comprássemos um bercito novo no IKEA, porque aquele que ele tem, por mais que seja limpo, nunca se consegue tirar aquele cheirinho a estábulo judaico, que é como quem diz um pout pourri de palha, incenso, mirra e bosta.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

I'm a material boy =)

Um dos blogs que costumo visitar é o da minha amiga blogueira Sahara. Gosto de blogs pessoais, despretensiosos e com uma ligeira tendência para a parvoíce (mas não mais do que a minha, para não me sentir ameaçado). Hoje encontrei lá este textinho:

Uma pessoa não vale pelo que tem. Vale pelo que é. Há pessoas que, porque já têm, pensam que já são. Não são. Nem se sabe se virão a ser.

Autor anónimo

Apesar de pequeno, este texto deixou-me a pensar durante algum tempo (cerca de 22 segundos). Esse momento de introspecção levou-me à seguinte conclusão:

Eu, enquanto não valho pelo que tenho, lá me vou conformando em valer por aquilo que sou... como se isso valesse alguma coisa.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Parabéns =)


Estou a ouvir a Cor de Leão :)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

I'm lovin' it

Durante muito tempo fui alheio à felicidade. Nunca pensava nessa palavra e, talvez por isso mesmo, era feliz. É um pouco irónico que os nossos tempos mais felizes, especialmente quando somos crianças, sejam aqueles em que menos temos consciência disso. Felizmente, fomos abençoados com o poder de recordar. Recordar e sorrir.

Agora, a toda a hora, por tudo e por nada, avalio constantemente o meu estado de espírito. Sei que ainda não sou feliz, mas sei também que a minha hora ainda não chegou. Ambiciono esse estado de perfeição com todas as forças do meu ser mas, mesmo assim, tenho sentido enormes dificuldades em lá chegar.

Ah... o caminho para a felicidade! A estrada mais bem alcatroada de que há memória! Quatro faixas, pavimento imaculado, sem limites de velocidade e sem acidentes. Todos acreditam na possibilidade de que exista uma via assim, onde condutor e peão se fundem num só, e o caminho se apresenta límpido diante de nós. O caminho para a felicidade? Não existe.

Não existe um, existem vários caminhos! Todos nós podemos ser felizes (pronto, nem todos, caso tenhas nascido no Alto Minho, no seio de uma família de pobres agricultores, a quarenta kilómetros da escola primária mais próxima, sem ter automóvel próprio)! Partam à descoberta, sejam audazes! Acima de tudo, acreditem. Acreditem e descobrirão.

Tudo aquilo que mais queriam está mesmo à vossa frente (de novo, a menos que vivam no interior profundo do país). Basta dar um passo em frente e pedir.

No meu caso, o caminho para a felicidade revelou-se bem mais simples do que eu pensava. Corta-se para o hotel, passa-se pela esquadra da PSP, vira-se à direita na rotunda do Modelo, e vai-se sempre em frente, até encontrarmos as luzes vermelhas e amarelas, redentoras como nenhumas outras.

Sim, basta dar um passo em frente e pedir. "É um Mcmenu grande Big Tasty com batido de morango e um double cheese à parte. Afinal é mais um pacote grande de batatas, que acho que hoje o meu amigo vai comer as dele todas. Sim, seis pacotes de ketchup devem chegar."

O caminho para a felicidade? Se eu descobri o meu, vocês conseguirão descobrir o vosso.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Have I met you in the 80s?

(Winger - Headed For a Heartbreak)

I hope not.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Nunca vos aconteceu...

...estar aos beijos com alguém pela primeira vez e sentir língua alheia de repente sem se estar à espera? Sim, é isso. Uma pessoa está aos amassos e começa logo a receber visitas, não sendo a nossa reacção (involuntária) a mais natural possível. Pior, a outra pessoa percebe que não estávamos à espera e refreia o ritmo. Nós, como percebemos que ela percebeu, e não querendo que lhe falte nada, decidimos pôr então o nosso musculinho rosado à disposição. Agora era ela que não estava à espera; invertem-se os papéis.

Será que isto só acontece comigo? Não seria boa ideia criar um manual de boas práticas, em que todos os passos a tomar seriam subdivididos ao longo do tempo, consoante um padrão de bom senso universal? Será que não podemos ir com mais calma e saborear as coisas sem qualquer tipo de pressão?

Exijo, no entanto, uma coisa. Coerência. Se me vais meter a língua pela faringe após o quarto beijo só porque achas que já é tempo, depois não te ponhas com rodeios para tirar o soutien na altura que eu acho mais apropriada.

PS: Não ando a trocar miminhos com nenhuma felizarda. Simplesmente lembrei-me agora disto. Acontecia-me quase sempre.

O que vale é que só acontece aos outros =)

Fui fazer, na quarta-feira passada, o exame de inglês do CAE de Cambridge, no Hotel Altis. Foi um dia extremamente cansativo (e podia ter sido mais, se certas pessoas não me tivessem recebido de braços abertos); cheguei la às 8:30 da manhã e só saí às 17:50.

As condições em que o exame decorreu foram muito rígidas, mas nem tudo foi stressante. Recordo, com nostalgia, um pequeno acontecimento curioso. A examinadora-mor dirige-se ao microfone da sala Europa e diz o seguinte:

Before I dismiss you, I'd like to have your attention, please. There seems to be a problem with one of your ID cards. It seems to have expired. After exam one, candidate number 5005 needs to come to the examiners' table, so that I can have a word with you.

Foi qualquer coisa deste género. Começou tudo a rir baixinho. Eram só 142 pessoas a largar gargalhadinhas abafadas. Confesso que também me ri um bocadinho. Não me ri muito, porque cedo reparei que eu é que era o 5005. "Fóc", pensei eu.

Pois é; já não sou cidadão português desde Outubro deste ano. Sinceramente, estou-me a cagar. Pode ser que agora as portagens e a gasolina baixem só para mim, que comece a ganhar dinheiro que se veja, e que seja mais respeitado enquanto cidadão (de lado nenhum).

Hei-de tratar do BI um dia destes.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Isto só prova que nem sempre conhecemos bem as pessoas.

Hoje estava a falar com uma pessoa amiga, estando essa mesma pessoa a queixar-se de que ultimamente as coisas lhe poderiam estar a correr melhor. "Podia ser pior, pessoa amiga" - disse eu - "a vida até nem te está a correr nada mal, se olharmos por um prisma mais racional". A importância de certos problemas, que às vezes nos parecem avassaladores, é frequentemente posta à prova quando as outras prioridades da vida se avizinham.

Quando uma pessoa está aflitinha para fazer xixi ou cocó (ou ambas, no caso do cocó, já que é impossível fazer-se cocó sem antes se fazer xixi; perguntem a quem percebe de anatomia e fisiologia do corpo humano), essa passa a ser a nossa prioridade, tornando os nossos problemas sociais mais prementes (o que acidentalmente acabou por se revelar uma piada engraçada, tendo em conta que uma bexiga cheinha de xixi é um problema bem mais premente do que aqueles existenciais a que me refiro; ide ver "premente" aos vossos dicionários da Língua Portuguesa) facilmente olvidáveis. Eu até posso estar preocupado por ter a renda em atraso e a vizinha da frente não me ligar nenhuma, mas se a vontade apertar o suficiente, não é nem a senhoria nem a vizinha que vêm cá ajudar a prevenir que eu me torne incontinente quando chegar a uma bonita idade sénior. Na hora de alcançar alívio, rapidamente nos esquecemos de que estes assuntos nos ocupam a cabeça. Direi mesmo mais: um operário fabril (poderia dar os mais variados exemplos) que tenha sido despedido, após 30 anos de casa, sem perspectivas de futura estabilidade financeira, quando precisa mesmo de ir à casa de banho, não pensa nos meses de salários em atraso nem por um segundo. Antes, sempre. Depois, certamente. Durante, não senhor.

Este assunto rapidamente nos levou para outros voos, não menos interessantes do que a premissa que iniciou a amena (ao princípio) discussão do dia de hoje.

Para já, façamos um resumo da situação:

1 - Estabeleceu-se que há certas prioridades impostas pela roleta da vida que se sobrepõem a qualquer necessidade extrínseca ao homem.

2 - Dada a importância destas prioridades, subvalorizadas na pirâmide que contém tudo o que há de mais importante na nossa existência, concluiu-se que, mesmo no caso das nossas vidas estarem pejadas de contrariedades derivadas das vicissitudes da nossa necessidade de integração na sociedade, outras prioridades implícitas e aparentemente adormecidas no organograma do dia-a-dia, tomam para si com firmeza os lugares cimeiros da nossa utilização do tempo disponível. Xixi ainda é como o outro, faz-se em qualquer lado (as meninas inclusivé, através de técnicas que eu não sonhava serem possíveis; amigas minhas já fizeram xixi em sítios onde eu, nem com a possibilidade de apontar a alguma distância, teria coragem de o fazer). Já o fazer o cocó, é dos actos mais depreciados pela sociedade, mas que mais precisa de planeamento e das condições adequadas para a sua realização, sendo os resultados bastante recompensadores, através de um exacerbado sentido de conquista e a certeza de uma tarefa bem executada. Já que é para cagar, que seja em "poltrona de ouro", se possível.

Prosseguindo, é compreensível que, tendo em conta que esta necessidade não escolhe estratos sociais, raça, sexo, ou altura do dia, nem sempre seja possível jogar este jogo no nosso estádio de eleição, a nossa casa (ou, para quem tem casas de banho muito fraquinhas ou muito porquitas, qualquer retrete de um hotel de luxo). Por vezes, a calendarização da expulsão de resíduos nos obriga a fazê-lo fora da nossa zona de conforto, sendo que, por vezes, a claque adversária nos dificulta enormemente a tarefa.

Eu conheço a minha sanita e as minhas competências físicas, bem como os meus hábitos alimentares. Os três factores combinados geram uma percentagem de 97,8% de ausência de salpicos na altura da entrada do objecto da acção aqui discutida na atmosfera da louça sanitária. Mas outras sanitas há que não garantem resultados tão animadores. Aprendi, portanto, e de forma autodidacta, a usar o método da caminha de papel higiénico, sendo que, por preocupações ambientais e até por uma questão de brio, desenvolvi uma técnica que me permite manter o dispêndio de papel a um mínimo histórico.

E não é que esta pessoa minha amiga, após o meu relato, começa a tecer comentários jocosos acerca da minha pessoa e da minha orientação sexual? Lá por eu por papel higiénico no fundo sou cromo ou homossexual? Ser-se metódico e asseado são requisitos directos para se gostar de indivíduos do mesmo sexo? No meu entender, não me parece o juízo mais acertado. Sou metódico, sim; os horrores passados no campo de batalha que é a casa de banho assim o exigem, mas aprecio bastante mulheres. O facto de não pensar nelas quando estou aflito não abre nenhum precedente para a homossexualidade, reforçando unicamente a importância que esta actividade apresenta, e tornando-a merecedora das mais altas honras.

Nunca pensei que esta pessoa amiga fosse tão descuidada nesta matéria. Ignorar a possibilidade do salpico é quase como que abdicar de todas as características que nos tornam diferentes dos animais irracionais. Se eu soubesse, nunca tinha feito amizade com uma pessoa que não se importa de estabelecer sinergias com a sua sanita. Eu não sou preconceituoso, mas isto é demais. Mesmo assim, e pondo em prática todo o meu altruísmo, em vez de renegar esta amizade, decidi tentar mostrar-lhe o caminho da redenção anal (isto soa extremamente mal, mas indivíduos inteligentes compreenderão o seu sentido sem esboçar qualquer tipo de segunda intenção mesquinha).

Espero ter consciencializado as pessoas para esta problemática. Não deixem, em altura alguma, que uma qualquer loiça sanitária vos domine. Digam NÃO ao contacto de água de sanita com os vossos rabos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Paraíso?

Deve ser altamente ser-se cão e viver no seio de uma família em que um membro sofra de anorexia. Altamente mesmo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

E agora, por esta altura, o meu pai estava a fazer o quê?

Para o ano vou fazer 27.

No dia em que fiz 24, as primeiras palavras da minha mãe, assim que eu acordei foram L I T E R A L M E N T E "o teu pai com 24 anos já tinha um filho". Lembro-me vagamente de ter ouvido mais tarde a palavra parabéns.

Guardo também, com redobrado carinho, as primeiras palavras que a minha mãe me disse no dia do meu 25º aniversário. "O teu pai com 25 anos já tinha dois filhos; era ele no Ultramar no meio do mato e eu com eles ao colo". Mesmo se não houvesse guerra naquela altura, penso que a escolha acertada seria ir para o meio do mato, tendo em conta que ainda não havia fraldas descartáveis.

Logicamente, a minha boa memória para acontecimentos passados preservou de novo as palavras que a minha mãe me dirigiu no meu aniversário seguinte. PARABÉNS, menino! O teu pai com vinte e seis anos já tinha três filhos!"

Sim, eu tenho 3 irmãos (um mano e duas manas) bastante mais velhos que eu, todos eles nascidos em escadinha. Não havia internet naquela altura, e as ocupações eram outras. Acho que, mesmo que houvesse, os meus pais não saberiam mexer nela. Seja como for, e tendo em conta que o principal objectivo da internet é a pesquisa de pornografia (mas também dá para procurar outras coisas; eu pelo menos já ouvi dizer que sim, embora não conheça ninguém que o tenha conseguido), suspeito que o resultado acabasse por ser o mesmo.

Voltando de novo ao assunto:

Mas que raio de competição doentia é esta que a minha mãe promove entre mim e o meu pai? Eu nem sequer tenho namorada! Mais do que isso, nunca apresentei aos meus pais formalmente nenhuma namorada minha! Elas lá em casa, tirando a última, eram sempre conhecidas pelos seus nomes de código (como por exemplo "Menina do Clio Preto"), visto que eu sempre tive uma enorme relutância em partilhar com eles pormenores da minha vida amorosa, estendendo-se até ao nome. Vou agora aparecer em casa todos os anos com um filho que pode até nem ser meu, fruto de uma relação com uma rapariga que eles mal conhecem, só para um dia a minha mãe me acordar com um "Parabéns, o papá e eu ainda voltamos a tentar mas desta vez ganhaste, toma lá 100 euros"? Quatros filhos para empatar e cinco para ganhar o jogo da vida? Não havia eu de fazer mais nada!

Que fique bem claro: o acto de praticar por uma questão de refinamento das competências no leito amoroso é salutar, mas esta engravidação em série já se encontra um pouco acima das minhas possibilidades. Mesmo sem contar com o trabalho que a criançada ia dar, longe de mim querer sujeitar a minha querida esposa a uma vida de estrias e mamas descaídas após os quarenta! Deixem lá a mulher dar à luz e recuperar de cada um (ou uma) como deve ser, se faz favor! Caso contrário, como é que ela vai continuar a fazer inveja às amigas, mesmo depois de já não ser tão nova? Não se pode sempre fiar no facto do maridão continuar a ser mais atraente que os das outras.

Estou constantemente a ser posto à prova; já irrita.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Primeiro desabafo e escrevo o texto. Depois fico cinco minutos à procura de um título. Que se lixe. Vai este, que não envergonha ninguém.

A primeira coisa que fiz quando acordei foi mandar uma mensagem para um grande amigo meu.
Dizia assim na mensagem:

"Ó deficiente do caralho! Por tua causa, no domingo, vou ter de me levantar às 6 da manhã e levar o meu carro para o meio de Lisboa só para fazer a merda de um exame de inglês e às 10:30 estar pronto para voltar para cá. Vai apanhar no cu!"

Mas porque é que eu me fui meter no inglês? Eu não preciso de aprender a falar melhor inglês! Quanto muito preciso de aprender a falar pior inglês! Os ingleses nunca elogiam as capacidades linguísticas de alguém que fala espectacularmente bem. Eles só elogiam quem fala assim-assim e lá se vai safando, por uma questão de condescendência! É a história do "your english is definitely better than my portuguese". Ai que bem que fala inglês, o coitadinho do portuguesinho... Se eu fosse ao Reino Unido, com o meu vocabulário e pronuncia, tratar-me-iam como uma pessoa igual a eles, nem mais nem menos. Ora isso é mau, porque os ingleses são todos uma cambada de chatos, feios e gordos. Se fizermos uma estimativa média da gaja boa inglesa (não das espectaculares), aparece-nos à frente uma gaja loura de cabelo oleoso, com problemas de peso (ou a mais ou a menos), burra e bruta que nem um autocarro. Eu conheço as séries mais antigas do EastEnders, meus amigos, não vale a pena andar a disfarçar com as mais recentes.

Este meu amigo convenceu-me a ir para o inglês no ano passado, com o argumento de que não adiantava de nada termos boas competências linguísticas, se depois não constasse do nosso currículo um diploma que atestasse essas mesmas competências. Além disso, iamo-nos rir como o caraças no meio daquelas aulas, a gozar com toda a gente e a imitar sotaques de indianos, franceses e italianos a falar inglês (mas especialmente de indianos). A propósito: será que os indianos ainda não se aperceberam de que ficam ridículos a falar inglês, ridículos ao ponto de estereotipar um povo inteiro como uma cambada de atrasados mentais? Se ainda o fizessem apenas pelo conteúdo humorístico, ainda percebia. Mas não, esta gente acha que se safa a falar inglês, e que o devem continuar a fazer. Por acaso nas aulas de português para estrangeiros alguma vez se ensinou que o sotaque correcto era o madeirense ou o açoreano? Não! Porquê? Porque é demasiado ridículo! Só há uma forma correcta de falar! Não se escondam por trás do argumento da diversidade cultural! Acabem também com o mirandês! Nós andámos na Índia durante imenso tempo. Será que não aprenderam nada connosco?

Lá comecei a ir ao inglês, por pressão insistente do meu amigo, volto a frisar. Acham que ele alguma vez lá meteu os pés? Não! Nunca! O palhaço convence-me a fazer os testes de aferição, pago aquela porcaria, que não é assim tão barata, e nunca mais mete os pés naquela merda. Aliás, meter até meteu. Porquê? Inscreveu-se na iniciação ao Espanhol aos fins de semana! WHAT THE FUCK WAS THAT? "Ai não tenho tempo durante a semana, e o espanhol começa a ser bastante importante no currículo de um profissional". Ai sim? Profissional de quê? Da foda? Ele ainda hoje, passado um ano, só sabe dizer "Oh si cariño, se a ti te gusta a mi me encanta"! E também sabe dizer pila, foder, cú e passareca em espanhol. Mais nada! Porra!

Ao princípio até nem desgostei. Direi mesmo mais: houve dias em que o ponto alto foram as aulas de inglês. No entanto, este ano não, já estou a ficar farto. Tou mortinho por fazer os exames finais e sair dali. Adorava aprender a falar japonês (eu sei algumas coisinhas, e é bem mais fácil do que eu pensava, mas sem um bocadinho de disciplina, acabo sempre por me desleixar); abriu um curso de japonês aqui perto há pouco tempo e acho que o dinheiro ali seria mais bem empregue.

Supostamente, irei fazer o exame do CAE agora em Dezembro e depois o final, o CPE, em Julho. Depois de receber a folhinha com o local do exame, morada, e horários, percebi uma coisa. Gostava, muito sinceramente, que a pessoa que fez estes horários fosse empalada no poste de iluminação mesmo à frente do meu prédio. Acho que era capaz de tirar uma meia horinha para ir beber chá de lúcia-lima e comer scones à janela, enquanto via o porco (ou a porca, não podemos ser sexistas, como diz a minha actual professora de inglês) a estrebuchar, "sentadinho" no poste. É, no fundo, uma bela diversão para entretenimento familiar.

Tendo em conta que, se não estivermos no local do exame (e por estar no local, entenda-se sala, e não à volta do edifício à procura de lugar para estacionar) quinze minutos antes do seu início, já me tinha decidido a ir de transportes públicos. É raro ter de conduzir em Lisboa, sendo que por isso, se tiver de ir para sítios que de carro ainda não conheço bem ou têm demasiado trânsito, prefiro ir de expresso. É até mais barato. Neste caso, nem sequer a rápida sai a uma hora que me garanta que estou lá a tempo. Ainda se depois disso não tivesse de apanhar mais transportes... É que se chegar um bocadinho atrasado a uma parte do exame, já não me deixam fazer mais nenhuma e lá fico a arder em tempo e dinheiro. Isto não é um princípio da pontualidade britânica, é a total confirmação dos desafios psicossociais que pairam naquelas cabecinhas chatas. Sim, porque, tendo em conta que o exame tem 5 componentes, foram inteligentíssimos em marcar a parte oral para domingo de manhãzinha, e as outras quatro partes para outro dia, durante o dia todo.

"Aproveita o domingo e vai passear, vai às compras". Oh si cariño, é que é logo a seguir ao exame, saio e vou disparadinho. Não gosto de andar a ver coisas de que gosto e não ter dinheiro para as comprar. Prefiro fazer de conta que elas não existem. É assim que lá vou fazendo o orçamento render. Por outro lado, se não tivesse gasto dinheiro com o inglês, com o exame, em gasolina e portagens, talvez o pudesse fazer.

Sai cara, esta coisa de "adquirir conhecimentos e competências". Se eu fosse rico, no entanto, não precisava de diplomas para nada e, muito menos, de aprender. Que eu saiba não há nenhum curso de formação para pessoas que desejem saber como proceder numa praia paradisíaca, deitadinhos ao sol e com um cocktail de fruta na mão, ou num spa a receber uma massagem de uma eslava bem torneada, ou no concessionário da Porsche a escolher uma cor para o meu Carrera GT de fim de semana.

A maior parte das pessoas tira cursos porque é a única forma de lhes permitir exercer funções que lhes darão mais dinheiro, reconhecimento, ou poder, e não porque adora aprender. Em suma, aprender (coisas lixadas e académicas) é um acto de hipocrisia.