quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Caralho é aquela palavra que...

... dita por um homem no final das frases, fica sempre bem. Nunca soa fora de sítio e pode até ser frequentemente utilizado para adjectivar qualquer coisa de forma francamente positiva. É impossível não se ter conversa quando se enche todas as frases com chouriços destes. Já "foda-se" serve mais para iniciar qualquer ideia.

"Foda-se, o Cristiano marcou mais um golo do caralho!"

Simples, directo, e matarruanamente intelectual. Seja como for, não estou aqui para falar da língua portuguesa e suas vicissitudes. Queria apenas desejar-vos, desde aqueles que me linkaram, aos que comentam e aos que "apenas" vêm cá regularmente, um ano de 2009 do caralhão.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Já há 4 dias...

... que não cagava. Uma pessoa vai passar o Natal fora e parece que os intestinos fazem cerimónia. Admito que tenho fobia de casas de banho públicas e prefiro ganhar úlceras nos intestinos a ceder à tentação de usar uma, mas em casa do meu irmão o cenário é bem diferente e o meu rabo não devia ter tanta vergonha de fazer cocó.

4 dias sem expelir fezes, ainda por cima na quadra natalícia, repleta de excessos gastronómicos, é obra. No primeiro dia, já sabia que era normal isso acontecer. Sempre que vou para uma casa estranha (leia-se, que não a minha), tenho tendência a reter o que de pior o ser humano produz cá dentro durante uns tempos. No segundo dia, continuei a não estranhar nada. Aliás, eu continuava a comer do modo alarve que me caracteriza e a barriga não mostrava sinais de mau estar, pelo que continuei a apreciar o Natal na companhia da família como se nada fosse. Pensava sempre que "isto à próxima azevia vai lá concerteza". No entanto, é chegado o terceiro dia de permanência fora do berço e nada de cocó. Peidos, sim, o costume (sim, nã0 me venham cá dizer que vocês não mandam puns). Seja como for, flatular não é cagar. São graus de alívio totalmente diferentes.

Não pensem que este foi o meu caso mais grave. O meu record de prisão de ventre é de 6 dias, numa vez em que fui acampar, quando tinha uns 12 anos. Fala-se tanto em ir cagar à mata, e eu com tanta dela ali, e nem cagalhinho nem cagalhão. Nessa altura a história era outra; as condições eram muito precárias e eu, com tanta gente à volta a toda a hora, só me queria era poupar a uma situação constrangedora. Sabem como é, são sempre aquelas perguntas que todos os putos atados de 12 anos colocam quando se encontram numa situação complexa pela primeira vez: "onde está o papel?"; "alguém já limpou o rabo a ervas e sobreviveu?"; "no caso de haver papel, o que é que eu faço com ele depois de estar despachadinho?". Olhando para trás, tenho orgulho em afirmar que aguentei estoicamente.

Continuemos a história deste natal. Chegado ao quarto dia, e sabendo que tinha 380 quilómetros para fazer desde Faro até casa, surge aquele dilema. Será que deverei fazer um esforço sobre-humano agora, ou continuo como se nada fosse, já que, incrivelmente, continuo a sentir-me tão bem como se tivesse acabado de cagar há 10 minutos? Decidi fazer como se nada fosse. Se não há aqui nada a dizer que quer sair, então devo ter evoluído e consigo eliminar todas as impurezas através da transpiração e do xixi, ao contrário do ser humano comum.

Agora, digam-me é uma coisa: MAS COMO É QUE O MEU CU SABE QUE ESTÁ A CHEGAR A CASA? É que tanto na época do acampamento, como neste Natal, assim que ficava um troço de autoestrada mais perto de casa, lá começava ele a dar sinal de crescente desconforto. Após os primeiros 100 quilómetros, fiquei aliviado por saber que "ahh, afinal hoje vou conseguir esvaziar a tripa e voltar ao normal", após aquele primeiro tocar de campainha. Aos 190 pensei "desta vez não tenho medo de adormecer e estou fresquinho para fazer a viagem toda de seguida sem parar a meio, já que esta sensação suportável não me deixa desconcentrar da condução". Aos 360 dava graças por ter grande facilidade de controlar a mente com o poder da respiração. Isto foi escalando até um "ai que me borro todo" quando cheguei à porta do meu prédio.

Eu tenho a sensação que, tendo em conta esta ligação emocional tão bonita e forte entre o meu cu e a minha sanita, se nessa altura me metesse de novo no carro e me afastasse dali acima do limite de velocidade, que a vontade desapareceria gradualmente tal como apareceu. Mas pronto, a vida vive-se é andando para a frente e lá caguei tudo o que me ia na alma. A curiosidade era grande; com quatro dias de intestinos presos isto não pode ser merda, devo mas é ter dado à luz a qualquer coisa viva e pulsante. Ainda assim, a mão no autoclismo foi mais forte do que a mórbida vontade de olhar.

Caguei e andei.

No refrão...

... da nova musica EXTREMAMENTE APANELEIRADA do André Sardet, experimentem mudar "Gosto de ti" por "Faço xixi". É coisa de gente básica, mas a diversão está garantida.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Merry Christmas...

... and all that crap. :P

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Não-sensações

Quando tenho dores de dentes, normalmente é pelo facto de achar que as tenho e que se passa alguma coisa. Ando lá horas a esgravatar com a língua, minuto sim, minuto não, e depois é que fico com uma dor de dentes mesmo a sério, com direito a gengiva inflamada e tudo. Agora que já passou, penso em como sabe tão bem não ter dor de dentes e não sentir nada.

E, agora que me lembro, também sabe muito bem não estar apaixonado por ninguém.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Não é por ser preta.

Ele: Puto, curte aí a Tyra Banks.

Eu: Que é que tem?

Ele: É boa comó caralho.

Tás doido? não curto nada. parece feita de plástico.

Tás drogado ou quê? não é boa, queres ver?

Nop...

E a Carmen Electra? Foda-se... Mêmo boa...

Pelo menos é melhor que a Tyra Banks...

Lá tás tú. não lhe mandavas uma, queres ver?

À carmen electra mandava. À Tyra Banks nop.

Lol, então é isso.

E nem é por ela ser obama. Simplesmente faz-me impressão, a gaja. Acho-a azeiteira.

Deve ser por ser gaja. Paneleiro do caralho.

Foda-se! Agora tenho de gostar de todas as gajas, não?

Foda-se! A gaja é boa. Se ela quisesse não a fodias, queres ver?

Pá, é boa pra ti. Não a fodia, não. Não a curto. Tenho padrões elevados, que é que queres.

Tu tás é drogado. Se tivesses grelo com fartura, eu até compreendia, um gajo escolhe sempre. Agora, não fodes há uma data de tempo, ela aparecia-te aí nua e não a fodias? Vai pó dick.

Eu vou-te mostrar uma gaja, e tu vais aprender comigo, certo? Olha aí para a Megan Fox. Compara lá a gaja com a Tyra. Tás a ver que aspecto tem uma gaja boa? E já agora que estamos nisso, também não fodia a Pamela Anderson. Ainda hoje em dia se fala muito nela e não percebo porquê. Tem cá um ar de porca... nota-se mesmo a rodagem.

Quem é esta? Não gosto. Não a fodia.

O quê? Não gostas da Megan Fox?! Ah mas da Tyra já gostas. A Tyra parece um homem ao pé da Megan. Gostas de homens, tá visto.

Não mais do que tu. Ela de perna aberta e tu não ias lá. Seja como for, é gaja, tem cona e tu tens pixa.

Good point, mas mesmo assim não serve para todas. A N. (nota: é uma cigana velhota cá da cidade que cheira a urina e que está sempre a chatear toda a gente que passa na rua com a sua voz grave e esganiçada) também tem e não é por isso que eu lá vou aviar salsicha.

Não compares, caralho! Já me tou a passar contigo! Tás-me a deixar stressado! Fag!

Fag? Fala o gajo que prefere a Tyra à Megan. Olha aqui mais uma foto da tua amada Tyra... Tão linda...

Que é que tem? Tem cá um par de chuchas. Até batiam palmas!

Agora imagina isto em tribunal. Tás fodido. Contigo a preferires a Tyra à Megan, o juiz diz logo que tu é que és panilas.

Tava apenas a gozar para te lixar. Claro que a aviava. Aviava as duas.

Sim, sim... Fag status you seek, young fagawan.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Nem todas as mulheres são umas cabras...

... nem todos os homens são uns porcos. Há sempre algumas excepções... acho eu.

Fico é sem saber se nascemos com essa tendência ou se são as circunstâncias da vida (e especialmente das relações amorosas) que nos tornam assim. Por um lado, a questão surge um pouco como a do ovo e da galinha. Alguém teve de dar o primeiro passo. Algum gajo foi porco primeiro, ou alguma gaja foi cabra primeiro. No entanto, não tenho dúvidas de que qualquer (generalizando) doce menina se transforma numa cabra montesa após uma experiência com um colossal porco. Pode demorar mais com umas do que com outras, mas a coisa vai lá sempre dar, mais porco, menos porco (a menos que cedo se depare com um sapo banana e faça de conta que tem ali um principe). Não tenho dúvidas de que a desilusão fará com que a ex-doce menina acabe por agir em várias ocasiões como uma cabra de primeira para o primeiro doce desgraçado (doce não, que é adjectivo mariconço) que encontrar à frente,deixando-o de rastos. Quando ele deixar de ser um sapo banana, irá adoptar laivos de suíno, nem que seja inconscientemente. E assim sucessivamente.

Independentemente de sermos homens ou mulheres, temos todos um lado vingativo. Todos os dias saem do armário porcas e cabrões.

Eu acho que já sou porco. E vocês? Oinc? Meeeé?


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Eu até sou apologista...

... de se andar sempre minimamente bem vestido, nem que seja para ir à rua despejar o lixo, não vá uma pessoa cruzar-se com a mulher da nossa vida (se for com a nossa mulher da vida a indumentária torna-se irrelevante, basta ter dinheiro no bolso) e perder ali uma oportunidade irrepetível, fruto do mau aspecto.

Seja como for, uma pessoa de vez em quando desleixa-se. Aconteceu-me precisamente no domingo à noite, quando um amigo me apresentou uma rapariga que já há uns tempos acho muito gira. A rua costuma estar deserta a essas horas num domingo, e tinha logo de ser a única pessoa com quem nos cruzámos. Barba mal aparada, camisola abaixo da média, casaco mal composto. Acontece.

Uma coisa é certa; de nada me valeu hoje a indumentária, quando antes de me cruzar com outra rapariga que acho bastante simpática a vários níveis, me cai um pingo gigante por entre os óculos e o olho esquerdo.

Acho que simplesmente não estou destinado a ser pai.

Os mosquitos não têm...

... nariz, senão não encontrava um a voar bem no fundo da minha sanita, como se fosse o interior de um vulcão. Um conselho: se conseguirem acertar num mosquito durante a expulsão do chichi da pilinha ou do pipi, não deixem que ele se aproxime da bordinha e escape, apesar de molhadinho. Ou lhe acertam mais, ou puxam logo o autoclismo.

domingo, 30 de novembro de 2008

Come o salmão...

- ... que é rico em omega 3.

- E é rico em dinheiro? Não, pois, não? Então quero lá saber.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Erecção de entretenimento interactivo - Mirror's Edge

Estou a começar a ficar maluquinho para experimentar este jogo. Sempre gostei muito de FPSs, e embora este tenha pouco de S, ganha a potes pela fluidez da experiência. Deixo aqui o trailer, porque explica o meu entusiasmo melhor do que eu. Portanto, acho que assim a Wii fica para já excluída, já que ele só existe para a PS3 e Xbox 360, e estas têm maior quantidade de jogos que quero jogar. Assim que a minha conta bancária estiver na situação em que devia estar, a minha sala terá um brinquedo novo.

Já agora, se gostaram da música principal, aqui fica a versão completa:

Que nome se dá a esta doença?

Apesar de eu saber que não estou nem remotamente perto de ser uma das melhores pessoas do mundo, fico com umas comichões danadas quando alguém me aponta um defeito ou quando alguém não gosta de mim. Tenho logo uma vontade danada de me defender (mas isto sei de onde apanhei, e tento respirar fundo e fingir que ao menos estou a aceitar de forma positiva aquilo que me dizem).

Por exemplo, há bocado acabei de jantar com uma das turmas a quem dei formação. Foram dois meses com eles, era natural que fizéssemos algo do género. Raramente fui criticado, raramente houve períodos em que a formação não correu bem, quase toda a gente me deu a nota máxima (embora isso não queira dizer nada, e a maior parte das pessoas preencham aquilo a correr e por simpatia). Mas lá está. Quase toda a gente. Raramente. Mas aindaassimmente. À tarde, com outra turma, depois das últimas formalidades, acabámos todos a comer azevias e a beber vinho do porto (e uma mini no café, no final; só bebi uma para não fazer desfeita). Ainda levei duas caixas cheias de doces para casa (mais tarde tenho de fazer publicidade a alguns dos restaurantes dos quais os meus formandos são donos, para quem for da região). Depois desejámos todos muitas felicidades uns aos outros e pediram desculpa por algum comportamento que tivessem tido que eu não tivesse gostado tanto e disseram que gostaram muito e aprenderam muito. Mas alguém ali de certeza não gostou assim tanto, não me achou assim tão simpático, e achou que eu não percebia nada do assunto. Estranhamente, não me estou a cagar para isso.

Podia-me ter esforçado um bocado mais (não no sentido da quantidade, mas da qualidade, já que o ritmo de trabalho e de quilómetros foi muito intenso). Por outro lado é complicado uma pessoa esforçar-se quando amanhã acaba a última turma (no total foram 8 cursos) e ainda não vi nem um cêntimo, andando a sobreviver à custa de dinheiro emprestado. Mesmo assim não penso só no dinheiro, e penso também na formanda que disse que as sessões do formador de Atendimento eram espectaculares e ele era super divertido. Estou-me a cagar se a matéria da minha área é mais maçuda e se eu sou menos extrovertido (embora, para quem me conhecia há uns anos atrás, ter estado no centro das atenções de tantas pessoas com este à vontade todo e sem dar parte fraca, seja obra). Eu devia ser muito mais espectacular grande bom e bonito que o caramelo do Atendimento.

Também não me estou a cagar quando alguém diz no blog que eu sou um idiota porque digo disparates sobre mulheres e carne de porco à alentejana, apesar de me dever estar a cagar, porque a minha consciência relativamente a mulheres está tranquila, e se às vezes generalizo, ainda que levando para a brincadeira, é porque as minhas experiências foram mais para o lado do turbulento que outra coisa.

E é assim. Tão cedo não voltam a ver um post que me deixa num estado de nudez tão aparente como este (portanto, tadinhas das meninas, no que diz respeito à futura falta da minha nudez). Aliás, vou já por outro post antes deste, para aqueles que têm dificuldades em se concentrarem durante muito tempo no mesmo blog deixarem este post escapar.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nerd Talk

Pois é. A votação acabou, mas as dúvidas persistem.

Afinal compro uma Wii, uma Xbox ou uma Playstation?

Por um lado, um amigo meu tem uma PS3, e até agora o esquema de jogo não me atraiu muito (por exemplo, a jogar o Metal Gear Solid 4, era como se estivesse a jogar o MGS2 pela enésima vez, mas com melhores gráficos). Assassin's Creed? Boooooring. Devil May Cry 4? Mehhh... GTA4? Porreiro e tal, mas passada a novidade uma pessoa abstrai-se um bocado dos gráficos.

Wii? Adoro os comandos, e sou maluquinho pelo Metroid Prime 3( aquela sensação de isolamento...), Mario Galaxy e Zelda. Infelizmente parece que só existem estes jogos de jeito, e o resto é um bocado fracote, sem tirar partido das potencialidades dos comandos como deve ser.

A Xbox parece-me catita e tal, mas cai na mesma categoria da PS3. Será que me vou fartar? Até agora, os jogos multiplataforma correm quase todos melhor na Xbox do que na PS3 (as suas potencialidades foram muito sobrevalorizadas, não é assim tão boa). Só que uma pessoa olha para o Killzone 2 e fica com a dúvida: será que aquilo é o resultado de muito suor para tentar igualar a demo da E3 2005 ou a consola vai ser mesmo capaz de nos dar aquilo e muito mais daqui para a frente, tendo a Xbox alcançado o seu limite com o Gears of War 2?

E é isto. Tenho noção de que as minhas hipóteses de retomar uma vida sexual razoável cairam por terra, depois desta demonstração de geekismo à frente de tanta rapariga jeitosa, mas ao menos a consola não chateia. Além disso, com o dinheiro de dois ou três jantares bons compro um jogo, e não tenho de me esforçar para arranjar tópicos de conversação. E o jogo não chateia nem diz que estou distante e que não reparei que escadeou o cabelo dois milímetros. A consola não deixa pensos higiénicos enroladinhos (ahaha, como se não desse para reparar que aqueles já não acudem a mais nenhuma emergência) num cantinho da casa de banho. Tanto a mulher como o comando são wireless hoje em dia, mas o comando não me sufoca com os braços quando tento dormir, como se eu fosse uma porta USB e ela quisesse recarregar a bateria com miminhos às 4 da manhã.

Resumindo:

A Wii tem comandos inovadores (quando bem utilizados; o que raramente tem acontecido), e o Metroid Prime 3 deixa-me com a espinha arrepiada. É menos potente que as outras; os gráficos não são grande espingarda (embora em parte também por culpa de quem faz os jogos). O Mario Galaxy é ridiculamente divertido (embora não muito másculo).

A Xbox 360 tem o Gears of War 2 (aqui, matar é tão bonito que o Jesus até diz que deixou de ser pecado) e o Project Gotham Racing 4 (um Ferrari Enzo em Nurburgring, à chuva = AMOR). Será que se confirma esta tendência de não perder terreno para a PS3? Infelizmente não tem net wireless; tinha de gastar mais 80 euros nisso, e lá se vai o preço bem mais barato. O meu amigo J. não tem, e por isso podíamos jogar os exclusivos de ambas as consolas se eu comprasse esta. Tenho um bocado de receio de levar com um RRoD em cima, embora com as mais recentes este problema não aconteça tanto.

A PS3 tem o Killzone 2 (se as forças armadas portuguesas fossem assim, eu alistava-me) e o Gran Turismo 5 (se resolverem o pormenor de ser possível ganhar tempo fazendo as curvas contra os outros carros, não haverá nada sobre rodas tão sexy como isto). Como o J. já tem, podiamos comprar jogos diferentes, trocar um com o outro, e levar o comando para casa um do outro e organizar umas jogatanas. Será que a consola tem futuro ou tudo não passou de um grande hype?

Ajudem-me a escolher! Convençam-me! Já lá vai o tempo em que podia ter mais do que uma. Agora, a consciência da fase adulta obriga-me a poupar o mais possível. Deste modo, se algum (ou alguma, que as raparigas cada vez mais estão em sintonia com este hobby) de vocês me convencer de forma a não deixar dúvidas, terei sempre um bode espiatório, para o caso de me arrepender da compra.

É um caso de vida ou de morte!


PS: O Mirror's Edge e o Burnout Paradise são muito diferentes de consola para consola? Ora aqui estão mais dois jogos que me deixam a salivar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nicola - Encontros Perfeitos

Um dia digo-te que não és tão importante na minha vida como pensas e que me estou a cagar se te vejo ou não.


Hoje é o dia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Foi por porco

No âmbito da área em que estou a dar formação, estive ontem à noite a visitar um matadouro, onde também se faz a transformação de matéria-prima, para analisar algumas das medidas que poderiam ser melhoradas, comunicando-as tanto a patrões como empregados.

Aquela mistura de cheiro de porco com fiambre, frio e chouriço,não me é estranha, visto que estagiei na Nobre. De certa forma, foi como um regressar às raízes; trouxe-me à memória lembranças lindas de juventude, onde tudo eram descobertas inocentes, e papoilas povoavam campos, juntamente com margaridas. E um quadradinho anexo de terreno para salsa e hortaliças.

O frio inibe bastante os cheiros, e na altura a fábrica estava parada, mas por outro lado estive bem perto das câmaras dos fumados. Seja como for, não saí de lá a cheirar a muito mais do que o habitual desodorizante (tão habitual que uma vez, não tendo a certeza se o tinha posto ou não, e tendo alguns complexos com cheiros, fiz inversão de marcha e fui a casa por desodorizante, resultando este desvio em cerca de 14 quilómetros).

Hoje, quando fui à rua de tarde, e como o casaco que levei ontem não cheirava a quase nada, decidi levá-lo, para arejar um bocado.

Ora eu, que no dia a dia raramente me cruzo com raparigas (labregas não contam), fui-me logo cruzar com a C.

Espero não lhe ter causado repulsa. Se causei, foi por pouco. É que eu nos outros dias do ano não sou assim.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O facto de um homem...

... não gostar de mulheres não significa necessariamente que seja paneleiro. Pode ser só divorciado.

domingo, 9 de novembro de 2008

Filosofia 10º ano

Nem todos os homossexuais usam lenço ao pescoço, mas todos os homens que usam lenço ao pescoço são homossexuais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O ponto a que se chega por causa de uma gaja...

Dizer que se gosta de Mafalda Veiga.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Questões das nossas vidas - 1

No fim de semana estive a tomar café com um amigo e lembrei-me de uma questão pertinente, como poucas há por esse mundo fora.

- Eras capaz de casar com uma mulher sabendo que sexo oral estaria fora de questão até que a morte vos separasse?

- Epá... supostamente, se vou casar com ela, é porque a amo e o resto não importa... mas um broche é um broche...

- Pois.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A toodos uma boa semaaaana

A toodos uma boa semaana.
Deseejo uma boa semaana
Para toodos vós.

Ao som de Esbjorn Svensson Trio - Serenade For The Renegade

Infelizmente as gânfias do Bibi não chegaram ao Coro de Santo Amaro de Oeiras.

sábado, 1 de novembro de 2008

Desafios alimentares

Naquele que acabou por ser o meu último dia de contacto promíscuo com os raios ultravioleta, fui à praia com a minha amiga A. Como uma mulher prevenida vale por um homem desprevenido, levou sumos e bolachas Maria para os dois.

- Aposto que não és capaz de comer dez bolachas Maria seguidas num minuto sem beber sumo! NINGUÉM é capaz, a menos que faça algum tipo de batota! Isto era uma coisa que se fazia dantes na tropa aos soldados.

- É claro que sou! Só dez num minuto? Pffffff! Só não o faço aqui porque tenho vergonha de fazer figuras tristes, e há por aí muita gaja de bikini de olho em mim, com toda a certeza.

Nunca dou parte fraca quando me fazem um desafio. Acabo, no entanto, por nunca os fazer, seja por serem desafios imensamente estúpidos, ou por o desafiante não estar disposto a remunerar convenientemente o urso que se sujeita a estas demonstrações de excelência na imbecilidade.

Nem sequer tinha pensado muito bem no assunto. De facto, se sou capaz de comer dez Marias num minuto, porque é que não haverei de ser capaz de comer dez bolachas, que têm bastante menos xixa?

Mais tarde, às duas da manhã, como se não tivesse já coisas bem mais importantes para fazer, entrando em jogo o meu talento para estabelecer prioridades, a que é que me dediquei? Bolacha Maria.

Metodicamente, coloquei em cima da bancada de inox da cozinha dez bolachas Maria empilhadas em grupos, dois grupos de três e dois de duas (eu até punha de quatro, mas a minha boca não permite), o telemóvel com a opção de cronómetro seleccionada (eu sabia que ainda havia de dar jeito), um guardanapo (em caso de necessidade de higiene pessoal básica) e um copázio de água (não para fazer batota, mas para uma eventual aflicção, que isto ainda são coisas arriscadas).

...

Realmente é praticamente impossível. Já tinha passado um minuto e eu nem quatro completas tinha conseguido comer. Para já, colocar um grupo de três bolachas Maria de uma vez na boca é estar a implorar por aftas, porque ao mastigar as primeiras vezes, formam-se dezenas de bocadinhos aguçados de bolacha que picam que se fartam. Por outro lado, não podendo beber água, ficamos com a boca cheia de uma pasta tão seca que não só custa a engolir como a descolar os dentes uns dos outros. Sendo assim, porque é que eu continuei a comer as bolachas para lá do primeiro minuto???!

Não é masoquismo; sou apenas um apaixonado por análise quantitativa e estatística. Já que tinha dez bolachas ali à frente, ao menos que servisse para ver quanto tempo demorava. Esta teimosia acabou por durar dois minutos e meio, revelando-se do mais puro sofrimento. Parece que ainda agora consigo sentir aquela sensação nojenta de ter a boca cheia de argamassa.

Fiquei mais feliz? Não. Consegui ultrapassar o desafio? Não. Alimentei-me bem? Não. Alcancei um patamar mais elevado na busca da essência do meu ser? Totalmente! Confirma-se a minha idiotice. Idiotice parcial; até aos dias de hoje, em termos de bolachas, deixei de lado a Maria, tendo optado apenas por comer waffers de chocolate*.


* e essas sim, consigo comer dez num minuto sem beber água.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sair do armário

Sou um superficial assumido. Não chega (nem nunca chegará) apenas a qualidade de se ser boa pessoa. Não me despertam o interesse por tão pouco.

Serei especial ou apenas um homem comum?

Apesar de me encontrar num estado febril um pouco mais do que apenas incomodativo, e sabendo ainda assim que vou ter de fazer vários quilómetros para ministrar formação a activos da indústria alimentar, possuo a capacidade de obter erecções de elevada qualidade, independentemente do estado em que me encontro.

Como Dom Afonso Henriques já morreu, presumo ser o único caso vivo em toda a humanidade a ter capacidade para um feito desta firme magnitude.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Paraste-me no tempo e nem te vi

Se eu não fosse engenheiro, acho que seria metereologista, ou então feliz. Sempre que acordo, abro a janela e estico o braço para fora. Há quem tenha um dedo mindinho que adivinha; eu tenho o braço todo.

Mesmo nestes dias de cara duvidosa, o meu braço diz-me exactamente que tempo vai fazer, a temperatura máxima e a mínima, vestindo-me então de acordo com a previsão.

Hoje, não só estiquei o braço para fora, como estiquei também o olhar. À frente do prédio à frente do meu, estavam quatro pessoas frente a frente. Um homem, um rapaz quase homem (não por ser gay, mas por não ter um ar tão adulto como o outro), uma mulher e uma rapariga quase mulher. Tinham documentos na mão; parecia um assunto importante e nada quase, mas somente adulto.

Não consegui ver a cara da rapariga. Com os poucos dados que tinha, dava para ver que fazia totalmente o meu estilo. 1 metro sem saber se é quase 60, se é quase 70, vestida de forma discreta mas a deixar antever que o metabolismo cuidava bem dela, poucos adornos pessoais mas bem escolhidos (portanto, nada de trezentos colares e pulseiras, com unhas vermelhas das mãos a complementar a unha vermelha do dedo grande do pé a espreitar por sapatos abertos no dedo grande do pé). Parecia quase que tinha um post-it colado na parte de trás do casaco a dizer "sabes tão pouco sobre mim mas já estás mortinho por me conhecer, não é?".

Ficaram à frente do prédio à frente do meu durante 10 minutos. Nenhum elemento do grupo mudou de posição, apesar da conversa continuar acalorada. Já estava a ficar impaciente; tinha de ir acabar de preparar material para a formação (já que não convém ir para lá encher chouriços, embora às vezes, sinta que estou a dar pérolas a porcos), mas ela nunca mais se virava.

A minha vontade era de ir até à rua descalço e de pijama, mas decidi que seria prudente esperar mais 5 minutos. Nada. "Vou só escrever mais duas frases de que me lembrei agora; e são pormenores importantes".

Quando voltei à janela, tinhas desaparecido. Perdi 15 minutos, ausentei-me por 30 segundos porque há trabalho para ser feito, e acabei por não tirar as dúvidas que tinha sobre ti. Estúpida.

Agora estou aflito para ir à casa de banho, mas a urgência em acabar isto deixa-me ficar na dúvida se a aflição não será, em parte, por ter o trabalho atrasado. Oxalá a bexiga aguente.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Sobre casas de banho

Fico para lá de aborrecido quando, tendo de me servir de uma casa de banho pública, reparo que a torneira deita água com pouca pressão, não a projectando o suficiente para o meio do lavatório. Se quero lavar as mãos bem lavadas, vejo-me forçado a roçar com elas na loiça sanitária, o que é um nojo. Na minha casa é uma coisa, mas na rua não há distinção. Seja sanita, bidé ou lavatório, tudo é nojento.

Irritam-me também as gajas que se queixam dos homens que não baixam a tampa da sanita. É que cada vez mais reparo que há demasiadas mulheres que também não o fazem; sim, porque baixar a tampa, significa BAIXAR A TAMPA TODA, NÃO É SÓ O ARO.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Já sou um adulto / Matei um perú.

Antes que pensem que sou a pessoa mais horrível do mundo (apesar da crueldade, na minha terra, não excluir sensualidade), por achar que sou um adulto só porque matei um perú, desenganem-se. Os factos não estão relacionados. Aliás, provavelmente nem era um perú e nem o matei. Porra.

Quando era piqueno, nalgumas aulas, achava sempre muito engraçado quando os adultos (lá está, são adultos), evitavam aquelas palavras com mais piri-piri, só para parecerem, lá está, mais adultos (pensava eu). Isto aconteceu, portanto, até aos meus 25 anos.

Como este mês a formação que estou a dar é sobre Higiene e Segurança Alimentar, mais tarde ou mais cedo teria de falar em microrganismos que usam a merda como os betos usam as discotecas. Na primeira vez que tive de dizer a palavra, fiquei assim um bocado "então mas agora como é que vou dizer merda?". Ainda pensei em dizer "fezes", mas é daquelas palavras com que um gajo se caga todo a rir, independentemente da circunstância em que seja usada. Quando eu tiver filhos e o médico me disser "o problema do seu filho não é só ter as fezes muito líquidas; esta gastroenterite vai deixá-lo de cama uns três meses", provavelmente vou-me escangalhar a rir antes de conseguir raciocinar convenientemente. Seja como for, a palavra que me saiu, em alternativa, foi "dejectos".

Dejectos. Boa. Um gajo estuda, é inteligente, é sensual (característica que é impossível realçar demasiado), tira um curso, e não se consegue de lembrar mais nada sem ser dejectos. A seguir saiu-me "matéria fecal". Tá melhor. Tá melhor, mas mesmo assim não conheço muitas gajas que se sintam atraídas pelo tipo de gajo que diz dejectos e matéria fecal todos os dias (e várias vezes ao dia, enquanto foi preciso), excepto ao fim de semana. Aliás, não conheço nenhuma, e ainda bem (ainda bem ou ainda mal?).

Percebo agora, portanto, que sou um adulto. Estou a fugir cada vez mais às palavras. O fim de semana não chega para dizer a quantidade suficiente de foda-ses, merdas, caralho puta da velha que nunca mais anda com o charuto no raio da rotundas, cus e mamas de que preciso para andar mais solto e me sentir um membro normal da nossa sociedade. Pareço uma pessoa cheia de profissionalismo durante o dia e outra coisa qualquer à noite. Sou, no fundo, como um super-herói, um Super Homem da formação profissional. Sério de dia, eléctrico de noite. É normal. Tanta seriedade leva a que uma pessoa venha cheia de energia pela autoestrada fora após acabar de se auto-reprimir, depois de um dia de formação, sobrando apenas uma incomensurável vontade de soltar a franga.

Isto faz-nos voltar, portanto, ao perú. Tudo bem, talvez não fosse um perú. Agora, que era grande, tinha asas, e vinha a voar de forma meio bêbeda, lá isso vinha. Senão, não lhe tinha acertado.

Eu vinha todo emocionado a cantarolar. A certa altura comecei a gozar comigo próprio, esticando para a frente o pescoço e puxando-o de novo para trás, ao ritmo da música. De repente só oiço pum (e até nem tinha comido nada de especial) e vejo um par de asas a esbracejar pelo capot fora. Felizmente não lhe acertei bem bem de frente, senão tinha deixado mossa. Eu bem que fiquei naquela dúvida "matei um ser vivo a sério, sem ser desta insectalhada que se apanha dos 140 para cima, ou o bicharoco ainda vai sentir ar por aquelas guelras fora por mais uns tempos?". Não sei. Foi tudo muito rápido. Tão rápido como o meu retomar do cantarolanço pela noite fora.

E agora, se me dão licença, tou aflitinho para ir pegar na pila e a levar a urinar. Pila não, pénis.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ainda bem que...

... tenho o armário da casa de banho cheio de rolos de papel higiénico, porque vai começar mais uma semana de merda.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Devia...

... estar a completar uma sessão sobre noções de Microbiologia. Em vez disso dou comigo a ler sobre piratas. Link leva a link, leva a link... Ao menos não fui parar a nada pornográfico*.



*ainda.

Regalias não monetárias

A julgar pelo sucesso que o início desta unidade formação teve entre um dos grupos novos (e tendo em conta o ramo em que operam), quer-me cá parecer que vou ser contemplado com um abastecimento de enchidos para o resto da vida toda.

Digam-me é como é que eu lhes vou explicar que, quanto tinha seis anos, vomitei três pães com chouriço que comi de seguida e me fizeram mal. A partir daí, comidas similares, só salsicha em lata.

Chuto na veia de poeta - 2

Apesar de todos os factores cheguei bem,
Embora quase tivesse ficado sem gasolina em Santarém.
O medo de parar fez-me andar apenas a oitenta,
Tornando-se a viagem assim, muito mais lenta.

Se isso acontecesse não poderia pedir a ninguém seus préstimos,
Uma vez que disponha no meu telemóvel de apenas cinco cêntimos.
Valeram então os oitenta e o ponto morto nas descidas,
Senão, morto estava eu e as formações de amanhã fodidas.

É que tenho muita coisa para preparar,
E o tempo, por passar, sempre aperta.
Há que à empresa agradar
Se quiser ter remuneração certa.

Poderão achar que nesse caso
Investir tempo em poesia é desperdício
Mas o ser português dá azo
A que nem seja um sacrifício.

São só 10 minutos perdidos
Só por isso já se justifica.
A qualidade é que prontos...
O melhor mesmo é parar e ir comer ovos moles que isto sem a barriguinha cheia a cabeça gosta é de ver o programa das operações plásticas do canal E! Entertainement.


PS: para quem não percebeu, a última estrofe faz parte da quadra. É um estilo novo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Adenda ao post anterior

Arroz de salsichas e gelado de café.

De Formação

E pronto, lá cheguei eu a casa vindo de cascos de rolha. Neste momento já dá para fazer um ponto da situação. As coisas com a primeira turma correram muito bem. Se calhar, um pouco por causa disso, entrei com a segunda um bocado à campeão, sem me lembrar que eu até nem sou grande "pro" na matéria e que se não tiver cuidado fico sem assuntos relevantes para puxar. Amanhã começo com mais duas; vamos lá ver.

Até me safo bem mas, sinceramente, o mundo precisa mais de mim a tocar guitarra que outra coisa. Sou um bocado como o Nuno Gomes. Safa-se bem como avançado, mas se estivesse a passar roupa para a Fátima Lopes* até era capaz de dar mais nas vistas.

Agora vou mas é comer arroz com shalshichas, que o meu jantar foi uma ferradura de gila às sete e meia da tarde.


* ela não faz roupa para homem, pois não?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Linguística

Neste post do blog da Lúcia, ela exibe a seguinte preocupação:

"E uma dúvida. Se alguém me souber responder agradeço: Diz-se bicha ou fila?"

Lúcia, diz-se bicha, como é óbvio. Não vais gritar "não tens vergonha de descascar batatas em palitos com o rabinho, ó filona do caralho?" no meio da rua, pois não?

Vivo para ajudar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Casamento

Há pouco tempo, estava a dar um programa de informação na Sic Notícias (salvo erro), que tinha um daqueles espaços abertos a participações por sms. O tema era o casamento entre homossexuais. Numa das mensagens lia-se:

"Os casamentos entre homossexuais deviam ser permitidos porque eles também têm o direito a ser infelizes."

Ora bem.

Formação profissional - Dia 1

Não gosto muito de títulos; acho que se lhes dá demasiada importância em Portugal, normalmente para compensar complexos de inferioridade. Seja como for, mal por mal, prefiro que me tratem por engenheiro a doutor. É que um engenheiro, para além de pensar, ainda se mexe um bocado. Para todos os efeitos, contentar-me-ia apenas com um "Oh Ser Feito De Luz Que Descesteis Dos Céus Num Vôo Glorioso De Compaixão E Sapiência". No papel, como não fiz o doutoramento, teria de aparecer somente "OSFDLQDDCNVGDCS. Pedro M". É ligeiramente menos pomposo que doutor ou engenheiro, e eu gosto de me manter alguma humildade.

PS: Se nalgum blog que costumem ler virem escrito algo do género "ai agarrem-me que este formador novo é tão bom que estou capaz de ir cometer uma loucura do género de ficar a tirar dúvidas durante uma hora após o final da formação apesar de saber que vou levar uma sova do meu namorado por não ir ter logo com ele", é provável que estejam a falar de mim.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mudei de diversão nesta feira popular que é a vida.

Quando tirei o CAP, foi-me impingida a ideia de que um formador é um palhaço (sim, tenho o dom de ver para além dos eufemismos). Há que encher balões e dar pinotes para manter os formandos interessados. Ai de nós se formos muito expositivos, seja qual for a matéria. O mal da formação pedagógica inicial de formadores é ser normalmente dada por pessoal que percebe pouco para além dos recursos humanos e dos cursos de equivalências menos exigente e não compreende as necessidades do mundo real.

Pois bem. Amanhã começo oficialmente a dar formação na minha área como principal ocupação. Uma coisa é certa. Ninguém vai reter conhecimentos divertindo-se. Aliás, não há aprendizagem mais bonita do que aquela que é feita com base na frustração.

Ali, quem manda sou eu.


PS: Se me chatearem demasiado, até já tenho esta preparada:

- Mas ouça lá! Quem é que é o engenheiro aqui? Sou eu ou é você? Cale-se.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

You may now kiss the bride.

Peter: Kiss her? I'm going to destrooooy her...
in "Family Guy"

...

Se eu fosse religioso, esta seria a minha bíblia.

domingo, 28 de setembro de 2008

É Fútil Resistir

Raramente uso o elevador do meu prédio. São só dois andares e felizmente tenho muito boas pernas. Há apenas três ocasiões que me fazem usar o elevador: estar carregado com coisas, estar acompanhado por uma gaja (se for boa, pela proximidade e pelas situações que isso suscita), e se estiver bem vestido. É que um gajo acha que tem bom gosto e que está em boa forma, mas nada como um espelho para confirmar que está com algum poder no corpo.

E não é que estava? Hoje saí mesmo um bocado a atirar para o bom. Bem vestido, a roupa assenta bem, pose à patrão mas sem dispensar um ar simpático... e no entanto, depois de olhar para o espelho, e especialmente comparando com outros casalinhos que se vêem para aí, foi inútil tentar não soltar um "mas como é que eu não tenho gaja?". A verdade é que nenhuma olhou para mim de forma demorada (pelo menos que eu visse, mas seja como for o meu radar é bem apurado).

Ainda por cima, ontem disseram-me que eu estou a ficar fútil. Fiquei contente, porque só sendo fútil é que uma pessoa se pode concentrar naquilo que é realmente importante na vida.

sábado, 27 de setembro de 2008

Tão cedo não vou precisar de ácido tartárico...

... para lavar as mãos, já que o mosto tinto é tramado para desaparecer. É verdade, despedi-me. Ontem fui lá fazer as contas e pronto. Já não tenho paciência para explicar as razões que me levaram a esta decisão, portanto digo apenas que ganhar 4€/h a fazer um trabalho que é estupidamente inferior às minhas competências, de manhã à noite, não é propriamente a coisa mais motivante do mundo. A minha mulher a dias ganha mais e não tem de fazer nem um décimo da merda que eu fazia.

Felizmente parece que as coisas em Outubro vão melhorar bastante (mais uma razão para ter cagado naquele trabalho à grande). Uma coisa já deu para perceber: nunca me vou conformar com outra coisa sem ser aquilo que quero. Até me posso dar muito mal com esta perspectiva (que muitos chamarão de afunilada, mas eu quero que se fodam), mas quem cedo se conforma acaba por passar dias muito merdosos. Seja como for, pelo menos neste caso, larguei de vez o vinho.

domingo, 21 de setembro de 2008

Não me venham dizer que às vezes é preciso fazer sacrifícios...

... que mando-vos já a todos pró caralho, mas mesmo assim sem pinga de exagero. Este trabalho é uma merda e, felizmente, no final de Outubro conto já estar em metido em coisas melhores, nem que seja nos semáforos a lavar limpa-parabrisas.

Ontem, por exemplo, estava com uma das minhas colegas a recolher amostras de um dos depósitos. O Sr. Atrasado Mental (não se chama assim, mas devia), decide começar a preparar as soluções antisépticas mesmo por baixo do sítio em que estávamos. Quando estava a ler a densidade e temperatura do conteúdo de uma das cubas, começo a tossir ligeiramente. Pensei que não devia ser nada, porque de manhã eu já não estava grande coisa. De repente começamos a tossir os dois, até não conseguirmos respirar nada sem ser amoníaco (aquilo arde quando entra nos pulmões, é assim uma coisa a atirar pró chatinho). Apesar da estrutura ser alta e cheia de obstáculos, o instinto só nos mandava correr dali para fora. Quem estava cá em baixo tinha na cremalheira aquele ar de gozo na cara do género "ai os engenheirozitos não aguentam cheirinho que não seja o de perfume e nem pode ser daquele que se vende na feira de Santana", mas assim que aquilo se espalhou até a um dos tegões, começou tudo a afastar-se. Só o senhor Resistente A Tudo é que ficou lá em cima. Sempre são 30 anos daquilo. Uma coisa é certa: nunca verão uma pessoa bonita e bem cuidada a fazer a vida do Sr. Resistente A Tudo.

Quando era mais novo e, ao cumprimentar alguém, esse alguém me estendia o antebraço e não a mão, por a ter demasiado suja, eu pensava para mim "Someone has a really crappy job...", embora em português (mas assim o efeito é mais descritivo). Anteontem eu tornei-me numa dessas pessoas. Ali uma pessoa anda sempre cagada, e não é do rabo. Um pequeno à parte: há bocado estive a cortar as unhas mesmo rentinhas, porque tinhas as unhas pretas por baixo, como as mãos dos trabalhadores do campo com ar mais pobre, à conta do mosto dos tintos. Mesmo assim, é bem melhor sujar-me com esse mosto do que com aquele que vai para as torres. Essas são fermentações muito fodidas e vinhos muito merdosos: parece diarreia.

Eu nunca fui muito de coçar os tomates. Não fui educado nesse sentido e nem sequer tenho as unhas dos dedos mindinhos bem compridas (e agora muito menos, por causa do supracitado mosto dos tintos). Percebo agora, no entanto, a importância de ter tempo para os coçar. Se já quem não tem testículos gosta de ter um tempinho livre para descansar, imaginem-me a mim, que nasci com dois. Ainda por cima passo o tempo quase todo de pé, de um lado para o outro. Habilito-me a ganhar varizes nas pernas e micoses na salada.

Esta merda é assim de manhã à noite. Toda a gente me diz para eu olhar pelo lado positivo, e acreditem que eu bem faço esse esforço. "Há sempre alguém pior". Pois há, foda-se. Pois claro que há. Há gente com problemas motores, há gente com reformas miseráveis, há gente que dorme na rua, há gente que compra roupa na Bershka. Mas porra, também há gente muito melhor e esta não é a vida que idealizei para mim, seja coisa temporária ou não. Deixem-me lá queixar em paz durante um bocado. A única coisa em que consigo pensar no final do dia é que não aprendi nada que contribuisse para a minha felicidade, não estou mais rico (estou apenas ligeiramente menos pobre), não tenho energia para mais nada, sem ser comer gelado e ir prá cama, e amanhã repete-se tudo de novo. Já nem sequer ando carente! Uma gaja que queira festa, neste momento, com o cansaço que tenho, vai ter de me comer por cima e fazer ela o trabalho todo. Comprometo-me apenas a tirar os boxers e pouco mais.

Mas vejamos pelo lado positivo: amanhã posso sempre espetar-me na A8 de manhã, antes de chegar ao trabalho. Se for de noite, depois de voltar de lá sujo e cansado, é que já vou achar que foi demasiado irónico por parte do Deus, do Jesus, e do Espírito Santo.

PS: Sempre que uma pessoa se baixa, especialmente se for gente rude do campo, mostra-se mais um rego ao mundo. Eu adoro cús, mas ando a ver demasiadas bordas de forma não solicitada (e do sexo errado) para o meu gosto. Esquisitices.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dia 3

No meio de um laboratório bastante grande e com algum aparato, está esta plaquinha afixada na parede de forma muito sossegadinha. Era como se quem a pôs lá, ainda antes de eu ir trabalhar para ali, tivesse previsto que eu ia. Leio-a várias vezes ao dia. Tenho-lhe carinho. Talvez a roube quando souber que tenho de me ir embora. Pronto, não convém ser no último dia, senão apanha-se facilmente o culpado.

Isto de passar do 8 para o 80 é tramado. Digamos que, para conseguir acordar, tenho de dizer todas as asneiras que conheço. A manhã até se passa muito bem, mas depois do almoço a minha cabeça já não consegue funcionar lá muito bem. A certa altura, numa sala menos iluminada, julguei ver um saco bem grande de amendoins e exclamei:

- Ena, amendoins!

Era só um sacalhão de rolhas que se foram acumulando das garrafas para amostra.


PS: Já sei que vão ficar cheios de pena, mas infelizmente não tenho histórias para vos contar sobre labregos. As pessoas com quem me tenho cruzado têm sido simpáticas, civilizadas e educadas, mesmo nos mais "baixos" cargos. Será do grau?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

domingo, 14 de setembro de 2008

De que é que serve ter "muitas" amigas...

...se precisamente no último fim de semana de liberdade (raisparta a vindima ou o caralho) nenhuma está disponível para sair?

Adenda: E seja como for é inútil ter amigas, porque não é com amizade que se perpetua a espécie.

sábado, 13 de setembro de 2008

Afinal...

...tou fodido. Este mês queria tentar pôr um post (minimamente relevante) todos os dias, mas não sei se vai ser desta. Se não o fizer, já sabem que não deu para ir dormir a casa.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E eu que nem sequer gosto de vinho.

É muito cedinho para se estar acordado, mas a verdade é que este corpinho já está na vertical, para juntar ao facto de não me estar a sentir lá muito bem. A culpa é toda do vinho.

Como a vidinha não anda fácil, aceitei este mês ir para o laboratório de uma adega, para fazer as análises durante a vindima. Enfim, assim se dá mais um passo (forçado) para longe da vocação. Pode ser que não seja tão intensivo como estou à espera e dê para conciliar com algumas coisas que até dava jeito serem feitas agora. Pelo menos vou ser pago principescamente (temos é de ter como bitola a monarquia nepalesa).

Eu até conheço aquela adega. Brincava lá quando era miúdo. Aquilo tinha rampas bué fixes para saltar de bicicleta, tinha montes de sapos e o cheiro, apesar de nauseabundo e enjoativo, não nos incomodava, porque sabíamos que a qualquer momento podíamos ir embora dali. É irónico que amanhã, apesar de ter um carro, que é muito melhor que uma bicicleta, eu não me possa ir embora se me apetecer. Temos pena. Ninguém me tira é da cabeça que este é, de longe, o pior trabalho que um ser humano pode ter de desempenhar.

Já me estou a imaginar a precisar de ir a alguma loja à pressa, no final de um dia em que tenhoaconseguido sair um bocado mais cedo, e as pessoas a darem um passo atrás e pensarem "coitado, tão novo e tão bonito, e já está metido na pinga". É melhor levar um escafandro e um cabo muito grande, para quando tiver de recolher amostras (nome bonito para "quando tiver de me cagar todo"). É o inferno, minhas senhoras e meus senhores, o inferno.

Não faltarão histórias sobre vinho e labregos durante os próximos tempos. Está garantido.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Reinterpretações (entre o sol e a lua)

Há uma música nova do Ricardo Azevedo (ex-vocalista dos Ez Special) chamada "Entre o Sol e a Lua", que tem passado incessantemente na rádio. O pessoal até mandou chamar o apoio técnico, com medo de que o equipamento tivesse bloqueado naquela faixa, mas não. As playlists são mesmo assim.

Como não podia deixar de ser, o poema desta música do Ricardo (e de resto, à semelhança do "Pequeno T2") é lindíssimo. Só não o é mais porque já existem trezentas e quarenta e sete mil, novecentas e duas músicas de amor com as palavras céu, sol, luar, estrelas, coração e nuvens dentro da mesma música (a ironia é a de que, se errei no valor, foi provavelmente por defeito). Como prova da sua beleza, deixo aqui, para vossa contemplação, esta missiva de amor, juntando apenas uma alteração que penso fazer todo o sentido (que não seria possível sem a ajuda do meu amigo J., ele próprio um admirador incondicional dos registos fonográficos do Ricardo). Fã que é fã não só aplaude, como ajuda. Já eu, faço outra coisa qualquer.


Entre o Sol e a Lua (letra de Ricardo Azevedo e Pedro M.)

Se hoje te dissesse que o sol brilha só para ti
Que as nuvens partiram e levaram a sombra que nos
tentou afastar.
O dia vai acabar
Vou oferecer-te o luar
Porque o céu não é de ninguém.

...

Vem comigo esta noite
Vem comigo esta noite
Agarra a minha mão, dou-te estrelas, o luar.
Se isso não chegar, ouve bem esta canção.
Hoje dou-te...
Hoje dou-te...
Hoje dou-te com o meu salsichão.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Momento da Verdade

Não sei se viram ontem a versão portuguesa do programa original da Fox. Eu não costumo ver televisão, mas este tinha de ser. A curiosidade foi mais forte do que eu, e quis ver como é que um formato daqueles se traduzia para um país como o nosso. Tinha algum "receio" de que as perguntas fossem mais ligeiras, já que somos um povo de brandos costumes. "Felizmente" não. No entanto, fiquei parvo com a capacidade da Teresa Guilherme de transformar (ou de deixar transformar) a merda que aquele gajo fazia na vida em virtudes. Para quem não está por dentro do assunto, os concorrentes respondem a 21 perguntas sobre a sua vida privada, a maior parte delas bem puxadas e que exploram todos os seus podres, submetidos a um polígrafo. Depois, no concurso propriamente dito, ao jeito de "Quem Quer Ser Milionário", basta o concorrente ir respondendo sempre com a verdade para ir progredindo em termos monetários.

O gajo que concorreu teve a lata de dizer que aquele programa lhe servia para ele desabafar em público e corrigir erros que andava a fazer. Eu acho que ele apenas fez dois erros na vida. O primeiro foi o de ter nascido; já não dá para corrigir. O segundo talvez ainda vá a tempo, que é o de ser um labrego do caralho.

Desde trair a mulher com várias mulheres e sem usar preservativo (mulher essa que sorria amareladamente e batia palmas a cada pergunta que o marido acertava, ainda que isso significasse ter respondido afirmativamente ao facto de ter ido às putas), a não se esforçar nem gostar de brincar com a filha (sim sim, desculpa-te com essa treta de não gostares de bonecas)...

É engraçada também a existência daquele botão que é utilizado para salvar o concorrente de uma pergunta. É claro que se lhe perguntam se, durante o casamento, foi para a cama com mais de 15 mulheres e o amigo vai a correr carregar no botão para ele não ter de responder, a resposta está mais que dada, não? E, para quem não viu, isto não sou eu a fazer uma piada. Esta pergunta foi realmente feita.

E que dizer dos patamares que permitem chegar com segurança a determinadas quantias de dinheiro? A julgar pelo programa de hoje, imagino uma sequência deste género para a próxima semana:

- Praticou sexo anal com a sua sogra na casa de banho do serviço de endocrinologia do Hospital Curry Cabral?

- ... pffffffff (suor a escorrer da testa)... Sim, é verdade.

A RESPOSTA É... VERDADEIRA!

- Parabéns, respondeu acertadamente à ultima resposta deste nível e encontra-se agora no patamar dos 10mil euros! Estes são seus, já ninguém lhos pode tirar!


Resumindo: há um monte de merda que tem mais 25 mil euros na conta. Só não ganhou mais dinheiro porque a certo ponto decidiu parar, invocando que a família era uma prioridade para ele, que a queria resguardar (é claro que ele não disse isto desta forma, tendo em conta que era um burro de merda que mal sabia falar), e que o dinheiro era importante mas não assim tanto. Meu grande palhaço, tu só não continuaste porque as perguntas iam começar a ser ainda mais puxadas e essa cara de pau já não aguentava muito mais, de tanto caruncho que tinha. Se não querias expor a família nem ias lá.

Não só ganhou 25 mil euros como foi fortemente aplaudido, como se revelar aquele tipo de conduta fosse prova de honestidade. Foi apelidado de homem de desafios e o seu progresso na carreira militar foi enaltecido. Tá tudo doido.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Uma amiga minha...

... que é assistente social, tem a seguinte frase no messenger:

"Solidariedade não é dar o que nos sobra, mas sim dar o que nos faz falta..."

Bem me parecia que eu era uma pessoa muito solidária e com vontade de me dedicar ao bem alheio. É que apesar de ter falta de sexo, o que não me falta é vontade de o andar por aí a distribuir.

Momentos mais tarde, a mesma amiga diz:

- Estou à procura de um corte de cabelo que me agrade.

- Eu também. Convém é que tenha um bom corpo por baixo.

...

Entretanto há um amigo que me diz:

- Foda-se, tou a ver que te tenho de levar às putas. Eu pago e tudo.

- Nunca na vida eu aceitava uma coisa dessas. Conheces bem o meu lema "Recorrer à prostituição é assumir uma derrota".

- Eu arranjo maneira de tu nunca saberes e tau.

- Pois, mas sabes bem que se eu tiver sorte com alguma gaja assim sem mais nem menos, vejo-me obrigado a desconfiar, a menos que seja muito feia. Mas também se for feia não quero.

- Eu pago-lhe para te ir seduzindo ao longo de alguns encontros, e depois já não tens razão para desconfiar.

...

Moral da história: nunca mais vou cobrir na vida porque vou andar sempre de pé atrás. Pronto, venham lá os tremores e os suores frios.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

domingo, 7 de setembro de 2008

Porque é que será que...

... sempre que um rapaz combina um café com uma rapariga que ainda mal conhece, as pessoas assumem logo que ele só quer é pôr a pobre coitada fora da garantia?

E que rapariga é que ainda acredita que um rapaz, ao convidá-la para jantar, não tem, no mínimo, algumas esperanças de a ter sobre a mesa à ceia e com direito a pequeno almoço?

sábado, 6 de setembro de 2008

Enunciado para um possível exercício de Probabilidades e Estatística 1

Qual é a probabilidade de uma jovem de cabelo louro platinado, mini-saia (ou será maxi-cinto?), sandália de salto altíssimo e maquilhagem extremamente exagerada não ser prostituta?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

As receitas do Pedro - 1

Para muitos homens (e algumas mulheres) que saíram há pouco de casa dos pais, as rotinas alimentares entram, sem grande tempo para adaptação, numa fase caótica. Os alimentos que mais facilmente deixam de fazer parte do quotidiano são a sopa e a fruta, precisamente os que mais falta fazem numa alimentação saudável. Já em termos emocionais, o recém-emancipado vê-se privado de bolos e doces. Deixarei a vertente pasteleira para outra edição desta nova rubrica.

Quanto à fruta, levantem o cu da cadeira, comprem-na e descasquem-na. Nada mais fácil. Já relativamente à sopa, percebo que seja mais complicado, especialmente para quem nunca cozinhou na vida.

Se querem manter a linha, não se podem desleixar com a comida depois de se tornarem independentes! Por isso, mesmo que não gostem nem de sopa nem de cozinhar, sugiram que façam um esforço, a bem da manutenção das hipóteses de manter uma vida sexual normal. Mesmo para aqueles que já são parte integrante de uma relação duradoura e gratificante, convém ter sempre bom aspecto, pelo sim pelo não. Boas amantes não há por aí a potes.

Vamos lá à receita propriamente dita. Fazer sopa é muito fácil:

  • Em primeiro lugar, é preciso arranjar uma panela grandalhona. Há que comer sopa todos os dias (pelo menos uma vez), mas cozinhar é chato; por isso, fazê-la todos os dias é burrice. Isso faz com que uma panela grandalhona não seja nenhum erro, apesar de ser só para uma pessoa. Deste modo faz-se logo sopa para mais tempo. Se fosse para uma família inteira, já teria de ser uma panela grande comó caralho, mas neste caso a grandalhona serve.
  • Depois descascam-se batatas. O volume é conforme a larica. Se forem alarves descascam muitas, se forem piscos, cortam poucas. A batata é a cena geral da sopa. Tem de haver uma cena geral. Há quem faça de cenoura e de abóbora. Cenoura ainda gosto, mas o pessoal que faz com abóbora pode mas é ir mamar. Não gosto, logo ai de quem goste.
  • Põe-se a panela ao lume com a batata, para cozer e ficar bem molinha. Eu tenho um segredo, que torna a sopa especialmente cremosa, que é juntar água. Vou juntando a olho, até cobrir a batata, e depois vai-se continuando a juntar até acharmos que está fixe. Nunca falha.
  • A partir daqui, o fazer sopa é tão bonito como reintegrar ralé num bairro social. Uma pessoa vai metendo todo o tipo de merdas ao calhas lá para dentro (neste caso da sopa, e não do bairro social, embora também lá vá parar muita) e fazendo experiências. Uma colherzinha de azeite (porque umas gorduras fazem sempre bem, embora não saiba bem a quê; se já tou a gastar tempo a fazer sopa não tenho pachorra para ir ver essa treta da roda dos alimentos e do corpo humano e das vitaminas), um bocadinho de cebola, cogumelos, delícias do mar. Epá, é como eu digo. Desde que os ingredientes sejam bons, também não pode ficar muito mal. Seja um pacote de ervilhas pré-congeladas ou parte do golden retriever da senhoria, desde que tudo seja mexido com carinho, é meio caminho andado para ficar uma sopa mesmo daqui (neste momento tirei as mãos do teclado e agarrei no lóbulo da orelha direita, tendo-o abanado de seguida).
  • O sal é uma questão de gosto. O que não é uma questão de gosto é, após provar a sopa para ver se precisa de mais uma pitada, voltar a colocar a mesma colher de pau na panela, no caso de sabermos que não vão ser os únicos a comê-la. Está erradíssimo, a menos que tenham muito à vontade com a(s) outra(s) pessoa(s), visto que parte integrante da intimidade é a badalhoquice.
  • Depois vai-se mexendo. Se tiverem acesso a um portátil com internet de banda larga, o processo de mexer a sopa torna-se mais fácil, se o acompanharem do visionamento de sites eróticos. Fica um creme que é uma maravilha.
Fácil, não acham? Já agora ensino-vos mais um truque meu. A sopa sabe sempre melhor no dia a seguir. Por isso, enquanto a põe no frigorífico, pegam numa saqueta de creme de cogumelos da Knorr e ficam o assunto resolvido a curto-prazo. Aliás, se vocês não forem parvos, em vez de terem trabalho a fazer sopa, terão carradas de pacotinhos na dispensa.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Até quando...

... é que é socialmente aceite eu andar na rua de havaianas sem ser confundido com um brasileiro?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Já toda a gente percebeu...

... que foram ao Sudoeste. Mas não acham que já era tempo de tirarem as pulseirinhas? Ninguém (pelo menos de jeito) vos vai saltar em cima apenas à conta disso.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

To hi5 or not to hi5, there's absolutely no question.

Estou prestes a apagar a minha conta do hi5. Pela segunda vez. Continuo sem perceber para que é que serve.

Para começar, quem acha que tem realmente mais de 500 amigos, precisa de mandar umas fodas e das boas. A julgar pela lista de amigos de muito boa gente, parece que, no dia a dia, apertam a mão ou dão dois beijos a cada pessoa em quem, involuntariamente, roçam na rua.

Se eu quero fazer justiça à amizade que tenho com uma pessoa, combina-se um jantar ou outra coisa qualquer. No mínimo liga-se para o telemóvel. Agora, andar a substituir esse tipo de contactos por testemunhos nos perfis e toda aquela bonecada foleira (já vi mais rosas e ursos de peluche no hi5 do que na vida real) é bem mais estúpido do que fazer a A1 toda em marcha-atrás.

Eu até percebo que haja uma certa curiosidade em procurarmos pessoas que não vemos há algum tempo, vermos uma foto ou outra para sabermos se estão com bom aspecto ou não, e por aí fora. É legítimo. No entanto, neste momento já nem sequer é possível pesquisar pelo nome. Somos levados à cusquice, se queremos descobrir alguém, vasculhando nas infindáveis listas de amigos.

O uso que é dado às secções de fotos é de uma futilidade bem maior do que a tara da Imelda Marcos por sapatos. Mostra-se demasiado da vida de cada um. Da vida e do corpo. Porra, eu gosto comó caraças de mamas e cus, mas há fotos que não só são susceptíveis de provocar vergonha a quem as põe no seu perfil (ou melhor, deviam mesmo provocar), como muitas das vezes até a própria pessoa que as vê fica com aquela sensação de vergonha alheia.

E mais: se as minhas filhas andassem a mostrar as mamas naqueles ângulos, já para não falar em certas fotos em roupa interior (que de tão interior parece estar a migrar para dentro do corpo), apanhavam mas era um par de bofetadas. Acabava-se o telemóvel e a net e não bufavam. Sair à noite só se fosse para levar o lixo para o contentor. E ai delas que tentassem fugir de casa. Iam desejar ter conseguido.

Parece que no hi5 há duas faixas etárias maioritárias. 89% é constituído por indivíduos dos 15 aos 25 anos; 10% por gente dos 40 para cima que acha muito moderno ter hi5, ainda que andem apenas a espalhar comentários pedófilos em perfis de (é com cada poema e lema de vida que não sei se hei-de rir, se vomitar), lá está, miúdas a mostrar o colo das mamas no ângulo morangos com açúcar, e 1% para meia dúzia de gatos pingados que, como eu, nem sabem bem como foram lá parar. Ou melhor, até sabem. "Tenho hi5, logo, existo". É este tipo de pressãozinha que lá vai empurrando o resto a abrir uma conta, na tentativa de se manterem jovens e dentro das práticas sociais comuns.

E esta mania de se comentar todo e qualquer peidinho que alguém da lista de amigos dá? Ai vamos lá mostrar como somos fofinhos. A seguir a cada foto, mostrando todo e qualquer lugarejo a onde fomos, juntam-se descrições como "fim-de-semana de sonho em Benidorm", seguido logo de comentários do género "Ai foste a Benidorm? Ai adoro-te sua porca. Fazes cá falta. bEiJuHs tOnTuHs ********".

E a quantidade de casais disfuncionais que teimam em achar que não cegam a vista a ninguém se fizerem o upload de 50 fotos juntos, cada uma mais leprosa que a anterior? A culpa também é dos comentário de incentivo do género "que queridos, merecem o mundo, foram feitos um para o outro". Sim, foram feitos um para o outro. Como a bosta e a varejeira.

Agora até há um reality show baseado no hi5 chamado Ícones. Dão aos participantes 500 euros de 15 em 15 dias, um carro, um portátil e um telemóvel (a produção do concurso chama-lhe "kit de sobrevivência", eu chamo-lhe "vocês se não são atrofiados dos cornos imitam bem") e é vê-los a andar de nariz empinado, como se fossem putas a passear nas esquinas, com ilusões de serem das de luxo. Levam-se demasiado a sério. Parece que os critérios do concurso são o número de amigos que se tem, as visitas que se recebem e a quantidade de comentários que é deixada no perfil. Foda-se, tenham juízo. A solução para essa gentinha era muito simples. Esta merda passava-se a chamar o Heil5 e iam todos para um campo de concentração levar com gás na tola. Queria ver depois quem era o ícone.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

sábado, 30 de agosto de 2008

Educar...

... é muito mais do que baptizar, do que "não faças isso", do que "não digas asneiras", do que "quando se acaba o gelado não se lambe a taça", do que "não mexas no vídeo", do que "diz obrigado ao senhor", ou até mesmo do que "tem cuidado com aquele teu tio de bigode, careca, gordo e solteiro".

Se eu ao menos conseguir fazer isso com os meus filhos, talvez haja menos uma família disfunccional no país.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Novo Cabeçalho

Ainda só tenho 27, e a crise de meia-idade já está a atacar. Imaginem vocês que decidi mudar toda a minha personalidade. Comecei pela parte mais fácil, que é alterar o cabeçalho do blog. O resto logo se vê.

Admito que, para as expectativas que eu tinha, acabou por ser uma iniciativa de merda. No entanto, tendo em conta que na minha cabeça só há cocó, o cabeçalho teria forçosamente de ser arraçado de cagalhão. Se acharem que ficou diarreico, prometo mudar.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Deolinda

Apesar de ter mais coisas para fazer, tendo em conta a pessoa importante, ocupada, e de prestígio que, como todos sabem, sou, a primeira coisa que faço quando ligo o computador, ao chegar a casa, é dar uma vista de olhos nas novidades dos blogs que leio regularmente (brilhante uso dessa ferramenta chamada vírgula, numa frase praticamente desprovida de conteúdo, que facilmente poderia ser resumida em "sentei o cu na cadeira e pus-me a ler blogs").

O blog da Natacha costuma ser paragem obrigatória (porque ela, mesmo não se chamando Pedro, consegue ter muuuito talento para o desenho e para a pintura), tendo reparado hoje que ela é grande fã de uma banda chamada Deolinda, que ultimamente anda muito na moda. Foi uma coisa instantânea, e parece que assim que puder vai comprar o cd.

Ora, eu acho que toda a gente devia ouvir Deolinda uma vez na vida, por ser uma coisa tão bem feita, ao explorar com muita peculiaridade um estilo em que à partida já se fez tudo o que havia para fazer. Seja como for, apesar de ter muita qualidade, é peculiaridade a mais para os meus ouvidos. A mistura do registo clássico com o estilo saloio (propositado) da vocalista (muito boa cantora; agora se beija bem ou não, é que não sei), por exemplo, na música mais conhecida deles, leva a que eu comece a ficar com demasiadas cócegas no meu nervo da tolerância sempre que a oiço, e só me apetece é matar pombos e gatos e rãs e esquilos. Mas assim às pazadas.

Ainda por cima agora fiquei com a merda da música (merda, no sentido figurado) na cabeça e não há meio de sair. Fon fon fon, fon fon fon, fon fon FODA-SE!


domingo, 24 de agosto de 2008

Se eu vivesse no Médio-Oriente...

... provavelmente arriscar-me-ia a ter neste momento menos uma mão (ao menos que não fosse aquela).

Fui ter com uns amigos a uma esplanada para ver o Benfica (desde já os meus parabéns pelo ponto conquistado) e pedi um café quando lá cheguei. Nesse sítio, normalmente, o empregado pede o dinheiro logo a seguir a trazer as coisas, mas desta vez não me pediu nada e saiu disparado. Eu estranhei, mas puxei da carteira e pus o dinheiro em cima da mesa, confiando que ele o viria buscar quando voltasse a passar por ali. Um dos meus amigos (chamemos-lhe por agora o Desencaminhador) disse logo "guarda isso pá, pode ser que te safes", seguido de um "já bebeste um cafezinho à borla".

O empregado voltou, de facto, à nossa mesa, mas apenas para perguntar se queríamos mais alguma coisa. Tinha-se esquecido do café. Eu ia para abrir a boca, mas o Desencaminhador voltou a dizer, entre dentes, "tá calado pá". Atado como eu sou, fiquei extremamente desorientado (pelos visto já ia, tendo em conta que fui ver um jogo do Benfica, e eu até tenho Sport TV em casa) e fiquei quieto.

E pronto. O Benfica empatou, bla bla bla, toda a gente a ir embora, bla bla bla, nada fora do normal, e lá fomos nós também. Escusado será dizer que o meu coração tremia de sofrimento, após o sucedido. Quer dizer, também não tremia assim tanto, mas alguns remorsos devem ter ficado, senão não vinha para aqui perder tempo a relatar esta história. Assim que nos afastámos uns 10 metros, o Desencaminhador disse:

- Não tens vergonha, caloteiro do caralho?

A única coisa que ainda me tranquiliza um bocadinho a consciência, é o facto do café estar um bocado para o queimado e ter demorado mais do que o normal a vir para a mesa. Isso e o facto do Desencaminhador ter sido um... pouco incorrecto perante os meus dilemas morais. É que não se faz.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Uma verdadeira vergonha para o país.

Então eu fico acordado até às 5 da manhã e tens o descaramento de ganhar só a medalha de prata, ó Vanessa?

sábado, 16 de agosto de 2008

Ando-me a desleixar um bocado nos treinos.

Bastaram duas imperiais para começar a sentir que aquela paz de espírito era possível... Que menino.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A minha época balnear - parte II

Tenho a praia a cerca de 9 ou 10 quilómetros de casa. No entanto, hoje demorei mais de uma hora, desde o momento em que pus a chave no carro até tirar a t-shirt (para deleite do mulherio que marcou presença no areal).

E porquê? Porque há uma data de LABREGOS que teimam, lá por ser feriado e estar um dia espectacular, em vir entupir a MINHA praia. Vão pró Algarve, caralho. Vão para onde quiserem, mas desamparem-me a retrosaria. Ainda se fosse um mar de gajas boas... Mas não. É um mar de carros e de enfezaditos que não se pode.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

When a ma-aaaan loves a woman...

...é capaz de ter as atitudes mais bananóides que se possam imaginar.

Odeio que me mexam no quarto.

Foda-se.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Raramente se diz o que se pensa (com repercussões francamente positivas, no meu caso específico)

- Ena Pedro, tu tens DUAS guitarras ROCK!!!! TCHEUNEUUUUN! És bueda fixe!

-//-

O que eu disse:

- Hehe, pois é!

O que eu pensei que seria giro dizer se toda a gente tivesse o mesmo sentido de humor distorcido que eu e se a "merda de educação católica" que tive (religião para mim é como o esparregado caseiro: na borda do prato) não estivesse sempre a tentar impingir-me o conceito de inferno:

- Mas isso é só por seres um puto estúpido com seis anos, ou seres preto também ajuda? Só aquela é que é uma guitarra eléctrica, o outro é um baixo eléctrico de cinco cordas! Não vês como o raio das cordas parecem cabos de elevador quando comparadas às outras? Além disso, não são os instrumentos que definem o estilo que tocas, mas sim as notas que escolhes tocar e a forma como as tocas. Deves andar na tele-escola.


PS: I., se por acaso leres este post, manda-me uma mensagem para eu te pedir desculpa umas quatro ou cinco vezes e jurar a pés juntos que curto bué o puto e que aquilo era mesmo só uma piada. Eu até tenho fotos com ele!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Reparei...

... agora que é frequente amigos e conhecidos meterem conversa comigo para tirarem dúvidas acerca da forma correcta de escrever alguma palavra ou expressão em português e inglês. Já conselhos relativamente a dúvidas que tenham com gajas, é raríssimo pedirem.

Estranho.

sábado, 2 de agosto de 2008

Family Ties

- Quando te casares, não sei como é que a tua mulher te vai aturar.

- Se conseguir aturar a sogra, de certeza que também consegue aturar o marido.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A minha época balnear

Nem sempre tenho tido companhia para ir à praia, principalmente por causa da menstruação das minhas amigas. Por sua vez, parece que quase todas as raparigas que conheço pertencem a duas equipas: a das que não são amigas do tampão, e a das que têm um medo paralizante de que aconteça um imprevisto ainda maior do que os imprevistos implícitos nessa altura do mês.

Podia sempre convidar um amigo para ir à praia, mas não me parece bem. Três gajos na praia ainda disfarça, sendo o ideal quatro, mas dois remete sempre para a gayzolice. As pessoas olham e comentam. A população portuguesa é mesmo preconceituosa! Se estivesse noutro país, já não teria problemas em ir com um amigo à praia. Quer dizer, se calhar até tinha. É que somos um povo de imigrantes, há portugueses em todo o lado e os boatos correm depressa.

Sendo assim, metade das vezes, resta-me ir sozinho. Este ano lá aprendi que o facto de estarmos sozinhos não é impedimento para fazermos as coisas de que gostamos. Se não levamos um amigo, levamos um livro para preencher a sua companhia. E um livro é um amigo, no fundo. Duas sandes, uma com fiambre e outra com marmelada, também ajudam à festa.

Apesar de não ter problema de ir sozinho para a praia, há certas coisas que acabo por não fazer. O banhinho não pode ser tão prolongado. É entrar e sair. Entrar ainda é bom porque há muita gente a olhar. Como não posso dar parte fraca, mergulho logo, por mais fria que a água esteja. Sair é que é pior, porque uma pessoa depois ambienta-se e gosta de chapinhar, mas não o vai fazer sozinha. A minha vontade era de atirar água para os filhos dos outros, principalmente aqueles com ar de xoninhas, mas arrisco-me a levar porrada. No entanto, o que me faz mais pena é a prática do croquete.

Uma pessoa que vá sozinha à praia, a menos que esteja deserta, não pode sair molhada da água e ir fazer croquetes para a beira-mar. Eu até podia disfarçar, e ir deitar-me um bocadinho de costas, fingindo que sou um daqueles cromos que está em pleno contacto com a natureza, mas cedo dá aquela vontadica de começar a rebolar pela areia fora até termos a pele mais áspera que um rissol de camarão. Já com mais pessoas, por mais barraca que se dê, a vergonha é sempre partilhada. Rimo-nos uns com os outros e não estamos minimamente preocupados com o que os outros pensam de nós. Esses preconceituosos.


PS: Sou oficialmente a única pessoa com menos de 65 anos a utilizar a expressão "época balnear". Qualquer dia apelido-me de veraneante.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Para aqueles que dizem que as mulheres são como electrodomésticos.

Provavelmente deve ser da marca que tenho escolhido, mas devo dizer que é aparelho que ultimamente não me tem surpreendido muito. Já vi relações qualidade/preço melhores noutros produtos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eufemismos

Não percebo o pudor que as mulheres têm em afirmar que não podem fazer alguma coisa porque estão com o período, especialmente se for à frente de um homem. Parece que acham sempre mais fácil arranjar uma expressão qualquer sinónima (que raramente é sinónima) do que dizer a verdade. Acham que algum homem se vai rebolar no chão de riso só por saber isso?

Nas últimas duas semanas convidei três amigas para ir à praia, sendo que todas recusaram, alegando estarem naquela altura do mês (outra expressão que me irrita). É incrível reparar no esforço que três pessoas aparentemente maiores de idade são capazes de fazer para evitar a palavra período ou menstruação.

- Esta semana não posso porque vou estar condicionada...

- Amanhã não dá Pedrocas, o Benfica vai jogar em casa...

- Não és suficientemente atraente para seres visto comigo na praia, portanto convida outra...


O que é que se passa com vocês? Toda a gente sabe que é perfeitamente normal sangrar do pipi.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Changes

Não me tenho sentido em mim nas últimas três semanas. Os espectaculares dotes físicos e cognitivos são os mesmos de sempre, mas mesmo assim sinto que estou a largar tudo aquilo em que acreditava e a transformar-me noutra pessoa, como se fosse uma borboleta máscula a abandonar o seu casulo.

Não me sinto mais maduro, mas vejo-me a ganhar toda uma nova perspectiva sobre o mundo que me rodeia. Provavelmente deve ser do conforto que sinto nos pés, já que passei a andar de havaianas para todo o lado (praia, cidade, dia, noite; a camisola de alças fica para o ano), e isso liberta-me largura de banda suficiente para repensar toda a minha estratégia de vida. Para começar, decidi que ia apanhar banhos de sol sem protector solar ao ponto de, escolhendo a partir de duas hipóteses, ficar igual a um nigeriano (com a diferença de que vou continuar a conseguir apertar os atacadores dos ténis) ou ter um cancro na pele. A ser o segundo, que fosse uma coisa pequenina, assim como a Cindy Crawford e a Alexandra Lencastre têm por cima do lábio. Não vai é ser pela falta de bronze que vou deixar de engatar umas fanecas este Verão.

Mas é muito mais do que os chinelos... É um conflito interno que me leva a experimentar sentimentos que até então tomava por impossíveis. No outro dia dei por mim a preocupar-me genuinamente com o bem estar de uma rapariga. Nada de novo, a menos que vos diga que não sentia a necessidade de lhe saltar em cima, partindo-lhe a espinha no mínimo em 4 pontos distintos. O J. disse-me que isso se calhar era capaz de ser amizade, (embora ele próprio também não tenha certeza absoluta), mas pareceu-me um bocado absurdo, tendo em conta que eu não sou paneleiro. Amizade é poder mandar para o caralho pessoas do mesmo sexo, por quem não pode haver atracção física (senão temos graves distúrbios psicológicos), sabendo que logo a seguir estamos a rir e a dizer mal dos clubes uns dos outros.

Isso e não inventar desculpas para não se ir ao aniversário de outro ser humano.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O que é que será mais estranho?

1) Perder duas corridas seguidas na natação com uma amigA

2) Ouvir um amigO dizer que tem as calças húmidas

???

E o que é que será mais giro? Armar-me em preconceituoso ou pôr as coisas fora de contexto?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pode-se...

... decorar o número de telemóvel de uma pessoa sem a amar, mas não se pode amar uma pessoa quando não se sabe de cor o seu número.

Que foleirada de pensamento!

Faz hoje precisamente uma semana...

... que fiz anos.

Parabéns, atrasado.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Há imagens que valem por mil asneiras

Para se triunfar em Portugal, é preciso ter uma sorte do caralho.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A vida continua (e a parvoíce também)

As 3 pessoas que leram todos os posts deste blog, quer o acompanhem desde o início ou não, sabem que sou engenheiro (ok, licenciado em engenharia; pelo menos não sou um nhonhó de Bolonha). Não sabem é que, na realidade, esta alminha perde bastante mais tempo a pensar noutras coisas (seja por escolha própria ou não).

Aquilo que vão ouvir (vocês os 3 de novo, ninguém mais se vai dar ao trabalho), foi gravado no meu quarto em 2006. Embora o meu quarto seja o melhor estúdio de gravação aqui da minha rua, não está propriamente ao nível do sítio em que gravo agora. A experiência também já é outra. No entanto, as coisas têm andado tão lentamente que, apesar de ter um pouco de pudor em ter uma coisa com aquela qualidade online (já lá está desde o ano passado, que vergonha), ela lá vai ficando e não há razão para vocês não ouvirem. Talvez assim ganhe motivação para fazer as coisas mais depressa e provar que não há mesmo ninguém melhor que eu (de novo, na minha rua).

O álbum terá 12 músicas: 5 delas são instrumentais e 2 são duas peças só com guitarra. Não, ainda não será hoje (nem tão cedo) que vão ouvir a minha voz.

Espero que gostem e que, sobretudo, sobrevivam: botão esquerdo do rato aqui em cima, se faz favor.

sábado, 5 de julho de 2008

Trespassa-se.

Hello (Blackfield)



Through a different kind of silence
I'm waiting, I'm wasting
Into the road of sadness
I'm walking without you

Hello, hello, hello, hello
Is it gonna last?
Why don't you come and take me with you?
And so I know you had to go
I'm dreaming of the past
An echo of the years we passed through

Asleep in your arms I'm drifting
I'm falling in sorrow
Dead to the world you left me
In footsteps I follow

Hello, hello, hello, hello
Is it gonna last?
Why don't you come and take me with you?
And so I know you had to go
I'm dreaming of the past
An echo of the years we passed through

terça-feira, 1 de julho de 2008

O karma afinal até existe, só não nos atinge é a triplicar.

É a zilioniplicar. Eu bem suspeitava que gozar com a quimioterapia do Ruca podia ser a última gota de água. Agora lixei-me.

Life sucks.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tadito...

Com tanta quimioterapia, tenho medo que o Ruca não tenha tempo de perder a virgindade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Faço o que for preciso para ser feliz.

Há bocado senti muito medo. É que à medida que vou lendo mais, convivendo com pessoas cujo grau cultural é superior ao meu (parece impossível, não é?), e assimilando cada vez mais conhecimento sobre o mundo que me rodeia, tenho cada vez mais a sensação de que sou um inútil que não sabe nada, não tem importância alguma neste planeta, e cuja ausência não só não traria infelicidade para o mundo, como até poderia trazer alguma alegriazita residual a uns e outros.

Engraçado é o facto de que dantes, apenas por sentir aquele poder que advém da capacidade de articular mais do que 5 palavras de forma coerente de seguida, em frases que podem ter uma utilidade comprovada no decorrer da rotina diária, eu achava que era uma pessoa bastante acima da média. Eu olhava para a média lá bem do alto, e às vezes até cuspia cá para baixo, na esperança de acertar no toutiço de alguma dessa gentinha que compõe o grosso da população, e que em nada se destacam. Mas não, afinal aquele humidozinho que sinto na cabeça, não é aquele borriço, fruto do ameaçar da precipitação. Há mas é uma carrada de crominhos a cuspir cá para baixo, e eu sirvo de alvo como todos os outros.

Quando era criança, gostava de muitas coisas ao mesmo tempo, e preocupava-me apenas em saber ao ritmo do meu desejo. Era feliz assim. Agora, não só me vejo obrigado a restringir-me a um número reduzido de áreas (e das quais a maior parte apenas surgem por necessidade), como tenho uma melhor noção geral sobre as coisas. Percebo agora que é impossível dominarmos qualquer coisa na vida; a aprendizagem é um processo constante. E, se nós aprendemos constantemente (ou devíamos), outros ao nosso lado também o fazem, o que torna extremamente difícil sermos dos melhores naquilo que fazemos, já para não falar em tudo. Dou por mim a evoluir não por prazer, mas por despeito, porque o vizinho do lado agora até já sabe fazer certa coisa. E garanto-vos, o gebo do vizinho só sairá vitorioso no dia em que uma mulher portuguesa se atrever a ser presidente de algum partido (mas tem de ser um dos principais, senão torna-se fácil demais para o vizinho).

Não sei se sou só eu, mas sinto que, se não for dos melhores, então mais vale estar a borrifar-me para tudo, e assim ter justificação para ser dos piores. Ser competente, bonzinho, ou com alguma qualidade é que não chega. Pelo menos para mim não chega, e de repente (só mesmo agora) percebo que é mais fácil sermos roskovs do que os melhores, para além de sobrar imenso tempo para disfrutar da nossa mediocridadezinha.

Terei de tomar medidas; uma pessoa precisa de ter amor próprio para poder viver de cabeça erguida. Como já tinha dito, tinha voltado a ler bastante mais do que o normal, como fazia em miúdo, e ainda por cima livros a sério, com coisos e teorias, mas vou já parar de ler. Vou limitar-me ao jornal da região, porque há uma gaja muita estúpida (e não é só por ser preta, que eu conheço uns pretos muita porreiros a quem ela não sai de certezinha) que eu conheço de vista, e que de vez em quando envia para lá uns artigos de opinião do mais imbecil que pode existir, e a Pública ao Domingo, para saber o meu horóscopo e porque gosto da bonecada da Maitena, apesar de não ser uma gaja (mas este último ponto, já é prática comum).

Música? É um bem artístico essencial. Como tal, nunca mais na vida vou falhar um Rock In Rio, porque é lá que se encontra a fina nata de tudo o que se faz no mundo. A RFM, a Comercial e a Antena 3 passarão a ser as únicas sacerdotisas do meu terço de hora de ponta, a caminho do emprego deprimente que nunca quis mas que terei de ter, que até me paga a horas, e no qual terei oportunidade de me desleixar a maior parte do tempo, lendo mails super divertido ou lendo blogs como este.

Haute cuisine, jamais. Nada supera um bom bitoque, e o McDonald's não fica tão longe quanto isso. Por pouco ainda dava para ver da minha janela o logotipo gigantesco no topo do edifício onde se encontra, qual bat-sinal da alimentação moderna.

Filmes, só pornográficos, e dos anos 70, que a badalhoquice é intemporal. O que tem qualidade, não só não o perde com o tempo, como apura com o passar dos anos. Aquele quejinho de Serpa que mora no fundo da gaveta dos legumes que o diga. Pronto, e alguns desenhos animados também. Ver o He-Man a aviar nos cornos do Skeletor é sempre bué de baril.

Os amigos também vão ser reformulados. Vou ver se consigo arranjar o número de telefone daqueles meus colegas do 9º ano, que diziam que a partir do momento em que uma rapariga começava a ovular, tava mais que pronta para a acção e que, por isso, apesar de serem repetentes com 17 anos, não tinham problemas em galar as miúdas de 12 anos mais desenvolvidas da escola. Havia também outro que, ao fim da tarde, nunca podia fazer nada connosco porque, segundo ele, tinha de ir "cavar batatas com o mê avô". Depois ria-se ruidosamente.

No fundo, este medo pode resumir-se a uma simples frase que acabei de inventar e que acho genial, não pela frase em si, mas porque foi algo que eu inventei. - "Só sei que nada sei". Em latim ficaria "Cogito, ergo sum".

Em suma, prefiro pensar que sei de tudo e ser um labrego do caraças, do que tentar aceitar que nem que viva 7 vidas, conseguirei chegar ao patamar que ambiciono. Ao menos assim, ignorante, serei feliz.