domingo, 10 de fevereiro de 2008

République Portugaise - Unes verdadieres nabices

Na sexta-feira passada fui buscar o meu novo bilhete de identidade. Na altura apenas pensei "vê-se por aí tanta gente com vergonha da foto do BI, e neste até nem fiquei nada camafeu". Achei que "ora aqui está um documento identificativo de qualidade, com o seu je ne sais quoi de harmonia e formosura". Atenção, nem tudo estava perfeito. Tivesse eu tido completo controlo sobre o meu indicador direito, e aquela impressão digital tinha ficado bem menos esborratada. "Ai não faça força, não faça força", dizia a funcionária (apesar de tudo, simpática), enquanto me violava a terceira falange. Podem crer que daqui a cinco anos e nove meses farei toda a força deste mundo e arredores.

A foto ficou jeitosa e bem enquadrada na cartolina, sublinhe-se o FACTO. Até aí tudo bem, como estava a dizer. No entanto, virando eu o cartão para dar uma vista de olhos no verso, deparo-me com um erro inacreditável, daqueles que põem em causa toda a competência da função pública em Portugal. Não se perdoa uma coisa destas! Já foram decapitadas pessoas por bem menos, acreditem (embora não neste país; ou então neste país mas não no nosso tempo). Eu não merecia um deslize crasso destes. É que, embora ainda não pague impostos (porque, pelos vistos, não há oferta no mercado de trabalho para engenheiros na área alimentar que tenham um nível de sensualidade acima da média) sei cantar o hino nacional como deve ser, não me enganando na transição de "nobre po-o-vo" para "nação valente", como muito boa gente. Irei até mais longe: uma vez, em casa do meu vizinho da frente, o T., o casal do andar de cima começou a fazer amor*, e nós, por amor à pátria, pusemos o hino nacional em altos berros, começando a cantá-lo ao mesmo tempo que marcávamos passo, que nem garbosos e valentes soldados.

Tanto respeito pelo país de nascença e fazem-me isto num documento que tem escarrapachado por todos os lados a palavra "Portugal". Como eu estava a dizer, olho para o verso do BI, e reparo no seguinte. ROUBARAM-ME, À DESCARADA, UM CENTÍMETRO DA MINHA ALTURA! Minhas bestas, se eu antes media UM METRO E OITENTA E DOIS CENTÍMETROS, como é que vocês, sem sequer me voltarem a medir, decidem que eu, passados cinco anos, mesmo que possa até nem ter crescido nada (os homens desenvolvem-se até mais tarde, nunca se sabe), tenha perdido UM CENTÍMETRO DE ALTURA?

Qualquer dia, por qualquer motivo, torna-se necessário incluir outras medições no BI, de variadíssimas naturezas, e voltam-me a roubar mais comprimento. Ainda se o fizessem na pila, não vinha mal ao mundo, porque o que há, há de sobra e não envergonhava nenhum cabo-verdiano, mas brincar com a minha altura é que não. "Este não tem namorada, vamos roubar-lhe um centímetro que ele já está tão dormente que nem dá por nada."

Também cheguei a pensar que "ok, está ali escrito apenas um metro e oitenta e um, ao invés de um metro e oitenta e dois, mas o que se passou foi que riscaram a palavra altura e puseram a palavra "comprimentodoorgãosexualmasculinovulgoPILA" por cima. Mas não, está lá altura, APENAS altura. Que verdadeiras nabiças. Ainda bem que nem todos os funcionários públicos são assim (espero).

Já os pais, esses, são os mesmos. Não só não passei a ter pais ricos, como moro na mesma freguesia, no mesmo espaço, com menos duas (ou cinco) assoalhadas do que o necessário para uma existência digna, sem vista panorâmica para a cidade de Lisboa, e o meu estado civil é Sol.

Está solinho, está.


*Uma vez cronometramos a prestação dos senhores. Conseguiram uma marca de nove minutos, coisa que para muita gente (enfim) é um feito notável. No entanto, era uma coisa muito mecanicazinha; só se ouvia a armação da cama a abanar sempre com o mesmo ritmo e a mesma intensidade. Não havia um gemido, um latido, um escalar do entusiasmo na cadência daquela consumação de amor por parte de dois seres vivos. Infelizmente, o hino nacional, ao contrário do que seria de esperar, como é óbvio, não veio ajudar em nada o reportório do casal. Continuou o mesmo entusiasmo, a mesma destreza.

3 comentários:

devil1 disse...

LOL e se a receptora do amor era bem jeitosa, o gajo pegava era de empurrão MUAHAHAHAHA

NI disse...

Por um centímetro Pedro?
se ainda desse algum desconto no IRS.

Bela Sonhadora disse...

só pa fazer pirraça, parece que euzinha desde o meu bizito velhinho até este novinho em folha cresci 4 centímetros ahahahhaha

=P