sexta-feira, 4 de abril de 2008

Deve ser falta de qualquer coisa. Magnésio ou isso.

Há duas horas atrás eu não sabia onde estava o meu carro. Em Portugal estava quase de certeza, e na minha cidade também estaria, provavelmente. Na garagem é que não estava, e eu bem que procurei nos cantinhos, não fosse ele estar enrolado numa mantinha de teia de aranha. As aranhas comem de tudo, se o espaço em que habitam estiver bem limpinho.

Peguei nas chaves e saí por aí, tentando relembrar os meus últimos passos. Felizmente estava uma noite agradabelinha. A tarde esteve quente e uma pessoa interroga-se sempre se amanhã conseguirá apanhar um bom dia de praia. Ver gajas descascadas em bikini ou isso. No primeiro dia de calor nunca se vai porque é o primeiro e não se está à espera, e no segundo nunca se acredita que a façanha se vá repetir. Logo, nada de gajas descascadas em bikini ou isso.

No sábado passado tive de levar o carro à inspecção, tendo decidido a partir daí poupar (ainda mais) na gasolina, acabando por andar bastante a pé durante a semana. Uma pessoa arma-se em amiga do ambiente (e da carteira), e acontece uma coisa destas. Entretanto, lá me lembrei que no domingo precisei de ir levar uma coisa pesada a casa de um amigo, tendo levado o carro. Só podia estar ali. Depois fomos tomar café no carro dele, e ele deixou-me em casa. Nunca mais me lembrei que tinha ido lá ter de carro. Devia estar a pensar em gajas descascadas em bikini ou isso.

O raciocínio estava correcto. Dentro da minha falta de memória, até que nem tenho má memória. Lá estava ele. Razoavelmente limpo, sem riscos, pneus com ar, vidros intactos. É de realçar que esteve estacionado estes dias todos ao lado de uma escola primária (curiosamente, da minha antiga escola primária), e seria previsível o pior. É que, tirando meia dúzia de pessoas, só o refugo é que ia parar àquele antro de ensino ainda vestigialmente salazarista. Gajas descascadas em bikini ou isso não se viam por ali; apenas contínuas velhas, rabugentas, e deslavadas.

Agora sim, está na garagem. A partir de amanhã vou voltar a poluir normalmente o ambiente. Ao menos assim vou-me lembrando sempre de onde está o carro. E, quem sabe, não dou um pulinho à praia, para ver se já há moças corajosas em fatos de banho mínimos, engavetados, arrojados e tal.

1 comentário:

João Marques disse...

Contrariando a tendência habitual do cérebro dos Homens, ocupado em 60% com assuntos do foro sexual, nesse particular dia o disco rígido do teu cérebro estava 99% ocupado com gajas boas e descascadas. Daí o esquecimento do carro!
Sugere-se a instalação de um disco rígido externo.