sábado, 19 de abril de 2008

Exemplos a seguir num país em crise

Não gosto muito de falar em crise; acho que o uso da palavra se tornou tão generalizado que começa até a parecer "fashion" utilizá-lo. Seja como for, ela, essa coisa, está para ficar.

Aquilo que eu acho que os portugueses ainda não se aperceberam (ou não se querem aperceber), é de que a mudança tem de partir de nós, povinho, os que mais acabam por ser afectados por ela, essa coisa. Ambicionamos maiores ordenados e melhores condições de emprego, mas não estamos preparados para aumentar a produtividade. Em muitos dos casos, nem é uma questão de trabalhar mais horas ou mais depressa. Trata-se de aproveitar de modo mais eficaz o normal horário de trabalho e não fazer como muitos, em que a maior parte vem ler o meu blog (ou pior, a escrever nos seus próprios blogs, que não são tão dignos de perda de tempo como este) a horas em que deviam estar a dar no duro. Mas mesmo que fosse necessário prolongar o horário, devíamos estar preparados para o fazer (eu cá não, tenham santa paciência).

Concentremos a nossa atenção nos toxicodependentes que arrumam carros. A evolução da sua conduta profissional ao longo dos últimos 5 anos tem sido tremenda (embora a tez encardida e os fracos cuidados relativamente às suas pilosidades faciais tenham estagnado e, em alguns casos, até retrocedido).

Hoje em dia, não só chegam mais cedo ao local de trabalho, como também saem mais tarde. Já trabalham aos sábados. Dantes, se chovesse, não era o fino do toxicodependente que estava na rua a dar a cara, não. Eu se quisesse arranjar lugar tinha de me esforçar imenso. Estacionar em espinha não é para qualquer um. Agora até já compraram chapéus de chuva (e, ironicamente, são bem melhores do que qualquer um que eu tenha cá em casa) e lhes dão uso. Andam até mais bem agasalhados, não só em termos de salvaguarda térmica como de estética. Eu até já vi um Skoda da PSP a estacionar à conta de um destes bravos profissionais da arrumação automóvel. Se há 5 anos eram enxotados das ruas, são agora respeitados.

O facto destes baluartes do funcionarismo público (embora um tipo de publicidade diferente) se andarem a esforçar de modo sobrehumano (eu desconfio de que eles se andam a meter na droga), deveria ser um factor de orgulho e constituir um ponto de referência para toda a população.

Vamos pôr os olhos nos nossos drógádos. Se o Cachucho e Paulinho conseguem, TU também podes conseguir!

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