sábado, 14 de junho de 2008

(re)Encontros

Ontem à noite fui tomar café com uns amigos a um sítio (dentro de um sítio) novo com bom aspecto que, apesar de ter custado 18 milhões de euros e ser de alta envergadura, ainda continua às moscas (acho que não revelei demasiado).

A certa altura, a conversa começou a girar à volta da engenharia civil e arquitectura; apesar de eu ser engenheiro (cof cof, só mesmo de nome), a minha área são mais os comes e bebes. Por isso, aquela surpresa não poderia ter acontecido em melhor altura.

Tive de olhar três vezes para acreditar que ela tinha entrado na sala (acompanhada do namorado). Era mesmo ela, a "menina do iogurte". Chamava-lhe menina do iogurte porque a primeira vez que percebi que me derretia todo sempre que a via, ela estava sentada nas escadas da entrada da universidade (portanto, na altura em que eu estudava, apesar de não estudar muito, devido a problemas de coluna, sinusite e vocações tardias conflituantes) a beber uma garrafinha de yoplait. Ela transformava por completo em arte o consumo de garrafinhas de iogurte líquido, especialmente no caso de se sentar em escadas de átrios de estabelecimentos de ensino superior. Um mimo.

Eu era a única pessoa que a tratava (embora nas costas) por menina do iogurte. A minha prima F. (que também era minha colega) tratava-a por "parola", embora eu nunca tenha conseguido perceber porquê; devia ser apenas embirração. Sempre que eu dizia "ai... ela é tão gira", recebia um "tem mas é as pernas tortas, o raio da parola". Já o meu colega A. dizia que ela era muito antipática, e que se eu a conhecesse só me ia desiludir. Ia, ia...

Ainda andei embeiçado pela menina do iogurte (cujo nome verdadeiro começa por M., mas não é Marisa nem Marta nem Mara, para o caso da verdadeira estar a ler isto e poder ter uma pista; o apelido começa por R.) durante bastante tempo, mas nunca lhe consegui dirigir a palavra e mostrar que tal era a força daquilo que ela me fazia sentir, que a seguir aos intervalos eu nem conseguia prestar atenção às aulas (embora se não a visse também fosse complicado prestar atenção, embora por outros motivos). Aliás, uma vez cheguei a dirigir-lhe a palavra, na esplanada, para perguntar se uma das cadeiras da mesa em que ela estava sentada estava ocupada e se a podia tirar. No processo, ia atirando ao chão os livros dela, que estavam precisamente na cadeira vaga, enquanto a minha turma gozava de forma pouco discreta comigo. Bons tempos. Houve também outra ocasião, num jantar académico, em que eu tive (mais ou menos, seria um bocadinho forçado) uma das últimas oportunidades de afiambramento, mas fiquei um tataratá aquém desse feito.

Não me interpretem mal; tudo isto aconteceu já há séculos (uns 4 anos, talvez?), e apenas encarei este reencontro com a dose de piada que estas coisas merecem. Embora hoje em dia eu tenha bastante mais lata (BASTANTE MAIS, como se pode comprovar pela atadice da minha descrição anterior), passado é passado. Além disso, não me ia intrometer agora entre ela e o namorado; iria estragar um bonito amor construído ao longo dos anos (porque o cabrãozito já na altura andava com ela, salvo erro), para além de desiludir todas aquelas que agora sentem por mim o incontrolável chamamento da paixão.

1 comentário:

Bela Sonhadora disse...

looooooooool ja tinha saudades de ler estas "parolices" hehehe :P