quarta-feira, 30 de julho de 2008

A minha época balnear

Nem sempre tenho tido companhia para ir à praia, principalmente por causa da menstruação das minhas amigas. Por sua vez, parece que quase todas as raparigas que conheço pertencem a duas equipas: a das que não são amigas do tampão, e a das que têm um medo paralizante de que aconteça um imprevisto ainda maior do que os imprevistos implícitos nessa altura do mês.

Podia sempre convidar um amigo para ir à praia, mas não me parece bem. Três gajos na praia ainda disfarça, sendo o ideal quatro, mas dois remete sempre para a gayzolice. As pessoas olham e comentam. A população portuguesa é mesmo preconceituosa! Se estivesse noutro país, já não teria problemas em ir com um amigo à praia. Quer dizer, se calhar até tinha. É que somos um povo de imigrantes, há portugueses em todo o lado e os boatos correm depressa.

Sendo assim, metade das vezes, resta-me ir sozinho. Este ano lá aprendi que o facto de estarmos sozinhos não é impedimento para fazermos as coisas de que gostamos. Se não levamos um amigo, levamos um livro para preencher a sua companhia. E um livro é um amigo, no fundo. Duas sandes, uma com fiambre e outra com marmelada, também ajudam à festa.

Apesar de não ter problema de ir sozinho para a praia, há certas coisas que acabo por não fazer. O banhinho não pode ser tão prolongado. É entrar e sair. Entrar ainda é bom porque há muita gente a olhar. Como não posso dar parte fraca, mergulho logo, por mais fria que a água esteja. Sair é que é pior, porque uma pessoa depois ambienta-se e gosta de chapinhar, mas não o vai fazer sozinha. A minha vontade era de atirar água para os filhos dos outros, principalmente aqueles com ar de xoninhas, mas arrisco-me a levar porrada. No entanto, o que me faz mais pena é a prática do croquete.

Uma pessoa que vá sozinha à praia, a menos que esteja deserta, não pode sair molhada da água e ir fazer croquetes para a beira-mar. Eu até podia disfarçar, e ir deitar-me um bocadinho de costas, fingindo que sou um daqueles cromos que está em pleno contacto com a natureza, mas cedo dá aquela vontadica de começar a rebolar pela areia fora até termos a pele mais áspera que um rissol de camarão. Já com mais pessoas, por mais barraca que se dê, a vergonha é sempre partilhada. Rimo-nos uns com os outros e não estamos minimamente preocupados com o que os outros pensam de nós. Esses preconceituosos.


PS: Sou oficialmente a única pessoa com menos de 65 anos a utilizar a expressão "época balnear". Qualquer dia apelido-me de veraneante.

10 comentários:

oxenbury disse...

atitude típica de macho:
"Como não posso dar parte fraca, mergulho logo, por mais fria que a água esteja."

Red disse...

lool sim, ir a praia sozinho e um bocado triste... mas supera-se! sem croquetes..lolol

busycat disse...

Isso do preconceito é mesmo assim. Um gajo sozinho na Foz é estranho mas dois, eram capazes de reparar mais...
Outro problema de ir sozinho a praia é não ter ninguem com quem comentar o que se passa mesmo a nossa frente. E nesse aspecto o livro não serve.

beijo
busicat
(eu estive lá hoje, o tempo estava mesmo fixe)

Pedro M. disse...

Oxenbury: típica mas boa, presumo. Um gajo quer-se decidido, ainda que sempre com um motivo escondido em mente :P

Red: achas isso mesmo triste? Já chega de desperdiçar Verões em casa só porque quando quero o outro não pode e quando eu não quero a outra já quer e ninguém se entende :P

Busycat: não me lembro de ter dado com a língua nos dentes relativamente à minha praia de eleição... Encontramo-nos lá amanhã (ou hoje, que já é dia 31)?

Ti disse...

Gostei do que li... I'll be back!

busycat disse...

Como qualquer típico português as férias são a alguns graus de latitude abaixo, a ida a Foz terá de ser remarcada.

beijo
busycat

Lúcia disse...

O problema de ir sozinha para a praia... e aconteceu-me, é apanhar o belo do escaldão porque não consigo por creme nas costas!!!

Acho que tb deveria ser dada aos nadadores salvadores a tarefa de bezuntar as costas das pessoas que vão sózinhas para a praia...É só uma sugestão!

Pedro M. disse...

Oh Lúcia, querias batatinhas :P E que tal pôr em casa antes de sair? Eu por acaso consigo por creme sozinho nas costas sem ajuda. No entanto, dependendo da companhia, finjo que não sou capaz...

Lúcia disse...

Até punha em casa... mas só de casa à praia demoro 30 minutos de bus, depois tar lá 3 ou 4 horas ao sol sem retocar o creme... Dá escaldão...
Pois... vcs homens sabem mt =P
Eu não queria batatas na praia não...

misskitsch disse...

Deves ser também a única pessoa com mais de 7 anos que ainda faz croquetes!