
... provavelmente arriscar-me-ia a ter neste momento menos uma mão (ao menos que não fosse aquela).
Fui ter com uns amigos a uma esplanada para ver o Benfica (desde já os meus parabéns pelo ponto conquistado) e pedi um café quando lá cheguei. Nesse sítio, normalmente, o empregado pede o dinheiro logo a seguir a trazer as coisas, mas desta vez não me pediu nada e saiu disparado. Eu estranhei, mas puxei da carteira e pus o dinheiro em cima da mesa, confiando que ele o viria buscar quando voltasse a passar por ali. Um dos meus amigos (chamemos-lhe por agora o Desencaminhador) disse logo "guarda isso pá, pode ser que te safes", seguido de um "já bebeste um cafezinho à borla".
O empregado voltou, de facto, à nossa mesa, mas apenas para perguntar se queríamos mais alguma coisa. Tinha-se esquecido do café. Eu ia para abrir a boca, mas o Desencaminhador voltou a dizer, entre dentes, "tá calado pá". Atado como eu sou, fiquei extremamente desorientado (pelos visto já ia, tendo em conta que fui ver um jogo do Benfica, e eu até tenho Sport TV em casa) e fiquei quieto.
E pronto. O Benfica empatou, bla bla bla, toda a gente a ir embora, bla bla bla, nada fora do normal, e lá fomos nós também. Escusado será dizer que o meu coração tremia de sofrimento, após o sucedido. Quer dizer, também não tremia assim tanto, mas alguns remorsos devem ter ficado, senão não vinha para aqui perder tempo a relatar esta história. Assim que nos afastámos uns 10 metros, o Desencaminhador disse:
- Não tens vergonha, caloteiro do caralho?
A única coisa que ainda me tranquiliza um bocadinho a consciência, é o facto do café estar um bocado para o queimado e ter demorado mais do que o normal a vir para a mesa. Isso e o facto do Desencaminhador ter sido um... pouco incorrecto perante os meus dilemas morais. É que não se faz.