domingo, 24 de agosto de 2008

Se eu vivesse no Médio-Oriente...

... provavelmente arriscar-me-ia a ter neste momento menos uma mão (ao menos que não fosse aquela).

Fui ter com uns amigos a uma esplanada para ver o Benfica (desde já os meus parabéns pelo ponto conquistado) e pedi um café quando lá cheguei. Nesse sítio, normalmente, o empregado pede o dinheiro logo a seguir a trazer as coisas, mas desta vez não me pediu nada e saiu disparado. Eu estranhei, mas puxei da carteira e pus o dinheiro em cima da mesa, confiando que ele o viria buscar quando voltasse a passar por ali. Um dos meus amigos (chamemos-lhe por agora o Desencaminhador) disse logo "guarda isso pá, pode ser que te safes", seguido de um "já bebeste um cafezinho à borla".

O empregado voltou, de facto, à nossa mesa, mas apenas para perguntar se queríamos mais alguma coisa. Tinha-se esquecido do café. Eu ia para abrir a boca, mas o Desencaminhador voltou a dizer, entre dentes, "tá calado pá". Atado como eu sou, fiquei extremamente desorientado (pelos visto já ia, tendo em conta que fui ver um jogo do Benfica, e eu até tenho Sport TV em casa) e fiquei quieto.

E pronto. O Benfica empatou, bla bla bla, toda a gente a ir embora, bla bla bla, nada fora do normal, e lá fomos nós também. Escusado será dizer que o meu coração tremia de sofrimento, após o sucedido. Quer dizer, também não tremia assim tanto, mas alguns remorsos devem ter ficado, senão não vinha para aqui perder tempo a relatar esta história. Assim que nos afastámos uns 10 metros, o Desencaminhador disse:

- Não tens vergonha, caloteiro do caralho?

A única coisa que ainda me tranquiliza um bocadinho a consciência, é o facto do café estar um bocado para o queimado e ter demorado mais do que o normal a vir para a mesa. Isso e o facto do Desencaminhador ter sido um... pouco incorrecto perante os meus dilemas morais. É que não se faz.

7 comentários:

Rosa disse...

Se também tivesses levado a chávena para casa seria pior! :-P

NI disse...

E eu nem quero imaginar do que esse desencaminhador é capaz.

:-)

O pensador disse...

Pedro...não, de facto isso não se faz e deixa-me dizer-te que tivestes muita sorte porque nestas situações o que é MUITO frequente acontecer é a pessoa levantar-se, ir embora e surgir de repente o empregado atrás dela a pedir-lhe o dinheiro do café....o que seria uma vergonha do caraças!

Escusado será dizer que habitualmente nessas horas da "vergonha" quem tentou "safar-se" (ou fazer do empregado palerma, o que vai dar ao mesmo)vai sentir-se tão humilhado que ainda refilar um bom bocado para tentar não ficar tão mal na fotografia e curar o seu orgulho ferido, gerando por vezes uma situação tão lamentável quanto patética.(Pois...no fim de contas foi ele que originou isso tudo, certo?)

O que nos leva à pergunta que vale 1 milhão:
Quando as pessoas estão bem conscientes das consequências negativas que podem advir de uma acção da nossa parte, porque insistem em cometê-la?
A adrenalina justifica tudo?

Para ti poderá ser apenas um café Pedro, mas para no futuro esta acção poderá representar mais do que isso...poderá ser um precedente para futuras práticas semelhantes ou até mesmo mais "arrojadas"...

Não leves a mal mas esta é a minha opinião.

Abs

Anónimo disse...

É pá, ó pensador... onde é que foi que compraste a cena, pá? É que só pode ser mesmo de muito boa qualidade!!!

LooooooooooooooooooooL

Pedro M. disse...

Aliás, eu hoje fui a um stand da VW aqui perto, pedi para fazer um test drive, e quando dei por mim, estava um Touareg arrumadinho na minha garagem sem eu ter gasto um eurico que fosse. Ele há coisas :P

O pensador disse...

«..É pá, ó pensador... onde é que foi que compraste a cena, pá? É que só pode ser mesmo de muito boa qualidade!!!..»

- É...Basta estar ligeiramente atento e acredito que encontrará facilmente, já que as "Cenas" de qualidade muito dificilmente se coadunam com o Anónimato...

O pensador disse...

Pedro, é possivel que tenha dramatizado um pouco esta questão.
Desculpa, porque não estava nos meus melhores dias.

Abs