sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E eu que nem sequer gosto de vinho.

É muito cedinho para se estar acordado, mas a verdade é que este corpinho já está na vertical, para juntar ao facto de não me estar a sentir lá muito bem. A culpa é toda do vinho.

Como a vidinha não anda fácil, aceitei este mês ir para o laboratório de uma adega, para fazer as análises durante a vindima. Enfim, assim se dá mais um passo (forçado) para longe da vocação. Pode ser que não seja tão intensivo como estou à espera e dê para conciliar com algumas coisas que até dava jeito serem feitas agora. Pelo menos vou ser pago principescamente (temos é de ter como bitola a monarquia nepalesa).

Eu até conheço aquela adega. Brincava lá quando era miúdo. Aquilo tinha rampas bué fixes para saltar de bicicleta, tinha montes de sapos e o cheiro, apesar de nauseabundo e enjoativo, não nos incomodava, porque sabíamos que a qualquer momento podíamos ir embora dali. É irónico que amanhã, apesar de ter um carro, que é muito melhor que uma bicicleta, eu não me possa ir embora se me apetecer. Temos pena. Ninguém me tira é da cabeça que este é, de longe, o pior trabalho que um ser humano pode ter de desempenhar.

Já me estou a imaginar a precisar de ir a alguma loja à pressa, no final de um dia em que tenhoaconseguido sair um bocado mais cedo, e as pessoas a darem um passo atrás e pensarem "coitado, tão novo e tão bonito, e já está metido na pinga". É melhor levar um escafandro e um cabo muito grande, para quando tiver de recolher amostras (nome bonito para "quando tiver de me cagar todo"). É o inferno, minhas senhoras e meus senhores, o inferno.

Não faltarão histórias sobre vinho e labregos durante os próximos tempos. Está garantido.

2 comentários:

Moon_T disse...

venham elas entao, cá virei para as ler

João Marques disse...

Deus dá nozes (vinho) a quem não tem dentes!