terça-feira, 2 de setembro de 2008

To hi5 or not to hi5, there's absolutely no question.

Estou prestes a apagar a minha conta do hi5. Pela segunda vez. Continuo sem perceber para que é que serve.

Para começar, quem acha que tem realmente mais de 500 amigos, precisa de mandar umas fodas e das boas. A julgar pela lista de amigos de muito boa gente, parece que, no dia a dia, apertam a mão ou dão dois beijos a cada pessoa em quem, involuntariamente, roçam na rua.

Se eu quero fazer justiça à amizade que tenho com uma pessoa, combina-se um jantar ou outra coisa qualquer. No mínimo liga-se para o telemóvel. Agora, andar a substituir esse tipo de contactos por testemunhos nos perfis e toda aquela bonecada foleira (já vi mais rosas e ursos de peluche no hi5 do que na vida real) é bem mais estúpido do que fazer a A1 toda em marcha-atrás.

Eu até percebo que haja uma certa curiosidade em procurarmos pessoas que não vemos há algum tempo, vermos uma foto ou outra para sabermos se estão com bom aspecto ou não, e por aí fora. É legítimo. No entanto, neste momento já nem sequer é possível pesquisar pelo nome. Somos levados à cusquice, se queremos descobrir alguém, vasculhando nas infindáveis listas de amigos.

O uso que é dado às secções de fotos é de uma futilidade bem maior do que a tara da Imelda Marcos por sapatos. Mostra-se demasiado da vida de cada um. Da vida e do corpo. Porra, eu gosto comó caraças de mamas e cus, mas há fotos que não só são susceptíveis de provocar vergonha a quem as põe no seu perfil (ou melhor, deviam mesmo provocar), como muitas das vezes até a própria pessoa que as vê fica com aquela sensação de vergonha alheia.

E mais: se as minhas filhas andassem a mostrar as mamas naqueles ângulos, já para não falar em certas fotos em roupa interior (que de tão interior parece estar a migrar para dentro do corpo), apanhavam mas era um par de bofetadas. Acabava-se o telemóvel e a net e não bufavam. Sair à noite só se fosse para levar o lixo para o contentor. E ai delas que tentassem fugir de casa. Iam desejar ter conseguido.

Parece que no hi5 há duas faixas etárias maioritárias. 89% é constituído por indivíduos dos 15 aos 25 anos; 10% por gente dos 40 para cima que acha muito moderno ter hi5, ainda que andem apenas a espalhar comentários pedófilos em perfis de (é com cada poema e lema de vida que não sei se hei-de rir, se vomitar), lá está, miúdas a mostrar o colo das mamas no ângulo morangos com açúcar, e 1% para meia dúzia de gatos pingados que, como eu, nem sabem bem como foram lá parar. Ou melhor, até sabem. "Tenho hi5, logo, existo". É este tipo de pressãozinha que lá vai empurrando o resto a abrir uma conta, na tentativa de se manterem jovens e dentro das práticas sociais comuns.

E esta mania de se comentar todo e qualquer peidinho que alguém da lista de amigos dá? Ai vamos lá mostrar como somos fofinhos. A seguir a cada foto, mostrando todo e qualquer lugarejo a onde fomos, juntam-se descrições como "fim-de-semana de sonho em Benidorm", seguido logo de comentários do género "Ai foste a Benidorm? Ai adoro-te sua porca. Fazes cá falta. bEiJuHs tOnTuHs ********".

E a quantidade de casais disfuncionais que teimam em achar que não cegam a vista a ninguém se fizerem o upload de 50 fotos juntos, cada uma mais leprosa que a anterior? A culpa também é dos comentário de incentivo do género "que queridos, merecem o mundo, foram feitos um para o outro". Sim, foram feitos um para o outro. Como a bosta e a varejeira.

Agora até há um reality show baseado no hi5 chamado Ícones. Dão aos participantes 500 euros de 15 em 15 dias, um carro, um portátil e um telemóvel (a produção do concurso chama-lhe "kit de sobrevivência", eu chamo-lhe "vocês se não são atrofiados dos cornos imitam bem") e é vê-los a andar de nariz empinado, como se fossem putas a passear nas esquinas, com ilusões de serem das de luxo. Levam-se demasiado a sério. Parece que os critérios do concurso são o número de amigos que se tem, as visitas que se recebem e a quantidade de comentários que é deixada no perfil. Foda-se, tenham juízo. A solução para essa gentinha era muito simples. Esta merda passava-se a chamar o Heil5 e iam todos para um campo de concentração levar com gás na tola. Queria ver depois quem era o ícone.

14 comentários:

Paula Costa disse...

Este texto é do melhor... É bom finalmente ver alguém que pensa assim! Fogo, mas que raio, já não era sem tempo!
:)

sininho disse...

Devo de concordar, fica a pergunta para que serve o Hi5.

Mas não me quero armar em cinica eu própria já o tive, apaguei é certo, acho que não tinha amigos despidos o suficiente e assim não tinha muitas visitas :)

Karlight disse...

Cá está, estava dificil encontrar alguém exactamente com o mesmo pensamento que eu no que diz respeito ao assunto...

Há coisas surpreendentes, não há!?!?!'

Sofia disse...

Então e o mais importante... já a apagaste?

Caetana disse...

Não tenho hi5 há já muito tempo... e não morri, nem ressaquei... arranjei um blog para compensar... :P :P :P :P :P :P

Carlos Rangel disse...

Tenho Hi5 e percebo que aquilo que dizes é bem verdade! Grande post!

CAL disse...

Fui a penúltima dos meus amigos a chegar a esse espaço, depois de n convites de, basicamente, toda a gente que tinha o meu e-mail. Há coisa de um ano, lá cedi. Até ser possível fazer valer a opção do perfil só ser visto pelas pessoas que lá tenho adicionadas, pouca informação pessoal lá deixei. O mesmo aconteceu com as fotos. Ou seja, até ser possível restringir-lhe o acesso, só lá tinha uma foto, de perfil.
Neste momento, tenho lá 12 fotos, metade das quais minhas. Nenhuma de corpo inteiro e todas vestida, como, de resto, normalmente ando. A outra metade, são fotografias com amigas, todas elas absolutamente "normais" e que relembram bons momentos (sem “bebedeiras” à mistura, sem que se perceba se estamos na "Igreja" ou no "Sasha").
Acho que hi5 serve para aquilo que nos aprouver.

Há quem use como meio de engate? Válido. Cada um se presta ao que bem entende (parece-me). Será assim tão diferente de uma abordagem, quiçá manhosa, numa discoteca, ou bar?

Para mim, neste momento, é mais uma forma de comunicação. Com a possibilidade de, num grupo restrito, partilhar bocadinhos do que vamos fazendo (não tenho nenhuma foto de viagem que tenha feito, by the way). Não nego, contudo, que gosto de ir vendo amigos que estão em pontos do mundo tão distantes como Afeganistão, Brasil, vários países da Europa e bastantes mais cidades portuguesas. E isto em, quase, tempo real. Substitui a fatídica jantarada quando regressam, ou temos oportunidade de nos encontrar? De maneira nenhuma. Diminui a alegria que sentimos quando nos revimos? Posso garantir que não. Neste momento acho que, possibilita sim, encurtar distâncias. É mais uma forma de nos mantermos “presentes”. Para mim, única e exclusivamente para amigos (tenho lá 5 ou 6 que são meros colegas de faculdade, vá…). Isto em 50 pessoas.

Serve para aquilo que queiramos que sirva.

:)

CAL disse...

Esqueci-me de dizer, e isto é mesmo verdade, que conheço tia que reencontrou a sobrinha desta forma ("drama familiar", em que mãe "desaparece" com a prole após separação do pai...). :D

ManUel disse...

está DIVINAL!!!

faltou referir as pessoas que tiram 1500 fotos a si próprias do telemóvel ou na webcam e que as põem la em diferentes perspectivas!

Nada mais enjoativo ahahahah

Muito bom texto!

ze disse...

Pedro
Obrigada por me ensinares o que era o Hi5. Nunca tinha dado pela falta....

oxenbury disse...

tantas vezes q já tentei dizer q aquilo é uma grande parvoíce! e agora encontro um texto q descreve da melhor forma a GRANDE BURRICE q aquilo é!

agradecida!

Nikky disse...

Eu não tenho hi5, logo não devo existir. E a julgar pela cara de espanto que me fazem quando o digo, se existo, sou rara...

Pedro M. disse...

E pronto, acabei de apagar a minha (segunda!?) conta. Pelo menos, e a julgar pelos vossos comentários, nem toda a gente está perdida.

Hydrargirum disse...

Este deve ser o texto mais engracado que ja li nos ultimos tempos!!!!

Magnifico!!!!

:)