quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Paraste-me no tempo e nem te vi

Se eu não fosse engenheiro, acho que seria metereologista, ou então feliz. Sempre que acordo, abro a janela e estico o braço para fora. Há quem tenha um dedo mindinho que adivinha; eu tenho o braço todo.

Mesmo nestes dias de cara duvidosa, o meu braço diz-me exactamente que tempo vai fazer, a temperatura máxima e a mínima, vestindo-me então de acordo com a previsão.

Hoje, não só estiquei o braço para fora, como estiquei também o olhar. À frente do prédio à frente do meu, estavam quatro pessoas frente a frente. Um homem, um rapaz quase homem (não por ser gay, mas por não ter um ar tão adulto como o outro), uma mulher e uma rapariga quase mulher. Tinham documentos na mão; parecia um assunto importante e nada quase, mas somente adulto.

Não consegui ver a cara da rapariga. Com os poucos dados que tinha, dava para ver que fazia totalmente o meu estilo. 1 metro sem saber se é quase 60, se é quase 70, vestida de forma discreta mas a deixar antever que o metabolismo cuidava bem dela, poucos adornos pessoais mas bem escolhidos (portanto, nada de trezentos colares e pulseiras, com unhas vermelhas das mãos a complementar a unha vermelha do dedo grande do pé a espreitar por sapatos abertos no dedo grande do pé). Parecia quase que tinha um post-it colado na parte de trás do casaco a dizer "sabes tão pouco sobre mim mas já estás mortinho por me conhecer, não é?".

Ficaram à frente do prédio à frente do meu durante 10 minutos. Nenhum elemento do grupo mudou de posição, apesar da conversa continuar acalorada. Já estava a ficar impaciente; tinha de ir acabar de preparar material para a formação (já que não convém ir para lá encher chouriços, embora às vezes, sinta que estou a dar pérolas a porcos), mas ela nunca mais se virava.

A minha vontade era de ir até à rua descalço e de pijama, mas decidi que seria prudente esperar mais 5 minutos. Nada. "Vou só escrever mais duas frases de que me lembrei agora; e são pormenores importantes".

Quando voltei à janela, tinhas desaparecido. Perdi 15 minutos, ausentei-me por 30 segundos porque há trabalho para ser feito, e acabei por não tirar as dúvidas que tinha sobre ti. Estúpida.

Agora estou aflito para ir à casa de banho, mas a urgência em acabar isto deixa-me ficar na dúvida se a aflição não será, em parte, por ter o trabalho atrasado. Oxalá a bexiga aguente.

4 comentários:

Maria Eva disse...

Há 30 segundos que valem mais que 15 minutos...

Anónimo disse...

Será q está falando de mim?

João Marques disse...

Seria a rapariga do casamento?

Pedro M. disse...

Lá tás tu com a rapariga do casamento, João. Eu não como saloias! :P