terça-feira, 29 de abril de 2008

Isto já passa :P

Realmente as mulheres têm um sexto sentido que nós, homens, nunca teremos. São muito mais doces e românticas do que nós, e quem sabe viver bem percebe o valor que o carinho tem na vida de qualquer pessoa, e até de qualquer ser vivo.

Posto isto, começo por revelar que, no contexto de uma relação, a coisa mais romântica que me proporcionaram foi ir passear para o parque (pronto, o parque fui eu que sugeri) e levarem gomas para eu comer. De resto, a ordem do dia tanto podia ser "então e hoje o que é me trouxeste?" com uma, como "vou para o algarve com a minha irmã e logo vejo se me apetece dizer-te alguma coisa ao longo destes 15 dias ou não" com outra, ou até "afinal não estou preparada para uma relação à distância" ainda com outra, sendo que a distância era de 20 quilómetros, só para dar alguns exemplos. Vocês até podem ter muitos sentidos, mas sentimentos, até prova em contrário, não têm. Já vi cisnes esculpidos em gelo que gostavam mais de mim.

Eu tenho a perfeita noção de que uma mulher, por mais que tente, nunca será capaz de preparar surpresas tão boas como as minhas (e que nem têm necessariamente de envolver grandes somas de dinheiro). No entanto, eu nem sequer sou assim tão exigente. Só queria que me fizessem assim uma coisita querida de vez em quando, que me fizesse sentir especial. Ah, e sexo não conta.

PS: Acho que vou mas é comprar uma Playstation.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Já era tempo.

O "Ensaio Sobre A Cegueira" não tem tradução em braille.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Competências pessoais e artísticas

Estava a considerar colocar no meu curriculum vitae a afirmação "encontro-me disponível para subir na horizontal", mas infelizmente ainda não há um número suficiente de mulheres em cargos dirigentes que justifique tal alteração. E depois a maçada de escrever e voltar a converter para pdf...

domingo, 20 de abril de 2008

Jantar do Ano

Há jantares que foram feitos para não correr bem, mesmo quando são de aniversário, nós não somos os aniversariantes, e há mais 30 pessoas na mesa a quem algo de mal pode correr... menos bem. Apesar de ter sido bastante divertido, só o foi porque eu perdi toda a noção da forma que uma correcta conduta social deve assumir. Está provado que uma educação reprimida, mais tarde ou mais cedo, acaba por ser suplantada pela verdadeira natureza daquilo que um homem ainda é: um caçador/recolector.

O jantar de ontem teve lugar num restaurante lisboeta chamado Adega das Gravatas, lá para os lados de Carnide. Ora o restaurante tem esse nome precisamente pelo facto de ter um sem fim de gravatas penduradas por tudo quanto é sítio, incluíndo nas vigas do tecto. O conceito e tão revelador da existência de centelhas de genialidade, que não percebo como não inventaram ainda a "Taberna do Cuecão XL" ou a "Tasca do Soutien". Basicamente podia abrir-se um franchinsing por cada peça menor do vestuário, e teríamos um restaurante similar, sendo que eu passaria a desaconselhá-lo. Isto não pode ser só chegar a um bairro típico de Lisboa, abrir um restaurante com merdas penduradas na parede, e toca a encher o bolso de dinheiro. Quando o serviço é deprimente, não é um cinto de ligas pendurado num candeeiro que me vai fazer sentir melhor pela escolha. Vamos, portanto, levar as gravatas à falência, se faz favor.

Como já tinha dito, tratou-se de um jantar de aniversário, mais precisamente o jantar da minha amiga Salete (nome fictício propositadamente ridículo que passarei a utilizar, visto que a pessoa em questão nem a inicial do seu nome verdadeiro me deixou mencionar). Tirando o J, com quem fui e que ficou ao meu lado, o resto dos convidados nada tinha a ver comigo. Era malta um bocadinho mais velha, que vê telejornais, lê o Expresso e não diz asneiras.

É muito bom ter imensos amigos; a Salete tem-nos. Ainda assim, quando se tem demasiados amigos, corre-se o risco de que um ou outro acabe por ter ou fazer uma figura de inadaptado maior do que a minha, mesmo depois de toda a quantidade de disparates que fui dizendo ao longo do jantar para o J se rir. Pelo menos, já podia estar mais descansado relativamente à minha aparência e conduta. Para além disso, havia pessoas noutras mesas do restaurante que, devido ao seu aspecto de parvos, me faziam acreditar que eu, no fundo, até estou no caminho certo. Devo destacar o senhor de perna cruzada, refastelado na cadeira como se fosse um divã, envergando calças cor-de-salmão, com o aspecto típico de quem vai ser sodomizado por 10 pequeninos homens asiáticos, e o rapaz que deixou crescer as patilhas de forma anti-social. Aquilo eram setinhas de cabelo que apontavam para as bochechas. No entanto, estava acompanhado por uma gaja, que de costas até nem parecia ter mau aspecto. Fiquei com uma enorme vontade de me dirigir à mesa deles, olhar para a cara dela, ficando apenas satisfeito se ela tivesse cara de quem foi atropelada por uma retro-escavadora, unica razão pela qual se tinha de contentar com aquele indivíduo de aspecto labrego.

Tendo em conta que raramente bebo, e que não sou grande apreciador de sangria, pedi uma 7up. Isto já de si não é uma coisa muito viril, e agradeci a preocupação do empregado quando me perguntou baixinho "pode ser snappy?", ao que eu respondi que sim. Não sei porquê, mas nunca tive a garra suficiente para recusar a marca, quando no fundo até acaba por ser parecida à original. No entanto, passado uns minutos, já com toda a gente a beber sangria e afins, ouve-se uma voz alta a perguntar "QUEM É QUE PEDIU A SNAPPY?". Snappy é ainda mais maricas que 7 up. Vergonha.

Enquanto todas as pessoas estavam preocupadas em pedir comida de gente, eu pedi naco de novilho na pedra. Detesto ementas com dezenas de pratos, e em que cada um ocupa a linha inteira da folha de papel. Quando chega a minha vez de fazer o pedido, é raro conseguir-me ainda lembrar do que quero. Erro crasso, portanto. Não só o meu prato foi o último a chegar à mesa (e isto acontece-me SEMPRE em jantares com maior número de pessoas), como ainda tive de ser eu a cozinhá-lo. De repente ali tinha eu um bocado de boi bebé, tendo algumas dúvidas acerca do seu estado de saúde. Se me tivessem dito que aquilo ainda estava vivo, eu ainda lhe tinha feito umas festinhas.


O "prato" consistia numa pedra pequena a escaldar, com um bocado de carne de 3 metros de altura. A pequenina quantidade de calor que emanava daquela pedra nem uma orelha de porco conseguia grelhar, quanto mais um bocadão de novilho daqueles. A estratégia a empregar seria ir cortando pequenos filetes de carne, à medida que a mesma ia cozinhando. No entanto, é um bocado complicado tentar cortar carne que ainda mexe e faz "muuuu", com a consistência de uma bola gigante de borracha. Além disso, para todos os efeitos, passado pouco tempo já a pedra tinha arrefecido, restando-me apenas um naco de carne gigante com sangue coagulado ao lado. Isso e as caras de nojo das pessoas que estavam directamente à minha frente, sendo que esse mesmo nojo não só era dirigido ao cabrão do novilho como também a mim.

A certa altura lá tive de pedir ao empregado para fazer qualquer coisa em relação ao assunto. Eu estava cego de fome e já quase toda a gente tinha acabado de comer, olhando para mim com um olhar triunfante, como se fossem especiais e eu não. Ok, eu posso não ser especial, mas vocês também não são. Quanto ao empregado, estava mais preocupado em falar com as raparigas da mesa e a fazer caretas ao bebé de um casal do que em tratar do raio da minha carne. Após alguma insistência EDUCADA, lá me disse que ia trazer outra pedra.

OUTRA PEDRA? Se fosse igual à anterior íamos ter sarilho na mesma. É que podia ter pegado no naco, levado para a cozinha e bastava passar um bocado aquilo, mas não. O géniozinho delicado ia trazer-me outra pedra. Seja como for, ainda gostava que me explicassem quanto tempo é que demora a por outra pedra a ferver. Entretanto já se tinham passado 15 minutos e eu continuava com a carne ensanguentada em cima da mesa. O sacana do empregado, quando olhei para ele, tem a lata de me dar uma palmadinha nas costas e dizer que a pedra estava a aquecer. Devia estar, devia.

Passou-se mais um tempo e eu não só já não gozava com o sucedido e não ligava aos olhares de gozo que me eram dirigidos, como já tinha perdido qualquer tipo de compostura social que devesse ter permanecido, mesmo em situações como esta. Já estava bastante irritado, e ao ver o imbecil do empregado de novo a fazer caretas para o bebé e a rir-se com os convidados, sem arredar pé para trabalhar, passei-me completamente. O Pedro educado (quer dizer, com as piadas em voz alta que mandei para o J. durante o jantar todo, nem sei se o cheguei a ser nalgum momento) transfigurou-se.

- "ENTAO MAS AQUELE FILHA DA PUTA CONTINUA ALI A FAZER CARETAS? MAS AFINAL O QUE É QUE AQUELE FILHA DA PUTA TÁ CÁ A FAZER?"

Eu acho que se ouviu. Eu nem "merda" à frente de estranhos digo, quanto mais chamar nomes às mães dos senhores. Não podia ter descido mais baixo. Quando o empregado volta a passar por mim, a educação já se tinha ido toda e só me saiu um "então isso vem ou não?", seguido de um ar de esquecimento por parte dele e de um "ai peço imensa desculpa".

Se não fosse a fome que eu tinha, aquele cheiro enjoativo a carne teria dado conta de mim. Escusado será dizer que a única forma de conseguirem que eu volte àquela merda de restaurante será se eu for a pedra e a Soraia Chaves o naco de carne.


PS: Parabéns e obrigado, Salete, há muito tempo que não me ria tanto e de forma tão alarve. Aposto que outras pessoas ali da minha zona da mesa dirão o mesmo.

sábado, 19 de abril de 2008

Exemplos a seguir num país em crise

Não gosto muito de falar em crise; acho que o uso da palavra se tornou tão generalizado que começa até a parecer "fashion" utilizá-lo. Seja como for, ela, essa coisa, está para ficar.

Aquilo que eu acho que os portugueses ainda não se aperceberam (ou não se querem aperceber), é de que a mudança tem de partir de nós, povinho, os que mais acabam por ser afectados por ela, essa coisa. Ambicionamos maiores ordenados e melhores condições de emprego, mas não estamos preparados para aumentar a produtividade. Em muitos dos casos, nem é uma questão de trabalhar mais horas ou mais depressa. Trata-se de aproveitar de modo mais eficaz o normal horário de trabalho e não fazer como muitos, em que a maior parte vem ler o meu blog (ou pior, a escrever nos seus próprios blogs, que não são tão dignos de perda de tempo como este) a horas em que deviam estar a dar no duro. Mas mesmo que fosse necessário prolongar o horário, devíamos estar preparados para o fazer (eu cá não, tenham santa paciência).

Concentremos a nossa atenção nos toxicodependentes que arrumam carros. A evolução da sua conduta profissional ao longo dos últimos 5 anos tem sido tremenda (embora a tez encardida e os fracos cuidados relativamente às suas pilosidades faciais tenham estagnado e, em alguns casos, até retrocedido).

Hoje em dia, não só chegam mais cedo ao local de trabalho, como também saem mais tarde. Já trabalham aos sábados. Dantes, se chovesse, não era o fino do toxicodependente que estava na rua a dar a cara, não. Eu se quisesse arranjar lugar tinha de me esforçar imenso. Estacionar em espinha não é para qualquer um. Agora até já compraram chapéus de chuva (e, ironicamente, são bem melhores do que qualquer um que eu tenha cá em casa) e lhes dão uso. Andam até mais bem agasalhados, não só em termos de salvaguarda térmica como de estética. Eu até já vi um Skoda da PSP a estacionar à conta de um destes bravos profissionais da arrumação automóvel. Se há 5 anos eram enxotados das ruas, são agora respeitados.

O facto destes baluartes do funcionarismo público (embora um tipo de publicidade diferente) se andarem a esforçar de modo sobrehumano (eu desconfio de que eles se andam a meter na droga), deveria ser um factor de orgulho e constituir um ponto de referência para toda a população.

Vamos pôr os olhos nos nossos drógádos. Se o Cachucho e Paulinho conseguem, TU também podes conseguir!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Coisas de que me arrependo

Fiz muitas coisas na vida de que me arrependo, muitas delas na escola primária. Por um lado, a única coisa que me consola é o facto das crianças acabarem por fazer sempre muitos disparates, normalmente sem terem a consciência da marca que lhes vai deixar no futuro.

Havia uma colega da minha turma chamada M. Ela era muito feia e vestia-se muito mal. Já devia estar tão habituada a ser gozada pelos outros meninos que acabava por ser extremamente antipática e desagradável para eles. Acho que não tinha amigos. Sentava-se sempre sozinha na última carteira, e nunca ninguém virava a cara para trás para olhar para ela.

Sempre que a M. se aproximava de nós, todos começavam a fazer "tsssss tssssss" como se estivessem a utilizar um spray imaginário de Quitoso, contra os piolhos e lêndeas. Nunca cheguei a saber se ela tinha mesmo piolhos. Seja como for, naquela altura, para nós tinha, e muitos.

Eu também fazia "tsss tsss" como os meus colegas, porque não queria ficar de fora do grupo. Nem sequer me atrevia a aproximar dela, senão toda a gente ia dizer que eu também tinha piolhos e, pelo menos durante dois dias seguidos, ninguém ia querer brincar comigo, sem contar com o A. e o JG.

Um dia aconteceu aquilo que ninguém desejaria ao seu pior inimigo. Eu estava a falar demasiado com o colega do lado e a professora percebeu, não tendo achado lá muita piada. A forma de me castigar que ela arranjou foi mandar-me ir lá para trás, para a carteira da M., até ao final da manhã. Fiquei apavorado.

Levantei-me e dirigi-me lá para o fundo da sala, caminhando muito devagarinho. Os meus colegas ficaram caladíssimos. Via-se que iam gozar comigo, mas bastou um centésimo de segundo para se aperceberem da gravidade do castigo e do impacto que teria se lhes fosse aplicado. Cheguei à minha nova carteira e mal olhei para a M. Ela era a única da sala que tinha um olhar triunfante, como se fosse mais importante eu estar a ser severamente castigado, mesmo sendo ela o castigo.

Eu tive tanta vergonha que nem me sentei bem na carteira. O que eu fiz foi pôr uma perna dentro da carteira e outra de fora, para ficar o mais longe possível da M. Nessa ânsia de ficar longe, rasguei a perna esquerda das calças num suporte de metal que a mesa tinha.

Hoje em dia recordo essa história e sinto-me um bocado triste. É que eu gostava mesmo daquelas calças. Ainda por cima eram de bombazine. Bombazine era dos materiais mais radicais que a minha mãe me deixava usar. De resto, como não podia usar ganga, só me restava o tecido de fazenda. Tive de passar a usar fazenda.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

sábado, 12 de abril de 2008

Raramente uso camisas...

... e no entanto tenho sempre o azar de ficar com a costura do bolso por cima do mamilo. Em noites fresquinhas chega a roçar o irritante.

Serei o único?

11 anos depois...

  1. Será que em 2008, em Canêdo, já existem gajas boas e com o mínimo de coordenação motora?
  2. Terá aberto, entretanto, uma loja que venda bikinis que uma rapariga de outra parte do país, por exemplo de Armação de Pêra, não tenha vergonha de usar?
  3. Será que, neste momento, as prostitutas de Canêdo são as únicas habitantes da povoação a usar aquela tonalidade de baton?
  4. Será que toda a gente em Canêdo é assim tão mal feita?
Este vídeo não permite ser incorporado no blog, motivo pelo qual passo a indicar o link para o mesmo. O saquinho para o enjoo é da vossa responsabilidade. Não se esqueçam de carregar para trás no vosso browser depois de verem o vídeo, de modo a poderem ler o resto dos meus maravilhosos apontamentos críticos.

Desfile Miss Canêdo 1997

A certa altura, no vídeo, aparece a frase "recordar é viver". Eu cá, em vez de "viver", teria posto "vomitar". Os meus pais tiveram a sua quota parte de protagonismo na deformação da minha personalidade, mas nalguma coisa há que lhes dar crédito: não estabeleceram residência em Canêdo. Caso contrário, ainda hoje, apesar da bonita idade de 26 anos, eu seria virgem. Muito obrigado, papá e mamã.


PS: Violadores, pedófilos, tarados, padres e afins... Era mandá-los todos para Canêdo! Não é na prisão que vão aprender.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ultimamente...

... dou por mim a visitar alguns dos blogs de que gosto, sem conseguir deixar de reparar que o meu, apesar do talento do autor, tem uma quantidade substancial de interesse a menos. Não existe mais nenhuma pessoa magra que recorra tanto aos posts sobre comida quando a inspiração teima em falhar.

Missão cumprida.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pequeno Almoço: a refeição mais importante do dia.

Há quem comece logo a beber álcool pela manhã. Eu faço parecido, mas com a mais calórica doçaria regional. Trouxas de ovos sabem muito bem, logo, só podem fazer bem.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Ironias...

O meu pc está cada vez mais próximo de dar o berro. Tão cedo não posso comprar outro que corresponda às minhas necessidades (e não, não é para jogar). Faz-me imensa falta para trabalhar.

Nestes últimos tempos, é um bocado triste perceber o seguinte: sem sexo até vou conseguindo passar bem, mas sem computador...

sábado, 5 de abril de 2008

Satisfaz, o caPIIIIIIIIIIIIIIIIII

Chamam a isto de Mini Twix. É o que aparece escrito na embalagem grande que contém estes chocolatinhos mais pequenos. No entanto, no chocolate em si, lê-se simplesmente Twix.

Ora, isto não é um Twix. Quanto muito é um Unix. Um Twix satisfaz duas vezes. Dantes, o Twix chamava-se Raider. Felizmente, alguém percebeu a tempo que, com uma manobra publicitária mais eficaz, como o trocadilho que hoje em dia todos nós conhecemos e que identifica perfeitamente o chocolate, as vendas poderiam ser superiores, começando-se a chamar Twix. Realmente, Raider não percebo. Twix percebo. E isto que acabei de comer não é um Twix.

Só por despeito, vou mas é comer um Thrix. Já está.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Deve ser falta de qualquer coisa. Magnésio ou isso.

Há duas horas atrás eu não sabia onde estava o meu carro. Em Portugal estava quase de certeza, e na minha cidade também estaria, provavelmente. Na garagem é que não estava, e eu bem que procurei nos cantinhos, não fosse ele estar enrolado numa mantinha de teia de aranha. As aranhas comem de tudo, se o espaço em que habitam estiver bem limpinho.

Peguei nas chaves e saí por aí, tentando relembrar os meus últimos passos. Felizmente estava uma noite agradabelinha. A tarde esteve quente e uma pessoa interroga-se sempre se amanhã conseguirá apanhar um bom dia de praia. Ver gajas descascadas em bikini ou isso. No primeiro dia de calor nunca se vai porque é o primeiro e não se está à espera, e no segundo nunca se acredita que a façanha se vá repetir. Logo, nada de gajas descascadas em bikini ou isso.

No sábado passado tive de levar o carro à inspecção, tendo decidido a partir daí poupar (ainda mais) na gasolina, acabando por andar bastante a pé durante a semana. Uma pessoa arma-se em amiga do ambiente (e da carteira), e acontece uma coisa destas. Entretanto, lá me lembrei que no domingo precisei de ir levar uma coisa pesada a casa de um amigo, tendo levado o carro. Só podia estar ali. Depois fomos tomar café no carro dele, e ele deixou-me em casa. Nunca mais me lembrei que tinha ido lá ter de carro. Devia estar a pensar em gajas descascadas em bikini ou isso.

O raciocínio estava correcto. Dentro da minha falta de memória, até que nem tenho má memória. Lá estava ele. Razoavelmente limpo, sem riscos, pneus com ar, vidros intactos. É de realçar que esteve estacionado estes dias todos ao lado de uma escola primária (curiosamente, da minha antiga escola primária), e seria previsível o pior. É que, tirando meia dúzia de pessoas, só o refugo é que ia parar àquele antro de ensino ainda vestigialmente salazarista. Gajas descascadas em bikini ou isso não se viam por ali; apenas contínuas velhas, rabugentas, e deslavadas.

Agora sim, está na garagem. A partir de amanhã vou voltar a poluir normalmente o ambiente. Ao menos assim vou-me lembrando sempre de onde está o carro. E, quem sabe, não dou um pulinho à praia, para ver se já há moças corajosas em fatos de banho mínimos, engavetados, arrojados e tal.