segunda-feira, 29 de setembro de 2008

You may now kiss the bride.

Peter: Kiss her? I'm going to destrooooy her...
in "Family Guy"

...

Se eu fosse religioso, esta seria a minha bíblia.

domingo, 28 de setembro de 2008

É Fútil Resistir

Raramente uso o elevador do meu prédio. São só dois andares e felizmente tenho muito boas pernas. Há apenas três ocasiões que me fazem usar o elevador: estar carregado com coisas, estar acompanhado por uma gaja (se for boa, pela proximidade e pelas situações que isso suscita), e se estiver bem vestido. É que um gajo acha que tem bom gosto e que está em boa forma, mas nada como um espelho para confirmar que está com algum poder no corpo.

E não é que estava? Hoje saí mesmo um bocado a atirar para o bom. Bem vestido, a roupa assenta bem, pose à patrão mas sem dispensar um ar simpático... e no entanto, depois de olhar para o espelho, e especialmente comparando com outros casalinhos que se vêem para aí, foi inútil tentar não soltar um "mas como é que eu não tenho gaja?". A verdade é que nenhuma olhou para mim de forma demorada (pelo menos que eu visse, mas seja como for o meu radar é bem apurado).

Ainda por cima, ontem disseram-me que eu estou a ficar fútil. Fiquei contente, porque só sendo fútil é que uma pessoa se pode concentrar naquilo que é realmente importante na vida.

sábado, 27 de setembro de 2008

Tão cedo não vou precisar de ácido tartárico...

... para lavar as mãos, já que o mosto tinto é tramado para desaparecer. É verdade, despedi-me. Ontem fui lá fazer as contas e pronto. Já não tenho paciência para explicar as razões que me levaram a esta decisão, portanto digo apenas que ganhar 4€/h a fazer um trabalho que é estupidamente inferior às minhas competências, de manhã à noite, não é propriamente a coisa mais motivante do mundo. A minha mulher a dias ganha mais e não tem de fazer nem um décimo da merda que eu fazia.

Felizmente parece que as coisas em Outubro vão melhorar bastante (mais uma razão para ter cagado naquele trabalho à grande). Uma coisa já deu para perceber: nunca me vou conformar com outra coisa sem ser aquilo que quero. Até me posso dar muito mal com esta perspectiva (que muitos chamarão de afunilada, mas eu quero que se fodam), mas quem cedo se conforma acaba por passar dias muito merdosos. Seja como for, pelo menos neste caso, larguei de vez o vinho.

domingo, 21 de setembro de 2008

Não me venham dizer que às vezes é preciso fazer sacrifícios...

... que mando-vos já a todos pró caralho, mas mesmo assim sem pinga de exagero. Este trabalho é uma merda e, felizmente, no final de Outubro conto já estar em metido em coisas melhores, nem que seja nos semáforos a lavar limpa-parabrisas.

Ontem, por exemplo, estava com uma das minhas colegas a recolher amostras de um dos depósitos. O Sr. Atrasado Mental (não se chama assim, mas devia), decide começar a preparar as soluções antisépticas mesmo por baixo do sítio em que estávamos. Quando estava a ler a densidade e temperatura do conteúdo de uma das cubas, começo a tossir ligeiramente. Pensei que não devia ser nada, porque de manhã eu já não estava grande coisa. De repente começamos a tossir os dois, até não conseguirmos respirar nada sem ser amoníaco (aquilo arde quando entra nos pulmões, é assim uma coisa a atirar pró chatinho). Apesar da estrutura ser alta e cheia de obstáculos, o instinto só nos mandava correr dali para fora. Quem estava cá em baixo tinha na cremalheira aquele ar de gozo na cara do género "ai os engenheirozitos não aguentam cheirinho que não seja o de perfume e nem pode ser daquele que se vende na feira de Santana", mas assim que aquilo se espalhou até a um dos tegões, começou tudo a afastar-se. Só o senhor Resistente A Tudo é que ficou lá em cima. Sempre são 30 anos daquilo. Uma coisa é certa: nunca verão uma pessoa bonita e bem cuidada a fazer a vida do Sr. Resistente A Tudo.

Quando era mais novo e, ao cumprimentar alguém, esse alguém me estendia o antebraço e não a mão, por a ter demasiado suja, eu pensava para mim "Someone has a really crappy job...", embora em português (mas assim o efeito é mais descritivo). Anteontem eu tornei-me numa dessas pessoas. Ali uma pessoa anda sempre cagada, e não é do rabo. Um pequeno à parte: há bocado estive a cortar as unhas mesmo rentinhas, porque tinhas as unhas pretas por baixo, como as mãos dos trabalhadores do campo com ar mais pobre, à conta do mosto dos tintos. Mesmo assim, é bem melhor sujar-me com esse mosto do que com aquele que vai para as torres. Essas são fermentações muito fodidas e vinhos muito merdosos: parece diarreia.

Eu nunca fui muito de coçar os tomates. Não fui educado nesse sentido e nem sequer tenho as unhas dos dedos mindinhos bem compridas (e agora muito menos, por causa do supracitado mosto dos tintos). Percebo agora, no entanto, a importância de ter tempo para os coçar. Se já quem não tem testículos gosta de ter um tempinho livre para descansar, imaginem-me a mim, que nasci com dois. Ainda por cima passo o tempo quase todo de pé, de um lado para o outro. Habilito-me a ganhar varizes nas pernas e micoses na salada.

Esta merda é assim de manhã à noite. Toda a gente me diz para eu olhar pelo lado positivo, e acreditem que eu bem faço esse esforço. "Há sempre alguém pior". Pois há, foda-se. Pois claro que há. Há gente com problemas motores, há gente com reformas miseráveis, há gente que dorme na rua, há gente que compra roupa na Bershka. Mas porra, também há gente muito melhor e esta não é a vida que idealizei para mim, seja coisa temporária ou não. Deixem-me lá queixar em paz durante um bocado. A única coisa em que consigo pensar no final do dia é que não aprendi nada que contribuisse para a minha felicidade, não estou mais rico (estou apenas ligeiramente menos pobre), não tenho energia para mais nada, sem ser comer gelado e ir prá cama, e amanhã repete-se tudo de novo. Já nem sequer ando carente! Uma gaja que queira festa, neste momento, com o cansaço que tenho, vai ter de me comer por cima e fazer ela o trabalho todo. Comprometo-me apenas a tirar os boxers e pouco mais.

Mas vejamos pelo lado positivo: amanhã posso sempre espetar-me na A8 de manhã, antes de chegar ao trabalho. Se for de noite, depois de voltar de lá sujo e cansado, é que já vou achar que foi demasiado irónico por parte do Deus, do Jesus, e do Espírito Santo.

PS: Sempre que uma pessoa se baixa, especialmente se for gente rude do campo, mostra-se mais um rego ao mundo. Eu adoro cús, mas ando a ver demasiadas bordas de forma não solicitada (e do sexo errado) para o meu gosto. Esquisitices.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dia 3

No meio de um laboratório bastante grande e com algum aparato, está esta plaquinha afixada na parede de forma muito sossegadinha. Era como se quem a pôs lá, ainda antes de eu ir trabalhar para ali, tivesse previsto que eu ia. Leio-a várias vezes ao dia. Tenho-lhe carinho. Talvez a roube quando souber que tenho de me ir embora. Pronto, não convém ser no último dia, senão apanha-se facilmente o culpado.

Isto de passar do 8 para o 80 é tramado. Digamos que, para conseguir acordar, tenho de dizer todas as asneiras que conheço. A manhã até se passa muito bem, mas depois do almoço a minha cabeça já não consegue funcionar lá muito bem. A certa altura, numa sala menos iluminada, julguei ver um saco bem grande de amendoins e exclamei:

- Ena, amendoins!

Era só um sacalhão de rolhas que se foram acumulando das garrafas para amostra.


PS: Já sei que vão ficar cheios de pena, mas infelizmente não tenho histórias para vos contar sobre labregos. As pessoas com quem me tenho cruzado têm sido simpáticas, civilizadas e educadas, mesmo nos mais "baixos" cargos. Será do grau?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

domingo, 14 de setembro de 2008

De que é que serve ter "muitas" amigas...

...se precisamente no último fim de semana de liberdade (raisparta a vindima ou o caralho) nenhuma está disponível para sair?

Adenda: E seja como for é inútil ter amigas, porque não é com amizade que se perpetua a espécie.

sábado, 13 de setembro de 2008

Afinal...

...tou fodido. Este mês queria tentar pôr um post (minimamente relevante) todos os dias, mas não sei se vai ser desta. Se não o fizer, já sabem que não deu para ir dormir a casa.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E eu que nem sequer gosto de vinho.

É muito cedinho para se estar acordado, mas a verdade é que este corpinho já está na vertical, para juntar ao facto de não me estar a sentir lá muito bem. A culpa é toda do vinho.

Como a vidinha não anda fácil, aceitei este mês ir para o laboratório de uma adega, para fazer as análises durante a vindima. Enfim, assim se dá mais um passo (forçado) para longe da vocação. Pode ser que não seja tão intensivo como estou à espera e dê para conciliar com algumas coisas que até dava jeito serem feitas agora. Pelo menos vou ser pago principescamente (temos é de ter como bitola a monarquia nepalesa).

Eu até conheço aquela adega. Brincava lá quando era miúdo. Aquilo tinha rampas bué fixes para saltar de bicicleta, tinha montes de sapos e o cheiro, apesar de nauseabundo e enjoativo, não nos incomodava, porque sabíamos que a qualquer momento podíamos ir embora dali. É irónico que amanhã, apesar de ter um carro, que é muito melhor que uma bicicleta, eu não me possa ir embora se me apetecer. Temos pena. Ninguém me tira é da cabeça que este é, de longe, o pior trabalho que um ser humano pode ter de desempenhar.

Já me estou a imaginar a precisar de ir a alguma loja à pressa, no final de um dia em que tenhoaconseguido sair um bocado mais cedo, e as pessoas a darem um passo atrás e pensarem "coitado, tão novo e tão bonito, e já está metido na pinga". É melhor levar um escafandro e um cabo muito grande, para quando tiver de recolher amostras (nome bonito para "quando tiver de me cagar todo"). É o inferno, minhas senhoras e meus senhores, o inferno.

Não faltarão histórias sobre vinho e labregos durante os próximos tempos. Está garantido.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Reinterpretações (entre o sol e a lua)

Há uma música nova do Ricardo Azevedo (ex-vocalista dos Ez Special) chamada "Entre o Sol e a Lua", que tem passado incessantemente na rádio. O pessoal até mandou chamar o apoio técnico, com medo de que o equipamento tivesse bloqueado naquela faixa, mas não. As playlists são mesmo assim.

Como não podia deixar de ser, o poema desta música do Ricardo (e de resto, à semelhança do "Pequeno T2") é lindíssimo. Só não o é mais porque já existem trezentas e quarenta e sete mil, novecentas e duas músicas de amor com as palavras céu, sol, luar, estrelas, coração e nuvens dentro da mesma música (a ironia é a de que, se errei no valor, foi provavelmente por defeito). Como prova da sua beleza, deixo aqui, para vossa contemplação, esta missiva de amor, juntando apenas uma alteração que penso fazer todo o sentido (que não seria possível sem a ajuda do meu amigo J., ele próprio um admirador incondicional dos registos fonográficos do Ricardo). Fã que é fã não só aplaude, como ajuda. Já eu, faço outra coisa qualquer.


Entre o Sol e a Lua (letra de Ricardo Azevedo e Pedro M.)

Se hoje te dissesse que o sol brilha só para ti
Que as nuvens partiram e levaram a sombra que nos
tentou afastar.
O dia vai acabar
Vou oferecer-te o luar
Porque o céu não é de ninguém.

...

Vem comigo esta noite
Vem comigo esta noite
Agarra a minha mão, dou-te estrelas, o luar.
Se isso não chegar, ouve bem esta canção.
Hoje dou-te...
Hoje dou-te...
Hoje dou-te com o meu salsichão.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Momento da Verdade

Não sei se viram ontem a versão portuguesa do programa original da Fox. Eu não costumo ver televisão, mas este tinha de ser. A curiosidade foi mais forte do que eu, e quis ver como é que um formato daqueles se traduzia para um país como o nosso. Tinha algum "receio" de que as perguntas fossem mais ligeiras, já que somos um povo de brandos costumes. "Felizmente" não. No entanto, fiquei parvo com a capacidade da Teresa Guilherme de transformar (ou de deixar transformar) a merda que aquele gajo fazia na vida em virtudes. Para quem não está por dentro do assunto, os concorrentes respondem a 21 perguntas sobre a sua vida privada, a maior parte delas bem puxadas e que exploram todos os seus podres, submetidos a um polígrafo. Depois, no concurso propriamente dito, ao jeito de "Quem Quer Ser Milionário", basta o concorrente ir respondendo sempre com a verdade para ir progredindo em termos monetários.

O gajo que concorreu teve a lata de dizer que aquele programa lhe servia para ele desabafar em público e corrigir erros que andava a fazer. Eu acho que ele apenas fez dois erros na vida. O primeiro foi o de ter nascido; já não dá para corrigir. O segundo talvez ainda vá a tempo, que é o de ser um labrego do caralho.

Desde trair a mulher com várias mulheres e sem usar preservativo (mulher essa que sorria amareladamente e batia palmas a cada pergunta que o marido acertava, ainda que isso significasse ter respondido afirmativamente ao facto de ter ido às putas), a não se esforçar nem gostar de brincar com a filha (sim sim, desculpa-te com essa treta de não gostares de bonecas)...

É engraçada também a existência daquele botão que é utilizado para salvar o concorrente de uma pergunta. É claro que se lhe perguntam se, durante o casamento, foi para a cama com mais de 15 mulheres e o amigo vai a correr carregar no botão para ele não ter de responder, a resposta está mais que dada, não? E, para quem não viu, isto não sou eu a fazer uma piada. Esta pergunta foi realmente feita.

E que dizer dos patamares que permitem chegar com segurança a determinadas quantias de dinheiro? A julgar pelo programa de hoje, imagino uma sequência deste género para a próxima semana:

- Praticou sexo anal com a sua sogra na casa de banho do serviço de endocrinologia do Hospital Curry Cabral?

- ... pffffffff (suor a escorrer da testa)... Sim, é verdade.

A RESPOSTA É... VERDADEIRA!

- Parabéns, respondeu acertadamente à ultima resposta deste nível e encontra-se agora no patamar dos 10mil euros! Estes são seus, já ninguém lhos pode tirar!


Resumindo: há um monte de merda que tem mais 25 mil euros na conta. Só não ganhou mais dinheiro porque a certo ponto decidiu parar, invocando que a família era uma prioridade para ele, que a queria resguardar (é claro que ele não disse isto desta forma, tendo em conta que era um burro de merda que mal sabia falar), e que o dinheiro era importante mas não assim tanto. Meu grande palhaço, tu só não continuaste porque as perguntas iam começar a ser ainda mais puxadas e essa cara de pau já não aguentava muito mais, de tanto caruncho que tinha. Se não querias expor a família nem ias lá.

Não só ganhou 25 mil euros como foi fortemente aplaudido, como se revelar aquele tipo de conduta fosse prova de honestidade. Foi apelidado de homem de desafios e o seu progresso na carreira militar foi enaltecido. Tá tudo doido.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Uma amiga minha...

... que é assistente social, tem a seguinte frase no messenger:

"Solidariedade não é dar o que nos sobra, mas sim dar o que nos faz falta..."

Bem me parecia que eu era uma pessoa muito solidária e com vontade de me dedicar ao bem alheio. É que apesar de ter falta de sexo, o que não me falta é vontade de o andar por aí a distribuir.

Momentos mais tarde, a mesma amiga diz:

- Estou à procura de um corte de cabelo que me agrade.

- Eu também. Convém é que tenha um bom corpo por baixo.

...

Entretanto há um amigo que me diz:

- Foda-se, tou a ver que te tenho de levar às putas. Eu pago e tudo.

- Nunca na vida eu aceitava uma coisa dessas. Conheces bem o meu lema "Recorrer à prostituição é assumir uma derrota".

- Eu arranjo maneira de tu nunca saberes e tau.

- Pois, mas sabes bem que se eu tiver sorte com alguma gaja assim sem mais nem menos, vejo-me obrigado a desconfiar, a menos que seja muito feia. Mas também se for feia não quero.

- Eu pago-lhe para te ir seduzindo ao longo de alguns encontros, e depois já não tens razão para desconfiar.

...

Moral da história: nunca mais vou cobrir na vida porque vou andar sempre de pé atrás. Pronto, venham lá os tremores e os suores frios.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

domingo, 7 de setembro de 2008

Porque é que será que...

... sempre que um rapaz combina um café com uma rapariga que ainda mal conhece, as pessoas assumem logo que ele só quer é pôr a pobre coitada fora da garantia?

E que rapariga é que ainda acredita que um rapaz, ao convidá-la para jantar, não tem, no mínimo, algumas esperanças de a ter sobre a mesa à ceia e com direito a pequeno almoço?

sábado, 6 de setembro de 2008

Enunciado para um possível exercício de Probabilidades e Estatística 1

Qual é a probabilidade de uma jovem de cabelo louro platinado, mini-saia (ou será maxi-cinto?), sandália de salto altíssimo e maquilhagem extremamente exagerada não ser prostituta?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

As receitas do Pedro - 1

Para muitos homens (e algumas mulheres) que saíram há pouco de casa dos pais, as rotinas alimentares entram, sem grande tempo para adaptação, numa fase caótica. Os alimentos que mais facilmente deixam de fazer parte do quotidiano são a sopa e a fruta, precisamente os que mais falta fazem numa alimentação saudável. Já em termos emocionais, o recém-emancipado vê-se privado de bolos e doces. Deixarei a vertente pasteleira para outra edição desta nova rubrica.

Quanto à fruta, levantem o cu da cadeira, comprem-na e descasquem-na. Nada mais fácil. Já relativamente à sopa, percebo que seja mais complicado, especialmente para quem nunca cozinhou na vida.

Se querem manter a linha, não se podem desleixar com a comida depois de se tornarem independentes! Por isso, mesmo que não gostem nem de sopa nem de cozinhar, sugiram que façam um esforço, a bem da manutenção das hipóteses de manter uma vida sexual normal. Mesmo para aqueles que já são parte integrante de uma relação duradoura e gratificante, convém ter sempre bom aspecto, pelo sim pelo não. Boas amantes não há por aí a potes.

Vamos lá à receita propriamente dita. Fazer sopa é muito fácil:

  • Em primeiro lugar, é preciso arranjar uma panela grandalhona. Há que comer sopa todos os dias (pelo menos uma vez), mas cozinhar é chato; por isso, fazê-la todos os dias é burrice. Isso faz com que uma panela grandalhona não seja nenhum erro, apesar de ser só para uma pessoa. Deste modo faz-se logo sopa para mais tempo. Se fosse para uma família inteira, já teria de ser uma panela grande comó caralho, mas neste caso a grandalhona serve.
  • Depois descascam-se batatas. O volume é conforme a larica. Se forem alarves descascam muitas, se forem piscos, cortam poucas. A batata é a cena geral da sopa. Tem de haver uma cena geral. Há quem faça de cenoura e de abóbora. Cenoura ainda gosto, mas o pessoal que faz com abóbora pode mas é ir mamar. Não gosto, logo ai de quem goste.
  • Põe-se a panela ao lume com a batata, para cozer e ficar bem molinha. Eu tenho um segredo, que torna a sopa especialmente cremosa, que é juntar água. Vou juntando a olho, até cobrir a batata, e depois vai-se continuando a juntar até acharmos que está fixe. Nunca falha.
  • A partir daqui, o fazer sopa é tão bonito como reintegrar ralé num bairro social. Uma pessoa vai metendo todo o tipo de merdas ao calhas lá para dentro (neste caso da sopa, e não do bairro social, embora também lá vá parar muita) e fazendo experiências. Uma colherzinha de azeite (porque umas gorduras fazem sempre bem, embora não saiba bem a quê; se já tou a gastar tempo a fazer sopa não tenho pachorra para ir ver essa treta da roda dos alimentos e do corpo humano e das vitaminas), um bocadinho de cebola, cogumelos, delícias do mar. Epá, é como eu digo. Desde que os ingredientes sejam bons, também não pode ficar muito mal. Seja um pacote de ervilhas pré-congeladas ou parte do golden retriever da senhoria, desde que tudo seja mexido com carinho, é meio caminho andado para ficar uma sopa mesmo daqui (neste momento tirei as mãos do teclado e agarrei no lóbulo da orelha direita, tendo-o abanado de seguida).
  • O sal é uma questão de gosto. O que não é uma questão de gosto é, após provar a sopa para ver se precisa de mais uma pitada, voltar a colocar a mesma colher de pau na panela, no caso de sabermos que não vão ser os únicos a comê-la. Está erradíssimo, a menos que tenham muito à vontade com a(s) outra(s) pessoa(s), visto que parte integrante da intimidade é a badalhoquice.
  • Depois vai-se mexendo. Se tiverem acesso a um portátil com internet de banda larga, o processo de mexer a sopa torna-se mais fácil, se o acompanharem do visionamento de sites eróticos. Fica um creme que é uma maravilha.
Fácil, não acham? Já agora ensino-vos mais um truque meu. A sopa sabe sempre melhor no dia a seguir. Por isso, enquanto a põe no frigorífico, pegam numa saqueta de creme de cogumelos da Knorr e ficam o assunto resolvido a curto-prazo. Aliás, se vocês não forem parvos, em vez de terem trabalho a fazer sopa, terão carradas de pacotinhos na dispensa.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Até quando...

... é que é socialmente aceite eu andar na rua de havaianas sem ser confundido com um brasileiro?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Já toda a gente percebeu...

... que foram ao Sudoeste. Mas não acham que já era tempo de tirarem as pulseirinhas? Ninguém (pelo menos de jeito) vos vai saltar em cima apenas à conta disso.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

To hi5 or not to hi5, there's absolutely no question.

Estou prestes a apagar a minha conta do hi5. Pela segunda vez. Continuo sem perceber para que é que serve.

Para começar, quem acha que tem realmente mais de 500 amigos, precisa de mandar umas fodas e das boas. A julgar pela lista de amigos de muito boa gente, parece que, no dia a dia, apertam a mão ou dão dois beijos a cada pessoa em quem, involuntariamente, roçam na rua.

Se eu quero fazer justiça à amizade que tenho com uma pessoa, combina-se um jantar ou outra coisa qualquer. No mínimo liga-se para o telemóvel. Agora, andar a substituir esse tipo de contactos por testemunhos nos perfis e toda aquela bonecada foleira (já vi mais rosas e ursos de peluche no hi5 do que na vida real) é bem mais estúpido do que fazer a A1 toda em marcha-atrás.

Eu até percebo que haja uma certa curiosidade em procurarmos pessoas que não vemos há algum tempo, vermos uma foto ou outra para sabermos se estão com bom aspecto ou não, e por aí fora. É legítimo. No entanto, neste momento já nem sequer é possível pesquisar pelo nome. Somos levados à cusquice, se queremos descobrir alguém, vasculhando nas infindáveis listas de amigos.

O uso que é dado às secções de fotos é de uma futilidade bem maior do que a tara da Imelda Marcos por sapatos. Mostra-se demasiado da vida de cada um. Da vida e do corpo. Porra, eu gosto comó caraças de mamas e cus, mas há fotos que não só são susceptíveis de provocar vergonha a quem as põe no seu perfil (ou melhor, deviam mesmo provocar), como muitas das vezes até a própria pessoa que as vê fica com aquela sensação de vergonha alheia.

E mais: se as minhas filhas andassem a mostrar as mamas naqueles ângulos, já para não falar em certas fotos em roupa interior (que de tão interior parece estar a migrar para dentro do corpo), apanhavam mas era um par de bofetadas. Acabava-se o telemóvel e a net e não bufavam. Sair à noite só se fosse para levar o lixo para o contentor. E ai delas que tentassem fugir de casa. Iam desejar ter conseguido.

Parece que no hi5 há duas faixas etárias maioritárias. 89% é constituído por indivíduos dos 15 aos 25 anos; 10% por gente dos 40 para cima que acha muito moderno ter hi5, ainda que andem apenas a espalhar comentários pedófilos em perfis de (é com cada poema e lema de vida que não sei se hei-de rir, se vomitar), lá está, miúdas a mostrar o colo das mamas no ângulo morangos com açúcar, e 1% para meia dúzia de gatos pingados que, como eu, nem sabem bem como foram lá parar. Ou melhor, até sabem. "Tenho hi5, logo, existo". É este tipo de pressãozinha que lá vai empurrando o resto a abrir uma conta, na tentativa de se manterem jovens e dentro das práticas sociais comuns.

E esta mania de se comentar todo e qualquer peidinho que alguém da lista de amigos dá? Ai vamos lá mostrar como somos fofinhos. A seguir a cada foto, mostrando todo e qualquer lugarejo a onde fomos, juntam-se descrições como "fim-de-semana de sonho em Benidorm", seguido logo de comentários do género "Ai foste a Benidorm? Ai adoro-te sua porca. Fazes cá falta. bEiJuHs tOnTuHs ********".

E a quantidade de casais disfuncionais que teimam em achar que não cegam a vista a ninguém se fizerem o upload de 50 fotos juntos, cada uma mais leprosa que a anterior? A culpa também é dos comentário de incentivo do género "que queridos, merecem o mundo, foram feitos um para o outro". Sim, foram feitos um para o outro. Como a bosta e a varejeira.

Agora até há um reality show baseado no hi5 chamado Ícones. Dão aos participantes 500 euros de 15 em 15 dias, um carro, um portátil e um telemóvel (a produção do concurso chama-lhe "kit de sobrevivência", eu chamo-lhe "vocês se não são atrofiados dos cornos imitam bem") e é vê-los a andar de nariz empinado, como se fossem putas a passear nas esquinas, com ilusões de serem das de luxo. Levam-se demasiado a sério. Parece que os critérios do concurso são o número de amigos que se tem, as visitas que se recebem e a quantidade de comentários que é deixada no perfil. Foda-se, tenham juízo. A solução para essa gentinha era muito simples. Esta merda passava-se a chamar o Heil5 e iam todos para um campo de concentração levar com gás na tola. Queria ver depois quem era o ícone.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008