quinta-feira, 28 de maio de 2009

Porque mais vale um minuto na vida, do que a vida num minuto.

Não sei se já contei isto aqui ou não, mas há sempre uma segunda vez para tudo, até para o sexo. Há, mas nalguns casos tarda. Aquela vez em 2007 soube a pouco. Coisa mesmo gostosa.

Tinha 6 anos e andava na 1ª classe quando ouvi pela primeira vez a palavra "pichota". Lembro-me de ter sido o malcriadão do João Pedro a dizer, quando a contínua estava a obrigar os meninos todos a lavar os dentes e escovar a língua, tipo prevenção estomatológica em série.

Nunca tinha ouvido a palavra, mas parece que no fundo já sabia o que era. Agora imaginem o eco a propagar-se naquelas casas de banho, dado o volume da voz do JP:

- PICHOOOOOOOOOOOOOOTA OTA OTA OTA!!!!!

Escusado será dizer que eu, tendo em conta que reajo sempre de forma emotiva a todos os acontecimentos importantes pelos quais passo (incluindo a tal berlaitada de 2007; acabamos os a chorar abraçados, tal a beleza daquele minuto e quinze), acabei por me cagar a rir cerca de 2 décimos de segundo depois do segundo eco.

Já não sei a que propósito, mas mais tarde, muito mais tarde, uma namorada minha descobriu que eu me ria a bandeiras despregadas sempre que ouvia pichota (com dicção lenta e perfeita) ou p'chota (mais à nazarena). Ou seja, eu quando ouvia e ela quando via.

O problema é que, de vez em quando, e algumas vezes em locais públicos, ela aproveitava-se para chegar bem pertinho de mim, encostava a cabeça à minha e dizia, com voz de "amo-te", muito sussurrada:

- Pi...cho...ta...

Da primeira vez que ouvi ainda fiquei em brasa porque pensei que ela me (a) estivesse a querer, mas de repente veio toda uma corrente de emoções ligadas à tal época da primeira classe e, mais uma vez, el português se borrou todo a rir. É sempre complicado explicar às pessoas que não estão por dentro porque é que não consigo parar de rir, especialmente sem ninguém ter dito que o Benfica não só ia à Liga dos Campeões como ainda ia passar à fase de grupos.

Hoje em dia, já não faz o mesmo efeito. Em vez de me rir alarvemente durante 5 minutos, dura apenas 3, e apenas naquele ritmo de motor que não sabe se há-de pegar ou não.

Às vezes, quando venho na autoestrada meio a dormir (embora já não faça tantos quilómetros e tão tarde como dantes), digo em voz alta a palavra pichota em jeito de prevenção rodoviária. Se, em cima disto tudo, juntar a palavra bidé, é medida suficiente para aguentar mais uns quilómetros até à próxima saída.

7 comentários:

VCosta disse...

Há coisas que só nós mesmos damos valor...

Eu Mesma! disse...

e o que é que a pichota tem haver com aquela vez em 2007???????

Suzy disse...

LOL
Começo sempre os comentários neste blog da mm maneira, mas é inevitável.
Lindo, lindo é tu rires-te qd ouves e ela qd a vê! LOL!!
Vá lá q a tua, mm em 2007 foi gostosa. Nem tds podemos dizer o mm...

Suzy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Abobrinha disse...

Suponho que não te tenha ocorrido pôr o rádio em altos berros como toda a gente, não?

Abobrinha disse...

... pi-cho-ta...

Espectáculo! E eu que pensava que era maluca por ter uma pancada por canhotos!