sábado, 13 de junho de 2009

Não serves para grande coisa, ó Santo Antoninho.

Santos Populares é uma diversão do caralho, pelo menos a partir da litrosa e meia de imperial. Se levarem já a garrafinha de casa com vodka e suminho de ananás misturado, ainda melhor. Eu cá, fiquei-me pela litrosa. Já devia ter aprendido a lição com a primeira vez em que lá pus os pés. Mais álcool no sangue é uma necessidade.

Nem tudo foi mau. Aliás, durante o jantar, houve um desenvolvimento extraordinário na minha vida. Depois do chóriço, febra e imperial, eis que chega um prato de caracóis à mesa. Eu cá nunca tinha comido caracóis. Sempre fui daqueles que nunca tinha provado mas que também não fazia questão de os provar, e isto durante anos.

Só os santos para levar um gajo a cometer uma loucura. Olho para o bicho, despeço-me dele, e ala corninhos para a boca. Parei apenas na molhanga. Digam o que disserem, aquela merda não sabe a grande coisa. Parece toucinho mais mole mas não sabe mesmo a nada. "Só comeste um, tens de comer mais!" Deve ser isso. É como com a merda. Um gajo come uma caganita e sabe mal como a merda, mas insistindo, abre-se ali todo um novo mundo de prazer. Não gosto pá, acabou-se. Desta vez não digam que não provei. Venha o tremoço e faz-se a festa na mesma. Pessoal do tremoço para um lado e pessoal do caracol para o outro.

A partir daí foi o downhill completo. Não sei se viram um gajo com tshirt branca e um tubarão da throttleman, lá para os lados da Bica, mas era eu. Tinha cara de mau? Era mesmo eu. Ainda me tentaram puxar para o princípio de um comboio, mas aquilo não é mesmo a minha cara. Toda a gente diz que não gosta daquele tipo de música, mas depois é vê-los todos doidos a dançar.

Não podia era faltar o erro habitual deste tipo de festas. A malta encontra um sítio onde se está tão bem e à vontade, onde dois velhotes cantam os grandes êxitos de Quim Barreiros & Companhia, e vai sair dali para correr os tascos todos. Acho que, para todos aqueles que já participaram no género, não vale a pena explicar o resto. Foram horas a andar para cima e para baixo à procura de outros amigos, aos empurrões ao habitual mar de gente, com os telefonemas pelo meio em que ninguém percebe ninguém, para chegarmos ao destino e voltarmos a descer passados dois minutos.

Eu também fui estúpido porque só fui para lá à espera de ver uma certa pessoa. E quem é que, em plena consciência, acha que é no meio de milhares de pessoas a olharem em frente para tentarem não perder os amigos, é que vai dar de caras com a tal? Quem é que me garante sequer que ela também foi para lá? É que de resto, em termos de gajas, vi fanecas boas suficientes para uns bons meses. Seja como for, ver não é facturar. E aquela era aquela. Não era suposto os Santos ser uma das alturas em que tudo pode acontecer?

8 comentários:

Abobrinha disse...

Se houvesse mesmo milagres, os santos seriam mais populares. E não no sentido de lhes oferecerem festas apimbalhadas e sardinhas. Ou fanecas.

Deixa lá. Há mais peixe por esse mar fora. Embora eu saiba o que é fixar a merda do isco em quem cisma em não o morder. Mas não adianta...

Eu Mesma! disse...

Se o santo antónio fosse assim tão milagroso rapaz..... eramos muito felizes!

:)

Carolina disse...

ate pq o santo antonio eh o santo casamenteiro.. devia sim!

ManUel disse...

nao estive na bica :P foi em alfama sorry :P

NI disse...

Mas se quiseres repetir a dose sempre tens o S. João, :-)

Miss quero-paz-no-mundo-e-tal disse...

Também sou apologista do ficar no sitio onde se canta melhor Quim Barreiros e não mexer dali e ainda bem que não gostas de caracois. Só por estas 2 qualidades acho que merecias facturar!

zé disse...

adorei o teu post por várias razões

1. depois de vencer o asco e provar, também achei que não sabia a nada.. apenas a molhanga, e consigo imaginar coisas melhor a boiar..
2. conheci o meu actual marido num sat. antónio..é mesmo verdade
3....

VCosta disse...

Já não tenho pachorra para andar nas festas de lado para lado aos encontrões... é acampar num tasco e está feito!!!
A esperança foi a última a morrer... se não tivesses ido teria sempre o peso na consciência em como a terias encontrado no meio de milheres de pessoas...
No meio de tanta faneca querias uma única sardinha, essa é que bate...