Acabei agora mesmo de ir ao parque tomar café. Podem ficar admirados por eu ir lá sempre mas, de facto, é a única hipótese que tenho de ver a Menina do Parque o sítio mais agradável para tomar café nesta cidade a estas horas (eu era o da t-shirt laranja da throttleman, mas estou disposto a andar de camisa, se preferires; sou bastante flexível).
Vi lá hoje dois casais a mudar as fraldas a putos, um deles dominando mesmo a arte de mudar fraldas de pé (a mulher segurava o puto e puxava-lhe as pernas enquanto o homem limpava a merda e punha nova fralda). O outro, após remover a fralda mijada, punha pomada nas vergonhas provavelmente assadas do filho, enquanto a mulher acalmava a birra da segunda cria. Digamos que nem um casal nem outro eram o espelho da felicidade.
A menos que a Menina do Parque venha dizer que lê este blog, sabe quem eu sou e, inesperadamente, tem vontade de me conhecer e que adorava ter filhos num futuro próximo o meu relógio biológico (que deve estar sem pilha) me faça mudar subitamente de opinião, não me vejo a ter filhos nos próximos 30 anos. Não sei se é da expectativa de qualidade vida que a sociedade actual nos impõe, mas é raro ver pais felizes pela rua fora. O cenário é totalmente o oposto, parecem agrilhoados e a criança é a bola de ferro. Uma bola de ferro que caga e berra que se farta. Trabalham para sustentar a casa e os filhos, e sobra muito pouco tempo livre para serem verdadeiramente livres e disfrutar da vida. Se não fosse pela necessidade descomunal que eu tenho de perpetuar a minha existência, ao passar o meu código genético fraquito, contentava-me perfeitamente em brincar de vez em quando com os filhos dos outros, nos momentos em que não estão a cagar, não estão a berrar e não me incomodam o trabalho, lazer ou sono.
O meu futuro por falta de aptidão a meter conversa com mulheres que não conheço é comprar um cão.