... que, de vez em quando, me costuma fazer cobranços do género "daquela vez não te lembraste daquilo" ou "no outro dia pedi-te e não me ligaste nenhuma". Pois bem, ela acaba de cometer o pior erro de todos. Esqueceu-se de me dar os parabéns. Ligou-me há bocado e disse:
- Só agora é que reparei que me esqueci dos teus anos. Ainda por cima estas coisas são importantes para mim. Opá, perdoas-me?
Não é que isso me faça diferença. Sinceramente, desligo-me um bocado dessas tretas. Uma amizade mede-se pelos gestos que os outros têm connosco todos os dias, e não apenas nas datas mais redondas. Quando uma pessoa tem a lata de nos pedir para irmos a Lisboa às 8 da manhã num domingo para carregar móveis, vê-se que só podemos mesmo ser grandes amigos, pelo tamanho do descaramento (pronto, lá vou ouvir amanhã mais um "deixa tar que nunca mais te peço nada"). São estas ocasiões que fazem as amizades, e não o cor-de-rosa de mais um cumpleaños.
- Deixa lá, não é assim tão importante. Já sabes que para mim é um dia como todos os outros, nem andava assim com grandes razões para festejos...
Uma coisa é certa: a minha convivência com mulheres ensinou-me a encarar uma falha destas como se de um tesouro se tratasse, uma manilha de trunfo à espera de engolir um rei e dois valetes perdidos algures numa mão, ao sabor das últimas rodadas. É óbvio que eu podia ter-lhe ligado há mais tempo e espetar-lhe com essa na cara, mas não. Decidi ser gaja. Vou esperar que ela me chateie por causa de uma merda aleatória, e vou-lhe servir o esquecimento do aniversário de bandeja. E não há-de ser um acto isolado.
- Só agora é que reparei que me esqueci dos teus anos. Ainda por cima estas coisas são importantes para mim. Opá, perdoas-me?
Não é que isso me faça diferença. Sinceramente, desligo-me um bocado dessas tretas. Uma amizade mede-se pelos gestos que os outros têm connosco todos os dias, e não apenas nas datas mais redondas. Quando uma pessoa tem a lata de nos pedir para irmos a Lisboa às 8 da manhã num domingo para carregar móveis, vê-se que só podemos mesmo ser grandes amigos, pelo tamanho do descaramento (pronto, lá vou ouvir amanhã mais um "deixa tar que nunca mais te peço nada"). São estas ocasiões que fazem as amizades, e não o cor-de-rosa de mais um cumpleaños.
- Deixa lá, não é assim tão importante. Já sabes que para mim é um dia como todos os outros, nem andava assim com grandes razões para festejos...
Uma coisa é certa: a minha convivência com mulheres ensinou-me a encarar uma falha destas como se de um tesouro se tratasse, uma manilha de trunfo à espera de engolir um rei e dois valetes perdidos algures numa mão, ao sabor das últimas rodadas. É óbvio que eu podia ter-lhe ligado há mais tempo e espetar-lhe com essa na cara, mas não. Decidi ser gaja. Vou esperar que ela me chateie por causa de uma merda aleatória, e vou-lhe servir o esquecimento do aniversário de bandeja. E não há-de ser um acto isolado.

