sábado, 3 de outubro de 2009

I'll see you in my dreams

É raro o dia em que não me lembre dos sonhos que tive na noite anterior. Normalmente, passados uns minutos lembro-me de um pormenor, que por sua vez puxa outro, e outro.

Neste caso, só sei que de repente recebi um mail de uma grande e conhecida instituição, a pedir a minha presença nas suas instalações num determinado dia.

O mail não era claro, mas vindo de quem era, parecia coisa aliciante. Não sei porquê, mas a pessoa que escolhi para me acompanhar foi um conhecido, gajo que suspeito que até nem me curte lá muito, e caso fôssemos deixados sozinhos numa sala, a conversa seria extremamente constrangedora. Queria à toda força ir comer costeletas ao McRib, o lambão.

Chegado à sede da dita instuição, deparo-me com dezenas e dezenas de pessoas (portanto, centenas), tudo pessoal novo, de todas as cores e feitios. De repente oiço uns a falar ao lado "epá ainda bem que a tua banda foi escolhida!", e várias pessoas histéricas e vários boas sortes. É óbvio que pensei logo que, se a razão era música, então tinham-me escolhido bem e a coisa estava no papo.

Já muito depois da hora, chega a representante da instituição e manda o pessoal todo dividir-se por grupos. Para a esquerda ia o grupo das modelos (naquele caso eram gajas boas mas inexplicavelmente mal arranjadas e com a cara mais triste do mundo), depois o dos jovens engenheiros com cargos de sucesso (e eu à palavra "engenheiro" soltei um "ó porra que afinal não era a música", mas depois com o "cargos de sucesso" foi um alívio do caralho). A seguir chamou "pessoas que se sujeitam a tudo". A verdade é que dois indivíduos de leste, de gorro e de ar quase tão triste como as modelos lá se levantaram e se dirigiram para os seus lugares. Fiquei foi sem perceber o que é que modelos, engenheiros e moldavos tinham a ver uns com os outros. Engenheiros e moldavos ainda é um bocado naquela, ambos são explorados, faz sentido, mas e as modelos? Pensando melhor, tanto um engenheiro como um moldavo sonha um dia vir a comer uma ou várias modelos, uma ou várias vezes, de preferência.

Para acabar chamaram uma categoria qualquer de que eu não me lembro, sendo que o meu nome e o da maioria das restantes pessoas estava nessa lista. Senti-me cheio de sorte, sendo que as gajas eram bem mais giras e de ar mais fresquinho (mas continuavam a ter mais que idade para ter a carta de condução) do que as modelos. Algumas delas davam até boas namoradas. Chegámo-nos todos à frente, e apareceram dois paramédicos com uma maca, carregando um chinês mais amarelado que o normal, a soro, mesmo à rasca, tão à rasca que não se mexia, e cheio de ranho a sair do nariz e a espalhar-se pela cara.

"E agora vamos ver quem é que sabe prestar os primeiros socorros e fazer respiração boca a boca."

Aparece uma câmara de televisão ao meu lado, e um dos paramédicos pergunta-me se eu dou conta do recado. Eu, como é óbvio, como não curto nem homens nem ranho, achei que a atitude certa a tomar em relação à vítima era deixá-la morrer, e respondi como mais convinha.

"Eh pá, que chatice, não percebo nada disso."

"Então vai aprender!"

De repente só me vejo ao pé do cadáver (duvido que alguma coisa ali estivesse viva, para além daquela quantidade enorme de muco) e passam-me umas seringas para a mão, eu que já estava a passar-me porque "what the fuck, o que é que eu faço que há aqui gajas giras à volta que podem ou não ficar impressionadas com os meus próximos passos".

"Pegue na agulha. Faça assim, faça assado."

Ora foi literalmente faça assim, faça assado. Mesmo se eu quisesse ajudar o pobre homem, as explicações do paramédico eram do mais inútil que podia haver. Seringas para quê? E espeto isto onde? E depois? E o gajo só assim e assado, assim e assado. E eu já irritado, assado o cú da tua prima. Levantei-me, mandei o gajo ir engolir açorda, e atirei as coisas todas para o chão. As miúdas giras não sabiam se se haviam de borrar a rir ou se criticar a minha conduta, mas eu quando me sinto exposto ao ridículo, apago completamente. Fico cego de fúria e vai tudo à frente, podendo fazer-me parecer ainda mais idiota.

Depois desci no elevador com duas miúdas muita giras, que tinham ficado estranhamente impressionadas, mas não consegui sacar-lhes o número de telemóvel. Caso contrário não estaria aqui a escrever este post, tinha mas era ido sair com uma delas. Ou seja, estava sim a escrever este post, porque gajas giras num raio de 200 quilómetros que fiquem impressionadas comigo, só em sonhos.

Ir para casa é que foi um pesadelo. O meu carro tinha ficado sabe-se lá onde, só porque apeteceu ao meu conhecido ir comer as tais costoletas a um restaurante fast food de costoletas. Como nos sonhos o meu sentido de orientação fica afectado, não sabia para que lado me havia de virar. Ainda por cima deixei a carteira dentro do carro, no bolso do casaco. Ao menos tinha o telemóvel no bolso das calças. Quando ando com ele nesse sítio, tenho sempre o cuidado de o afastar para a parte exterior do bolso, para não parecer que estou com uma erecção.

Ligo àquele cabrão que eu nem sequer curto muito para me ajudar a encontrar o restaurante e o gajo não me atende. O que me safou foi que o telemóvel (desta vez a sério, na vida real) começa a tocar. Acordo e falo com um gajo do BPI, que me perguntou se eu queria fazer uma simulação de um crédito à habitação. Mas como, se eu não sou um jovem engenheiro num cargo de sucesso, nem uma modelo, nem uma pessoa que se sujeita a tudo?

2 comentários:

de Marte disse...

Nem paramédico, nem músico, nem pessoa que se sujeita a tudo.

Gabo-te o raciocínio limpinho e clarinho ao transpor o sonho pras teclas. Não só não é fácil como fazê-lo com piada é extremamente arriscado.

Chega de bajulices. Vai é dormir!

Pedro M. disse...

Não chega nada de bajulices! :P