quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A minha maçã newtoniana

Quando eu era mais novo (isto fisicamente, porque psicologicamente pouca coisa mudou), olhava muito para a minha pilinha. Era o centro do meu mundo, tendo em conta que era também o orgão que mais me intrigava. Não sabia mesmo para o que servia, já que para fazer xixi um simples buraquinho bastava, poupando-se pele, vasos sanguíneos, massa muscular, etc. Aliás, vários seres humanos tinham apenas buraquinhos. Seriam os mais espertos, pensava eu. Como é que era possível dar beijinhos na boca com todo o conforto, se as pessoas não eram achatadas (culpa do nariz, mamilos, pila e barriga de cerveja)? Assim, em vez de nos encaixarmos de frente, tinhamos de nos contorcer. Aos 5 anos, portanto, não sabia que a minha pila viria a servir para explorar lugares que poucos homens (ou nenhum, em casos bastante mais raros) teriam explorado antes, justificando a sua existência.

Quando tinha vontade, ia à casa de banho, pegava na pilinha, e la saía um jactozinho de xixi. Sabia perfeitamente que só se podia fazer isso ou na sanita ou atrás de árvores muito frondosas. Por um lado, como o Jerry Seinfeld disse e muito bem, "different pipes lead to different places!", face à revelação de que o George mijava no duche, sem perceber bem porquê a cara de repulsa da Elaine. Por outro lado, atrás de uma grande árvore, pouca gente haverá para nos chatear. A sanita era o único sítio dentro de casa onde eu me soltava e não apanhava tareia.

Sendo então a sanita o local de eleição, havia uma coisa para a qual os meus 5 anos de idade não tinham explicação. Até agora, o meu conhecimento básico de física dizia-me que todas as coisas, não tendo ajuda de qualquer espécie, caiam directamente de cima para baixo. A questão é que eu punha-me debaixo do chuveiro, e apesar de não ter vontade, olhava para baixo e via água a sair da ponta da pila. O facto de não ser nem remotamente amarelada não aguçou o meu sentido crítico. Só podia ser incontinente. Havia qualquer coisa que me fazia mijar de cada vez que me metia debaixo de água. Se vocês experimentarem levantar ligeiramente o braço enquanto tomam duche, a água "agarra-se" maioritariamente à parte de baixo do braço e, em vez de cair directamente para baixo, como a minha Física ditava na altura, escorria por ali fora e só caía quando se acabava o braço. Ou seja, transpondo o caso para a minha pila, ainda que de 5 anos, demorava imenso tempo a cair na banheira.

Óbvio que sou uma pessoa inteligente, e aos 12 anos percebi que aquele fenómeno devia ser apenas o resultado da interacção entre a tensão superficial da água e as forças de adesão sólido-líquido. Fiquei felicíssimo. Tudo estava explicado. Afinal eu não era mijão!

Por outro lado ainda não consegui perceber muito bem se sou cagão ou não, mas ainda sou novo e tenho a sensação de que isto se há-de conseguir explicar, mais cedo ou mais tarde.

3 comentários:

de Marte disse...

Eu quando era pequena achava que podia fazer xixi em pé como os meninos. Vai daí deixei acabar um rolo de papel higiénigo (engenhosa, esta marciana) e pus-me em frente à sanita, em pé, na posição de menino. Vá de usar o rolo como "canal".
Não resultou.
Resultou num "Maaaaaaaaaaaaaaaaae, fiz xixi nas pernas!!" gritado a abertos pulmões e numa conversa sobre a anatomia feminina e masculina.

E que engraçado foi saber para que servia, afinal, a pilinha. :)

Anónimo disse...

Digo-te já que estou completamente ecantada com o teu blog. : )

- Anónima.

Inês disse...

Pensava eu já ter lido sobre tudo. Engano meu... vou pensar sériamente sobre isso, amanhã no duche talvez faça uma análise detalhada...não tenho é pila...