sexta-feira, 29 de maio de 2009

Não sei que efeito terá na minha imagem

...esta revelação, mas depois de vos ter contado que me rio só por dizerem as palavras "pichota" e "bidé", acho que não faz mal ir revelando tudo aquilo que me vier à cabeça. Ah, e "cagalhoto" também me leva às nuvens.

Fui a um concerto dos Ez Special um dia, meio que obrigado, porque uma gaja de quem eu gostava gostava deles, e saí de lá surpreendido. Estava à espera de "La la la la Uhs", mas sai-me uma banda com um vocalista novo (fez toda a diferença, desculpa lá oh gajo do T2, you really are such a fool), a cantar em português com aquele sotaquezinho ligeiro de Rs enrolados do Porto (não sei se é de lá ou não), e fiquei a repensar todos os meus gostos musicais.

Epá, gosto. É aquele tipo de musiquinha simples e melosa mesmo feita para o roçanso. Tá ali a nalga dela mesmo à mao mas um gajo não espeta lá uma estalada, encosta-se apenas e roça. Depois até há hipótese de ir mais fundo nos festejos, mas não há foguetes nem sexo desenfreado no meio dos caniços como numa festa de aldeia. É um copo de vinho, velas, e a coisa a dar-se devagar em conchinha. Felizmente o cd deles que eu comprei não é demasiado longo, e logo logo volto a ser bruto.

Parece que saiu um novo este mês. Já ouvi duas músicas e parece que temos mais do mesmo. Neste caso, isso é bom. Agora só me falta arranjar um rabo à altura.

PS: Maminhas também nunca fizeram mal a ninguém.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Porque mais vale um minuto na vida, do que a vida num minuto.

Não sei se já contei isto aqui ou não, mas há sempre uma segunda vez para tudo, até para o sexo. Há, mas nalguns casos tarda. Aquela vez em 2007 soube a pouco. Coisa mesmo gostosa.

Tinha 6 anos e andava na 1ª classe quando ouvi pela primeira vez a palavra "pichota". Lembro-me de ter sido o malcriadão do João Pedro a dizer, quando a contínua estava a obrigar os meninos todos a lavar os dentes e escovar a língua, tipo prevenção estomatológica em série.

Nunca tinha ouvido a palavra, mas parece que no fundo já sabia o que era. Agora imaginem o eco a propagar-se naquelas casas de banho, dado o volume da voz do JP:

- PICHOOOOOOOOOOOOOOTA OTA OTA OTA!!!!!

Escusado será dizer que eu, tendo em conta que reajo sempre de forma emotiva a todos os acontecimentos importantes pelos quais passo (incluindo a tal berlaitada de 2007; acabamos os a chorar abraçados, tal a beleza daquele minuto e quinze), acabei por me cagar a rir cerca de 2 décimos de segundo depois do segundo eco.

Já não sei a que propósito, mas mais tarde, muito mais tarde, uma namorada minha descobriu que eu me ria a bandeiras despregadas sempre que ouvia pichota (com dicção lenta e perfeita) ou p'chota (mais à nazarena). Ou seja, eu quando ouvia e ela quando via.

O problema é que, de vez em quando, e algumas vezes em locais públicos, ela aproveitava-se para chegar bem pertinho de mim, encostava a cabeça à minha e dizia, com voz de "amo-te", muito sussurrada:

- Pi...cho...ta...

Da primeira vez que ouvi ainda fiquei em brasa porque pensei que ela me (a) estivesse a querer, mas de repente veio toda uma corrente de emoções ligadas à tal época da primeira classe e, mais uma vez, el português se borrou todo a rir. É sempre complicado explicar às pessoas que não estão por dentro porque é que não consigo parar de rir, especialmente sem ninguém ter dito que o Benfica não só ia à Liga dos Campeões como ainda ia passar à fase de grupos.

Hoje em dia, já não faz o mesmo efeito. Em vez de me rir alarvemente durante 5 minutos, dura apenas 3, e apenas naquele ritmo de motor que não sabe se há-de pegar ou não.

Às vezes, quando venho na autoestrada meio a dormir (embora já não faça tantos quilómetros e tão tarde como dantes), digo em voz alta a palavra pichota em jeito de prevenção rodoviária. Se, em cima disto tudo, juntar a palavra bidé, é medida suficiente para aguentar mais uns quilómetros até à próxima saída.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre o IRS

Cambada de preguiçosos que estes portugueses me saíram. É sempre a mesma coisa. Dá-se um prazo perfeitamente amplo para cumprir com as nossas obrigações tributárias, e o que é que o comum cidadão do nosso país faz? "Primeiro as senhoras, que até ao dia 15 de Maio ainda sobra muito tempo".

Disse dia 15 porque há sempre um dia imaginário que estipulamos na nossa cabeça, achando que tem uma margem de erro suficiente até ao prazo final. Mas nunca é no dia 15, pois não? Acho até que, ao serem dadas facilidades a nível de preenchimento e entrega via internet, as pessoas acabam por se desleixar mais do que se tivessem de ir à repartição (para aqueles que têm ambas as hipóteses).

A gente quer é putas e vinho verde. Mas não acham que, se entregássemos o IRS até às primeiras duas semanas, que o vinho parecia ter mais grau e a puta até tinha uns laivos de lavadinha? Não, ainda há tempo. Depois estranha-se que o vinho não embebede o suficiente para nos libertar a cabeça daquela preocupação, e a senhorita se for preciso até refila com a nossa falta de mimo e delicadeza, fruto da tal comichão cerebral.

Eu sou aquele tipo de gajo que tem à frente, na secretária, uma folha cheia de tópicos urgentes que têm de ser despachados (se não for assim não me consigo mentalizar de que tenho de fazer as coisas), sendo que, até há bem poucos dias, apenas um deles estava riscado (nele era possível ler "fazer esta lista"). De resto, gosto de pensar que não partilho de todos os maus hábitos da nossa cultura. Chego sempre a horas a todos os sítios, ou seja, nunca me atraso mais do que 10 minutos, tenho sempre gasolina suficiente no depósito (ela estar lá até está, mas suspeito que a luz da reserva esteja avariada), apenas emborco sangria (e não sagres) acompanhada de tremoço ao fim de semana (e nem precisa de estar solinho), e por aí fora.

Com o IRS não. Neste tipo de coisas não gosto de facilitar. Tudo bem que o Estado tem de garantir que é possível fazer o envio até à data proposta, mas está-se mesmo a ver que à última da hora os servidores nunca conseguem ter capacidade de resposta para tanta gente preguiçosa. Se fosse eu a mandar nisto tudo, não esticava o prazo por mais um dia. Não conseguiram? Enviassem mais cedo, foda-se! Será que já não há vergonha na cara? Faziam como eu e tinham aquilo preenchidinho e enviadinho no dia 24. 24 à noite. À noite e de Maio.

PS: Por exemplo, acham mesmo que este post foi escrito às 8:30 da manhã? Este post estava agendado há um bom bocado. É que a esta hora estou eu no carro a caminho de Mafra. Não queria era dar a entender que me deito às tantas a escrever estas porcarias. Gosto sempre de ter a merda pronta para ser dita com antecedência.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Estava a ficar aflito.

No domingo passado, horas antes de me espetar contra a bela calçada portuguesa na minha bicicleta, estava na sala a jogar Street Fighter 4 na PS3. Para quem não conhece (99% da população feminina e uns 10% da masculina que, quando eram putos, das duas uma, ou andavam a brincar com kits de química para principiantes, ou já davam beijinhos na boca às rameiras do ciclo), é a última versão de um dos jogos de porrada mais conhecidos dos anos 90.

Na versão que eu jogava dantes, não era difícil pegar no comando e começar a jogar, mas para se chegar a um bom nível de eficácia na batatada era preciso uma coordenação incrível nos polegares. Este consegue ser ainda mais difícil, ao ponto de ser irritante. Se jogo contra a consola, chega a uma altura em que parece que a bonecada adivinha os meus movimentos todos; se jogo online contra outras pessoas, aparecem-me quase sempre pela frente gajos que, claramente, não fazem mais nada senão treinar aquela porcaria. Levo cada sova que faz favor.

Embora eu jogue para me divertir, se começo a apanhar muito na tromba, tenho tendência para ficar irritado. Apesar de estar na sala, e não estar sozinho (check it out, madrecita in the house, yoo), depressa me saiu um Poooooorraaaaaa já pró crescido. Depois lá ganhei uma luta contra um gajo qualquer e a coisa acalmou. Sol de pouca dura. Mais uma derrota e sai-me um "Merda, pá!"

- Mas que linguagem é essa?? Isso diz-se?

- Quando tem de ser, é as vezes que for preciso. Não é agora com esta idade que me vão ensinar a falar como deve ser (e eu a pensar que não ter sido um "foda-se, oxalá os teus polegares ganhem gangrena, ó meu filha da puta" foi uma sorte, dado o estado de frustração).

- Não sabia que dizias dessas coisas!

- Já digo isso desde a primária. Além disso também dizes "valha-me Cristo" quando te irritas, e não é por isso que eu vou a correr dizer que religião é tudo uma data de tretas e que temos de aprender a pensar pela nossa própria cabeça.

- Apre! Deus me dê forças!


Mas afinal qual é o problema? Dizer asneiras é como cagar. Quando temos vontade tem mesmo de ser. Sempre é melhor do que reprimir a raiva e vir a explodir mais tarde quando já não se aguenta. Acabamos por nos tornar naquele tipo de pessoas que já nem diz nada. Começam a partir coisas e só depois de passada a fúria é que olham para a merda que fizeram.


PS: A minha mãe também diz merda, lá muito de vez em quando, sempre que percebe que nem Pai, nem Filho, nem Espírito Santo andam ali para aparar golpes.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Demasiado novo para morrer, demasiado velho para aprender

Domingo, 19 horas

Foi preciso sair com um amigo de bicicleta para começar a chover. A parte irónica foi o facto de ter parado de chover no preciso momento em que guardei a bicicleta na garagem.

Já que estávamos todos encharcados, decidimos continuar. Chuva de civil não molha engenheiros, certo? Felizmente, (e já vão perceber porquê), a população da minha cidade é constituída por uma grande cambada de caracóis, que só saem à rua quando faz solinho. Agora imaginem um domingo com uns aguaceiros. Fica tudo a ver televisão. O que vale é que é uma cidade de gente corajosa, e é um ver televisão sem dó nem piedade. O polegar desliza que é uma maravilha pelos botões do comando. É domingo mas não há cá apatia perante a vida.

Quando íamos numa das principais ruas pedonais, a minha roda de trás decide rabiar um bocadito. Homem de instintos que sou, toca a puxar o travão de trás com aquela força viril que me caracteriza. Ora a calçada portuguesa é muito bonita, mas ensopada de chuva é coisa para lubrificar mais que vaselina. Parecia uma cena de um acidente de uma prova de Superbikes. Eu não ia armado em campeão mas também não ia assim tão devagar. A roda começa a derrapar de lado, e eu cada vez a ver o chão mais de perto. Ao ver o tralho iminente, começa a vida a passar-me toda em flashback pelos olhos: as minhas refeições preferidas, os testes de matemática da primária, os primeiros beijos, os primeiros transformers que recebi (sim, a ordem até foi esta, em relação aos dois últimos items), algumas aulas mais chatas do curso, dar formação, as quecas que mandei (esta foi a parte mais rápida do flashback), e tudo aquilo que queria fazer da vida e não tinha conseguido até àquela altura (como prolongar a parte das quecas num futuro flashback).

Feito o primeiro contacto com o chão, ainda deslizei uns bons metros. Houvesse gente na rua, e pareceria um jogo de bowling. Quem sabe, com sorte, caisse uma gaja boa por cima de mim, que eu preciso é de peso. Depois, e mais uma vez mantenham em mente a tal imagem do acidente de mota, a bicicleta separa-se de mim e continua a deslizar. Mais um bocado e ia parar à passadeira. Primeiro deslizei de lado com os calções (ainda bem que eram calções como deve ser e não essas maricadas de licra que os ciclistas ditos "a sério" teimam em chamar de equipamento de ciclismo), senão tinha-me esfolado mais. O pior foi o braço, que bateu com mais força; ainda me doi um bocadinho o pulso. Felizmente foi o esquerdo e não o direito (sou destro). Pensando que não, em dias de maior stress, é coisa para dar jeito.

O meu amigo veio logo a seguir (mas as rodas da btt dele eram as únicas coisas a tocar no chão, como era suposto) e perguntou:


- Tás bem?

- Acho que sim.

- Espalhaste-te mas ao menos foi um espalho de Homem.


Só mesmo a condição masculina é que permite este tipo de camaradagem. Fosse uma mulher a partir um salto antes de sair da escada rolante e tropeçar com o imprevisto, e a amiga nunca diria "epá, mas foi de Mulher". Ria-se para dentro e pensava "oxalá não partas o outro, que assim das duas uma, ou te descalças ou andas desnivelada; qualquer uma delas é divertida". O vosso sindicato, às vezes, tem coisas muito caprinas.

Pelos vistos tinha dado jeito que a cabeça também tivesse batido no chão, porque mais à frente decido descer outra parte de calçada, não pela parte de rampa, mas pelas escadas, com nova travagem (esta intencional, apesar de quase mal calculada) no final da descida. Lá faz a Kona Fire um peão jeitoso, deixando o cavaleiro de pé, desta vez (eu bem avisei que ia partir a Kona toda quando a paguei, mas também não queria que fosse já assim). Mais uma vez ninguém viu, e o ego não saiu ferido.

Acho que tentei aquilo porque em breve era segunda-feira, lá vinha mais uma semana de trabalho, e não há muito de bom a esperar dela, tirando um jarro de sangria regado a tremoços e amendoins à sexta-feira à noite (que eu pretendo tentar instituir à quarta-feira, para ganhar aquele fôlego necessário para a quinta e a sexta; haja quorum).


PS: De repente, lembrei-me que no fim de semana passado descemos o castelo de Óbidos todo a uma velocidade bem mais considerável. Aquela porcaria é de calçada e seca já metia respeito. Se estivesse molhada, será que ia ter muita gente no meu funeral? Agora fiquei curioso. Ainda hei-de fingir uma cirrose para ver quem aparece.

terça-feira, 12 de maio de 2009

É muita falta de originalidade...

... vir ao blog de propósito só para assinalar o seu segundo aniversário. Eu sei que isto anda muito parado, mas têm de compreender a minha situação. Todo o tempo é pouco para devotar à seguinte problemática:

- Sempre que como fora, costumo pedir 7up 65% das vezes, fanta de laranja 24%, e coca-cola 11%. No entanto, cheguei à conclusão de que a rapariga que está a almoçar ou a jantar comigo torce um bocado o nariz perante um homem de 27 anos que a quer papar e no entanto só bebe suminho. O que pedir, sem parecer bêbedo ou pretensioso?

Claro que antes coloca-se a questão:

- Ao convidar uma rapariga para almoçar, lanchar ou jantar, como conseguir aumentar a percentagem de sucesso, relativamente a convites aceites, para mais de 5%, tendo em conta que já implementei a prática do banho de chuveiro relativamente rigoroso (só antes de ir ter com elas) e não dizer asneiras (apenas à frente delas) ?

Isso e facto do Tony Carreira vir tocar esta semana a poucos metros do meu prédio. Parecendo que não, uma pessoa preocupa-se e fica sem inspiração nem vontade de expôr perante todos a sua palermice de vida.

Engraçado também que, em dois anos (e quase 400 posts) ,ainda não consegui angariar nem um anonimozinho de estimação para o blog, daqueles que insultam e nos desejam mortes lentas e dolorosas. Devo andar a fazer alguma coisa de errado. Eu pensava que já era suficientemente porco, mas parece que não.

Mas vá, não fiquem chorosos que eu não estou a pensar acabar com isto tão cedo. Enquanto não arranjar gaja à altura e não mudar para o emprego dos meus sonhos, continuarei a escrever. Obrigado a todos vocês que lêem o meu blog, devido a serem beneficiários do fundo de desemprego e por sofrerem de tendinites crónicas, que impedem a realização do acto masturbatório contínuo, obrigando-vos a optar por gastar o tempo a ver sites diversos nos vossos magalhães.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dress for the job you want

Uma das coisas boas do meu trabalho é que é raro ter de lidar com alguém superior a mim numa base diária. Normalmente, o formador tem a faca e o queijo na mão, trabalha sozinho com os formandos, e desde que não envie alarves rajadas para fora do penico, ninguém o chateia.

Seja como for, quanto mais cursos se dá para a mesma empresa, maior é a inevitabilidade de encontro com o dono ou um dos principais chefões. No meu caso, já lá vão TRÊS vezes num espaço de dois meses. Há apenas um pequeno problema. De todas as vezes que nos cruzámos e trocámos algumas palavras cordiais, eu estava a usar a mesma roupa. A mesmíssima roupa, dos pés à cabeça! Se eu soubesse que eles iam estar ali (é suposto estarem nas sedes regionais, e não a passear por aí, nos locais de formação), escolheria outra indumentária (com o máximo cuidado). Eu não me esqueceria certamente, no caso de um formando meu andar sempre vestido da mesma forma. Será que acham que não tenho mais roupa? Será que acham que, mesmo tendo outras coisas no armário, gosto de usar sempre o mesmo ao longo dos meses? Será que lhes devo fazer directamente estas perguntas para satisfazer a minha mórbida curiosidade?

Mal por mal, não me apanharem naquele dia de encerramento de um dos cursos com formandos com quem tinha mais à vontade, de ténis e t-shirt das virgens do Cão Azul...