segunda-feira, 5 de abril de 2010

Comichão.

Sou um gajo materialista, e com uma certa dose de orgulho. Não interessa se se trata de um relógio, uma camisa, um carro, uma guitarra, uma consola ou uma mulher. Gosto de ter coisas porreiras, pronto. Atribuo tanto prazer a comer um bitoque numa esplanada à beira-mar como ao ritual de ver um objecto qualquer numa loja, andar a namorá-lo à distância por uns tempos e eventualmente trazê-lo para casa. Se for preciso, até compro qualquer coisa na loja, para ajudar a quebrar o gelo.

Só não gosto lá muito é quando toda a gente gosta das mesmas coisas que eu. Nem é tanto por uma questão de egoísmo, de querer ser o único a ter uma Playstation 3. Aliás, quantos mais melhor. É mais aquela sensação de estar na secção de jazz na Fnac, à procura do último disco de Pat Metheny, e de repente aparecer um gajo de bigode, crocs e camisola branca de alças, com manchas de molho do Big Mac que comeu ao almoço, à procura do mesmo álbum que eu. Pior, ele vira-se para mim e pergunta se eu sei se o Richard Bona ainda faz parte da banda, e confessa-me ser um dos seus músicos preferidos. Depois de lhe ter tirado a pinta, o meu cérebro não é capaz de decifrar a verborreia que me é dirigida por aquele primata e, invariavelmente, apenas me pode sair da boca um "amigo, O Melhor de Roberto Carlos é capaz de estar ali ao lado, na secção de música brasileira". Como é que acham que uma pessoa se sente quando um indivíduo daquela índole gosta das mesmas coisas que nós? Seria normal se estivéssemos a falar de futebol (afinal de conta somos ambos homens), mas de música, por exemplo, não tanto.

Dantes era doido por telemóveis, e depois percebi que a vida custava a ganhar, tendo refreado um pouco essa paixão. No entanto, dei de caras com um modelo cujas funcionalidades eram mesmo aquelas que eu procurava, podendo remeter aquele com que ando para um cartão secundário. O problema é que o telemóvel é touchscreen. Vão-me dizer "ai touchscreen é tão giro", especialmente as gajas, que se tornaram recentemente grandes adeptas deste tipo de aparelhos, ainda que nem sempre tenham a noção de que não é coisa recente. Mas agora há telemóveis destes que custam menos de 150 euros e qualquer um é livre de entrar numa loja e comprar. Para qualquer lado que olhe, só vejo gente a coçar sabonetes iluminados com a ponta do dedo, de modo a manter permanente ligação com o mundo. Que mania de democratizarem a tecnologia, pá.

Os telemóveis com touchscreen são os novos Audi A3*. Podem ainda parecer coisas relativamente sofisticadas e com classe, mas a pica perdeu-se a partir do momento em que é fácil constatar que qualquer labrego compra um barato se lhe apetecer. E isso sim, faz-me comichão. Vou estar a usá-lo em público, por conveniência, e vai passar um monhé qualquer ao meu lado e pensar:

- Olha aquele cromo, a tentar mostrar que tem estatuto. Deve ser um daqueles modelos dos pobres, e se for preciso ainda o comprou com pontos.

A única vantagem é a de que posso passar com ele ao pé de ciganos e não corro o risco de ser roubado. Não só têm todos um, como já andam à procura da "the next big thing" para fanar.


*Aviso aos mais distraídos: possuir um Audi A3 deixou de ser fixe em 2002, quando o pessoal com o 9º ano incompleto os começou a importar usados da Alemanha.



8 comentários:

Graceu disse...

Beeeem, este rapaz dá um novo significado ao termo "pseudo-intelectualismo" ...isto para não dizer mesmo "pseudo-elitismo".

Pedro M. disse...

Esse comentário soa um bocado a "moro numa moradia antiga só com rés-do-chão e caixilharia em alumínio".

Samuel M P disse...

Tu estás no topo Pedro M. E como és um idolo para muita gente, as pessoas copiam-te. O que é que tu queres? É inútil resistir-te! Fica bem!

S* disse...

Olha que tu tens razão... eu mantenho-me com o meu já velhote N95. Tem dois anos e meio mas continua a ser um telemóvel do caraças.

E só não funciona uma tecla. A de baixar o volume.

Corset disse...

Para que se saiba: odeio telemóveis touchscreen. Será que isso afecta a minha feminilidade?

Gatinha disse...

As gajas são adeptas de touch screen??? Bolas, que afinal sou gaijo e n sabia, já que n toco nisso, nem com a ponta do dedo nem com outras partes!
*

Joao disse...

pedro m tu es mais atrasado mental que um gajo porreiro.

que raio de comentario e "moro numa moradia antiga só com rés-do-chão e caixilharia em alumínio"?

guardanapo branco disse...

nice itch: "one quiet night", =).