domingo, 20 de junho de 2010

L'Osservatore Romano acerca de Saramago

Não sei quem é Claudio Toscani e, sinceramente, pouco interesse tenho nessa informação. Já o Vaticano, felizmente, cada vez mais sabemos o que é, o que defende, e o que pretende no contexto da sociedade moderna, por mais camuflagem que seja empregue numa tentativa de adequação à modernidade.

Tenho a convicção de que, à medida que a nossa sociedade evoluir, a influência da religião sobre o mundo diminuirá (não só o cristianismo mas todas as outras). Uma pessoa isenta, com vontade de conhecer e bem informada, tem mais probabilidades de possuir suficiente sentido crítico para ver além dos dogmas, da imoralidade, da repressão e controlo que a religião representa.

Saramago, relativamente à religião, limitou-se apenas a dizer "o rei vai nú", ao longo da sua vida. A crença em deuses omnipotentes, omniscientes, omnipresentes, omnibenevolentes, e omni tudo aquilo que acabar em ente, que nos ama a menos que sejamos paneleiros e muitas outras coisas, é tão coerente como as rubricas da Maya numa qualquer revista cor-de-rosa.

Até a Igreja Católica em Portugal soube abordar a morte do escritor de forma elegante, para minha surpresa. O diário do Vaticano, não tendo nada para dizer ao nível daquilo que Saramago merecia, tinha o dever era de ficar caladinho, em vez de publicar a retrospectiva de Claudio Toscani. Teria sido mais inteligente.


Resumo simplificado no Diário de Notícias, para quem tiver preguiça de googlar

4 comentários:

Sofia disse...

Não sei se a religião terá cada vez menor influência no mundo. A igreja ainda tem muito poder e há pouco tempo tivemos a prova disso mesmo quando aqui, em Portugal, um estado laico, se decretou feriado no dia em que o Papa esteve em Fátima.
Mas concordo contigo quando dizes que a pessoa acaba por ter um sentido crítico mais apurado, longe das religiões ou crenças.

Algures disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Algures disse...

O que mais me choca, é que, é na hora da morte que as críticas vêm sendo feitas, não só por parte do Vaticano, mas também por parte de algumas pessoas da nossa sociedade. Mal de nós se nos apontarem o dedo sem termos como nos defender... Mas não nos devemos esquecer, que sempre que apontamos um dedo, três apontam de volta...

AASFilho disse...

Onde está a caridade cristã, que a Igreja tanto defende, se não respeita, nem o luto dos familiares, no momento de dor. O poder não suporta os seus críticos. E se ela representa o poder superior, isso simplesmente confirma que Saramago, sempre esteve certo em suas colocações.