quarta-feira, 2 de junho de 2010

Psicologia Comportamental

A definição da personalidade de um indivíduo é feita, principalmente, ao longo dos primeiros anos de vida. Grande parte dos comportamentos exibidos por um determinado sujeito são adquiridos em função do modo de actuação na primeira ocorrência de cada uma das fases marcantes da vida de uma pessoa.

Imaginemos, no seguimento desta premissa, uma das mais importantes etapas de maturação:

Dois sujeitos independentes, designados de A e B, sentem fome antes de dormir e decidem preparar uma sandes de pão caseiro com sementes de sésamo, barradas com manteiga e adicionando à posteriori duas fatias de fiambre da perna ultra-fino. Finda a confecção e dada a primeira dentada, são acometidos por uma inesperada vontade de cagar. Existirá um conjunto de instruções inconscientes para todos os seres humanos mediante o caso exposto, ou haverá espaço para o exercício da capacidade cognitiva por parte de cada um?

Vejamos:

O Sujeito A, após primeira sensação degustativa por via do palato, tomará a seguinte linha de raciocínio:

Não só faz mal prender o cocó, como pode ser perigoso. Estreei estas cuecas na sexta-feira e hoje ainda é só domingo. Como não estou a pensar transpirar, ainda dão perfeitamente para usar amanhã. Se deixar sair um caganita que seja, vão ter de ir para o lixo. Vamos lá mas é cagar; quando voltar, como vou ter a tripa vazia, ainda vou ter mais fome. Acabo até por ainda comer também uma pecinha de fruta. Assim tipo um pêro ou umas ameixinhas.

Por oposição, o Sujeito B, embora possuindo todos os mecanismos inconscientes de suporte básicos de vida, análogos ao do primeiro, optará pelo seguinte cenário:

Eu se vou cagar agora não como mais e há muitos filhos de pais drogados a passar dificuldades. Ainda estão para inventar um desinfectante que me faça esquecer que, caso decida limpar o cú, as minhas mãos andaram por ali a vadiar muito perto de fezes. E se for diarreia? Assim é que não consigo comer durante o dia todo de amanhã. Só o cheiro tira logo a larica toda. Deixa cá fazer uma forcinha com o esfíncter e dar uns pulinhos que isto já passa. Entretanto como a sandes de empreitada e vou logo para o quarto de banho cagar no fim.

Em termos gerais, para considerarmos que um dos dois comportamentos é prevalente na totalidade da espécie humana, dever-se-á obter uma percentagem de pelo menos 85% do comportamento dominante, independentemente do estrato socio-económico dos inquiridos. A amostragem deverá, portanto, ser representativa. Caso contrário, estamos perante um comportamento que depende apenas do historial educativo dos constituintes da comunidade, podendo até observar-se diferenças que definam o grupo observado. A título de exemplo, finlandeses de classe média poderiam apresentar principalmente um comportamento análogo ao do sujeito A, enquanto que franceses de classe operária se identificariam mais com B.

À parte do estudo ficarão todos os indivíduos bipolares, já que escolherão A ou B consoante tenha chovido ou feito sol, e indivíduos obsessivo-compulsivos, que andarão de trás para a frente, da cozinha ao corredor, até conseguirem finalmente ou sentar-se de consciência semi-tranquila na sanita ou borrar as calças desde o cós às baínhas.

Pela parte que me toca, sou ligeiramente bipolar, com maior tendência para o comportamento B. A minha fobia a merda obriga-me a aguentá-la e comer a sandes toda primeiro antes de cagar, que senão já não consigo e é uma maçada porque se estraga. A única diferença é que não dou pulinhos. Contorço-me um bocado e depois levanto rapidamente ora uma perna, ora outra, até à altura do joelhos, como se estivesse a correr devagarinho sem sair do mesmo sítio.

E vocês?

5 comentários:

Kátia disse...

Decididamente a opção A...Não tenho problemas em relação a merda (à minha claro está) e como depois não iria comer na casa de banho e as minhas mãos seriam muito bem lavadas com sabonete de rosas, não haveria qualquer problema...Se me pusesse a comer e a aguentar, aí sim a comida não me saberia bem e acabava por não cagar nem comer...:p

Anónimo disse...

E voçês?
Caro Dr. porque não emigra.
Contudo há uma coisa em que acerta na mouche: "correr .... sem sair do mesmo sitio". diria mais, não se mexa.
Não, não estou a gozar, è a realidade.No Portugal dos pequeninos,os "vencedores" praticamente não mexem e muito menos falam.
Cumprimentos

Pedro M. disse...

Caro Anónimo:

Já agora, porque não sugerir um país para eu emigrar? Pode ser assim um com muito solinho mas também bastante sombra.

Kátia disse...

Então respondes a anónimos e não a quem comenta o teu blog de boa fé?:p tá mali mali mali loool

Pedro M. disse...

Kátia:

Imperdoável. Pelo menos durante uma semana, vou responder a todos os teus comentários da forma mais detalhada possível. Entretanto vou-me chicotear.