quarta-feira, 30 de junho de 2010

Síndrome Youtube

Tenho a noção de que quem mais lê este blog são as mulheres e que, provavelmente, vos vou ofender com a minha generalização. No final damos todos um abracinho e até prometo que não estico as mãos para vos apalpar o rabo (estou a fazer figas).

No geral, os homens têm uma cultura desportiva maior do que as mulheres (nas gerações futuras a diferença irá diminuir, espero). Desde pequenos que o desporto ocupa uma parte bastante maior do seu tempo (DESPORTO, não é ginástica rítmica ou patinagem). Temos maior tendência para correr, saltar, pular e chutar ou arremessar tudo aquilo que tenha um formato mais ou menos esférico (vide a nossa obsessão por boas mamas). Nas aulas de educação física não damos gritinhos nem saltamos para o lado com as mãos a tapar a cara quando nos passam a bola. Não dizemos que temos o período para podermos ir para trás do pavilhão falar de gajos e vernizes. É claro que depois também falhamos noutras coisas, mas isso não está aqui em questão (frase politicamente correcta; foi de propósito).

No entanto, a maior parte das pessoas que vejo a desancar no Cristiano Ronaldo e na selecção, tecendo todo o tipo de considerações estratégicas (?) e técnicas (??) são mulheres. Os homens falam na primeira substituição polémica e já sabiam de antemão que, pelo facto das equipas terem sido muito iguais, a primeira a sofrer um golo teria grandes dificuldades para discutir o resultado. Agora se se cospe ou se não se canta o hino, isso é verniz. Não teve influência no resultado.

É fácil vir dizer que o Cristiano Ronaldo não jogou nada (e isto agora serve para homens e mulheres), e que não fez nada, e que não gosta da selecção, e que o Fábio Coentrão é que é (espero que mantenha o nível no futuro). O problema é que a maior parte das pessoas que diz isso não vê futebol o resto do ano (ou vê e não percebe). Limitam-se a ver os clips de highlights de um jogador no youtube ou na televisão e acham que ele ao longo de um jogo (e de todos os jogos) tem de obrigação de sacar consistentemente noventa minutos daquele bailado futebolístico.

Há vinte e dois jogadores no campo durante esses noventa minutos. Simplificando (imenso), cada um deles tem a bola nos pés durante cerca de quatro. Agora contabilizem todos os momentos mortos e o facto de haver posições com tendência para maior posse de bola que outras. Será fácil para alguém, em jogos absolutamente decisivos, fazer milagres durante esses (bastante) menos de quatro minutos, sendo quase sempre muito bem marcado pelo adversário? É difícil. Não é, seguramente, falta de vontade.

8 comentários:

Anónimo disse...

Como mulher não me sinto ofendida e até acho que tem razão: torna-se complicado jogar bem quando se está a ser constantemente marcado e um só jogador não pode fazer a diferença. Nesse caso, algo está errado. Podia ter outra postura, podia, mas não tem, não teve e, provavelmente, nunca a vai ter. Só precisa fazer o que melhor sabe. Nada mais lhe pode ser exigido e tenho pena que lho exijam, porque vão ser constantemente desiludidos. Mas isso sou só eu que penso e nada percebo de futebol, pelo menos, não me considero especialista, já que só vejo os jogos de futebol de um só clube e isso, logo, me invalida de ser especialista. O jogo foi o que foi e está feito. Só gostava de ver um pouco mais de união: quando a nossa equipa ganha, tendencialmente, dizemos "ganhamos"; quando perde, raramente dizemos "perdemos", mas sim "perderam"...é uma chatice, não é? Ninguém gosta de perder, nem a feijões e eles (equipa), mais que ninguém, não gostaram.
Bem, de resto, parabéns pelo blog! Sou uma "intrusa" bastante recente, mas gosto de me rir com as coisas que escreve.
Beijinhos grandes.
RP

v.s disse...

Eu não teço grandes comentários acerca de futebol porque também eu não sou nenhuma especialista, e muito menos me ponho a falar de tácticas e não sei que mais. No entanto, gosto de ver homens a discutirem futebol, e sempre vou percebendo alguma coisa de jogadores, ainda que não me manifeste muito. Quanto ao CR, não sou daquelas que o desanca constantemente, muito pelo contrário, mas também não vou ao ponto de dizer que ele fez uma magnífica exibição neste Mundial, porque não fez (se calhar porque não teve oportunidade de brilhar).
Ah, e isso de agora porem-se com coisas de ele não cantar o hino e yadayadayada é uma tremenda patetice, de facto.

Tulipa Negra disse...

Eu não percebo grande coisa de futebol, mas tenho amigas que percebem ainda menos que eu, durante o ano todo nem sabem que há jogos, quanto mais vê-los, e mesmo quando joga a selecção, não vêem para não se enervarem. Pois bem, quem é que achas que fala mais do jogo do dia anterior? São elas, claro.
Eu tenho uma teoria: as mulheres gostam de falar, ponto final. Seja do que for, com quem for, como for. Se percebem ou não do assunto, não interessa. É actual, aparece na TV e nos jornais, logo, temos de falar dele.
(E com esta consigo ter metade da população a chamar-me traidora!)

Anónimo disse...

Concordo plenamente no que se refere ao facto de as mulheres ADORAREM falar, moer, esmiufrar até mais não, acerca dos jogos, sejam elas parcamente entendidas ou não na matéria. Porém, creio que, análises futebolisticas gratuitas à parte, Cristiano Ronaldo possui uma arrogância tal que que me poe fora de mim. Não sou de todo a adepta mais fervorosa do estaminé, mas não cantar o hino e estar com aquele ar de "todo-o-poderoso-foda-se-sou-mesmo-bom" e cuspir para o cameraman, são exemplos da imaturidade e da presunção daquele rapaz, perdoem-me. Se jogou bem ou mal, não sei, mas que ele é mal educado, lá isso é.
Catarina

kukï disse...

Pronto...é a primeira vez que a Kuki se cruza com o teu canto e vai voltar, de certeza. Sempre que me apetecer aprender mais umas coisinhas sobre futebol, é aqui mesmo que virei, ou isso ou ali pelo comment da Hipermetropia.... hehehehe

Patife disse...

You´re damn right, man.

atrair mulheres disse...

É que as mulheres são mais criativas e gostamos de falar mais que os homens, pronto!

alexandra disse...

As mulheres estrabucham mais que os homens, é uma verdade.
Mas reparo cada vez mais, que alguns que já me começam a parecer muitos já se andam a parecer com as mulheres nessas questões o que é uma pena.