segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A minha ida ao Sudoeste...

... está em parte presa às minhas fobias de falta de condições para uma aprumada higiene pessoal com uma certa privacidade e à incerteza quanto à minha capacidade para não me cagar todo em altura inoportuna. Sou conhecido por aguentar seis dias sem cagar (num acampamento quando era puto), embora no ano passado a minha melhor marca se tenha ficado apenas nos quatro dias. O quarto já foi puxado, sendo que o meu cu me fez a vida negra, à medida que a autoestrada me apresentava saídas cada vez mais próximas do meu destino, o trono real designado por sanita lá de casa, qual baluarte do alívio intestinal. Suspeito mesmo que o meu rabo tenha gps.

Poderia até fazer um diário de bordo (seria mais um diário de bordas) com os avanços ou recuos da matéria fecal naquela zona de transição preocupante que é a válvula ileocecal. Uma vez no grosso, não há recuo possível para o delgado. Cagar numa árvore está fora de questão. Tenho medo que uma mosca me entre pelo cu num momento de maior descontracção. Ou que me vejam em poses deprimentes, longe da dignidade a que um ser humano se propõe (mas nunca atinge porque todos cagamos, menos a Scarlett Johansson). Cagar numa casa de banho de plástico onde só os habitantes da Guiana Francesa ainda não foram cagar, idem.

A única parte mais descontraída seria uma espécie de onde está o Wally, em que documentaria no blog a tshirt que estaria a usar nesse dia. A mais incauta (mas perspicaz) leitora poderia então identificar-me e aproximar-se de mim. Identificava-se como fã, embebedava-me e fazia-me coisas porcas, como por exemplo chochos e festinhas no limbo. Caso encontrem dois gajos com a mesma tshirt, eu serei, sem dúvida o menos giro. Se acharem que sou feio por natureza, fico triste; se acharem que sou feio porque sou o mais fiel espelho da prisão de ventre, dou-vos um abraço forte e sentido, seguido de uma apertadela no nalguedo. Uma coisa é certa: vêm ter comigo primeiro, riem-se um bocado, melhoram a disposição, e depois podem ir comer o giro com gosto, mesmo que ele não saiba a diferença entre um ditongo e um hiato.

A propósito:

Será possível apanhar uma overdose de Imodium?

2 comentários:

Paula disse...

Eu não precisaria do Imodium para aguentar o festival todo! Por isso, não será, seguramente, por seres o retrato mais fiel da prisão de ventre!

A diferença entre um ditongo e um hiato é fácil... Eu prefiro os que sabem a diferença entre um quiasmo e uma hipálage! :)

Bom festival

Anna disse...

Bom, nunca o descreveria de forma tão... er... gráfica, mas admito que padeço dos mesmos condicionalismos quando o assunto são festivais e afins...

Tendo em conta o teu record, arrisco dizer que uma overdose de Imodium causaria danos irreversíveis em ti!

Então, não esquecer de deixar documentada a tshirt identificativa! E não esquecer depois de documentar também as reacções que a mesma ocasionou!

:)