terça-feira, 3 de agosto de 2010

Últimos instantes de decisão

Ir ou não ir, eis a questão: será mais nobre
Em nosso intestino sofrer as cólicas e avantajada flatulência
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de pressão social
E em negação aos convites para um festival pôr-lhes fim?

Cagar... limpar: não mais.
Dizer que acabamos com um antidiarreico a angústia
Dos mil movimentos peristálticos - herança do homem:
Cagar para limpar... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Limpar... Talvez em assépsia: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto intestinal
No repouso da sanita o novo conforto que tenhamos
Deve fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe dezenas de novas estirpes de coliformes fecais
À flora microbiana em nós já existente.
Quem sofreria da diarreia súbita no dia do seu casamente,
O agravo das dores, o escárnio do recém-aliviado,
Toda a lancinação proveniente do avantajado diâmetro do cagalhão,
As dúvidas acerca da existência de papel,
As dúvidas acerca da higiene do próprio papel
O aguentar estóico sem certezas, quem o sofreria
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal?

Quem levaria rolos de papel higiénico para a mata,
Gemendo e temendo o ataque do mosquitame,
Se o receio de alguma coisa após refeição rica em fibras,
–Essa inevitabilidade que põe fim a qualquer desejada prisão de ventre –
Nos impedisse de fazer novos amigos (amigas)?
O pensamento assim nos acobarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da cara de cu;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Iniciativas sociais com boas intenções
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar férias quentes de Verão.



William Shakespoop

1 comentário:

J. disse...

Só tu... Cum tortulho...