quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um homem na cozinha

Como hoje não comi quase nada, decidi começar a fazer o jantar mais cedo. Como é hábito, fiz a dobrar, para que amanhã ao almoço não tenha de fazer ponta de corno. No entanto, com a fome que tenho, sou capaz de voltar a jantar lá para as 22:30. Sim, para variar estava bom. É provável que não sobre.

Depois da panela estar encaminhada, vim até ao quarto ver se tinha mensagens de alguma faneca no telemóvel. Não tinha, mas uma rápido olhar pela janela encontrou logo substituta. Que moça tão tesuda - pensava eu. Enquanto um burro pensa, uma panela sem supervisão pode estar prestes a ser fonte de um desastre. Não foi muito grave, mas deu logo que pensar. Tendo em conta que a cozedura era de baixo lume, a gaja tinha de ser mesmo jeitosa. Senão, como é que aquilo vinha por fora? O fogão depois também se limpa; já pernas daquelas não se vêem todos os dias.

Como a fome era inversamente proporcional à chama, decidi aumentar a intensidade da fervura. Segundos depois daquele momento, era só ver o arroz e as ervilhas a pedir clemência. Medo; não pelas viçosas ervilhas, mas porque me deu uma vontade inquantificável de cagar, essa sim proporcional à fome que sentia.

Já me tinha acontecido antes ter vontade de ir dar à luz pelo rabo havendo comida envolvida, mas sempre em contexto de consumo de refeições*, nunca de confecção. Ora eu, que sou extremamente criativo e lido com grande à vontade com tudo o que sejam teoréticas complexas, sempre que me aparece uma situação nova na vida de peso corriqueiro, sofro de flatulência cerebral violenta. A primeira vez que andei de bicicleta depressa, esqueci-me de como se usavam os travões e fui contra uma grade de Super Bock. Hoje, demorei dois minutos a lembrar-me de que não havia problema algum em tapar a panela, desligar o lume, fazer o meu cocozinho descansado, e voltar a retomar o processo assim que a higiene das manápulas (e antebraços, que há que jogar pelo seguro) estivesse concluída. Mas não.

Uma mão segurava a tampa, a outra mexia com a colher de pau, e os pés faziam uma dança epiléptica, na tentativa de afastar o cagalhão da luz ao fundo do túnel, como se a cozedura fosse acabar mais cedo só porque o meu intestino assim o determinava. Cozinha? Eu é mais cuzinho.

*não me costuma fazer muita confusão quando me dá vontade de cagar logo a seguir à sopa. Uma pessoa faz o que tem a fazer e, perante um prato novo, torna-se mais fácil pôr para trás das costas aquilo que se passou há momentos na divisão menos nobre da casa. Já a meio do prato principal, tenho sentimentos conflituosos. Só se a comida for muito boa é que consigo lavar as mãos e dizer "que sa foda", voltando a empunhar os talheres com a habitual alarvidade que me caracteriza. E vocês, estimados leitores? Conseguem misturar o cagar com o comer? Não imaginam a importância que essa informação tem para desenrolar do resto desta terça-feira de fim de Verão.

7 comentários:

S* disse...

Oh post nojento. Desligasses a comida do lume e fosses cagar. :P


Adoro a expressão "faneca".

Pedro M. disse...

E depois foi o que eu fiz. Mas até me lembrar...

huilla disse...

que bela gargalhada!! "dar à luz pelo cu" é lindo!! bom post!

sara disse...

queria mesmo deixar um comentário inteligente...mas não consigo. ainda me estou a rir!

Andreia disse...

eu fiquei-me pela "alguma faneca"...muito fofinho!

M. disse...

Depende, meu caro Pedro. É que há cagalhão e cagalhão.

Se conseguir prever que é um cagalhão consistente (por exemplo com a ausência de peso no baixo ventre) então pode aguentar. Faça uma espécie de "weewee dance". Encolha-se. Exercite o músculo, fechando a saída. Conseguirá então alguns minutos e se ele for esperto, voltará para trás à espera de um momento mais apropriado para sair.

Se au contraire, não prevê consistência, a flatulência não lhe irá garantir minutos preciosos, sente o tal peso nos intestinos e o músculo anal não lhe obedece, não há nada a fazer.

E sim, consigo misturar. É o chamado "ganhar espaço".

Sara disse...

Tens cá um sentido de humor vou-te contar!!! obrigada esta história fez-me rir e bem!!! kiss