domingo, 31 de outubro de 2010

Nasci na época errada?

Eu também já tive um relógio Casio, daqueles que custavam dois mil escudos, tinha um display do mais simples possível (apesar de servir de cronómetro), apitava de hora a hora (só um beep) e aguentava debaixo de água até uma profundidade de cinquenta metros.

Mais ou menos por essa altura, o meu desenvolvimento pubertário ligeiramente tardio ditava que eu havia de ter pelugem fina na zona que divide o lábio superior do nariz. O meu buço era ridículo, mas ainda assim era o meu buço.

Também por essa altura, pasme-se, usava um casaquito de malha meio coçado durante os meses mais frios. Ainda bem que já estava gasto, já que sempre tive uma grande intolerância aos pelitos da lã. Todos os putos choravam quando vestiam camisolas de lã, enquanto gritavam "Isto pica mãe, isto pica". Eu era dos poucos que não fazia isso por birra. Não consigo mesmo usar esse tecido. Quando descobri que os preservativos eram de látex e não de lã, ao contrário do que me tinham dito para eu ficar arreliado, afundei a cabeça na almofada e chorei de felicidade. Afinal poderia andar no roça roça sem correr o risco de ficar sidoso. Já agora, na escola primária, sidoso era o termo utilizado para qualquer criança que fosse alvo de um ataque de piolhos.

A combinação de todos estes factores fez com que as meninas e raparigas preferissem andar aos beijinhos com outros rapazes. Agora seria diferente. Há quem diga que tudo isto passou a ser moda. O relógio rasco é cool porque é geek (paradoxo). O bigode é cool porque tem uma certa bimbice charmosa taxística e demonstra falta de preocupação com o que os outros pensam (paradoxo). O casaco de malha, mesmo com mau aspecto, é cool porque é vintage (as duas coisas nunca serão obrigatoriamente sinónimos). Se eu deixar um tupperware de arroz com passas e pinhões no frigorífico durante, pelo menos, vinte anos, será cool a sua ingestão?

Em criança, há sempre uma atenuante: grande parte das vezes, usamos o que usamos e não temos escolha, apesar de sabermos que somos totós. O sentido crítico precede, quase sempre, o estilo. A moda é circular e reciclável, é certo; mas há coisas que nunca foram bonitas, nunca funcionaram, e nunca funcionarão. Calças justíssimas com uma terminação à boca de sino com cinquenta centímetros de diâmetro? Epá, nunca mais, quer a Lady Gaga venha a usar ou não.

O Aston Martin DB5 que Sean Connery utilizou no filme Goldfinger (entre outros, encarnando James Bond), sendo vintage, e apesar de não ir de encontro aos meus gostos (eu sou mais Audi R8, Lamborghini Gallardo, Ferrari 458 e coisas que tal), é cool, terei de admitir. Um bigode, por mais bem tratado que seja, infelizmente, não. Não e não.

Se eu hoje em dia utilizasse todas estas três coisas, dava muitos mais beijinhos do que aqueles que dou agora. Será que nasci na década errada, ou as pessoas que agora apregoam estas modas aos ventos são míopes (para não dizer outra coisa)? Trick question. As duas opções estão correctas, já que as miúdas em idade escolar, no meu tempo, ou não eram, ou não mostravam ser tão desenvolvidas e liberais como são agora. Quem diria que a área-escola (ou área projecto, who cares) podia ser tão divertida?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cada vez mais, um exemplo a seguir

Barney: I cannot stop staring at that girl's face.

Ted: Face, uh... That's your weirdest nickname for boobs yet.

Barney: No, Ted. I'm really looking at her face.

Lily: Ohhh... That's actually really sweet.

Barney: Puffy cheeks, smudged mascara, slightly red nose... That girl was just crying. She's so sad and defenseless... Anyone have a condom?

À moda antiga

"Golden Rule: I do not buy dinner to get the Yes. Dinner is a very intimate activity. It requires a level of connection and eye contact that sex just doesn't. Call me old fashioned, but I need to have sex with a girl at least three times before I'll even consider having dinner with her."

by Barney Stinson

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Via de sentido único

Que nome se dá a um homem que está na cama com febre?

Paneleiro.


Não creio que um homem se possa afirmar como viril depois de sucumbir a uma simples constipação. Estamos em meados de Outubro; ainda é tempo de andar de tshirt. Mas não, denunciei-me ao sair de casa com um casaquinho (vá lá, a maricagem não foi completa; o casaco não era de malha). De resto, se cair no erro de espirrar violenta e repetidamente, não há muitos alibis que possam ser utilizados. Alergia ao pó? Maricas. Sinusite? MARICAS. Sinusite, rinite e alergia ao pó ao mesmo tempo? YMCA.

Para me redimir desta vergonha, comprometi-me a não tomar qualquer tipo de medicamento, ao contrário daquilo que a maioria dos arranjos florais faz. Ai que é só um Cegripe ou um Panasorbe. É assim que começa muita marcha à retaguarda. Sou capaz de abrir uma excepção quando tiver filhos. Uma criança, quando é pequena, não sabe bem o que se está a passar. Não é a porcaria de um paracetamol que, nessa altura, vai influenciar as suas orientações sexuais - que disparate.

Ainda assim, uma coisa é certa: supositórios, nunca! A mãe da criança até pode vestir as calças lá em casa, mas neste ponto eu não cedo. Sei bem o que sofri quando era puto. Para quem nunca tomou um supositório (serão pouquíssimos, tenham a coragem de admitir), a sensação de se ter um comprimido frio e pontiagudo a querer entrar pelo cu acima, é mais ou menos análoga (viram a graçola que fiz aqui) a trabalhar a recibos verdes com este PEC. Não se vira gay pela doença, vira-se pela cura.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ainda bem que o inferno não existe II

Sabem porque é que os cegos não precisam de livros de culinária?

Porque costumam juntar tudo a olho.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ainda bem que o inferno não existe

A parte má de se ser cego é que, quando chega a altura de estacionar numa grande superfície, é preciso sair do carro e andar de joelhos a apalpar o chão até se encontrar o símbolo do lugar para deficientes.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Manual do pessimista (optimista realista)

Como descrever-se, de modo a ser reconhecido, em situação de blind date


Dê a pior descrição possível de si antes do primeiro encontro. Os possíveis desfechos serão todos igualmente positivos:


a) A visada irá com baixas expectativas e será agradavelmente surpreendida, fazendo com que a representação do gráfico de performance seja uma recta ligeiramente ascendente.

b) A sua descrição, muito provavelmente, irá corresponder à dura realidade. Parabéns; o seu sentido auto-crítico é fenomenal. Afinal há coisas na vida em que é bom.

c) Ela irá desmarcar, com medo do choque inicial. Deste modo, acaba de se poupar tempo e gasolina, reduzindo-se de igual modo o desgaste associado à circulação em estradas de qualidade duvidosa. A factura da sua próxima revisão será bem mais barata, não envolvendo gastos com velas e amortecedores.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tenham a bondade de me auxiliar

Multitasking

Ontem, uma amiga ofereceu-me um presente do mais fofo que já vi. De um lado é corta-unhas, do outro abre-caricas.

De modo a fazer-lhe justiça, terei de arranjar forma de usar as duas funções ao mesmo tempo. De um lado estará uma unha, do outro uma mine. A unha será do pé.