sábado, 25 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sinónimos

Sexo com uma moça na casa de banho?

WC Pito.

Leva dois.

A palavra homossexual leva dois S's e dois dicks.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nunca na vida...

... tinha deixado queimar nada na cozinha. Foi preciso uma gaja me ter ligado para eu me ter esquecido de que estava qualquer coisa ao lume. Agora resta-me ir esfregar o resto do fundo da panela... Seja como for, o sucedido ia-me obrigar a esfregar outra coisa de qualquer das formas. A energia já cá estava, basta apenas redireccionar os esforços do meu aço para o aço inoxidável.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Quando uma namorada...

... me quiser apresentar aos pais dela, vou querer ver fotos (e, se possível, vídeos) deles antes de os conhecer. Quero estar preparado. Afinal de contas, até o Fernando Alonso, antes de correr numa pista pela primeira vez, faz dezenas de voltas num simulador para estar mais ambientado, de modo a ser mais rápido durante os primeiros treinos cronometrados.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Passar o testemunho

Ser alvo do tsunami provocado por um carro a passar numa poça é um dos rituais de passagem do ser humano. É como ter sarampo, papeira e varicela. Se nunca vos aconteceu, mais tarde ou mais cedo vai acontecer. Quanto mais tarde for, mais sérios serão os efeitos.

Comigo deu-se quando tinha uns 16 anos. Ia para a escola, num passeio estreito, e fiquei com as calças encharcadas quase ao nível do abono de família. Era como se tivesse duas pilas, uma para cada perna das calças, uma bexiga com capacidade para vinte litros, e incontinência urinária permanente. Claro que, quando cheguei, toda a gente apontou para a minha zona genital, o que seria agradável se a ocasião fosse outra. Já eu, fiz como se tivesse levado com um grande pingo de chuva de uma goteira de um prédio na testa, em público. Continuei a andar, como se não conhecesse ninguém e não se tivesse passado nada, rezando para que, das duas uma: ou o aquecedor da sala de química estivesse ligado, ou então que as luzes dos corredores estivessem quase todas fundidas.

Anos mais tarde, passei o testemunho. Um puto ia a passar na rua, e eu acelerei mesmo antes de uma poça morbidamente obesa. Infelizmente, acelerei porque ia com pressa, e não por ter visto o raio do miúdo. Soube a pouco. Sinto que podia ter feito algo mais.

No fim de semana, redimi-me indirectamente. Ia com um amigo no carro (com ele a conduzir), precisamente num dia em que as ruas estavam inundadas. Se o carro fosse um bocadinho mais depressa e perto das bermas, a água era projectada, literalmente, à altura do tejadilho. Aliás, precisamente por ser tão fixe andar depressa e ver água dos dois lados à altura das nossas cabeças, o meu amigo acelerou. Infelizmente, vinha uma mulher na rua, mesmo do meu lado. Ela mal teve tempo para por o chapéu de chuva à frente do corpo. Mas é que nem teve hipótese. Foi uma luta desigual, qual David versus Golias, em que o Golias é um Opel Astra preto que parte a boca toda ao David enquanto o Fernando Mendes come uma dúzia de pastéis de Belém. Uma coisa é certa; nunca esquecerei aquele esgar polivalente, num misto de terror e de indignação. Fiquem descansados que a coisa também não foi assim tão grave, já que ela não era lá muito bonita. Olhámo-nos nos olhos durante uma fracção de segundo. Senti-me vingado, embora com a certeza de que aquela mulher, um dia, também irá passar o testemunho. E, meus amigos, não será nada bonito. Só espero não estar por perto nessa altura.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Não percebo a indignação das mulheres...

... quando são alvo de piropos brejeiros. Juro que não percebo. Afinal de contas, é apenas uma forma exacerbada de elogio, porra! Não levar a bem um piropo porco não passa de pura ingratidão. A maior parte, muito provavelmente, nem sequer foi elogiada durante o resto do dia. Não o fez o marido, não o fez o namorado, não o fez o amigo, o colega de trabalho com quem passam mais tempo, ou mesmo a recepcionista lésbica do ginásio onde se vão pôr mais atraentes . E, já agora, atraentes para quê? Para, mais uma vez, meio mundo fazer de conta que não repara (ou que não repara literalmente) nos vossos atributos.

Se de repente houvesse uma vaga de mulheres a querer trabalhar nas obras e eu, ao passar por um grupo delas, ouvisse um "punha-te massa folhada à volta da pila e chamava-te rolo de salsicha ao pequeno almoço, almoço, lanche e jantar", ficava com um sorriso na boca, no mínimo. Podiam não ser as trolhas mais atraentes do mundo. Podiam até ser as menos atraentes. Mas reparem: não ficamos obrigados a ir para a cama com quem os faz. A gorda de bigode que me disser que eu sou pau para a obra dela não vai levar daqui nada. Não merece é que eu fique repugnado.

Aliás; o piropo até costuma ser mais genuíno do que o elogio educado. Se um taxista olhar para uma mulher que o atraia e disser "as tuas mamas dão tesão até ao Cristo Rei", ele sabe, na esmagadora maioria dos casos, que não há qualquer hipótese dele vir a ter um caso, por mais esporádico que seja, com canhões daquele calibre. Já o colega de trabalho, sempre de fatinho, quando diz "ai Matilde, já sabia que era bonita, mas hoje está deslumbrante", na realidade (consciente ou inconscientemente), está a pensar "punha-te ovo e pão ralado nesse cu e fazíamos um croquete". O taxista sabe que não pode; já o engravatado não terá escrúpulos. Ela pode ter marido, pode ser freira, pode ter enviuvado há dois dias, que nada mais interessa que não a satisfação das suas necessidades. O elogio não é um fim em si para quem elogia de modo eloquente; é apenas um meio para se meter no meio.

Em último caso, se querem expressar indignação, não dêem desprezo. Respondam à letra! Digam qualquer coisa do género de "querias-te roçar nelas mas vais acabar o dia a esfregar a cobra zarolha, ó meu cara de caralho". Nós, ao contrário de vocês, sabemos apreciar as palavras de uma mulher quando são ditas sem rodeios, com sentimento, com intensidade, mesmo quando insinuam que temos aspecto de ser gordos, carecas e com apenas um olho estreitinho e comprido no meio da testa.