quinta-feira, 12 de maio de 2011

O milagre da Fátima

Cheguei a casa mais cedo do que o habitual. Só tenho de sair de novo daqui a umas duas horas.

Encho uma taça com gelatina de pêssego e ligo a televisão. Por sorte, estava mesmo a dar o programa que me apetecia ver, o Especial Fátima da Praça da Alegria.

Senhora idosa, com poucos estudos, é entrevistada acerca da razão de ser peregrina. Veio para agradecer a nossa senhora de Fátima. E porquê, pergunta Jorge Gabriel? Porque tem um marido com Parkinson, uma filha com esclerose múltipla, e ela própria tem problemas de locomoção e diabetes. Engraçado não ter abordado o problema da fraca escolaridade, de oportunidades na vida e sentido crítico. A nossa senhora é uma segunda mãe para ela, segundo conta. Olha que mãe do caralho. Se eu tivesse contactos em lugares de poder, não tinha de ir dar formação à noite, de modo a poder financiar os gostos caros da minha namorada (sim, porque não é com a minha fraca figura na cama que isto vai lá).

Como esta história, muitas outras são mostradas. A fé desta mulher, perdão, as fezes desta gente toda, são um catalisador para que eu fique emocionado durante um bom par de minutos. Tão emocionado que vou mudar de canal e repetir a dose de gelatina. Chamemos-lhe um gesto de penitência.

PS: Quem achar que não há uma forte correlação entre habilitações académicas/nível cultural e crenças religiosas, no sentido da inversa proporcionalidade, é um bidé mal lavado.

5 comentários:

Ska disse...

Claramente que sim. Vemos que no caso dessa senhora, compensa ser devota. Imaginamos como seria a familia se ela fosse ateia.

Alias, se nos lembrarmos dos peregrinos que decidem atravessar as estradas do pais vestidos de negro, pela calada da noite e ainda dao graCas a deus quando sao passados a ferro por um TIR e ainda sobram 2 para contar a historia.

Anónimo disse...

Oooobrigada! Cada vez que digo que uma pessoa com um nível de formação superior não tem como (sim, não tem como) nem pode acreditar nestas tretas, cai-me tudo em cima. «E que não sabes e que não tem nada a ver e que é possível sim, podes acreditar mesmo com um Doutoramento em cima». Fooooda-se! Obrigada.

Mariana

S* disse...

Não sou muito religiosa e acredito que construímos a nossa sorte... mas há gente que, de facto, tem azar.

Quanto aos gostos caros da namorada, sê cavalheiro... mas dá-lhes uns toques para ela ir trabalhar. ;)

M disse...

Desculpa lá... tu conheces-me!! Inversa proporcionalidade o tanas... :P

Alberta, Lúcia and Susana disse...

Gosto do teu blog independentemente de algumas opiniões que aqui demonstras. A maior parte das vezes, tens graça! Mas não aprecio algum do fundamantalismo exacerbado (em relação à religião católica) e o profundo preconceito/desprezo (em relação às pessoas com menos instrução). E já agora a correlação que defendes é ridícula - eu sou precisamente prova do contrário.