domingo, 27 de fevereiro de 2011

Orgulho

O meu sobrinho joga futebol no Farense. Este fim de semana, marcou um dos golos que permitiu a vitória por 2-1 face ao adversário. Não sei o nome do outro clube, portanto, chamemos-lhe de "Os Maricas".

Eu já tinha ficado todo contente por ele ter sido importante no embate contra Os Maricas. O mundo tá cheio de putos inteligentes, mas jogar bem à bola é daquelas coisas que há que incentivar, se queremos que a geração seguinte tenha um futuro mais estável do ponto de visto financeiro e de gajas. Agora, quando ele me diz que a seguir a marcar o golo foi expulso, fiquei completamente inchado de orgulho.

"Por favor, que tenha sido uma sarrafada que lhe tenha valido o vermelho directo, e que tenha feito o outro miúdo esquecer-se das dores de crescimento, ao ter infligido outras ainda maiores" - pensei logo eu, esperançoso.

Afinal parece que não. O meu sobrinho está naquela fase desastrada de crescimento em que, quando corre, não se percebe onde começam os pés e acabam os braços, parecendo que se encontra em permanente translação à volta Terra, à mínima tentativa de locomoção. Ia simplesmente a correr, embrulhou-se noutro sem querer, e o jogador d'Os Maricas cai estrondosamente no chão, começando prontamente a ganir. O árbitro pensou que foi uma agressão e mandou-o mais cedo para o balneário.

Esta última parte ninguém precisa de saber. Foi agressão, foi. À antiga, daquelas quando o Paulinho Santos e o João Pinto se defrontavam. Boa, miúdo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cue the sun!

Não há semana em que não sinta que a minha vida não passa de um gigantesco "The Truman Show". Se isso me assusta? Não. A remota hipótese de todo o ambiente que me rodeia ser orquestrado não impede que eu tenha sido genuíno. Só espero é que não haja câmaras na casa de banho.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A todos os que se preocuparam comigo


Obrigado pelas mensagens escritas, emails, postais e amostras de perfume da Sephora. Aquilo que vocês mais temiam (especialmente o público feminino que me lê), não aconteceu. Conheci a Pólo Norte e ela não me saltou em cima. Vejam lá que nem sequer veio acompanhada de um bando de russos, para me levarem à força e roubar um rim ou outra coisa de maior monta.

Mas desenganem-se: aquilo não é boa peça. Guardem os maridos, namorados e filhos em idade de maior ímpeto reprodutivo em armários com o dístico de produtos químicos. Façam alguma coisa. Ela se os vê, e a partir do momento em que passarem no teste da higiene pessoal, não há nada a fazer. Come-os e nem deixa os ossos (em caso de aflição, gritem LOL a plenos pulmões, costuma funcionar). Se mexe, marcha. Eu, pelo sim pelo não, deixei de tomar banho uns três dias antes da data combinada e fiquei sempre muito quietinho na cadeira que me era destinada (depois de inspeccionar a possiblidade de existência de correntes ou similares equipamentos de restrição de movimento).

Contudo, não se pode dizer que a moça não tenha qualidades. Fiquei surpreendido por constatar que era possuidora de um apurado gosto musical. Ninguém disse que para se ser vilão era preciso ser-se bronco. Há uns até que são bastante cultos e educados. Mostrei-lhe duas ou três de que gostava e ela foi incapaz de disfarçar a emoção.

Parece que já está a ser organizada a nova edição dos Bilf Awards (e, pela última vez, já que há sempre alguém que pergunta o significado, BILF = Blogger I'd like to fuck). Se eu fosse a vocês, nunca mais ia ao blog da Pólo Norte, de modo a não ceder à tentação de concorrer. Eu safei-me, mas vocês podem não ter a mesma sorte. Para além disso, apesar de eu não poder voltar a concorrer este ano, acham mesmo que são dignos do galardão, com um antecessor como eu? Ora pois claro que não.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia dos Namorados: o melhor acontecimento do ano a seguir ao Pão por Deus

Hora de almoço, café com um amigo:

J: Então e o que é que ofereceste hoje à tua mão direita?

P: ...

Let's get cynical, let me hear your body talk

A todos os que festejam o dia 14 de Fevereiro de forma demasiado fofinha e efusiva:

A vossa relação, provavelmente, vai terminar assim. Pelo menos para um dos lados.

MUAHAHAHAHAHAHA!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Tenho Facebook...

... há apenas uma semana, mais coisa menos coisa. Fui, portanto, o último indivíduo com acesso a uma ligação à internet a aderir a esta rede social. Antes, já tinha tido conta no Mercado da Carne de Almeirim (vulgo hi5), tendo-a apagado uns meses depois. Já vi várias pessoas subnutridas no Bangladesh que já tinham conta no Facebook, ainda não tinha eu perdido a virgindade.

Mesmo assim, dou por mim hoje a repetir para uma amiga aquilo que eu próprio já ouvi vezes sem conta:

- O quê, tu não tens Facebook? AHAHAHAHAHAHAHAH! Epá, metes-me uma certa dose de nojo. Mata-te.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O problema dos After Eight...

... é que só consigo parar after twelve, o que significa que, à minha taxa metabólica habitual, precisarei de uns fifty minutes extra de running sem stopping à volta do neighbourhood, contabilizando mais umas cerca de eighteen times (valor que, confesso, ainda hei-de tirar a clean) que a empregada do café de baixo me vê passar, pensando que sou completely nuts por correr neste sítio, com tanto fine place por aí.

Isto, para um gajo que, até há bem pouco tempo, tinha como objectivo de vida chegar aos forty com físico suficiente para ter hipótese de se enrolar com miúdas de twenty, torna-se um challenge do caraças. Eu quando vou ao supermercado compro apenas o suficiente para me manter barelly well fed. Não compro bolos, não compro chocolates, não compro refrigerantes, e mesmo assim as merdas vêm-me cá parar a casa.

Epá, poupem-me que eu tenho one hundred and sixty five pounds to maintain. Como é que se diz "apre" e "já não há pachorra" em inglês? É que "bolas" e "chiça", eu ainda sei.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Educar Portugal

A formanda pensava que só ia ter 25 horas de formação. Quando a informei de que a seguir teria outras 25, de uma unidade complementar, ficou muito vermelha, e depois muito pálida.

- Cinquenta horas? (sotaque brasileiro)

- Exactamente, M. Neste momento estou-vos a dar a unidade X, mas começarão logo a seguir, no mesmo horário, a unidade Y.

- Cinquenta é muito, poxa! Eu vou morrê!

- Não se preocupe M, o formador da unidade seguinte é muito simpático. Vai ver que passa depressa.

- Quem é?

- Sou eu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fazer figas

Quando estou a ver ténis na televisão, salvo os casos em que joga ou o Nadal ou o Ljubicic, tenho sempre a tendência para torcer por aquele que, à partida, apresenta menos hipóteses de ganhar. Faço-o até ao último set, até ao último ponto, se for preciso. Dos melhores, o melhor se espera. A verdade é que os outros também têm sonhos, também suaram para chegar ali. A qualquer momento podemos estar perante uma reviravolta, perante aquela centelha no olhar que diz "hoje mereço eu!", aquele esgar de génio que emociona os espectadores quando parte de não génios. Eu torço sempre pelo menos favorito.

Querer raramente é poder, por mais que nos queiram incutir o contrário. Querer "apenas" nos aumenta a probabilidade de esbarrar com o sucesso. Não gosto de "apenas". Gosto de sim, gosto de não, gosto da pequena margem de manobra para a qual a inevitabilidade nos empurra. É nessas alturas que se revela o verdadeiro poder de decisão, o saber fazer muito a partir de pouco.

Está tudo na nossa cabeça. Há quem não tenha armas para tomar de assalto as rédeas da sua vida, quer pense ou não que as tem, há quem saiba incondicionalmente que não pode falhar, e há ainda quem pense que tem poucas hipóteses, menosprezando o real valor da componente probabilística. Mas, pelo menos um dia em cada ano, todos acordamos com pegada de gigante e relegamos os feitos banais para segundo plano.

"Hoje" sinto que sou o menos favorito. Mas, para todos os efeitos, eu torço sempre pelo menos favorito.