segunda-feira, 21 de março de 2011

Vamos foder os Censos

Questionário de alojamento familiar

Pergunta 3 - O alojamento tem retrete?

A resposta correcta: 2. Sim, sem dispositivo de descarga.


Questionário individual

Pergunta 10.5 - Tem dificuldade em tomar banho ou vestir-se sozinho?

A resposta correcta: 3. Não consegue tomar banho ou vestir-se sozinho.


Pergunta 10.6 - Tem dificuldade em compreender os outros ou fazer-se entender?

A resposta correcta: 3 Não consegue compreender ou fazer-se entender.



Quem não responder como eu mando fica obrigado, desde já, a oferecer-me um pacote de Sugus de laranja. Quem se lembrar de outras questões pertinentes, disponha.

segunda-feira, 14 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Alguém tem à mão umas cuecas...

... da Simara? É que podíamos cortar ao meio, e usava-se uma das metades para tapar a fissura na central nuclear de Fukushima.

Amanhã não vai haver Preço Certo :(

Se alguém tiver informações sobre o paradeiro do Fernando Mendes, diga qualquer coisa. A malta não sabe nada dele desde o dia do tsunami no Japão.

sábado, 12 de março de 2011

E depois não queremos que nos apelidem de geração rasca.

- Tão pá, marca-se a manif pra que horas?

- Na sei. A malta vai sair na sexta e depois quer dormir um bocado. Assim à tardita, hã?

- Porreiro. Assim dá para ir almoçar aos meus pais e já venho com aquela pujança do costume. É cozido e acho que há bolo no fim.

How to watch "127 Days" like a true man.

1) Instantly skip to the amputation part.

2) Without puking, shout as loudly as you can "WTF? Is this it? Bullcrap!".

3) Grab a few cold brewskis (six or nine might do the trick; make it eighteen) and go watch Rambo IV.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Digam-me o nome de uma figura pública feminina...

... portuguesa ou estrangeira, que nunca me irá processar pela piada de qualidade sofrível que vou fazer a seguir (vou ter de temporizar os posts para isto aparecer sempre em primeiro lugar). Rápido. Ah, e que seja badalhoca.

A Andreia da Casa dos Segredos...

... é o porta-estandarte daquela clássica situação em que é a vaca que tira leite ao agricultor todos os dias, e não o contrário. Vá, senta-te aqui no banquinho, amor.

Eu avisei que era sofrível.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Já não é Carnaval, ninguém leva a mal.

O Carnaval para mim é como o tuning. O conceito base é bom, é interessante, mas 90% dos portugueses dispostos a colocá-lo em prática já passou a fronteira do labrego há mais de trinta quilómetros. É claro que depois, o resultado nunca pode ser positivo.


Epá, vamos cá tentar adaptar isto aos nossos costumes, fazer uma coisa nossa, impulsionar a identidade cultural de todo um povo. Naaaaaaa... tenho 22 anos, acabei há pouco tempo o 9º (foi no 2º andar do pavilhão dos cursos profissionalizantes, por isso já é considerado ensino superior) e vou aqui, com os meus 80 quilos e 10 centímetros de trapos, sambar com as minhas amigas para os senhores da RTP. Ah, isto afinal é prá Sic.

Nunca me mascarei na vida. Quando era puto, não o fiz na escola primária. Simplesmente queria ser diferente, sendo que numa turma de 30 mascarados de mãos dadas, dois a dois, a vaguear pela rua, com três Zorros e quatro Pierrots, para se ser diferente basta ter um aspecto mais normal. Nisso eu era bom.

Mais tarde, achei que já fazia figuras de atrasado mental durante o 1º, 2º, 3º períodos e, ocasionalmente, férias de Verão, optando novamente por gozar da recém descoberta normalidade que o Carnaval me vinha oferecer. Mas, anteontem, cometi um erro.

Estava a falar com uma amiga, querendo ela saber o que é que era preciso fazer para que eu me mascarasse. Disse-lhe que, se para o ano me arranjasse um fato com qualidade de oficial das SS, (ou de Jesus Cristo, como plano B) que eu me mascarava. Ora eu até nem sou nazi, apesar de já me terem chamado skinhead (um deles, o cabrão do anão de há uns posts atrás). Reservo-me ao direito de proferir piadas xenófobas para deleite de amigos e familiares, mas sou das pessoas mais despreconceituosas e afáveis no trato que irão encontrar (é o que dá lidar com múltiplas nacionalidades no contexto profissional e sentir a obrigação de os tratar com simpatia). Os meus amigos não irão corroborar isto, mas é a mais pura das verdades; eles nunca me viram trabalhar.

Gostava simplesmente de ver até que ponto iria a tolerância dos outros mascarados, só por eu estar vestido de braço direito do Hitler. Até pensei em preparar uma pequena rábula, em que entrava a marchar pelos bares dentro, gritando em seguida "VUERE...ARE... ZE JEWZ?!" Suspeito que meia dúzia de gajos peludos, mascarados de filha do Nené (imagem, por si só, desconcertante) fossem ficar ofendidos.

A cena do JC era só para o caso de não haver amigos suficientes que alinhassem comigo no primeiro cenário, só para poder ter as costas quentes na eventualidade de me oferecerem porrada. A ideia, muito mais suave, mas ainda assim provavelmente mal compreendida, seria a de andar a explicar às pessoas a impossibilidade lógica de existir um ser/entidade superior que é simultaneamente omnipotente, omnisciente, mas que mesmo assim nos fez conscientemente desta forma, amando-nos a todos incondicionalmente*, embora de forma não interventiva. Assim tipo "look at this ant farm gone wrong", só que eu teria um copo de Martini Rosato numa das mãos, só para o estilo.

A minha sorte, nestas merdas, é que passados três dias, já ninguém se lembra de metade das alarvices que eu digo. Restam-me, portanto, os dois habituais trajes que me acompanham nestas quadras: o de engenheiro sóbrio e o de engenheiro embriagado. Um vai ao desfile da tarde, e o outro ao da noite. Depois trocam.

*incondicionalmente, não é bem assim. Tudo bem que, mesmo se gastares dinheiro a modificar o carro, se te mascarares de Pikachu da loja do chinês ou se roubares a pensão de invalidez do marido da velhota do rés-do-chão, vais à mesma para o céu. Mas isso só acontece se, pelo menos no último instante antes de morrer, te arrependeres e afirmares que acreditas na santíssima trindade. Ah, men...

terça-feira, 8 de março de 2011

Por cada vez...

... que se ouve "cidade maravilhosa" ou "mamã eu quero", morre um urso bebé na Sibéria.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Não tenho nada contra...

... os Homens da Luta. Por outro lado, também não tenho nada a favor. Se o Festival da Canção fosse uma merda importante e limitada, em termos de visibilidade, ao nosso país, era capaz de bater palminhas. Para eu conseguir fazer uma música pior do que qualquer uma das que foi a concurso, tinham de me dar um tiro de caçadeira num dos hemisférios cerebrais, cortarem-me os braços e as pernas, ficando obrigado a escrever música e letra apenas com a pila e metade dos neurónios. Portanto, se é para ganhar merda, que ganhe a merda que agita mais o povo, pá. Dispenso é que me revirem os olhos quando digo que aquilo não tem nem piada, nem particular inteligência.

Mesmo assim, tenho dificuldades em dizer que não mereceram ganhar. Pelo menos fizeram uma coisa diferente, que toca mais o povinho. Será que vai servir de lição para os próximos que tentarem concorrer, obrigando-os a fazer músicas objectivamente boas? É claro que não. Festival da Canção é como o Portugal Tem Talento, Ídolos e afins: as pessoas realmente geniais não se metem nessas coisas. Ainda acabam por perder (tendo em conta os conhecimentos de quem vota) e depois é uma chatice para os egozinhos.

Tenho um grande defeito (pelo menos é o único): preocupo-me demasiado com o que os outros pensam de mim. Portanto, e apesar de me estar a cagar para a Eurovisão, não consigo deixar de ter vergonha por saber que todas as pessoas dos outros países vão ficar a achar que somos uma cambada de trolhas. Não é que não seja verdade, mas por alguma razão se inventaram as aparências. Estamos mesmo na ponta, mas isto ainda é suposto ser Europa. Se já em português as músicas não têm piada, imaginem a eficácia que a luta terá na Alemanha.

Pode ser que sejam uma espécie de Lordi portugueses. Pior aspecto, já têm. Força, camaradas.

Mesmo aqui ao lado...

Um arrumador de carros acaba de gritar "FINALLY!". Parecia uma versão portuguesa do Charlie Sheen, mas com barba e menos droga no papo. Fui logo à janela, desejoso de gritar o mesmo, mas o gajo ainda estava de pé, tão vivo como há bocado. Por enquanto, fico calado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Despedidas sentidas

Nunca gostei de despedidas. Na maior parte dos casos, sinto-me obrigado a fingir que estou a sentir uma coisa que, na realidade, não sinto. Noutros, a minha incapacidade de esboçar sempre as expressões faciais apropriadas, leva a que me sinta culpado por não conseguir fazer passar à outra pessoa aquilo que é suposto sentir, sentindo-o de facto.

Uma das poucas alturas em que cara e coração se encontram de mãos dadas é quando como um pacote de M&Ms até ao fim (ser magro é um fardo). Pegar no último remete-me sempre para um estado de pesar, de impotência, de saudade, de humildade perante as inevitabilidades da vida que escolhemos viver. Aquele último amendoim achocolatado, naquele momento, representa um amigo, um pai, um irmão, um vizinho simpático, uma namorada dedicada, sendo que, de todas as cinco despedidas, apenas era suposto ter-se comido uma.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O dia pode ter sido merdoso...

... mas encontrar um bom lugar de estacionamento ao pé de casa, muda tudo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Portugal dos pequeninos

É complicado arranjar lugar ao pé daquele edifício. Ontem estava cheio de pressa para ir lá buscar uns documentos e fiquei surpreendido por ver um lugar mesmo perto da porta. Mesmo assim, as condições não eram as ideais. Sabem aquelas ocasiões em que tanto o carro da frente como o de trás roubam preciosos centímetros do espaço delineado em que queremos estacionar? Bingo. Começo a achar que mais vale não fazer marcações no chão. Em alternativa, pintem todos os lugares com o dístico para deficientes, que a maior parte dos condutores portugueses é, no mínimo, amblíope.

Achei, no entanto, que mesmo assim conseguiria estacionar. Eram lugares espaçosos. Cabiam ali dois smarts de lado. Porque é que o meu não haveria de caber (para os fãs da série The Office, "that's what she said")?

Considero-me um condutor razoável durante noventa e cinco por cento do tempo, sendo alvo de uns brainfarts lixados nos restantes cinco. Com sono, as percentagens começam-se a equiparar aflitivamente. Era um desses dias. Alinhei o carro com o da frente, e inicio a marcha atrás. Percebo que vou ficar demasiado afastado do passeio, sem poder fazer grandes correcções, por ter o carro de trás já tão perto. Puxo de novo à frente, meto a marcha atrás, e desta vez fico com o pneu traseiro do lado direito encaixado no passeio. Primeira, de novo, em frente.

Pelos vistos parece que devia ter cobrado bilhete. Ao lado, ao pé de uma pastelaria, estava um gajo a olhar para mim e a rir-se, aumentando progressivamente o volume, à medida que se tornava evidente que eu não ia desistir do lugar, por mais vezes que iniciasse a manobra (foram umas quatro ou cinco, o meu ego não sabe precisar). Do riso à chacota verbal foi um pequeno passo, mais pequeno ainda do que o lugar em que eu tentava deixar o carro.

Chamemos ao indivíduo chalaceiro de Playmobil, a título exemplificativo:

Playmobil: Tá difícil, ó amigo!

Pedro: ... (detesto quando estranhos me tratam por amigo)

Playmobil: Ainda bem que os dias estão a ficar maiores! Isso com calma vai lá, HEHEHEHEHE!

Pedro: ...

Playmobil: Olha práquilo, cabia ali um camiôn!

Pedro (de vidro aberto, a começar a ficar irritado): Só se for um pequenino, daqueles com que tu brincas.

O que é certo é que lá consegui deixar o carro bem alinhado, tal e qual me ensinaram nas aulas de condução. Já a risota, continuava em marcha acelerada. O gajo tinha o tronco encorpadote mas não condizia bem com o meu físico atlético, sendo até um bocado mais baixo. Fosse eu um daqueles acéfalos de ginásio (o que não significa que todos os frequentadores de ginásio sejam acéfalos) a tentar impressionar a namorada na discoteca, e passava ao pé dele de mão puxada atrás. Não, estou mais bem vestido do que ele e devo ter mais estudos - pensei eu - se fosse para sujar as mãos, sujava-se a sério.

Acho que mesmo que tivesse demorado mais tempo, o Playmobil continuaria plantado no mesmo lugar, troçando à mais pequena anomalia que o movimento urbano lhe proporcionasse. Ainda mal me tinha aproximado do carro e já se começava a ouvir aquele riso inconfundível à palerma do 5º ano.

Playmobil: gfawemxcsmfmeiwehyr238423w'efso (frases indecifráveis). HEHEHE!

Pedro: ...

Playmobil: Isto agora, mais um quarto de hora, meia horita, e consegue tirar a máquina daí. Mas veja lá, ó amigo, quer uma ajudinha? Assim já isso ia num instante.

Pedro: Eu até aceitava a ajuda se tu conseguisses chegar aos pedais como deve ser e ver a estrada ao mesmo tempo.


Entrei no carro, rodei a chave, fiz pisca e vim-me embora. Tinha acabado de insultar um anão. Não dizem que há uma primeira vez para tudo?