quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu não doava...

...os meus orgãos vitais ao hospital. Iam-me servir de alguma coisa depois de ser enterrado? Provavelmente não. Seja como for, o risco de irem parar a alguém que escreve "se eu gosta-se", a alguém pobre, a alguém do Benfica ou até, horror dos horrores, alguém que nunca frequentou o ensino superior (estar cansado depois de lavar o chão das salas e sentar-se um bocadinho no anfiteatro para recuperar o fôlego não é bem a mesma coisa), deixa-me com o coração apertado.

Quando muito, seria capaz de abrir uma excepção para o Cláudio Ramos*. Há trabalho científico para ser feito ali. É interessante saber se ele deixa ou não de mamar pilas após receber um transplante de colhões a sério.


* bem sei que o que não falta por aí são blogs a usar o nome do Cláudio Ramos para fazer piadas sobre homossexuais. Ele não merece ser mencionado tantas vezes em tom de gozação. O problema é que pedi ajuda a vários amigos para me darem nomes de pessoas que, ao mesmo tempo, fossem figuras públicas, paneleiros, desempenhassem um trabalho ridículo e não fossem nem o Cláudio nem o José Castelo Branco. Ninguém foi capaz de me ajudar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

É mais forte do que eu

Sempre que recebo uma sms terminada em "Bj" ou "Bjs", não sou capaz de, à primeira leitura, interpretar aquilo como outra coisa que não "blow job".

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fará sentido manter este modelo de educação?

Sou afortunado por poder dizer que tenho um trabalho que adoro. Todos os dias é-me dado o privilégio de lidar com documentos pessoais de outras pessoas e preencher papéis, para além de dar formação a essas mesmas pessoas (a última, claramente um mero complemento secundário das duas primeiras).

Ao olhar para o certificado de habilitações de um dos formandos, reparei numa situação comum, embora caricata, sobre a qual já várias pessoas escreveram (e de forma bem mais acutilante do que eu, que sou apenas um normal palerma). Chamemos-lhe Dulcineíldo. O Dulcineíldo, segundo consta nos seus dados, passou a Educação Moral e Religiosa Católica com uma boa nota (4), embora tenha tido péssimas notas a Línguas e Matemática. Nada fora do vulgar, cumprem-se as prioridades. A minha pergunta é:

O que é que significa ter um 4 a Educação Moral e Religiosa Católica? O que é que se ensina lá? Se fosse sobre a sua história, não seria preciso o prefixo de Educação Moral, e já existiria uma disciplina que, consoante o programa, aborda a temática. Chama-se "História". Será sobre Deus, Jesus, demais personagens e histórias? Poderia o Dulcineíldo, caso fosse esse o seu credo, optar por Educação Moral e Religiosa Budista? Quais são as opções disponíveis no mercado? Terão todos a mesma oportunidade de escolha?

Nesse caso, não percebo o 4. Como é que se tem 4 a uma coisa que fala de coisas que, das duas uma:

A) Não existem.

B) Existem mas ninguém sabe afirmar nada sobre o assunto com autoridade.

O que é que o Dulcineíldo passou a saber que tenha aumentado as suas competências, que não se pudesse ter ensinado num outro ambiente, um pouco menos tendencioso? Não será lógico que as únicas notas possíveis numa cadeira desta índole, sejam o 1 ou o 5? Ou ninguém sabe nada porque não há hipótese disso, ou todos sabem tudo, porque é como a astrologia e é tudo inventado à medida que a brincadeira se vai desenrolando. Nenhuma outra nota faz sentido.

É que reparem: o que é que um padre, catequista ou similar "educador" sabe sobre Deus que o Dulcineíldo ou até mesmo, pasme-se, eu? Nada? Pois, nada. Similar educador não tem dados para dizer se os fundamentos da sua religião são verdadeiros ou falsos, quanto mais existentes. Nunca nenhum padre falou com Deus. Nunca nenhuma catequista leu sequer um guardanapo de papel com uma quadra de Santo António escrita por Deus. Nunca viram nenhum filme, mudo ou não, realizado por fonte fidedigna sobre toda esta macacada. Só a Alexandra Solnado é que fala com Jesus, sendo que ela, que eu saiba, não preenche recibos verdes segundo esta categoria do CIRS.

Alexandra Solnado foi professora de Educação Moral e Religiosa Católica do Dulcineíldo? Não. Então não percebo o 4.

Gosto de pensar que os meus filhos, quando forem para a escola, irão aprender somente factos e nada mais do que factos. Opiniões parvas sobre coisas, terão muito tempo para as adquirir, à medida que a vida os for moldando, mas nunca, endoutrinando.