terça-feira, 23 de outubro de 2012

Espirroto

Cá em casa andamos os dois doentes. Ainda não estamos às portas da morte, e penso que desta nos conseguimos safar. Ainda assim, estar doente é arreliante. Uma pessoa quer dançar o créu e doi o corpo, quer cantar Michel Teló e doi a garganta e o olho do cu... uma maçada.

O ritmo a que temos gasto lenços de papel tem sido bastante superior ao da sua compra. Uma pessoa compra um pack de lenços mentolados, e quando chegamos a casa já nos estamos a assoar às mangas. Ao fim de semana, se nos vestimos pior, as pessoas afastam-se de nós porque parecemos um casal de drogados, dada a vermelhidão dos nossos olhos e o constante fungar que nos assola.

Uma das coisas que nos causava mais transtorno nisto de virmos morar juntos "tão cedo" (há quem passados seis meses já esteja casado, portanto também não somos assim tão malucos) era a possibilidade da magia acabar mais depressa do que o previsto, dada a convivência num apartamento com apenas uma casa de banho. Há vicissitudes da vida de casal que não coincidem com as necessidades de dois pombinhos que ainda namoram como deve ser e que ainda se estão a conhecer. São elas, a saber, arrotar, peidar, mijar e cagar.

Eu até acho que conseguimos fazer uma gestão emocional das nossas vergonhas muito eficaz. Tudo aquilo que dentro nasce, com cada um fica, e não há cá daquelas merdas de mijar com a porta da casa de banho aberta porque ai que nos amamos tanto e isto é que é confiança e vida saudável em comum. Mais, quando chegamos a casa e a minha vontade de cagar se avizinha tremenda, eu tenho o cuidado de a avisar com um suave "se tens vontade de mijar é bom que o faças depressa porque eu tenho aqui um nado morto em decomposição no intestino que vai empestar a casa de banho até à hora do nosso chazinho de lucia-lima nocturno". Há amor e cuidado com o outro neste lar.

Nada nos podia ter preparado para este novo desafio enquanto casal. Tenho a certeza de que já vos aconteceu mas que nunca foi baptizado. Sabem aquela altura em que vão espirrar tão alarvemente, que se fartam de puxar ar para a garganta até finalmente se livrarem da comichão final, acabando tudo num inevitável arroto? Pois, isso é o espirroto.

Estávamos a ver The Walking Dead e começámos a espirrar compulsivamente. Ainda para mais, quando um começa, acaba por contagiar o outro. A garganta estava tão congestionada que a necessidade de ar era ainda maior do que o habitual. O espirro nunca mais sai mas a garganta continua a puxar mais e mais ar, isto à vez, num festival de ATCHIIIIIIM BLUUUUUUUUUUURP de parte a parte. Ainda a tentei seduzir depois disto mas ela rapidamente me lembrou da figura que estávamos a fazer. Estamos em pijama, todos desgrenhados, está a sair ranho do nariz como quem acabou de sofrer um corte na jugular e estamos a arrotar que nem suínos. Não vai acontecer mais trocas de flúidos para além disto, como é óbvio.

O espirroto é badalhoco mas não é compatível com a badalhoquice do roçanso. Já que não há sexo, que haja cegripe.

4 comentários:

A info-excluida disse...

LINDO

Red Velvet disse...

A melhoras :)

S* disse...

ahaahh Cá em casa também mantemos a porta do WC fechadas, mas é bom de ver que alguns pudores vão sendo quebrados pouco a pouco.

As melhoras!

PinkPoison disse...

Atchim!

Santurso!