quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tenha a bondade de me auxiliar

Há poucas coisas mais estúpidas na vida do que comprar óculos. O problema não é a necessidade de os comprar, mas o acto em si. Expliquem-me como é que eu vejo qual é o par que não me faz parecer um palhaço virgem se eu não consigo ver um caralho à frente do nariz. É a mesma coisa do que ser sujeito a um casamento combinado. Como é que me posso apaixonar por uma pessoa com quem nunca fodi e/ou (sim, ou, há casos todos os dias) nunca vi? E mesmo sendo eu a escolher a gaja, basta imaginar que estou a brincar ao quarto escuro com meia dúzia delas, até lhes posso mexer e deixar de lado logo as que são demasiado esqueléticas ou que têm demasiada xixa, mas depois não lhes consigo destrinçar a fucinheira. Ainda por cima, quando se fazem  estas escolhas, não é propriamente fácil de retroceder o processo. Aliás, por vezes é mais fácil acabar com uma pessoa de quem não se gosta muito do que ter dinheiro suficiente à mão para se comprar uns óculos minimamente decentes.

Lentes de contacto não vou comprar de propósito para isso. Já há alguns anos que deixei de usar por ficar facilmente com conjuntivites (não por falta de cuidado). Levar gente comigo também não é necessariamente a solução para a coisa. Confiar no gosto dos outros para estas coisas é mais difícil do que comer uma puta sem preservativo e confiar que ela não tem mesmo sida ou outra doença sexualmente transmissível. É que gonorreia ainda dá para tratar mais ou menos depressa, agora o incómodo de andar com esta merda na cara e o subsequente mau aspecto é que já é coisa para nos acompanhar uns bons tempos, mais ainda do que aquelas mulheres que acham que fazem parte da franja de 1% de mulheres que ficam bem de cabelo muito curtinho.

Eu até me tento aproximar muito do espelho (sou míope), e acho que a ideia geral é suficientemente aproximada da realidade, mas há mais do que um requisito para se ter boa aparência. Assim como não basta parecer bem pela frente e há que o conseguir igualmente por trás, também não basta ser-se jeitoso ao perto. A cinquenta centímetros do espelho somos capazes de apreciar os pormenores, mas ter uma noção da figura que se faz como um todo, só olhando a pelo menos cinco metros de distância. Não me digam que nunca olharam para o vosso reflexo numa fachada espelhada, endireitando os ombros com mais confiança quando a apreciação foi positiva. Não o fazemos apenas por vaidade, mas principalmente porque nos faz falta a informação.

Abraçada a dificuldade inerente à tarefa, resta-me apenas desejar uma coisa: só espero não sair do oculista com ar de paneleiro ou de intelectual. Mais ainda.

3 comentários:

S* disse...

4.5 em cada olho, sou vesga de todo. Não largo as benditas lentes, mas admito que de cada vez que tenho uma conjuntivite só me apetece é ganir.

Clair de Lune disse...

Eu estava sempre com conjuntivites alérgicas nos primeiros tempos de usar as lentes, até que descobri que sou alérgica aos líquidos desinfectantes.
Agora lavo-as com soro fisiológico antes de as colocar e já está!!

Ricardo disse...

" só espero não sair do oculista com ar de paneleiro ou de intelectual." ahahah, os meus óculos estão para breve, partilho da tua dor.