segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Natal já se acabou, o ano novo está-se a acabar...

Gostava de partilhar convosco esta foto que acabou de me chegar às mãos. Resta-me dizer que, se a Dona Amélia o diz, não sou ninguém para contrariar. Desejo a todos um ano de 2014 com mais dias de sobriedade do que o que finda.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pedro strikes back!

Já se passou muito tempo desde que vos mostrei o primeiro vídeo. Como o próximo está a dar mais trabalho para fazer do que eu pensava, pensei que seria melhor não vos deixar em modo "cold turkey" e fazer uma versão de uma banda de que gosto para não vos deixar a seco tanto tempo.

Os Memória de Peixe são uma banda que conheci no ano passado e da qual fiquei instantaneamente fã. Embora sejam constituídos por apenas dois membros (guitarra e bateria), soam como se fossem mil ao mesmo tempo.

O nome da banda explica-se pelo facto de construírem as suas músicas com a ajuda de um pedal de loops, que permite gravar pequenos riffs de alguns segundos e replicá-los continuamente, sendo possível a seguir construir novas texturas por cimas das que já estão gravadas. Acontece que eu não gosto lá muito desta forma de fazer música, porque acho que, normalmente, a forma como as camadas são adicionadas umas em cima das outras é um bocado denunciada e torna tudo repetitivo ao fim de algum tempo. Os Memória de Peixe fazem com que ninguém perceba como é que as músicas estão a ser feitas (a menos que vos digam ou que estejam atentos ao vivo) e torna tudo muito mais musical e orgânico.

A música que eu escolhi já estava perfeita no seu estado original, mas eu achei que a podia conspurcar um bocado. Pelo menos já me valeu um dos melhores elogios de sempre pela parte da minha namorada. "A deles é assim mais calminha e a tua é mais à bruta". Orgulho.

Embora eu tenha gravado a parte audio em takes completos e não em loop, decidi respeitar o espírito da banda e deixar a parte dos loops para os diferentes takes em vídeo, fazendo assim um vídeo splitscreen. Não copiei tudo nota por nota (senão o original já chegava e não era preciso fazer mais nada), mas mesmo assim, quem tiver curiosidade pela forma como a música deles é feita, consegue até aprender como funcionam algumas das camadas através do vídeo.

De resto, importa referir a lengalenga do costume. Se gostam de chocolate, vão ao supermercado mais próximo comprar chocolate, certo? Então se gostarem da música, sharem, laikem, ponham aos altos berros e dêem uma vista de olhos não só à minha página de facebook como à deles. A deles já deviam conhecer, caso contrário, shame on you!

Ah, e como de costume, isto em fullscreen e hd é muito mais do que para cima de espectacular!

https://www.facebook.com/pedromarquesmusic

https://www.facebook.com/memoriadepeixe


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Monty Python e Gato Fedorento, não precisam de voltar, a sério.

Já temos o Manuel "Noray" Almeida.


"Hello guys and girls, politicals, all this.
I came here to send message to Nelson Mandela families. I give you my feelings of lose a big man. He fight for propry life, he fight for propry country, like me. And I want to tell you, I want to tell you sincery, aahmmm, this president, Portugal, he heft tell Nelson families polagize. Polagize because he not agree about liberty of Nelson Mandela, ok?

For me, he still in my heart foreva, because I'm fight for my life, I doing my life for portuguese, I die for Portugal, and just, I want to say good christmas. Good christmas, naita (?), ok? Bye."


Este é o homem de que precisamos para a presidência da república. Quem me dera que concorresse. Ah, espera aí, vai mesmo concorrer.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O preço da ambição

Vitória Kajibanga está a momentos de ser desmascarada. Kiluange está finalmente a perceber a teia em que foi enredado. Ofélia começa a perder o poder persuasivo que tem sobre o marido, Wilson. Henda revelou que mandou trocar o esperma de Artur pelo dele, de modo a poder estorquir dinheiro a Luena. Será que Pedro e Lweiji poderão finalmente ficar juntos? Não será apenas uma paixoneta adolescente que se desvanescerá assim que todos os entraves à mesma forem levantados?

Em breve, tudo se resolverá. E eu, como é que vou conseguir preencher o vazio que esta obra-prima irá deixar em mim?

PS: Escusam de sugerir a Casa dos Segredos. Tudo bem, qualquer gajo que se preze gosta de putaria ao natural, mas aquilo consegue ser demasiado ao natural para mim.

domingo, 8 de dezembro de 2013

E agora, Leonardo, POR FAVOR...

... não te metas com a mulher do Bruno. Obrigado.


PS maior do que o post em si: não sabia que era crime ficar contente por o nosso clube, passado tanto tempo, ir à frente do campeonato. Nem sei porque é que é triste. Na jornada passada não éramos os primeiros com a  desculpa dos estatutos da liga; e agora, já podemos? Ninguém anda a dizer que vamos ser campeões e que já não há mais campeonato para jogar. O Marquês não foi reservado com antecedência, que eu saiba. Não há, também, nenhuma fábrica a fazer cachecóis com os ditos "Sporting CP Campeão 2013/2014".

domingo, 1 de dezembro de 2013

Porque é que o Daniel Oliveira...

... não entrevista pessoas cegas no Alta Definição?

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Parece que todas as figuras públicas...

... que terminaram recentemente uma relação dizem às revistas cor-de-rosa que estão a atravessar uma fase muito feliz na vida.

Dito isto, se andas triste e já és solteiro ou viúvo, tás fodido.

sábado, 16 de novembro de 2013

A cavalo dado não se olha ao dador

A primeira vez que vi os resultados de um dos primeiros passatempos da Pipoca, tive um imediato sentimento de "really?!", culpando-a de mau gosto por ter escolhido aqueles vencedores. 

Eu sei que ninguém tem a obrigação de ser poeta e que, quem não o é, tem todo o direito a querer ganhar qualquer coisa, mas há um lado mesquinho em mim sem botão de on/off. 

Hoje, olhando para o enésimo passatempo, percebo que estava a ser injusto. O problema não é dela, a malta que concorre é que só é mesmo capaz daquilo. Isso não faz com que as pessoas sejam automaticamente más ou burras no todo apenas por uma pequeníssima falha, mas fico sempre com um esgarzinho de vergonha alheia. Tenho pena de, quando andava na 3ª classe, ainda não existir aquele blog e eu não ser maricas (lá está, é um blog de gaja, não se pode agora estar à espera que se ande a sortear sempre gadgets e só de vez em quando cremes e bandoletes). É que, precisamente a esse nível, eu já exibia as competências necessárias para me lembrar de um "Leio cada conselho da Pipoca com rigor e atenção, por isso vou experimentar este Baileys Chocolate Luxe com prazer e moderação." e achar que já não me precisava de esforçar mais para concorrer. Sim, eu já sabia o significado de rigor e atenção. Quanto muito diria "mamã, o que é Bailis?".

Aos que dirão automaticamente "ai é, então porque é que não fazes melhor, ó sacripanta?":

Às vezes, fazer melhor é, precisamente, admitir que não se sabe fazer algo e, pura e simplesmente, não fazer.

 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A dieta dos não sei quantos dias

Embora isto já seja do conhecimento público, há duas pessoas que perderam uma quantidade considerável de peso nos últimos tempos: a Fanny e eu. Com o estrondoso sucesso que a minha entrada na indústria musical teve (está já agendado eu ir no mês que vem para Miami, onde o Snoop Dogg vai fazer um dueto comigo no meu próximo single, cantando as palavras "Pederou Marrquez" três vezes), a minha agente minha namorada disse que eu devia expandir o meu mercado alvo e escrever um livro de dietas. Na cabeça da maior parte das pessoas, essa é a progressão lógica. Até lhe sugeri chamar ao livro "The Diet of Anne Frank", mas ela achou que era de mau gosto e que eu devia usar qualquer coisa do género "A dieta dos não sei quantos dias de Pedro Marques", como toda a gente faz. Não percebo porquê. Se perder peso é uma actividade orientada para os resultados, vamos usar os exemplos que apresentama maior garantia de sucesso.

Porquê um livro de dietas? No meu vídeo, que podem voltar a ver ou no post passado ou no facebook da página, se repararem bem, podem ver três Pedros diferentes, tendo em conta na altura não termos podido filmar tudo de uma enfiada. Um tem 90 quilos, o outro 85 e no final há um com 78.

Há uns meses atrás disseram-me que eu estava gordo. Se eu estou gordo tu ou és atrasado mental ou metes pedrinhas no rabo para magoar a pichota dos outros meninos, pensei eu, todo ressabiado. Acontece que entretanto houve mais pessoas a dizer o mesmo.

Eu nunca fui gordo, porra. Sempre fui magro e isso era um dado adquirido. Comia toda a merda que me apetecia e sabia que o desporto se encarregaria de que fosse outra pessoa qualquer a ser gozada na rua e não eu. Até que me comecei a sentir mais pesado e com menos energia. A certa altura, pela piada e só para ver como era, queria ver se conseguia chegar aos 90 quilos e depois perdia tudo facilmente. Pois. No princípio do ano atingi esse objectivo (90,2 sem roupa, de jejum e já depois de ter cagado) e achei que 90 era para meninos e que afinal 100 é que seria de homem. A minha agente minha namorada disse prontamente que me largava se isso acontecesse (que relação tão pouco profissional). Eu faria o mesmo se fosse ao contrário (e ela nem precisava de chegar aos 100), sendo que desta vez já não estava tão confiante de que fosse fácil perder peso.

Da tomada de consciência à acção há sempre um espaço de tempo chatinho, que nos faz andar ali no limbo. Em Junho disse "basta!" (quer dizer, não foi bem basta, foi mais foda-se tou gordo comó caralho e já só consigo ver a cabeça da pila quando tá dura e é porque é comprida) e decidi mudar alguns comportamentos. Hoje pesei-me e já vou nos 76.

A vitória não é ver um valor baixo na balança, mas sim saber que será preciso que nos façam uma lobotomia para que voltemos a cair em certos comportamentos antigos. Vou partilhar convosco aquilo que fiz, com a vantagem de que não sou nutricionista (o povo identifica-se mais facilmente com o seu semelhante) e puta que pariu se algum dia me apanhavam num (quanto muito dentro de uma, se não tivesse namorada).

O meu jantar era quase sempre dois bifes, dois hamburgueres ou dois quaisquer afins e uma porção enorme de massa temperada com bastante manteiga e alho. Saltava imensas refeições (especialmente a primeira!) e então achava que merecia, ao fim do dia, comer um prato de comida tão bem aviado que aguentasse um episódio inteiro de The Walking Dead desde a primeira garfada à última.

Agora, como apenas um bife ou um hamburguer ou uma lata de atum ou posta de peixe. Evito comer massa e arroz à noite (e quaisquer hidratos de carbono, tirando os da fruta); se me apetecer, compenso uma dose menor com milho ou outro vegetal. Adoro milho e ervilhas (e isto também é uma sorte). O prato continua cheio mas bem menos calórico. Descobri que sou maluco por favas. Isto, tenho de admitir, é uma sorte. Se fico muito tempo sem as comer, fico genuinamente contente quando sei que o jantar vai ser carne com favas sem mais nenhum acompanhamento. Ah, e não me fazem peidar mais do que já me peido, ao contrário daquilo que muitos dizem (mas aí já tem a ver com as diferentes tolerâncias de cada pessoa).

As grandes arrozadas e massadas ficaram agora reservadas para o almoço, para que toda essa energia seja gasta durante a tarde, onde é bem mais precisa.

Bolachas de chocolate recheadas (eram o meu go to snack) deixaram de entrar aqui em casa. Ao lanche (ou sempre que tenho fome) costumo comer ou fruta ou pão com mel (vá, doce quando não há). O mel demora mais a ser degradado e acaba por ser uma excelente fonte de energia, especialmente se formos correr a seguir (continuo a achar que correr é uma seca, e tenho andado a escapulir-me aos "treinos"). Dantes, para me sentir saciado, comia duas sandes de pão de forma branco bem barradas fosse do que fosse. À parte do recheio, por si só isso já dava quatro fatias de pão. Agora já não fecho o pão e troco, sempre que posso, pelo integral. Barro duas fatias separadamente com mel (sem que sobre na faca ou na colher para me lambuzar à parte) e era como se tivesse as mesmas duas porções do costume, com metade das calorias.

Já não bebo refrigerantes. De vez em quando, socialmente, o máximo que faço é pedir Coca Cola Zero (eu sei que não sabe bem ao mesmo, mas com o tempo uma pessoa habitua-se). Também não faz grande coisa ao organismo, mas é tão esporádico que escapa.

Para fazer estas adaptações usei um software de contagem de calorias. Ai que chatinho, poderão dizer, mas ajudou-me a ter a perfeita noção daquilo que comia antes, e de como espaçar a comida de modo a que que não tivesse de abdicar de muita coisa e que pudesse dosear bem as quantidades ao longo do dia, nunca tendo fome. Pesquisem, que há alguns grátis ou com períodos de teste bem generoso.

Uma coisa é certa: perder peso é democrático e matemático. Todos o podem fazer, e se gastarem mais energia do que aquela que consomem, NUNCA SERÃO GORDOS.

Agora que já atingi mais do que o objectivo (com 78 já ficaria plenamente satisfeito, já que não sou baixo), já não estou tão nazi e desvio-me de vez em quando da dieta. Se sugerirem comer uma calzone à noite, já não me meto com paneleiradas. Simplesmente limito-me a comer a pizza muito devagarinho, e a saborear ao máximo. Aliás, é um prazer duplo. Quando toda a gente já acabou eu ainda só vou a meio e ficam todos fodido dos cornos de inveja de mim.

Já agora gostava de saber as vossas experiências com isto dos pesos. Embora eu tenha passado apenas pela rama naquilo que fiz (poderei ser mais detalhado se alguém quiser), tenho muito para aprender e acho engraçado fazermos as coisas de borla.

domingo, 20 de outubro de 2013

Afinal quem é Pedro M.?

Isto podia ser o título da Nova Gente. À noite, blogger respeitado, mas de dia, quem sabe?

A certa altura da minha vida percebi que um blog era uma jaula demasiado pequena para prender uma besta muito grande. O meu blog já não me serve. Ou o elástico perdeu a força, ou então a minha barriga já não é aquilo que era dantes.

Decidi então perseguir a minha verdadeira paixão: a cosmética. Sempre quis ter a minha própria linha de vernizes, especializados na unha grande do dedo do pé, mas cedo percebi que as marcas não estavam interessadas em mim. Segundo eles, o caminho normal a seguir seria editar primeiro um livro, dar-me a conhecer, depois um editar um cd e finalmente, quem sabe, progredir para outras coisas.

Ora eu um livro pronto não tenho, mas de música gosto. Gosto que é um disparate. Tenho até uma playlist com belos temas para fazer amor (que se quiserem até poderei divulgar a lista), mas queria ir mais longe. Decidi inovar e ser eu próprio a tocar os instrumentos. É arriscado, mas pode funcionar. Lá está, também pode não funcionar porque é arriscado.

Como a coisa não está já pronta para sair, já que sem os apoios certos não se faz nada na vida (alguém conhece a malta do Tribunal Constitucional?), achei que era simpático postar aqui um vídeo todos os meses, para vos ir adocicando a boca e os olhos, tal como fazem os concorrentes do Preço Certo quando levam chouriças e galhardetes ao Fernando Mendes.

Publicar um vídeo na internet implica que toda a gente, de repente, passe a ter acesso à minha fuça. Ao longo dos anos, fui conhecendo algumas pessoas através do blog, soube de outras que tinham curiosidade em saber quem eu era, e talvez outras até a tenham perdido muito depressa após o primeiro relance. Mas quem quer aparecer, a menos que faça parte de uma banda tipo Gorillaz, enfrenta essa condição inescapável que é, logicamente, APARECER.

Vou-vos deixar o vídeo aqui em baixo (por favor, vejam em fullscreen e em hd, que a malta não andou a ter trabalho para isto ser visto através do buraco da agulha) e o link para o facebook em modo permanente, do lado direito. Se acharam a primeira foto de teor um pouco para o cagão, preparem-se porque as outras serão todas piores. Artista que é artista dá-se ao respeito. Se gostarem, submetam-se à tirania do Facebook, laikem e partilhem o vídeo da mesma forma como partilharam os brinquedos em criança. Errr...

E os vídeos, esses, serão um mimo. Acho.

sábado, 19 de outubro de 2013

Demasiado bom para ter sido o primeiro

Tenho sempre a tendência para achar que, se tenho um boa ideia, alguém já a terá tido algures no passado. Com biliões e biliões de pessoas no mundo, ainda que algumas não pensem, basta fazer as contas.

Digo isto porque há bocado a minha namorada estava a ver o Glee (que programa tão "#%&/$%$%&). Era um episódio sobre os Beatles e eu lembrei-me de que o Hitler era um grande fã deles e a sua música favorita era o "Hey Jew".

Fui googlar.

Não sou original.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Há um lugar para cada apêndice

Neste momento, um velhote de sobretudo sem nada por baixo, a mostrar a pila numa paragem de autocarro, seria mais refrescante do que ter de estar a levar com a língua da Miley Cyrus a cada cinco segundos. Nunca pensei dizer isto da Romana, mas soube ter mais dignidade quando decidiu deixar de ser bebé.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Gostava muito...

... de concorrer ao Quem Quer Ser Milionário. Estou farto das novelas nos canais portugueses em horário nobre e acho que fazia sentido um programa como este voltar a ser transmitido na televisão portuguesa. Talvez quando o Carlos Cruz acabar de cumprir pena a direcção da RTP1 se lembre de o ir buscar aos portões e, novamente, volte a apostar neste formato.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Experiência de quase-morte

Pensava que a sensação que melhor emulava os nossos últimos momentos presos à vida seria qualquer coisa como estar deitado no sofá a ver "My Big Fat Gipsy Wedding" no TLC (o programa não se podia chamar só "My Gipsy Wedding"? Que complicação, caramba), mas não. Não tem nada a ver. Sei porque o senti na pele esta madrugada.

De repente, não reconheço o sítio onde estou. Sinto-me cansado, muito cansado. Olho para todos os lados, sei que estou a ver pessoas mas não consigo distinguir bem quem é. Há alguém que se aproxima e me pergunta "Você está me ouvindo?" Aliás, nem sei bem se é isso que estou a ouvir ou se é o meu cérebro a tentar descodificar os sons para aquilo que me parece mais próximo do raciocínio. Não, afinal não. Estou a ouvir mesmo muito mal e a maior parte das palavras parecem ser proferidas numa língua estranha, praticamente ininteligível.

Mal me consigo mexer. Se o fizer, de repente não consigo ver ninguém e isso dá uma sensação de medo maior do que não conseguir reconhecer mais do que vultos, formas, cores.

Devo estar mesmo em péssimas condições, já que todas as pessoas estão acima de mim, a olhar para baixo, a apontar na minha direcção, com vozes preocupadas. A pouca luz que ainda me servia de guia desaparece e ficam apenas as vozes, cada vez mais alvoraçadas. Um clarão repentino. As vozes, meu deus, as vozes. É isto o fim? Não tenho direito a uma segunda oportunidade? Fiz tão pouco... tão pouco de que me orgulhasse.


Afinal é só um amigo nosso que emigrou para o Brasil e faz anos. Estamos em contacto através de Skype num iPad, pousados na mesa dos salgadinhos, ao nível da cintura de toda a gente. De toda a gente não. A mãe do amigo está a olhar para nós, à mesma altura. Viraram um tablet para o outro e lá tivemos de soprar para as velas do bolo. Tinha o emblema do Benfica. O facto de ser adepto de outro clube (os simpatizantes que me desculpem) levou-me a soprar com a máxima força, de modo a que valentes perdigotos se alojassem na cobertura.

Daqui a bocado já limpo o monitor.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sempre que aparece meia dúzia de intelectualada...

...a falar mal de uma merda qualquer, mesmo que seja boa, há meia dúzia vezes mil de carneirada que se ergue, orgulhosa, para bradar aos céus que aquela sempre foi a sua opinião. Miguel Esteves Cardoso disse que a "Gaiola Dourada" nem sequer uma boa merda conseguia ser e toda a gente, de repente, se ajoelha aos pés do mestre.

Ora o mestre, lá por ser mestre, não deixa de ter as suas paragens cerebrais e de dizer merda (da boa e da má) quando lhe dão espaço para isso.

O filme é bom e isso não está sequer aberto a discussão. O facto de uma coisa ser objectivamente bem feita e nós, ainda assim, não gostarmos ou não nos identificarmos com ela, não faz com que sejamos atrasados mentais. Temos de aprender a diferença entre dizer-se "não gosto" e "é uma valente bosta", já que nem sempre as duas coisas andam de mãos dadas.

O problema de muita gente é a expectativa que tem acerca de tudo. Quando as primeiras pessoas começaram a ver o filme, gostaram tanto que lhe teceram rasgados elogios. Temos tendência para hiperbolizar as coisas de que gostamos muito. Agora, digam-me, estavam à espera de quê? Quem foi ao cinema a achar que aquilo era o melhor filme cómico de todos os tempos só pode sair desiludido. Eu até acho que nem sequer é um filme cómico, tendo apenas alguns apontamentos mais engraçados.

Acontece a mesma coisa com os Santinis e os "melhores bolos de chocolate" da vida. De tanto se ouvir dizer que são experiências inesquecíveis sem as quais não se morre completo (e estou a balizar o nível por baixo), tudo o que seja menos do que haver uma tipa a executar um final feliz na minha pessoa enquanto eu como o alimento mais superlativo alguma vez inventado (só a comida não chega para o evento se equiparar às descrições) vai ficar sempre muito aquém das minhoquinhas que nos põem na cabeça.

Passa-se o mesmo com o filme. Repito, é bom. Para quem está à espera de sair do cinema automaticamente curado de todas as doenças que o assolam, aconselho a que se feche em casa e corte todo o contacto com o mundo. Não vale a pena viver. Tudo o que dizem que é bom e vale a pena é, afinal, fraquinho.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma polaca para 100 mil

Acabei de ler numa notícia da Visão que há uma polaca interessada em viajar pelo mundo e ter relações sexuais com cem mil homens, de modo a estabelecer inequivocamente um recorde mundial. Diz ela que é uma espécie de maratona sexual. Maratona não, ultramaratona. Se esta badalhoca fosse atleta era o Carlos Sá da queca. Imagino até que os relatos das dificuldades no decorrer da prova sejam idênticos aos dele.

Percebo agora o olhar guloso da maioria dos homens com mais de cinquenta anos com quem me tenho cruzado. É que parece que a tipa pretende dar um saltinho aqui a Portugal. Tendo em conta o número de gajos que ela quer comer, as probabilidades da sorte grande (tem pouco de magreza, a moça) vir a calhar a alguém com as partes mais bafientas é mais que muita. Não esperem é que seja de borla. Todas as coisas boas na vida têm um preço e esta não é excepção, ou não cobrasse ela nove euros e trinta cêntimos pela inscrição.

Não acho caro. Um gajo mete uma moeda de cinquenta cêntimos num daqueles carrinhos do Noddy ou na Abelha Maia e aquilo só sobe e desce durante trinta segundos. Nem sequer há final feliz (a menos que não estejam sozinhos e caibam todos). Já a polaca, promete até vinte minutos de diversão, podendo a moeda ser inserida na totalidade das ranhuras estipuladas por Deus Nosso Senhor para o efeito (não tenho dúvidas de que Ele sabia que, se dá para meter, é porque a malta vai tentar).

Eu já estou servido de senhora, embora sobejamente mais asseada; se não estivesse, não sei se resistia. Uma coisa é certa: este tipo de iniciativas fazia muita falta quando eu andava no secundário. É claro que se fosse com a mesma rapariga, ela na altura devia ter uns dez ou uns onze anos de idade (ou menos) e eu não sou desses. Mas porra, quando eu estava no décimo ano também devia haver polacas com graus de quenguice similares. Que não fosse pela falta de 1800 escudos, que esses tinha-os eu.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Tenho toneladas de inveja...

... daquela malta das auto-ajudas e do life coaching. De facto, há muito tanso a comer la palissadas às colheres e eu não consigo capitalizar nisso. A culpa é minha. Sempre pensei que se precisasse de um bom conselho, havia uma palavra para isso: amigo. Se tiver um problema pessoal mais sério para resolver há outra palavra muito boa também: psicólogo. Nunca pensei que se pudesse construir uma carreira tão lucrativa à conta disto. Há sempre mais uma pessoa com o 9º ano que vai ficar fascinada se a inspirarmos com o significado de carpe diem. Os "sonhos de menino" do Tony Carreira também funcionam algumas vezes se fizermos alguém acreditar que aquele menino podemos ser todos nós. Talvez se me predispusesse a abrir tanto a mente ao ponto de correr o risco de poder cair algum bocado de cérebro lá de dentro, conseguisse fazer parte desta tropa sem sentir remorsos.

A sério, alguém precisa de um coach? Por onde é que eu começo?

sábado, 29 de junho de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

A moda das corridas

Sempre achei que correr só porque sim era uma coisa muito estúpida. Há tantos tipos de actividade física mais divertidos que fico pasmado com a quantidade de gente a correr por essa cidade fora. De vez em quando também sou um deles, mas mais por falta de melhor alternativa do que outra coisa.

Sou uma pessoa que gosta muito de catalogar tudo, e recentemente comecei a perceber que há três tipos de corredores: os homens, os paneleiros e os semi-paneleiros. Os homens são aqueles que correm em qualquer tipo de condições. Uns choviscos não os demovem da actividade. Correm na estrada, na praia e na serra. Não estão preocupados com escaldões ou se vão ficar sujinhos por causa da lama. Abrem a porta de casa, respiram fundo e simplesmente correm. Portanto, uma mulher atraente pode ser um homem sempre que cumpre estes requisitos, e é o único caso em que Deus não castiga se um tipo gostar de um homem desses.

Os paneleiros preocupam-se com o tipo de sola dos ténis, têm cores diferentes para todos os dias, e fazem upload dos dados do treino para os seus perfis na internet, sempre apoiados na última versão para a aplicação android ou iOS do momento.

Eu sou apenas semi-paneleiro. Não corro se estiver demasiado calor, é certo, mas também só tenho um par de ténis e não tenho vergonha de sair à rua com eles se estiverem porquitos. Uso o SportsTracker no meu smartphone já a acusar os anos porque gosto de saber a distância que fiz e as calorias que queimei (normalmente meço a exigência do treino em bolachas com recheio de chocolate; a minha corrida média corresponde entre duas a três bolachas do de chocolate do Pingo doce). No entanto, estou-me profundamente a cagar se estou a seguir o ritmo certo para a minha condição física ou se a minha pulsação indica que estou perto do colapso. Quando der o berro, deu (também nunca está perto do colapso porque às vezes fico tempos sem correr e depois por cada 500 metros que corro, ando outros 500; nunca sei se devo iniciar no telemóvel o treino em modo walking ou running nessas alturas).

Ando a tentar ficar mais disciplinado. Com sorte, um dia passo-me para o lado dos panilas. Mesmo não prestando ainda muita atenção a todos os parâmetros da corrida sei que, para ganhar resistência e perder massa gorda, não posso deixar a pulsação descer demasiado. É esta parte que torna correr em Lisboa uma actividade díficil. A menos que tenham um parque à porta de casa, há sempre uma data de semáforos no meio do caminho. Com as tshirts mais usadas que visto para correr, se descuro a passada mais acelerada e me deixo andar um bocado, em vez de um corredor pareço apenas um gajo pobre que não tem onde cair morto e que vai a arfar e a suar porque está com dificuldades em arranjar a próxima dose. Como ligo muito as aparências, recomeço logo a correr se noto que alguém pousa o olhar em mim de forma mais demorada, para não terem dúvidas acerca daquilo que ando a fazer.

Gostava, portanto, que partilhassem as dicas que têm para correr em Lisboa. É que um gajo, em nome da saúde e de uma perda de calorias acentuada, acaba por ter de se sujeitar sempre a alguns riscos...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Coisas que me chocam

Parece que o João Malheiro vai lançar um romance intitulado "Cona D'Aço". Confesso que esta novidade me deixou um pouco perplexo.

Então mas o João Malheiro é capaz de escrever um romance?! A sério, é que isto de uma pessoa se lembrar de guardar o documento antes de desligar o computador não é para qualquer um. Ou então escreveu a "Cona D'Aço" à mão.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O desassossego de Leididi

Distraído como sou, já não fui a tempo de apanhar o grosso dos protestos contra a piada feita pela Leididi acerca da Bibá Pita. Para os que não se lembram, foi levemente sugerido que a filha que exibe mais parecenças com a Bibá é precisamente a que tem trissomia. Percebo que haja dois tipos de pessoas que se sentem ofendidas com isto: aquelas que lidam com o problema todos os dias e ainda não conseguem ter um distanciamento suficiente para conseguir brincar com isso e os desprovidos de sentido de humor. Para mim, não ter sentido de humor é, em si, uma deficiência. Tenho a leve suspeita de que a Bibá, caso tenha sabido disto, não tenha sido nem de perto nem de longe a alma que mais sono perdeu à conta disto, podendo até ter-se rido mais do que eu.

Ter sentido de humor não implica que uma pessoa rompa a braguilha sem querer por se rir de qualquer piada mais esquisita, ou que seja o próprio a contá-las. Uma das suas dimensões é precisamente a capacidade de uma pessoa perceber a lógica (ou de criar uma lógica) de uma frase humorística.

Por exemplo (esta eu gostava que se tornasse clássica):

Um pai chega a casa e apanha a filha em flagrante a masturbar-se com um pepino.

- Oh Isabel, eu não te tinha dito para não fazeres isso? É que eu ia comer isso logo à noite e agora vai ficar tudo a saber a salada!

Esta piada é boa. Não fará rir toda a gente, mas quem a perceber já terá sentido de humor. O resto vai achar que o seu autor devia ser preso porque o incesto é uma coisa séria. Claro que é sério. Se não fosse, não teria piada.

Acho que já o disse aqui uma vez, mas é impossível fazer humor sem ser às custas de alguém. Repito: é impossível. A única coisa que muda é o grau da desgraça. Caso a polícia da moral e dos bons costumes queira estabelecer um limite para o respeitinho e a sensibilidade, vai ter de abolir completamente a ironia, o sarcasmo, e a gargalhada inteligente da vida no planeta. Prefiro sujeitar-me a ser alvo de chacota do que ver instaurada uma censura plena. Eu nem sequer lido muito bem com a coisa quando alguém goza comigo, mas o problema é meu e não do humor. Não há limites de assunto para o humor; é sim necessário um sentido de humor muito mais apurado quanto mais melindrosa for a situação.

É provável que alguns dos que tentaram crucificar a Leididi sejam precisamente alguns dos que acharam muito conseguida aquela publicidade do "Acredita, eu consigo", em que se sugere (quer queiram, quer não) que pessoas com trissomia nunca poderão alcançar mais na vida do que ser tratador de cavalos, auxiliar educativa ou aprendiz de marceneiro. Eu acho esta publicidade de um mau gosto incrível, especialmente quando até houve uma série na RTP, a "Liberdade XXI" que mostra como até advogados conseguem ser. Contra esses ninguém se insurge. Toda a gente elogia a campanha e ninguém se questiona se haverá ou não ali um sentido pejorativo evidente. Mas não, a Leididi é que é a má.

Nem tudo é negativo. Esta polémica conseguiu fazer com que a autora do catálogo da La Redoute, a Pipoca Mais Doce, provasse que ainda não está senil e que ainda sabe escrever coisas de jeito como nos antigamentes. Nem tudo está perdido.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mudar de vida

Mudar de casa é mudar de vida. Quando vamos à procura de um sítio novo para morar estamos, no fundo, a tentar vislumbrar a vida que vamos ter daí para a frente. Se pudermos observar pequenos excertos de várias vidas, mais clara se tornará a escolha que queremos fazer.

Reconhecida a importância de viver uma boa vida, é alarmante a quantidade de pessoas que não são experientes no processo de ir ver casas. Quando vão a um stand de automóveis, é esperado que se faça um test drive em condições. Não me passa pela cabeça aceder a um pequeno troço de autoestrada e ter de perguntar por favor se posso acelerar acima dos sessenta. Não é preciso entrar em grandes exageros, mas também há que ter uma noção representativa daquilo que vamos ter em mãos, e que não é fácil de corrigir caso a escolha saia furada.

Veja que bonito é este piso flutuante. A cozinha é espaçosa e está bem equipada.Repare na facilidade de estacionamento e de acesso às principais vias e serviços. Podem ter animais de estimação, sim. Ah, crianças não permitimos; há que limitar o número de contaminações cruzadas e defender os moradores das discussões por causa das notas no final do período. Sim, é gás natural, não há cá botijas.

Parece-me tudo em conformidade, mas será que posso ir ali cagar?

Fazer cocó é o test drive do sector imobiliário. Não há momento mais contemplativo numa casa do que aquele que passamos de calças e cuecas pelos joelhos. Momentos contemplativos destes implicam paz, serenidade, conforto, quase como que uma espécie de meditação mal cheirosa. Eu não quero estar preocupado com a possibilidade da sanita entupir constantemente porque só aguenta com cagalhões vegan ou de menina. Salpicos então é o inferno na terra. Salpico de água de sanita no rabo é tão desconfortável como termos uma pedrinha no sapato entre os dois dedos mais pequeninos e não nos podermos descalçar. Posto isto, quantos de nós é que pediram para cagar nas casas que acharam suficientemente dignas para serem as próximas?

Eu também não pedi na altura própria, que isto é mais garganta do que outra coisa. Sei que devia ser feito, mas a vergonha de pedir é igual à de qualquer um. Por isso, cheguei a estar um bocado em pânico quando senti que havia algum rebuliço intestinal, depois de já ter as mudanças feitas.

Não adiantava adiar. Alguma vez tinha de ser.

Foi agora. Foi bom. Não é a melhor sanita onde deixei obra assinada, mas é adequada às minhas necessidades (a número um e número dois). Acho que vou gostar de estar aqui.

E agora, para que lado é a sala?

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ainda sobre o último Prós e Contras

O que me assustou mais nem foi a confirmação da profunda ignorância em que certas personagens estão mergulhadas, mas sim a quantidade de palmas que recebiam após cada debitar de disparates.

sábado, 18 de maio de 2013

Splash - Sic

Já é conhecida a lista de concorrentes do novo programa de entretenimento da Sic, o "Splash". Apostando num formato de grande sucesso, tem a dura tarefa de tentar tirar o Big Brother Who The Fuck Are They da liderança de share. Percebo agora porque é que foram feitos todos os esforços para que a Fanny fosse integrada no elenco de um em detrimento do outro.

Quanto a mim, já tenho a certeza daquela que penso ser a personalidade favorita à vitória no programa. Na minha opinião, e tendo em conta que há ali conhecimentos e aptidões técnicas que não se aprendem numa semana, a mais bem cotada é, sem sombra de dúvida, a atriz Sónia Brazão. É inquestionável que a sua anterior participação em "Boom" será uma mais-valia para se sagrar vitoriosa em Splash.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sentidos da vida

Há duas filosofias no que diz respeito a fazer compras em grandes superfícies. Há quem prefira ir várias vezes ao hipermercado, comprando menos coisas e de forma mais controlada, à medida que vão faltando. Os outros preferem encher carrinhos de produtos, de modo a evitar ter de lá voltar tão cedo.

Mesmo assim, há necessidades que nem sempre encontram expressão na lista de compras, muitas das vezes por esquecimento. Há quem vá dar (ou vá a um) um jantar e compre apenas uma garrafa de vinho e uma sobremesa para aquela altura, há quem precise de um reforço matinal e compre pão ou bolos, lâmpadas e pilhas, e assim sucessivamente. De vez em quando apanham-se criaturas com necessidades raras. Por exemplo, um indivíduo de bochechas rosadas a colocar no tapete rolante 7 garrafas de vinho tinto e uma embalagem de azeitonas, ou a senhora dos gatos maluca que alia as batatas com sabor a barbebue, a Nova Gente e um desentupidor de canos são casos estranhos.

Eu acabei de ir comprar rolos de papel higiénico. É incrível como uma coisa tão simples pode ser tão desarmante. De repente, no meio daquela gente toda, acabo de anunciar que a minha missão no mundo é tão e somente cagar. O que é que se junta a uma embalagem de papel higiénico para disfarçar? Bolachas de chocolate? Não, só dá mais sentido à escolha. Deverei também render-me às batatas fritas de sabores? Seja qual for a coisa que se junte, papel higiénico é tem um daqueles volumes imponentes, em que mesmo a embalagem mais pequena já enche logo meio cesto.

Até o paquistanês pobre das duas latas de salsichas, uma de atum e um pacote de macarrão riscado ficou a olhar para mim com ar de gozo.

Mas será que esta gente não caga?

domingo, 12 de maio de 2013

Se eu tivesse a certeza...

... de que o Paços de Ferreira fosse capaz de roubar pontos ao Porto no último jogo, o resultado de ontem seria perfeito. Como sportinguista, verdadeiro conhecedor daquilo que é sofrer, veria os benfiquistas completamente de rastos num jogo e o Porto de novo relegado ao seu verdadeiro lugar (todos menos o 1º) na última jornada.

Mas não. Paços de Ferreira está situado acima do Mondego e já fez neste campeonato tudo aquilo que tinha para fazer nesta (brilhante) época. Assim sendo, as suas cuecas irão ser gentilmente removidas, deixando a guarda descoberta para a visita penetrante do clube da capital do norte. O campeonato parece mesmo perdido lá para os lados da Luz.

No meio disto tudo, o causador da maior quantidade de comichão por centímetro quadrado de pele é Vítor Pereira, um excelente treinador adjunto que nunca mais na vida terá glórias parecidas a esta (a menos que permaneça em Portugal e no Porto, onde ele ou um macaco a dirigir o rumo táctico da equipa me parece a mesma coisa). Por mais que eu me ria com Jorge Jesus, a verdade é que fui inundado por um verdadeiro sentimento de pena à conta dele. Já o papagaio Vítor passou a semana a disparar salvas de disparates para o ar, saindo injustamente, ainda assim, a rir-se no final. Admira-se de que não lhe reconheçam valor, sendo que, para corrigir isso, bastava saber estar calado mais vezes.

Resta-me assim, e na impossibilidade do meu clube me vir a dar alegrias nas próximas semanas (e eu, até à semana passada, já me tinha contentado em ser do grupo de palhaços para quem a entrada na Liga Europa já faria esquecer o período mais miserável que o clube já viveu) torcer para que o Benfica ganhe ao Chelsea na próxima quarta-feira. Não apaga o jogo de ontem, mas considero um trofeu europeu superior a qualquer bibelot nacional.

Não é que sofra de anti-clubite. Não percebo é como alguém, não sendo adepto nem de um nem de outro, possa preferir o Porto ao Benfica, pelo menos tendo em conta as politiquices futebolísticas dos últimos vinte anos.

Pode ser que assim a época seja salva, ainda que o orgulho benfiquista esteja irremediavelmente ferido.

sábado, 11 de maio de 2013

Preciso urgentemente de dinheiro

Acho que também vou espalhar por aí que tive um caso com o Cristiano Ronaldo.

Os piores fotógrafos de sempre...

... são os que colocam as suas casas no mercado de arrendamento. Já nem digo que devam tentar tirar fotos bem focadas. Devem sim, pelo menos, usar mais qualquer coisa do que a roupa interior, não vá dar-se o caso de serem apanhados no ângulo por algum espelho.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rescaldo do primeiro dia de praia

O português é como um caracol. Move-se lentamente durante todo dia e, ao mínimo indício de calor, trata logo de meter a merda dos cornos ao sol. Eu, como sou estúpido e português (ia dizer apenas português, mas alguém era capaz de ficar ofendido) decidi que havia de ir à praia logo num dos dias mais bafientos do ano (25 de Abril, caso estejam a ler isto fora do contexto). Ao chegar ao areal, constata-se que este dia só serviu para dar demasiada liberdade às pessoas que, estupidamente, decidiram tal como eu acorrer TODAS à mesma área que eu tanto cobiçava. É importante referir que eu moro perto de um autêntico esgoto humano a céu aberto. Não digo isto no sentido de fazer juízos de valor acerca das pessoas, mas apenas para me servir do pormenor de toda a gente da zona, de uma forma ou de outra, lá ir dar. Se disser que fui a Carcavelos, o paralelismo fica muito mais bem traçado na cabeça de toda a gente.

Ora o problema da praia de Carcavelos não é a praia, que até não é má. São mesmo as pessoas. Neste tipo de dias, tentar arranjar lugar na areia é como o violador de Telheiras decidir que vai comer uma viúva de 80 anos. É óbvio que ali não passa nada. Lá arranjamos uma área de cerca de 1x1 m2 onde meter as toalhas, mas foi mesmo a custo de muito esfuçangar por ali adentro. A única pessoa que se vai sentir ali bem é um gajo que, simultaneamente, seja exímio jogador de Magic The Gathering e fã do Harry Potter, já que não haverá muito mais oportunidades na vida em que a proximidade a tanto cú e mamas seja tão evidente. A agorafobia que se lixe, né? Para este indivíduo, mesmo com elevadas taxas de celulite, já compensa o esforço. Dizem que devemos enfrentar os nossos medos e tudo.

É impossível que alguém tenha prazer em estar ali naquelas condições. Juro que cheguei a ponderar instalar a toalha num dos cantinhos do campo de volley de praia, já que o espaço abundava e prefiro candidatar-me a levar uma bolada nas costas do que sujeitar-me aos intensos encantos do odor corporal alheio. Os pés das pessoas estavam tão próximos uns dos outros (ahhh, a beleza da maré alta) que eu juro que vi fungos a saltar de pessoa para pessoa. Ora, não sendo possível tirar partido da tarde, não seria preferível haver uma espécie de porteiro na praia? Mesmo que não se fosse escolhido, ao menos o sofrimento seria menor do que fazer parte daquela Sodoma e Gomorra balnear, não havendo selecção.

É claro que eu acho que devia fazer parte da lista dos escolhidos, tendo em conta que estou a uma distância razoável a pé da praia. Quando está frio e se vai lá tomar café não vejo aquela gente toda a fazer fila. Só vão quando tá solinho, não é? Se serve nuns dias, também devia servir nos outros. Assim também eu.

Nem tudo é mau. A falta de selectividade faz com que a oportunidade seja óptima para aqueles que têm namoradas que acham que estão gordas quando não estão (a menos que estejam mesmo). Subitamente, já não é preciso dizer as palavras mágicas com convicção sobre-humana. Elas, que nunca confiam em nós, só têm de olhar à volta e ver aquela quantidade colossal de chicha que se balança por entre bikinis vários tamanhos abaixo do recomendável, para voltarem para casa com a certeza de que ainda há espaço para mais um Milka sem se deixar de ser maravilhosa. Para mim é que não chega, que eu é que estou mesmo uma lontra.

Acho que faz falta mais um arrastão em Carcavelos. Só através do medo de furto será possível diminuir a afluência de pessoas a uma praia tão concorrida. Os dias subsequentes a uma tragédia dessas seriam os mais maravilhosos de todo o verão.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Fluxograma para (contra) comerciais

Se fores atrasado mental ou distraído, abre a porta.

...

Parabéns, abriste a porta!

Se forem da Meo, diz que tens Zon e estás satisfeito.

Se forem da Zon, diz que tens Meo e estás satisfeito.

Sejam eles quem forem, se quiserem mostrar que são muito melhores do que os outros para te puxarem para a seita, interrompe imediatamente e diz que está tudo em nome do teu pai, mãe, marido ou mulher. Revira os olhos ao mesmo tempo, dará a ideia de que não tens poder decisivo no teu agregado familiar.

Se te pedirem o número para futuros contactos, sorri e dá um número falso. É mais rápido. Estão tão habituados à resistência que não vão duvidar que tens um 93 765 43 21.

Se o mesmo comercial bater à vossa porta num intervalo inferior a dois meses da primeira visita (mais do que isso e não se lembrarão), aproximem-se da porta sem a abrir e digam "AMOR, LIGA JÁ PARA O 112 QUE A TIA NÃO SE TÁ A MEXER COMO É COSTUME".

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Expressões populares

Corrijam-me se estiver enganado, mas é frequente usar a expressão "desde que vi um porco a andar de bicicleta já acredito em tudo" quando estamos desiludidos com alguma coisa e a nossa capacidade de sermos surpreendidos se torna menor.

Era capaz de jurar que, desde ontem, essa expressão foi substituída por "desde que vi José Sócrates a comentar a licenciatura de Miguel Relvas já acredito em tudo".

sábado, 30 de março de 2013

Nem com uma flor?

Sempre me ensinaram que, a uma mulher, não se bate nem com uma flor. Se houver alguma chatice com outro homem, tudo bem, há ocasiões em que não há alternativa, mas nelas não.

Espanta-me nunca ter posto em causa esta regra e, só hoje, já um homem feito, me terem aparecido as primeiras dúvidas.

Como é que fazemos se um transsexual não nos dá escolha? Podemos andar à porrada? É que, por exemplo, se for um homem que tenha passado a ser mulher, é capaz de dar mau aspecto. Por outro lado, se for uma mulher que se tornou homem, não acham que está menos preparada do que a outra para levar (e dar) nos cornos?

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Papa e a higiene pessoal

O Papa Francisco, apesar de ter iniciado agora mesmo o seu pontificado, começa já a inovar no que diz respeito aos costumes da Igreja Católica. A mudança não se deu ao nível do aborto, casamento homossexual ou eutanásia, por exemplo, mas sim na lavagem dos pés.

Francisco é um adepto ferrenho da higiene pessoal, tendo começado a demonstrá-lo já no início das comemorações pascais. De modo a que sirva de referência à humildade que a Igreja deve ter, decidiu lavar os pés a jovens reclusos. A inovação está no facto de dois dos visados serem raparigas. Os maldosos poderão dizer que é apenas a abertura de um precedente para no fundo lavar os pés apenas a raparigas, mas eu discordo. Fetiche de pés? Não, humildade na higiene. Não deu para ver a cara dos jovens, mas aposto que estavam felicíssimos. Quem não gostaria de estar descalço em frente à televisão, enquanto um velhote que não conhecemos nos beija os pés? Todos gostariam, obviamente. Só por isso, já valeu a pena ir preso.

Acontece que eu vi a dita lavagem dos presuntos e, apesar de achar que essa é mesmo a demonstração de humildade que a Igreja precisa de fazer, as boas intenções nem sempre correspondem a uma eficácia na limpeza e desinfecção. Quando eu aprendi a lavar os pés (quer dizer, foi mais as mãos e depois transpus a normativa lá para baixo), disseram-me que deveria utilizar sabonete. É claro que não tem necessariamente de ser sabonete (anos mais tarde até descobri que gosto mais de um cremoso gel de banho), mas o ponto mantém-se pertinente. Além disso, não é suposto passar água em toda a superfície a ser lavada? É que atirar umas mijitas de água lá para cima parece-me mais um baptismo ao contrário do que outra coisa. Sim, foi mesmo isso: o Papa Francisco foi baptizar pés a delinquentes. 

Tenho a forte convicção de que este gesto vai mudar profundamente as vidas daqueles moços. Duvido que venham a prevaricar no futuro. Mesmo que o façam, tenho a certeza de que os mais porquitos do grupo se lembrarão para sempre daquela sensação de frescura e, pelo menos, roubarão carros de pé lavado. Fugir da bófia com a sola minada de fungos é coisa dolorosa.

Já o beijinho no final da lavagem é apenas um bónus. É como um cupcake. Sem a cobertura é apenas um queque normal desenxabido. É como aspirarem os tapetes e o carro por dentro sem estarmos à espera quando deixamos o carro a lavar. Jesus também o fez e não foi por isso que lhe aconteceu alguma coisa de mal. Quer dizer, aconteceu, mas não foi devido a uma virose na boca contraída pela prática da humildade.


quinta-feira, 28 de março de 2013

O Embuste

"O Embuste" é a mais recente novela da TVI. Alternando entre São Bento e Paris, conta como dois gémeos separados à nascença, José e Miguel, acabam por ver os seus destinos cruzados nos mais altos cenários da política nacional. Esta narrativa mostra os últimos anos de dois homens que, apesar de educados de maneiras totalmente distintas, um à direita e outro à esquerda, acabam por revelar que a carga genética pode ser muito maior do que o meio que a molda. Nem José nem Miguel conhecem os seus verdadeiros pais. Nenhum dos dois sabe que tem aquele irmão. Mas, no fundo do seu ser, sabem que não estão sós. Afinal de contas, quando Deus tenta concretizar a perfeição num ser, não quer que ele vagueie pelo mundo sozinho. Só noutra alma igualmente perturbada é que poderemos encontrar o conforto da esperança.

Duas vidas separadas pelo tempo
Dois destinos numa história de amor
Duas lágrimas caindo no momento
Em que se acende a dor...

Ser socialista é ter na alma uma chama imensa

Não sei se é assim em todos os países, mas sinto que no nosso, pelo menos, a política partidária é colocada no mesmo patamar da política que mais nos move, o futebol. De facto, eu próprio já me senti culpado de, nalguns momentos, ter adoptado esse paralelismo.

O único antídoto para este veneno é desligarmo-nos dos partidos e pensarmos apenas ao nível da ideologia e das medidas com as quais concordamos, só depois entregando a razão a quem espelha melhor as nossas convicções.

Hoje, no rescaldo do jogo de ontem (perdão, do debate), vejo-me obrigado a concordar que, às vezes, é mesmo impossível fugir a essa associação entre a lealdade a clubes de futebol e partidos políticos.

Quando a nossa equipa joga mal e perde, temos tendência para andarmos mais calados. Eu, adepto sportinguista, tenho andado calado mais tempo do que o normal. Já os adeptos dos principais clubes rivais, assim que se chega ao local de trabalho, fazem a vida negra a quem perdeu, por entre suspiros do visado (ou caralhadas, consoante a educação; eu sou mais pela vulgaridade).

Hoje, deve ser tramado ser-se do Partido Socialista. Por mais que se deteste o homem, por mais que se tente fazer oposição sem relembrar a ilusão que sua santa incompetência tentou impingir ao país durante anos, a verdade é que, se eu fosse socialista, hoje sentir-me-ia como se fosse do Benfica depois de um jogo em que o saudoso Roberto tivesse dado dois frangos.

José Sócrates jogou mal, muito mal. Jogou tão mal que causou embaraço aos pergaminhos do clube. Mário Soares deve estar a revirar-se no túmulo. Ah não, espera, afinal está vivo e continua a dizer disparates (é que se vamos recuar até Cavaco, podemos recuar até Soares e com sorte só paramos em D. Afonso Henriques). Mesmo a jogar durate 90 minutos com mais um homem do que o adversário (um acontecimento destes e é aquela preparação com que um jornalista entra nas quatro linhas? Djizass.), conseguiu fazer o inimaginável e entregar os três pontos à outra equipa.

E mesmo assim, no dia seguinte há sempre quem o defenda nas redes sociais. A culpa foi da arbitragem. A culpa foi do estado do campo.

Banda sonora do momento


Como?!

Como é que se sai do país para ir tirar um mestrado, se nunca se chegou a acabar a licenciatura?

quarta-feira, 27 de março de 2013

10 razões contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo

Não sei quem redigiu isto, mas sendo tão correcto e actual que tive de partilhar.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Ser farmacêutico II



Há quatro anos atrás fui atendido de forma um bocado pedante por uma farmacêutica. Como é habitual, a minha primeira reacção foi vir destilar fel para o blog com as minhas generalizações. No fundo, se quisermos resumir a coisa, e para vos poupar tempo, à conta daquela gaja acabei por dizer que a maior parte dos farmacêuticos não passava de empregados de balcão glorificados (e bastante mais bem pagos).

Passados quatro anos, é com muita vergonha que afirmo que aquele é dos posts mais lidos por aqui, apesar dos laivos de genialidade bem patentes noutras prosas. A única razão pela qual me estou a lembrar disto agora é o facto de ainda hoje eu receber mensagens condenadoras por causa disso. Normalmente os remetentes são portugueses e brasileiros que estão a estudar Ciências Farmacêuticas e seus sucedâneos e, mesmo assim, têm dificuldade em conjugar alguns verbos (ai essas hifenizações, minha gente). Isto dá-me algum consolo e faz-me pensar que a maioria não ficou ofendida e percebeu a ironia da situação, já que não é qualquer cromo que faz farmácia. De vez em quando também recebo alguma mensagem de alguém já no mercado de trabalho, vangloriando-se daquilo que ganha face ao que eu ganho. Nesses casos, penso apenas que se trata de alguém que anda a praticar muito mau sexo. Caso contrário, estariam a irritar-se com um post escrito por alguém que não conhecem em 2009?

Acreditem: ando a fazer os possíveis para o irmão da minha namorada ir para farmácia ou medicina dentária em detrimento de um curso de engenharia, opção para a qual ele está virado. Eu próprio, caso gostasse da área e não fosse burro, preferia neste momento estar numa farmácia ao balcão do que ser engenheiro. Além disso, pelo menos em Lisboa, o aparecimento dos primeiros raios de sol dotados de +23 graus centígrados tornam a faculdade de farmácia num paraíso para rebarbados (a minha senhora diz que a faculdade de direito é que é, mas tenho dúvidas). O puto tem pinta, acho que lá se safava e sempre era uma aprendizagem para a vida.

Leave Pedro alone.

PS: e antes que me voltem a chatear, sim, tenho consciência de que o atendimento é apenas uma das muitas vertentes da área, e quase uma necessidade para quem começa. Também tive carradas de química na universidade, porra!

domingo, 17 de março de 2013

E eis que ele volta à ca(r)ga

Canuco Zumby não morreu. Embora a maior parte das pessoas tenham parado de saber notícias dele depois do glorioso desastre com a "diva" de Oliveira de Azeméis, a verdade é que continua a produzir novos (s)hits, um atrás do outro. Qual B Fachada em versão azeite, a quantidade da sua produção assemelha-se apenas ao tamanho do seu ego. Canuco continua a confundir visualizações com sucesso.

Eu não quereria ter um vídeo meu na net com um milhão de visualizações sendo que, de todas as pessoas que votaram, mais de 70% vota em "não gosto" e apenas os restantes em "gosto". Em 10 comentários, nove apelam para que pare de fazer música, uns de forma mais cordial e outros nem tanto. O restante comentário, positivo para variar, costuma vir de filhos de emigrantes no Luxemburgo, mas daqueles para quem o português é uma língua quase tão estranha como o holandês, a julgar pelas conjugações verbais, a troca do "ç" por dois "s" e assinados por gente do tipo Marisa Micaela. Ainda assim, Canuco acha que tudo aquilo em que toca é um êxito, e o seu fiel clube de fãs apelida de invejosos a todos os que têm o desplante de dizer que aquilo é má música. Mas lá está, filhos, é mesmo má música. É engraçado sermos tão protectores em relação aos nossos gostos; são sempre os outros que estão errados, e não nós que somos azeiteiros.

Achei que este último vídeo seria digno de menção, nem que fosse como case study. Em parceria com a DJ Mia Ferrero (quem?), Canuco debita a frase "hoje eu quero sexo" por cima da já habitual batida pobre que o caracteriza, enquando a jovem DJ (realmente hoje em dia cada vez há mais espécimes e eu cada vez percebo menos para que é que servem; deve ser um produto da crescente democratização do material audio) abana as mamas e o cu em lingerie sexy (discutível) à frente daquilo que parece um roupeiro num quarto de um T1 em Telheiras, mas que afinal é apenas um quarto de motel baratinho (mas até parecia limpo, pelo menos antes de ter sido cenário desta produção). Quando o sofrimento acaba, Canuco bate à porta da jovem, esfregando as mãos de contente e piscando o olho ao perceber que vai facturar à força toda. Mas lá está Canuco, com essa receptividade toda por parte da Mia (ironicamente, mia é minha em italiano, mas neste vídeo, em vez de minha, dá a ideia de ser de todos), até tu consegues.

Por entre todos os comentários ofensivos, em que as palavras rameira e cremalheira são ostensivamente utilizadas, há quem se indigne perante o ódio demonstrado face aos artistas. Há quem diga que a moça não merecia isto. A minha questao é: ninguém previu este desfecho? Gastou tanto dinheiro a meter mamas falsas, e não soube corrigir aquele caso severo de prognatismo? É que o primeiro plano é, precisamente, a rapariga a sair da piscina em bikini, fazendo uma cara de caso absolutamente digna da corcunda do corcunda de Notre Dame, seguindo-se a fusão entre o belo poema de Canuco e a bela pose da jovem num quarto de motel. Há mais alguma coisa que possa aludir tanto à prestação de serviços sexuais como este explícito imaginário?

Mia, gasta menos dinheiro em Macbooks e software, e vai a um dentista. Eu tive o mesmo problema do que tu em pequenito e tive a sorte de os meus pais me poderem pagar o aparelho dos dentes. Não quer dizer que seja super atraente hoje em dia, mas eu também não ando propriamente a bambolear-me em tanga ao som de kuduro na Pensão Estrela.

Já tu, Canuco, continua a fazer o que tão bem fazes. O Fernando Mendes já faz rir pouca gente e precisamos de ter alguém para carregar a tocha do humor em Portugal.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Dos 8 aos 80 (os mais pequenitos com sumol de ananás)

Tentem isto cantando mesmo a sério:

OLX
Turu Turu
OLX
Turu Turu
OLX
É a consola e o videojogo
Eh Oh!
É a pomada e a aspirina
Eh Oh!
É o espumante e a ginginha
Eh Oh!
É a guitarra e o apito
Eh Oh!
É a cueca e o soquete
Eh Oh!
É a salsicha e o presunto
Eh Oh!
É o cozido e a moqueca
Eh Oh!

E assim sucessivamente. Isto dá um excelente jogo de bebida para a primavera que se avizinha. Começam todos a cantar juntos, e depois vão rodando, inventando cada um uma estrofe à vez. Quem hesitar ou quem repetir palavras, bebe um copo de três de penalty. Ganha quem ficar de pé. Quando voltar a ficar mais frio, pode-se sempre substituir a bebida por roupa. Ou será que nunca experimentaram o strip-olx?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Não há baby blogs

Quando uma blogger diz que vai criar um baby blog, está apenas a tentar atirar areia para os olhos dos leitores, sendo esse, ironicamente, o único meio que temos disponível para captar os seus conteúdos.

Uma mulher não cria um baby blog. Por definição, um blog feminino já é um baby blog, visto que serve meramente o propósito de retratar o caminho que se percorre até lá chegar, se é que ainda não se chegou lá. Os blogs de gaja são desprovidos de mariquice, mesmo quando ainda não têm filhos? Pois, raramente, não é? Então calma que a coisa há-de lá ir dar.

Quando um homem cria um baby blog para expressar toda a felicidade que vai dentro de si... enfim, não quero falar sobre isso. Vou limitar-me apenas a dizer que respeito todas as orientações sexuais, dar os parabéns, e seguir em frente.

terça-feira, 12 de março de 2013

Descubram quem são os pais...

... que deixaram uma criatura de 15 anos chegar ao ponto de ter SEIS TATUAGENS do Justin Bieber no corpo e CHAMEM UMA ASSISTENTE SOCIAL o mais depressa possível. Sim, porque uma tatuagem ainda se faz às escondidas, mas seis é uma filha da putice do demo. Não há desculpa, vocês são umas bestas. Há poucas barbaridades piores que se possam fazer ou deixar um filho fazer a ele mesmo. Se calhar, se a filha descobrisse que era lésbica já andavam todos com um medinho daqueles.

Por melhor que se tente educar uma criança em casa, há sempre hipótese de vir a desenvolver gostos estranhos, fruto da convivência com crianças educadas por hillbillies. Tudo bem, faz parte. Quem nunca teve a sua quota parte de ídolos fraquitos na sua infância/adolescência, que se acuse. Porra, ainda hoje eu tenho ídolos. Mas uma coisa é certa; ter um ídolo não implique que sejamos idiotas. Aliás, em caso de paixões musicais estranhas, agarrem-se à única coisa que ainda vos pode salvar a vida, que é o imenso potencial mimético que os humanos têm para se incluirem na normalidade.

Podes gostar de Angel-O, mas ao menos disfarça.

domingo, 10 de março de 2013

Solidariedade Coerciva

Correndo o risco de parecer insensível, já não sei que cara hei-de fazer à malta que está nos centros comerciais a abordar as pessoas em nome da luta contra o cancro. Se eu ajudasse de cada vez que me pedissem, especialmente numa altura de crise, quem precisaria de ir para a rua pedir ajuda seria eu. Ou era isso ou recorrer à boa vontade do Banco Alimentar Contra a Fome (no qual, por sua vez, há membros que também sabem ser bastante irritantes).

Vamos lá ver uma coisa: eu não tenho dinheiro para essas merdas. Isso não quer dizer que eu queira que as pessoas sofram da doença. Aliás, gostando da ideia e fazendo parte de um estado social (mas no meio, não tão à esquerda nem à direita quanto alguns desejam), quero acreditar que parte das contribuições são empregues precisamente nesse fim. Dar a uns e não a outros (normalmente às meninas mais bem maquilhadas e sorridentes) é que seria uma atitude hipócrita. É que são sempre os mesmos. Não há uma psoríase, não há um pé boto ou uma caspa mais crónica.

É normal que uma pessoa se torne insensível. Eles estão em todo o lado. Não há um dia em que uma pessoa não seja solicitada para uma coisa dessas. Estamos com pressa e acabámos por levar em cima com os gajos do City Bank ou do Barclays, que, quais artistas circenses, nos dizem antipaticamente na cara "mas você nem sabe o que é que eu tenho para lhe dizer". Sei, meu caralho, sei. E pronto, estamos nós a pensar se será que chegamos a horas a certo sítio e se fazemos ideia de como vamos pagar determinada conta, e estão lá mais aqueles, a pedir dinheiro para o cancro. Assim como há pessoas extremamente simpáticas, que não insistem e percebem a indisponibilidade de algumas pessoas, há gente que nos fica a olhar com cara de "parece impossível, não queres ajudar os sidosos ou cancerosos, vê lá se não te calha a ti". E quando passamos pelo mesmo sítio nem dez minutos depois, e a mesma pessoa nos volta a abordar como se nunca o tivesse feito?

Se as pessoas quisessem (ou pudessem) mesmo ajudar, sempre que o quisessem fazer, dirigir-se-iam aos postos da respectiva campanha. As letras são grandes e toda a gente sabe o que se passa ali. Aí sim, queria ver quantas pessoas é que estariam dispostas a fazer uma contibuição. A fazer com que os outros se sintam mal também eu conseguia angariar dinheiro. Sempre pensei que um "peço desculpa, mas agora não, obrigado" fosse cortesia suficiente. Não é. Também já ponderei dizer que "dinheiro não tenho, mas posso dar-lhe um abraço" ou até "ah, mas eu não tenho cancro, obrigadinho". Tenho a certeza de que a minha imagem não sairia manchada. É que eu já esgotei todas as formas de sorrir, de pedir desculpa. Sobra-me o passo acelerado, caminhar junto às paredes, e fingir que tenho a pior visão periférica do mundo.

domingo, 3 de março de 2013

A manifestação de 2 de Março...

... deixou-me uma grande dúvida a pairar na cabeça:

Pelo menos até há pouco tempo, ela vivia com a mãe, e acho que não tinham empregados. Quando havia assim uma nódoa mais fodida numa colcha ou num casaco, era a própria da Monica Lewinsky que se deslocava à lavandaria e explicava o que é que precisava que fosse feito ou a mãe tratava disso por pena dela?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O único crime da Pipoca

... é, às vezes, vestir-se tão mal como aquelas que critica. De resto, qualquer dia não se pode dizer nada a ninguém, com medo de que padeçam de alguma condição grave. Quanto à Sofia Alves, aquela que tem sérios problemas (e não a rapariga que tem cancro), good luck with that. Os nossos tribunais não têm mais nada que fazer. Mais facilmente se demarcava da etiqueta de bimbalhona do pior sabendo encaixar uma piada em vez de fazer birra.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Óscares 2

Há malta que fica acordada na noite dos Óscares (e Grammys, já agora) unica e exclusivamente para poder ver e comentar os vestidos. Isso é um bocado estúpido. É como eu querer ver o Grandre Prémio de Fórmula 1 da Malásia só por causa das gajas que seguram nos chapéus de sol durante a partida. Mesmo assim, isso é menos parvo, já que há garantia absoluta de todas as gajas ali serem boas.

Óscares 1

Há um motivo para eu nunca ter feito no blog uma crítica ao Mercedes SL65 AMG com aqueles laivos de entendido na matéria. Não só não fui dono de um, como nunca conduzi nenhum nem sequer tive a sorte de ver um ao vivo. Gosto quilometricamente do carro e pronto, não posso dizer muito mais. É por isso que hoje não é um bom dia para se andar na blogosfera a ver blogs de gajas. Quase todas andam a falar de vestidos como se a sua experiência fosse muito para além da H&M ou da Zara.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Limbo

Limbo é aquela fase da digestão em que, não havendo ainda merda suficiente no intestino para haver vontade de cagar, sabemos que temos de sair de casa para embarcar numa lauta refeição, estando afastados dessa mesma casa por um período de tempo bastante considerável, e havendo a forte possibilidade da vontade se revelar em parte incerta. O destino nunca o achará exequível. Quando se trata de cagar, there's no place like home.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gato por Ipad

Dizem que está um gajo num site português de trocas a querer trocar um gato persa por um Ipad.

Então mas anda tudo doido? Submete-se um anúncio destes e não se tem a decência de especificar que tipo de Ipad se quer? Então e quantos anos tem o gato? É que se fosse um persa novinho já justificava um Ipad 2 ou mesmo um mini. O 3 nem pensar. Agora se o gato for velho... Caga e come. É isso, só caga e come. Nem um mimo, nem nada. Caso contrário, é uma óptima altura para quem se quer desfazer de um Ipad dos antigos. É que se a malta dos blogs rabichos fashion blogs sabe que ainda tens um Ipad desses, uuuuuuuuuuuui, lá se vai a tua reputação na internet (que é uma cena para lá de preciosa).

É que mais vale morrer.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Já agora vamos regular o professor Bambo

A proposta de regulamentação das terapêuticas não convencionais, saindo da alçada da Ordem dos Médicos, seria inteligente se não fosse, na sua génese, estúpida.

Na minha cabeça, e felizmente na de muitos outros, não existe esta distinção de medicina convencional, medicina ocidental, medicina alternativa, medicina tradicional chinesa e magia branca realizada por grandes cientistas africanos. Para mim existe apenas uma coisa: medicina. O resto é barulho.

Na esmagadora maioria dos casos (lá está, não conheço tudo, tenho mais do que fazer), se alguém inventasse uma técnica nova, sendo comprovada por testes independentes e rigorosos, ela seria imediatamente incluída naquilo a que nós devíamos chamar apenas de medicina. Não interessa se vem da China, da Finlândia ou de Portugal. Interessa apenas que seja uma mais valia para a resolução de uma doença.

De resto, não me parece que haja uma entidade melhor para decidir acerca disto do que própria Ordem dos Médicos, que é tipo a malta que tipo é suposto tipo perceber de saúde humana. Se há lobbies? Há, mas também há em todo o lado, infelizmente. Há alguém melhor para decidir a regulamentação de algum tipo de terapêutica? Não.

Deixando avançar isto mais, arriscamo-nos a que um dia, a título de exemplo, andemos todos a pagar os medicamentos homeopáticos comparticipados de alguém (não me digam que já acontece). Nesse dia, quero ver se há hipocrisia suficiente para as finanças me recusarem uma factura de uma consulta do professor Bambo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O miserável

Tive este domingo a pior experiência de sempre numa sala de cinema desde o "Unbreakable" de M. Night Shyamalan. De vez em quando é preciso ceder aos gostos da nossa mulher. Ela avisou-me que era um drama. Torci o nariz. Avisou-me que era um filme de época. Levantei o sobrolho. Avisou-me que era um musical. Chorei. Fomos ver Les Misérables.

Nunca antes tinha sentido vontade de abandonar um filme a meio. A primeira parte foi um festival de porrada que só eu sei o que custou. Parecia o combate final de um filme do Rocky, em que ele leva nos cornos até à exaustão, para sair vitorioso apenas no assalto final. Ou sobreviver, como fiz ao sair do shopping. Não li a obra original de Victor Hugo, mas uma coisa é certa. Nunca vou ler. Até pode ser que em livro a coisa esteja mais bem explicada, mas a compressão necessária para enfiar mil e tal páginas (?) em duas horas e meia de filme leva a que certas premissas sejam ridículas. Mas nada disso é o pior.

Eles cantam a toda a hora. A TODA A HORA. A TODA A HORA.

Um musical não precisa de ser todo cantado. Há alguns temas principais, entre os quais pode haver uma secção considerável de discurso normal. Ali, até a coisa mais diminuta é cantada. Imaginem que eram obrigados a viver a cantar até ao fim da vida. Lá está, não aguentavam nem uma hora. O filma dura mais do dobro.

♫Vou cagaaaaaaaaaar!

♫Está bem! Não te esqueças de baixar o tampo da sanita quando acabaaaareeeees!

♫Querida, o que é que há para jantaaaaaar?♫

♫Hoje é arroz com atuuuuuuuuuum!♫

♫Oh não, arroz com atuuuuum outra veeeez! Porque é que somos tão miseráaaaaaveeeis?♫

♫Não te preocupes, soltei um peeeeido! Agora até o cheiro do atum parece melhooooor!♫

E o filme é isto do princípio ao fim. Pow, pow, pow, pow, porrada em cima. Quando uma pessoa pensa que há uma parte mais calma, começam de novo a cantar, e eu já sem espaço para me enterrar mais na cadeira. Realmente não é filme para um homem, o que estava bem retratado pela distribuição de sexos na plateia. 70% eram mulheres, 30% homens, sendo que, desses 30%, tinham todos vindo acompanhados pelas namoradas ou mulheres, tirando um velhote que adormeceu algumas vezes e um casal de paneleiros, acho eu.

Sim, só podiam ser paneleiros.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A sorte do Tiago Miranda...

...é existir a Pepa Xavier. Cabe sempre à obra mais genial roubar a luz que também devia iluminar os mais pequenitos. Aliás, é a sorte do Tiago e das outras bloggers escolhidas pela Samsung.

A minha pergunta é:

Esta malta dos "blogs de moda portugueses" é mesmo toda assim gigantemente ridícula ou a responsabilidade pelo exagero também passa por quem editou os clips?*



*eu poupo-vos o tempo que gastariam a pensar na resposta. Sim, definitivamente são.

Também quero uma Chanel preta

Quando a minha namorada chegou a casa e me contou que tinha rebentado uma bronca qualquer nos blogs e no facebook por causa de uma campanha publicitária, eu ainda pensei em dizer "porreiro, vai mas é fazer-me uma sandes". Mas não disse, porque o mais provável era apanhar uma belinha logo a seguir.

Quero, desde já, colocar-me ao dispôr da Samsung para ser responsável pela próxima campanha a realizar no nosso país. Cobro menos e terei maior discernimento para perceber quando é que uma ideia minha é semelhante a atirar-me para a frente de um comboio em andamento. Uma coisa é certa; não recorria a bloggers. A Pépa não tem a culpa de ser assim. Uma pessoa quer respirar e está alguém a apertar-nos o nariz durante doze horas por dia. Imaginem uma infância disto. Como é que vocês acham que ficavam a falar depois? E qual é o mal de alguém, como objectivo supremo, querer mamá-la uma mala?

Acho ridículo o ponto a que esta merda de se "ser blogger" está a chegar. NÃO EXISTE TAL COISA. Se a Maria Papoila escrever no seu diário e o mostrar à turma do 11ºC, que nome é que lhe vamos inventar agora? A malta escreve umas merdas na net e acabou-se. O que é que há de especial para além disso? Porque é que em Portugal alguma marca, tirando uma de vernizes ou dessas merdas mariconças, há-de ligar àquilo que um toni qualquer registado no blogspot escreve? O poder de compra já está tão baixo, e é um blogger (até me dá comichão escrever isto) que vai influenciar uma pessoa a comprar qualquer coisa? Lá está, tirando vernizes, e lacas, e porras.

És advogado e tens um blog? És advogado. És jornalista e tens um blog? És jornalista. És uma das dez pessoas no mundo cujo rendimento vem maioritariamente da publicidade feita no blog? Talvez sejas blogger. O resto? Meh.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Já vos aconteceu?

Conhecer a ex-mulher ou ex-marido de alguém, ainda antes de terem casado.