A proposta de regulamentação das terapêuticas não convencionais, saindo da alçada da Ordem dos Médicos, seria inteligente se não fosse, na sua génese, estúpida.
Na minha cabeça, e felizmente na de muitos outros, não existe esta distinção de medicina convencional, medicina ocidental, medicina alternativa, medicina tradicional chinesa e magia branca realizada por grandes cientistas africanos. Para mim existe apenas uma coisa: medicina. O resto é barulho.
Na esmagadora maioria dos casos (lá está, não conheço tudo, tenho mais do que fazer), se alguém inventasse uma técnica nova, sendo comprovada por testes independentes e rigorosos, ela seria imediatamente incluída naquilo a que nós devíamos chamar apenas de medicina. Não interessa se vem da China, da Finlândia ou de Portugal. Interessa apenas que seja uma mais valia para a resolução de uma doença.
De resto, não me parece que haja uma entidade melhor para decidir acerca disto do que própria Ordem dos Médicos, que é tipo a malta que tipo é suposto tipo perceber de saúde humana. Se há lobbies? Há, mas também há em todo o lado, infelizmente. Há alguém melhor para decidir a regulamentação de algum tipo de terapêutica? Não.
Deixando avançar isto mais, arriscamo-nos a que um dia, a título de exemplo, andemos todos a pagar os medicamentos homeopáticos comparticipados de alguém (não me digam que já acontece). Nesse dia, quero ver se há hipocrisia suficiente para as finanças me recusarem uma factura de uma consulta do professor Bambo.